O Criminoso Perfeito
11 SPIN OFF - Ann
Notas iniciais
Meu celular vibrou indicando uma nova mensagem. Suspirei imaginando que seria mais algum chefe de quadrilha, ou de milícia querendo armas, mas senti meu coração vacilar quando olhei para a tela do aparelho e vi o nome de quem não esperava.
Não que eu não quisesse a mensagem dele, na verdade fazia alguns dias desde a ultima vez que eu o havia visto, mas era compreensível, já que tinha havido um problema com o delegado Erwin, então a delegacia deveria estar um inferno.
Olhei para o celular e respondi antes de avisar aos meus “guardas” de que teríamos visitas. Essa era minha rotina agora, tinha que andar com pessoas que me protegessem e com o medo constante de ser um alvo de alguém. Agora eu sei porque meu pai era tão medroso a respeito desse ramo de tráfico de armas, depois de conhecer as pessoas que as compravam, realmente percebi que eram perigosas. Talvez as únicas coisas boas que meu pai deixou para mim seja a célebre frase: “não confie em ninguém”, e ter me criado para “enfrentar” o mundo da máfia desde cedo.
Uma parte da minha infância vivi com minha mãe, uma russa de cabelos loiros e olhos azuis, das quais herdei as características físicas, então não convivi com meu pai desde cedo. Na verdade, eles não se amavam, só se casaram porque as famílias tinha um interesse em comum, e queriam selar uma aliança entre uma parte da máfia italiana e russa. Minha mãe nunca gostou desse ramo criminoso, enquanto meu pai sempre fez questão de viver nele. Quando a família da minha parte materna caiu e todos passaram a ser caçados, meu pai me “resgatou” para ele, e começou a me criar com professores particulares de diferentes estilos, que ensinavam desde o básico da matemática, até técnicas de como matar alguém rapidamente. Claro que ele fazia tudo isso e escondia de todos, eu era como sua “carta na manga”.
E ele finalmente decidiu me usar quando percebeu que seu império estava sendo ameaçado por um grupo de policiais. Foi ai que as coisas começaram a desandar para mim.
Nunca fui do tipo que conversa muito, ou que se envolve demais com os outros. Por ter vivido muito tempo isolado do mundo, tendo contato apenas com um grupo restrito selecionado por meu pai, não soube lidar com as emoções novas que comecei a sentir quando entrei na delegacia. Eles eram simpáticos e agradáveis, me receberam super bem, então foi muito difícil levar meu objetivo a diante, sendo que eu teria que traí-los. A dor maior foi ter que trair o Mikael, com quem acabei me envolvendo mais do que gostaria.
Depois de tudo, de trair as pessoas que confiaram em mim, que mais me trataram bem em toda minha vida, eu tinha que continuar com meu plano, tomar a família e limpar nossa honra, nosso nome, que foi jogado na lama graças às escolhas e passos do meu pai, e para seguir em frente, precisei matá-lo.
Acho que nunca fiz um bem tão grande ao mundo.
Ele era podre, nojento e pervertido, capaz de comprar pessoas, mais especificamente garotos, com os quais tinha todo tipo de relação sexual. Entre os corredores da minha casa, soube que talvez pelo fato dele não ter conseguido me comer, passou a caçar garotos por aí. Desde o dia em que o vi arrastar um garoto pelos cabelos e estupra-lo, enquanto ria do seu desespero, jurei para mim mesmo que o mataria, nem que fosse a ultima coisa que tivesse que fazer.
Agora finalmente alcancei meu objetivo, achando que tinha sacrificado a pessoa mais importante para mim, mas felizmente consegui que Mikael me escutasse. Desde então ele tem me visitado, seja aqui, seja na minha casa “normal”. Sinceramente prefiro quando é na minha casa, da ultima vez que ele veio ao meu escritório (que fica em uma das antigas casas de meu pai), machuquei meus lábios enquanto os mordia para impedir os gemidos, e tentava não derrubar todos os papéis da minha mesa a cada investida.
