O Cárcere da Alma

3 Traçando um Novo Caminho


Notas iniciais
Olá pessoal! Demorei praticamente seis meses para postar uma continuação para esta fanfiction. Por favor entendam que estarei prestando vestibular e meu colégio está muito em cima e pesado sobre os alunos, consequentemente a mim! Espero que agrade a vocês tanto quanto agradou a mim ao ler/escrever este capítulo! 8D BEIJÃO!
No último capítulo:

–– Não se preocupe Sango-chan! Não há necessidade. Eu mesma quero ouvir de Inuyasha o que ele tem a dizer. –– Sango assentiu.

–– Do que precisa minha criança? –– Kaede direcionava agora à palavra a Kagome.

–– Tentar ser discípula de Reishin Oono!


–– O CÁRCERE DA ALMA ––

2. Traçando um Novo Caminho

–– Reishin Oono!? – Kaede reage surpresa. –– Mas Kagome, eu lhe falei de Oono-sama somente uma vez. Como ainda se lembra de tal nome?

–– Eu tenho uma ótima memória Kaede-baa-chan. Por favor, eu gostaria de me tornar discípula dele. Já tomei minha decisão. – A garota tentou se manter firme, mas o semblante denunciava dor. –– Venho pensado muito a respeito de Oono-sama. – Continuou franzindo a testa. –– Talvez ele tenha algumas respostas para mim, talvez ele me ajude a achá-las mais rápido, talvez ele me ajude a traçar um novo caminho.

–– Quem é Reishin Oono? – Perguntou Sango interessada no rumo que o diálogo tomava. –– Algum sacerdote? – Chutou.

–– Ele é mal falado por todas as mikos, e mantêm essa reputação há mais de cinquenta anos Sango. Minha irmã nunca me contou o que aconteceu no templo de Oono, afinal, ela foi aprendiz do filho de Reishin, portanto ela o visitava de quanto em quanto em sinal de respeito. – Kaede retomou o fôlego e continuou. –– Kikyo manteve-se em silêncio e só me dizia meias palavras sobre o homem. Uma vez, me lembro de suas palavras, mencionou que aquele homem tratava mikos com tanta indiferença como uma pedra. Em outra vez comentou que seu humor era tempestuoso e instável. Reishin não é homem qualquer, é um hanyou. – Surpresa, Sango agora fazia as ligações dos fatos.

–– Então Kikyou conhecia outro hanyou além de Inuyasha. – Não era uma pergunta, era uma constatação. Levou sua mão direita até o queixo e refletiu. –– Então, Kikyou não gostava de Reishin por seu humor, ou por ser um hanyou?

–– Minha irmã tinha suas dúvidas. – Confessou Kaede. –– Porém, nunca tive certeza do que minha aneue¹ pensava a respeito de Oono-sama.

–– Então ele ainda ensina “Mikos”? Oono-san? – Perguntou Sango cautelosa.

–– Sim. – Agora era Kagome que respondia. –– Porém eu devo passar em seu pré-treinamento. – Kaede assentiu com a cabeça em confirmação a Kagome.

–– E qual é esse pré-treinamento? Matar alguns youkais? Kagome, eu vou te ajudar! Eu não quero que vá sozinha. – Agora quem falava era Shippou, que entrara na conversa rapidamente afastando as cobertas que atrapalhavam seu caminho até o colo de Kagome. – Não sabe como eu fiquei preocupado Kagome. Pensei que iria morrer e me deixaria sozinho com aquele BAKA do Inuyasha. – Choramingando, Shippou se acomodou no colo da garota a abraçando. Kagome retribui o gesto fazendo carinho na cabeça de Shippou.

–– Calma Shippou. Não vou morrer, eu não me permitiria te deixar sozinho. Nada disso. –– Respondeu Kagome numa voz calma para Shippou.

–– Verdade? Verdade? – Inquiriu o pequeno demônio-raposa para comprovar se as alegações das palavras anteriores eram verdadeiras.

–– Verdade, verdade. – Respondeu Kagome agora um pouco risonha.

–– Há boatos que Reishin é importante para o equilíbrio das regiões montanhosas à Oeste, porém nunca foi mencionado em vão. Por mais que Kikyo tenha feito essa imagem de Oono, eu ainda acredito que ele é mais puro do que muitas mikos que são dignas de pena por sua corrupção. — Kaede informava.

–– Mas porque tanta raiva? Ele matou alguém por acaso? – Sango tentou fazer graça, mas percebeu que não deveria tê-lo feito.

–– Na verdade sim. – Foi a vez de Kagome responder. A expressão risonha de segundos antes por Shippou sumira por completo. – Foi Oono-san que matou o pai de Inuyasha.

–– Isso... isso é verdade? – Aflita Sango não sabia o que fazer com a resposta que recebera. –– E ele sabe disso? Inuyasha?

–– Não. Midoriko colocou a jóia neste mundo, e eu a tirei. Sem propósito, o Honekui no Ido me trouxe de volta e se fechou para sempre agora que a jóia deixou de existir. Inuyasha já não mais pertence ao meu destino. Eu fiquei a beira Sango-chan. Oono-san poderá me ensinar como chegar as respostas, é nisso que acredito. Há também a chance de que também poderá me ensinar a ser uma miko.

–– Você tem certeza Kagome? – Kaede perguntou com um tom preocupado lançando um olhar cauteloso ao semblante triste de Kagome.

–– Eu já tomei minha decisão. – Kagome respondeu segura.

Rin agora não chorava mais, atenta, ouvira as decisões de Kagome com o coraçãozinho na mão. Sua querida Kagome-chan teimava em desaparecer de novo, como sempre acontecia quando se encontravam.



