O Círculo Secreto Da Alvorada
4 A feiticeira dos animais
Houve um silêncio na prisão. Até mesmo o próprio Luke havia esquecido que o seu pai antes de partir, lhe havia ensinado algo que seria útil naquele momento. Melissa ainda não havia percebido, porém Giovanni e Raphael observavam a maestria com o que Luke lidava com a fechadura. Em poucos minutos, a sela estava aberta e todos prontos para sair. Northon havia limpado a testa de Giovanni e colocado uma pano velho amarrado para estancar o sangue.
— E vamos sair assim? E se tiver alguém tomando conta da sela? – Raphael perguntou. — Eu vou checar se existe alguém próximo da gente! – Northon falou se afastando um pouco e se agachando ao chão. — “Ar eu invoco agora o seu dom. Envolva-me e mostra-me os que estão próximos a mim!” — O garoto ainda ficou calado durante um tempo. – Não há ninguém próximo, talvez não imaginássemos que poderíamos fugir. — Como você pode ter tanta certeza que não tem ninguém? – Mellody indagava. — Eu tenho também a habilidade de rastreamento, eu consigo sentir as pessoas a minha volta ou seguir o cheiro de alguém que eu já tenha conhecido. É um dos meus dons místicos. — Então vamos! – Sugeriu Luke. Os jovens saíram um atrás do outro e logo estavam fora da sela. Havia uma escada escura que se dirigia até o térreo do local. Mellody havia tirado o seu salto alto a fim de evitar um barulho indesejado. O local estava escuro e eles não podiam saber se ainda era noite ou dia. Eles subiram as escadas vagarosamente. O chão estava meio úmido e por algumas vezes, Melissa foi salva por Giovanni de levar um tombo. Mellody se segurava na parede, afinal ela sabia o quanto era estabanada. Kyara era acompanhada por Raphael e logo atrás vinha Luke. Eles subiram a escadas e chegaram num pátio. O local era iluminado por tochas e em todas as paredes vinham palavras em latim e imagens de santos que defenderam a igreja durante todo o seu desenvolvimento. — E agora? Para onde vamos? – Melissa perguntou. — “ Eu preciso de você Terra! Me mostre a saída!” – Northon sussurrou e logo depois virou-se para os companheiros. – Por aqui! – Eles continuaram andando até Kyara avistar vários olhos vermelhos se formando na escuridão. — Gente estou começando a ficar com medo. O que são esses pontinhos vermelhos? – A garota falou para Raphael atrás dela. Os pontos foram se juntando e a atenção ficou ainda maior quando um vento forte levantou os cabelos das meninas e levou o corpo de Mellody a bater na parede. Os garotos levaram um susto e Giovanni até ameaçou soltar um grito. Mellody perdeu os sentidos por alguns segundos e logo voltou a si. O seu corpo estava queimando e esbanjando energia. Giovanni que segurou na garota para tentar segura-la, sentiu eletricidade passando pelo seu corpo. — Ela está dando choque! Será que tem alguém possuindo a loira oxigenada? – O garoto disse para os restantes. — Eletricidade? É os poderes dela que estão se desenvolvendo. Aqui é um lugar muito sagrado e isso deve está forçando suas habilidades a aparecerem. – Northon dizia examinando a garota. — Sagrado? Eu concordo! Tão sagrado que seguidores das trevas não conseguem fugir desse lugar. – Uma voz soou da escuridão e logo depois revelando uma mulher. Ela estava vestindo um vestido negro longo e uma sandália amarrada até a altura do joelho. A mulher era muito branca e seus cabelos grandes impediam que seu rosto fosse visualizado. — Tamara! – Northon se dirigiu a mulher. – Eu poderia imaginar minha irmã que você estaria por aqui ou não teria outra explicação por eles terem me achado. — Northon Zirbiard, filho do grande guerreiro Zullan, meu pai! – A mulher ia saindo das sombras e revelando suas curvas pelo vestido. – Não imaginei que você perderia a sua vida se envolvendo com bruxos da pior espécie. Garoto não tente usar suas habilidades contra mim, não funciona! – Ela se virou para Raphael, que parecia concentrado na mulher. — Raphael não tente utilizar, você pode matar todos nós! – Northon advertiu. — Quem é a vadia? – Melissa perguntou. — Vadia? Vou gostar de ver seu corpo queimar na fogueira garota! – Respondeu Tamara. — Não precisa ser assim minha irmã, deixe-nos sair! – Northon implorou. — Nunca! Sou uma deles agora e meu misticismo nunca foi tão forte. – Ela falou encarando o irmão. – “ Gaia, responda sua mestre e envie seus animais a mim, pelo meu poder ”. – Rugidos, guinchar de animais e pios de aves começaram a ser ouvidos muito além dos olhares do grupo. Além disso, os olhos vermelhos saíram das sombras e revelaram enormes cães negros. – Já viram um cão infernal? – Os animais começaram a correr na direção dos jovens e eles se separaram. Melissa e Luke, Raphael e Kyara, Giovanni e Northon. Kyara tentou procurar a prima porém Mellody havia sumido. — Mellody? Mellody? A Mellody desapareceu! – A garota aflita tentava chamar a atenção de Raphael que apenas observava atentamente para os cães se aproximando. Northon mirou os dedos e formando um arco em direção a dois cães que se aproximavam. — Sacra Arrow, invocação da Flecha de Luz! – Northon exclamou e logo flechas de pura luz apareceram na ponta de seus dedos e foram se lançando em direção aos cães que se esquivavam dos ataques.