Fazia uma semana que eu não o via, e eu já sentia falta. Por Deus, eu estava parecendo uma adolescente apaixonada que sente falta se o namorado não liga todo dia. Mas tem uma incoerência, eu não sabia dizer o que éramos. Mais que amigos? Com certeza, mas seriamos namorados? Não sei dizer, mas não tenho muita coragem para perguntar algo assim.
Terminei de ver todas as vendas que havia feito, as armas a serem entregues, e todas as transações da semana, antes de ir para casa. Eu costumava sair tarde e ficar em uma casa afastada da mansão principal, onde agora era uma espécie de Quartel General, para ter mais privacidade e um pouco de paz. Os meus guardas ficavam por lá, no QG, e eu passava a noite sozinho. Bem, nem sempre sozinho.
Tinha chegado em casa, tomado um banho e estava enrolado em uma toalha, segurando uma taça de vinho na mão, quando a campainha tocou. Senti meu coração perder o compasso, porque mesmo sem ter aberto a porta, eu sabia quem era. Comecei a pensar na possibilidade de dar uma chave para ele enquanto olhava pelo olho mágico antes de abrir a porta.
– Você parece cansado – Comecei, como se essa observação fosse mais importante que um “boa noite”.
– Você também – Mikael sorriu fraco, da forma contida que sempre me deixava sem ar.
– Muita coisa na delegacia? – Perguntei enquanto sentia seus braços envolverem minha cintura e sua cabeça ser apoiada em meu ombro.
– Sim. Mas o pior... – Seu abraço ficou mais apertado – Foi não te ver esses dias.
Retribui o abraço e pude sentir seu cheiro. Um cheiro de sabonete e creme de barbear, misturado com seu suor, o cheiro que já estava começando a sentir falta. Quando finalmente nos afastamos, ele ainda estava com os braços na minha cintura quando envolvi seu rosto com minhas mãos e o beijei lentamente. Um beijo leve e calmo. Afastei-me antes que ele o aprofundasse e acabássemos com aquele momento “puro”. Eu estava muito vulnerável apenas de toalha, então precisava tomar cuidado.
– Entra – Me afastei para que ele pudesse passar — Não cozinhei nada, acabei de chegar.
– Tudo bem, eu cozinho – Respondeu ele antes de deixar a mochila e o capacete em cima da poltrona na qual eu estava sentado.
– Não, tudo bem, podemos pedir comida.
– Eu faço questão.
– Mas...
– Sem “mas”, eu quero cozinhar pra você.
Mikael arregaçou as mangas e passou por mim em direção à cozinha. Ele cozinhava perfeitamente bem, e enquanto fazia nosso jantar, fui vestir uma roupa. Fiquei esperando na cozinha, sentado no balcão e perguntando sobre como foi o dia dele.
– Bem... Como vão as coisas por lá?
– Complicadas – Mikael terminava de fritar alguns camarões – Depois que o Erwin sumiu, tudo na delegacia caiu aos pedaços, nosso principal objetivo agora é encontrá-lo.
– O Levi também sumiu.
– Não deve ser coincidência.
– Aposto que não. Se eu souber de algo, te aviso – Tentei reunir um pouco de coragem para a próxima pergunta — E... E o Eren?
– Bem... Ele voltou, ainda está meio quieto, talvez ainda não esteja acostumado a não me ter sempre por perto.
– E... você?
– O que?
– Já se acostumou?
– Somos apenas irmãos – ele me olhou nos olhos – nada além disso, se é o que quer saber. E não, não penso mais nele dessa forma, percebi que havia superado isso quando peguei o resto das roupas na nossa antiga casa – Ele colocou o pote de vidro com um tipo de risoto de camarão no balcão e se aproximou – Agora eu tenho você, esqueceu?
Mikael envolveu meu rosto com as mãos e me beijou. Elas eram grandes e estavam quentes, provavelmente pelo fato de que ele estava cozinhando, e me deram uma sensação interna de paz que nunca havia sentido antes. Sempre desconfiei de todos, sempre odiei a maioria das pessoas que conheci, mas com ele sempre fora diferente. Desde que passamos a ser parceiros, soube que poderia confiar nele.