Após alguns dias, Kagome estava melhor e conseguia andar. Graças as ervas e conhecimentos de Kaede, se recuperaria em menos tempo do que o normal. Até então, Inuyasha não fora falar com ela, somente Sango, Miroku, seus filhos e Shippou. Agora precisava descansar, não achar mais motivos para dor, Inuyasha teria de esperar decidira. Rin se mantinha sempre ao lado de Kagome, preocupada, achava que era sua culpa ter acontecido aquela tragédia. Kagome tentava em vão explicar que aquilo não era culpa de Rin e tentava incentivá-la a não seguí-la, mas a garotinha não dava ouvidos.

–– Kagome... ? – Uma voz suave chamou a garota. Quando se virou, se deparou com Kikyo.

–– O que quer? – Perguntou ríspida. A dor física, e mental, não deixavam espaço para uma resposta mais feliz.

–– Ainda desconfia de mim? – Um braço de Kikyo se mantinha em uma tipóia e uma das mãos estava enfaixada. Mesmo para um corpo de barro, ela sofrera danos pelo ataque da semana passada.

–– Deixa eu ver, você já tentou me matar, então porque será? – Respondeu sarcástica.

–– Kagome-chan, quem é essa mulher? É muito parecida com você. – Perguntou inocentemente Rin. –– Eu conheço ela de algum lugar...

–– E quem é você criança? – Kikyo se aproximou.

–– Kikyo, o que veio fazer aqui? Kaede me disse que estava recolhendo ervas do outro lado do Bosque Sagrado. – Inquiriu Kagome.

–– Eu já as recolhi. – Percebendo as intenções de Kagome, Kikyo se afastou. Dava as costas a cena indo em direção a cabana de Kaede, porém antes que a distância ficasse grande demais, sem se virar, parou e pronunciou alto e claro. –– Gostaria que não guardasse esses sentimentos por mim Kagome.

–– O meu rancor se deve as suas atitudes, e as consequências delas, não a você. – Respondeu.

–– Sua alma continua pura pelo que vejo. É difícil te corromper Kagome, diferente de mim. – Suspirou fazendo uma pausa. Resignada levantou sua face para olhar as nuvens espaçadas que passavam lentamente, os pensamentos estavam longe. –– Não posso mudar o que já fiz, mas posso lhe dizer algo antes que vá. – Surpresa, Kagome observou Kikyo voltar seu olhar para ela. –– Kaede me contou. Reishin Oono-sama uh? Nunca pensei ouvir esse nome novamente.

–– O que lhe interessa meus planos Kikyo? Eles não valem nada para você. – Após falar, uma dor se espalhou pelo peito de Kagome como uma queimadura. Ela se segurou em pé como se nada estivesse acontecendo.

–– Não me interessa realmente, mas quero que lembre de algumas palavras enquanto for em direção a Oono-sama, e com sorte, talvez reflita sobre elas.

–– Fale, não há nada te impedindo.

–– Você não pode morrer por alguém que ama. Os mortos são uma memória viva. Os mortos não pertencem mais ao presente. Os mortos pertencem ao passado, e o constante presente os machuca cruelmente, porque eles não são afetados por ele. Especialmente aqueles que não fazem mais parte da própria história. As pessoas morrem quando são esquecidas. – Após isso a miko calou-se e em seguida se afastou de Rin e Kagome continuando seu caminho.

Por alguns segundos, Kagome ficou impelida a perguntar se aquele “conselho” seria um conselho, ou uma confissão íntima de Kikyo. Porém, permaneceu calada e manteve as palavras de Kikyo memorizadas em algum canto de sua mente para uma análise posterior.

Rin se manteve quieta com um olhar de indagação, esperando que lhe explicassem porque houvera tensão no ar quando duas mulheres tão parecidas se aproximaram.





–– Kaede-baa-chan. Onde possa encontrar Oono-san?

–– Ele vive no Hoshi no Shinden². É um templo muito a oeste daqui. Em boas condições demoraria dias para que chegasse pelo menos a vila que permeia as divisões, no seu estado, eu diria no mínimo um mês com caminhadas suaves e tranquilas.

–– Um mês? Isso é muito tempo. Deve ter um jeito mais rápido. – Reclamou Kagome num muchocho. Sentada de lado, um dos braços envolvia o estômago na tentativa de suportar a pose com menos dor.

–– Peça que Inuyasha te leve. Está na hora de conversarem não acha minha criança? – Indicou gentilmente.

–-- Não, desta vez, eu irei sozinha. Inuyasha não tem razão para me levar. Deve haver outro jeito...

–– Não tenho tanta certeza. Quando irá falar com ele? Ele veio até mim com grande pesar hoje, pois se sente extremamente culpado por ter se ferido Kagome. Não o trate assim tão indiferente. – Aconselhou.

–– Kaede, você sabe não é? Porque eu me machuquei... – Não era exatamente uma pergunta. Era mais um longo suspiro acompanhado de um desabafo.

–– O que quer dizer criança? — Indagou confusa a velha anciã.

–– Nada, nada. Está tudo bem. –– Fugindo do assunto, Kagome já se levantava. Com dificuldade, se apoiou com um dos braços no chão de madeira e se dirigiu a janela da cabana. De costas comentou bem baixinho junto ao estalar do fogo que crepitava no meio das duas. –– Deveria tentar ao menos uma vez antes de partir? Inuyasha.

VOCABULÁRIO-

Aneue¹ – (Irmã mais Velha)
Hoshi no Shinden² — (星の神殿 — Templo das Estrelas)

Notas finais
Espero que tenham gostado do cap.! Aqui não há muita ação, mas embasamento histórico dos eventos que irão se seguir, é uma parte importante que você conecte com o futuro. O passado de Inuyasha virá à tona também. Kagome mais furiosa e menos frágil, mais altruísta também. Beijão!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.