— Vou ensinar a essa vagabunda uma lição! – Melissa saiu de trás de Luke e correu na direção de Tamara. As duas entraram numa pequena luta corporal. Melissa havia feito artes marciais desde muito nova e por isso sabia se subsair muito bem numa luta corpo-a-corpo. Os braços de Melissa se movimentavam no ar com grande precisão e bloqueava os ataques da feiticeira. Numa jogada de perna e numa tentativa de dar uma rasteira em Tamara, Melissa foi abordava por pássaros negros e envolveu o rosto da garota e derrubou-a no chão. No mesmo instante, outras vozes começaram a aparecer próximos. — Os outros estão vindo, precisamos sair daqui de pressa! – Northon lançou a ordem. Caída no chão Melissa ainda tentou se levantar porém foi segura pelas pernas da feiticeira. Algo segurou a feiticeira por traz e a derrubou no chão e quando a mesma estava se levantando, recebeu um chute na barriga vindo de Melissa. — Vagabunda! Filha da puta! Fica esperta vadia! – Melissa gritou e logo teve o braço puxado para perto dos outros. Luke estava com uma tocha de fogo na mão e evitava que os cães se aproximasse, enquanto Northon lançava suas flechas de luz. — Não vamos conseguir, os outros Puritanos já estão vindo! – Raphael gritou da sombra próxima. — Raphael me ajuda! – Northon invocou o amigo! Raphael com Kyara ainda tentando não ser atacada se aproximaram de Northon. – Todos venham para perto de mim! – Quando Northon deu a ordem, os outros se aproximaram dele. O garoto de cabelos longos, olhou para o céu e fazendo um sinal de estrela no ar fechou os olhos. — Pluvia Lucen sanctam! Chuva da Luz Sagrada! – O corpo do garoto levou um baque e logo pontos luminosos surgiram no céu. — Droga! – Tamara gritou antes de várias luzes começarem a cair do céu. Era luz, como raios e feriram os animais e obrigando Tamara a se esconder e a correr. Alguns puritanos que estavam chegando ao local foram atingidos e logo jatos de sangue jorravam de seus corpos. Raphael segurou Northon, antes que o corpo do guerreiro caísse no chão. — Precisamos fugir daqui agora! – A voz de Mellody gritou de algum lugar! Luke pegou Northon e colocando nos ombros, começaram a correr na direção que o guerreiro havia indicado anteriormente. Eles se embrenharam num enorme matagal. Havia várias árvores e algumas vezes Northon indicava a direção para Luke seguir com os outros. Atrás deles, vozes de homens e pios de animais nas árvores entregando a localização dos jovens. — Não vamos conseguir! – Raphael falou tristemente! — Raphael, Sacra Circuli, Vocare nos! – Northon sussurrou. — Eu não consigo fazer meus poderes aparecerem eu tenho medo! – Lágrimas surgiram dos olhos do garoto. — Sacra Circuli, Vocare nos! – A voz de Mellody foi ouvida bem alta no interior da floresta. – O corpo dos jovens foram envolvidos por um ar e logo depois veio a escuridão e seus corpos entrando em contato com o solo novamente. Eles estavam no centro do círculo de pedras novamente. — Mellody? Porque eu não estou te vendo? Você está aqui? – Giovanni perguntou! — Ego exurgam in oculis! – A voz de Mellody soou delicadamente e logo depois foi se revelando uma garota igual a ela, porém usava um vestido branco e os cabelos estavam traçados num trança que terminava no começo das nádegas. — Como você fez isso? – Kyara perguntou. — Não sei! No momento em que fui tocada por algo muito bom, senti como se eu fosse feita de eletricidade e logo apareceu essas palavras na minha mente. Então repeti baixinho com medo de você rirem de mim e então eu fiquei invisível. – A loira explicava. – E agora eu sabia não sei como que para voltar a ser eu mesma, eu precisava repetir essas outras palavras. Eu estou ficando maluca? – Mellody começava a chorar. — Não Mellody! – Melissa se aproximava meio sem jeito da garota. – Agora eu acredito em Northon e no Rapha, somos mesmo bruxos! — É somos! Triste admitir isso! – Giovanni falou triste ao lado da garota. Northon se recuperava lentamente, enquanto Raphael parecia ficar mais pálido. Os dois estavam de mãos dadas. — Nossas magias sugam nossas forças vitais e se usadas com frequência ou quanto maior o poder da magia, maior o risco de morrermos na sua execução. – Northon falava recuperando a força. – Obrigado Raphael pela sua energia, eu já posso recuperar o restante sozinho. — De nada cara! – Raphael disse meio que se força. — E agora? Vamos voltar para o acampamento? – Luke