Mônica sai de casa às sete e meia. Chega na casa de Gabriel por volta das oito. Bate na

porta.

Gabriel: Oi, gata!

Mônica: Oi!

Gabriel: Vamos entrando! Meus pais não estão em casa, não se preocupe!

Mônica: Porque eu iria me preocupar?

Gabriel: Você sabe o porquê!

Mônica: Primeiro eu quero conhecer a casa!

Gabriel: Fique à vontade! Eu estou lá no quarto, te espero lá!

Mônica: Tudo bem!

Gabriel vai pro quarto. Entra no banheiro (que ficava dentro do quarto, obviamente) e

troca de roupa. Coloca uma calça justa e uma camiseta regata bem colada. Fica descalço. Quando Mônica chega ele ainda está dentro do banheiro.

Mônica: Gabrieel!

Gabriel: Entra!

Mônica: Posso acender as luzes?

Gabriel: Não! Deita ali na cama que eu já vou!

Mônica: Ta bem! Posso ligar a TV?

Gabriel: Liga, liga...

Gabriel sai do quarto. Mônica estava deitada na cama, vendo TV. Gabriel se coloca na

frente da TV e começa a fazer um streep – tease. Ele começa tirando a camisa.

Mônica: Bem, o que você ta fazendo?

Depois ele tira a calça, bem devagar, como se estivesse dançando! Por baixo, uma sunga e porquinhos (que meigo!).

Mônica: Para com isso, Gabriel!

Por último ele tira a sunga e fica nu. Mônica começa a gritar, vira a cara e fecha os

olhos.

Mônica: Para com isso, seu nojento, seu idiota! Não foi pra isso que eu vim aqui.

Ela sai da casa correndo e chorando. Gabriel se questionava.

Gabriel: Mas não era isso que ela queria?! O que ela quis dizer com aquele bilhete? Nunca vou entender as mulheres! Ó, Deus!

Mônica volta pra casa. Entra em casa chorando.

Dona Luisa: Mônica, que aconteceu?

Mônica: Nada!

Ela vai para o quarto e se tranca lá.A mãe da umas batidas na porta, mas depois desiste.

Mônica: Merda... Peraí, peraí, peraí... E se... Claro! Alguém deve ter tramado aquilo!

Agora eu vejo! O Gabriel nunca iria fazer aquilo, ele sempre foi muito carinhoso e

compreensivo! A letra do bilhete era totalmente diferente da letra do Gabriel, por isso

ele agiu tão estranho quando eu cheguei lá e fez aquilo! Óbvio que isso é um plano da

Mariely! Como eu fui burra! Mônica, você é uma jumenta! Ela deve ter mandado um

bilhete totalmente diferente pra ele! Odeio essa garota! Estou com vontade de sumir, de

morrer! Ai, eu vou sair daqui de uma vez, vou me mandar dessa casa! Assim será melhor. Vou atrás da minha felicidade.

Ela pega uma mochila, coloca umas roupas dentro. Vai até a cozinha, prepara quatro

sanduíches, pega umas seis maçãs, duas bananas e coloca na mochila. Estava decidida a fugir.

Pegou o dinheiro que restava da última mesada, somente vinte reais. Ela ganhava

oitenta reais todo mês. Resolveu pegar algum dinheiro. Sabia que a mãe guardava

dinheiro dentro de uma caixinha que ficava no quarto dela. Foi até lá, mas a caixa estava

vazia.

Mônica: Droga!

Ela voltou pro quarto. Escondeu a mochila embaixo da cama. Quando todos foram

dormir, ela pegou um papel e deixou um bilhete:

“Tchau, mãe! Tchau, pai!”

Desceu as escadas silenciosamente. Resolveu andar pela cidade, pois já era tarde e não

havia mais ônibus. Depois de andar por quilômetros e quilômetros a esmo, ela

encontrou uma casa aparentemente abandonada. Chamou várias vezes mas ninguém respondeu. Resolveu entrar. Suas expectativas se confirmaram: a casa estava vazia, não

havia móveis e nenhum objeto. Pegou uns jornais que havia trazido dentro da mochila e

amontoou – os num canto. Comeu uma maçã e deitou para tentar dormir.