indagou. — Não podemos, logo vão vir atrás da gente. – Raphael respondeu. — E nossa família? Eles correm perigo? – Giovanni perguntou. — Eles sabem se defender afinal vocês são bruxos porque vem de gerações de bruxos, então logo sua família sabem se virar sozinhos. – Northon falou. — Eu sempre achei a mãe da Mellody com aquela cara puxada e o nariz grande com cara de bruxa. – Giovanni soltou a piadinha. — Não tem graça Sparks! A sua mãe também é bruxa, ela voa no cabelo dela? Porque bruxas voam em vassoura né? – Mellody respondeu ao garoto. — Precisamos parar com essas implicâncias! Somos um círculo agora, somos o círculo sagrado e precisamos um dos outros. – Raphael retorquiu. — Raphael abraça o círculo e nos leve para a cidade bruxa, eu ainda estou fraco e não posso fazer isso, ou posso perder a consciência ou nos levar para um lugar errado. – Northon falou. — Eu não posso! – Raphael falava se afastando do grupo. O garoto deixava lágrimas cair dos seus olhos. – Não me peça isso! — Podemos fazer? – Kyara perguntou. – Parece que existem assuntos que o Raphael borboleta não quer nos contar. — Não fale assim dela Kyara! – Mellody advertiu. – Você não pode cuspir no prato que já comeu diversas vezes! — Podem! – Northon cortou o que possivelmente se tornaria uma briga. – Mellody e Giovanni, por favor, tentem. — Porque eu? Eu não sei fazer macumba ainda não! – Giovanni retorquiu. — É magia idiota e mesmo e se o gatinho de cabelos longos falou, talvez é porque você já possa, talvez não tenha percebido ainda imbecíl. — Olha garota, se você chamar meu Gioh de imbecíl novamente, eu vou te bater tanto que você vai esquecer até os centenários de homens que você já pegou. – Melissa ameaçou. — Porque tudo pra você e não base da briga Melissa? Você tem um homem gritando dentro de você para sair não é? Sua lésbica incubada! – Kyara respondeu de volta. – Ops lésbica não, esqueci que você é apaixonada pelo meu Luke. — Seu o que? – Luke perguntou. – Se enxerga, nem se você fosse a última mulher do mundo. Não curto mulheres fáceis. — Hum poderia dormir sem essa Kyara. – Giovanni caçoou. — Precisamos não nos distrair com babaquices. Temos uma tarefa ainda a descobrir! – Raphael cortou aquela conversa toda. — E o que seria essa tarefa? – Melissa perguntou. — Perguntar aos seus pais o porque esconderam a verdade de vocês e o que vem a ser o Círculo Mistíco. – Respondeu Raphael. — Círculo Místico? Ainda tem isso? – Mellody falou se acolhendo mais para perto de Luke. — Sim, quando eu era criança, meus pais falaram sobre o Círculo Místico, porém não tiveram tempo de me responder. Eles morreram antes! – O garoto respondeu tristemente. — História triste. Sabe o que eu me lembrei agora? – Perguntou Mellody. — Não Mellody! – Todos responderem juntos. — Estamos de pijamas! Eu nunca imaginei que alguém fosse me ver com meu pijama de bichinhos. – Nesse momento, todos repararam e houve quase uma crise de riso. Mellody estava com o seu pijama de bichinhos e o salto alto na mão. Melissa estava com um blusão largo e uma bermuda preta. Raphael estava de camiseta e calça de seda. Enquanto Giovanni e Luke estavam vestindo uma camisa normal e uma calça de pano leve. Kyara estava de baby-doll, o que causou certa dificuldade ao olharem para ela, afinal era meio curto. Digno de Kyara Zuckerman. — O que foi? Aprendi que o é bonito é para se mostrar. – Kyara respondeu para todos. — Mais para onde vamos agora? Já devem ter sentido a nossa falta, além do mais, vai quase amanhecer. – Disse Giovanni olhando para o grupo. — Eu estava pensando se podíamos cada um ir para a sua casa e perguntar a seus pais sobre o Círculo. – Falou Raphael. — O porque desse curiosidade toda? Somos Bru-bru-bruxos não somos? – Melissa quase teve a dificuldade de falar. – Eu acho que isso já foi demais para minha cabecinha hoje. Não quero mais revelações. Quero apenas na verdade dormir. — Você conseguiria dormir depois de tudo isso? – Giovanni perguntou. — Eu conseguiria sim. Você sabe que eu sou ótima de cama. – A garota respondeu rindo.
Depois de alguns minutos de discussão, o grupo resolveu que cada um iria para casa e depois se encontrariam mais tarde. O pior seria enfrentar, sra Karry nervosa. O que o grupo não sabia, é que a professora de biologia seria um problema mínimo diante de tudo o que estava para acontecer.
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