Enquanto me beijava, desci da cadeira na qual sentava, antes dele segurar minha cintura e me fazer sentar no balcão da cozinha. O pote de vidro estava do outro lado do balcão, mas eu não me importava se o derrubaria ou não. Envolvi sua cintura com minhas pernas e passei os braços em seu pescoço. Eu era pequeno o suficiente para ficar quase na mesma altura que ele daquela forma, apenas um pouco mais alto. Quando nos separamos, apoiei minha testa na dele e fechei os olhos.
– Eu senti sua falta Ann – ele ainda me chamava de Ann, já que para ele, seria como um apelido para “Antonnie” — Não se preocupe com o Eren, quantas vezes vou ter que dizer?
– Velhos amores podem voltar.
– Não, não enquanto eu tiver você.
– Temos que jantar – Falei, enquanto sentia suas mãos começarem a subir por dentro da minha camisa e seus beijos passaram a fazer um caminho por meu pescoço.
– Agora? – Ele mordeu de leve meu ombro. Sabia que iria ficar uma marca, mas eu podia pensar nisso depois.
– S-Sim, vou ela vai esfriar.
– Tudo bem – Mikael me soltou e me ajudou a descer do balcão.
O ajudei a arrumar a mesa e jantamos. Estávamos já no final da garrafa de vinho quando finalmente acabamos e fomos lavar a louça. Quando finalmente ficamos livre de tudo, eu estava cansado e molhado, já que sempre acontecia pequenos acidentes enquanto eu lavava a louça.
– Preciso trocar essa camisa, está toda molhada. Não acredito nisso, pareço uma criança de cinco anos aprendendo a lavar os pratos.
– Você lavou melhor que uma criança de cinco anos – Mikael tentava não rir – Pode apostar.
– Ah claro, se eu não tivesse quase cinco vezes a idade dessa criança.
– Não fique assim, acontece com todo mundo.
– Se molhar inteiro por causa de uma colher, definitivamente não “acontece com todo mundo”!
Saí da sala enquanto Mikael ria baixo. Era divertido vê-lo sorrir, já que éramos duas pessoas que não tinha um riso fácil. Entrei no quarto, tirei a camisa, e estava procurando uma camisa seca e apresentável no guarda-roupa, quando senti dois braços envolverem meu corpo.
– Mikael... – Dessa vez seus dedos estavam frios, e fizeram com que eu me arrepiasse enquanto tocavam meu dorso nu.
– Ann – Ele começou a beijar minha nuca – Não precisa de outra camisa – me virei para ele e fui pressionado contra o guarda-roupa – irei tirá-la de qualquer forma.
Ele tinha razão, não iria precisar de outra camisa tão cedo. Fazia uma semana que não o via e meu corpo já sentia falta, dormir naquela cama vazia, depois de viver a experiência de dividi-la com Mikael, estava começando a parecer doloroso para mim. Quando uma sensação boa toma conta do seu corpo, é difícil fazer com que ele a esqueça.
Coloquei meus braços ao redor do pescoço dele enquanto sentia suas mãos começarem a entrar em minha calça. Tentei não gemer quando Mikael passou a mão por cima do volume que ele mesmo estava provocando em minha virilha. Quando menos percebi já estava deitado na cama, beijando-o com veemência, sentindo suas mãos passeando pelo meu corpo, apertando levemente em alguns lugares. Eu estava ofegante quando finalmente nossos lábios se separaram, e os de Mikael passaram a fazer um caminho de beijos em direção ao meu baixo ventre.
– Mi... kael... – Gemi baixo quando ele beijou e mordeu minha calça de moletom, puxando-a e me deixando apenas de cueca.
– Você já está bem animado aqui, Ann – Ele sorriu ao ver que meu rosto começava a ficar vermelho.
Apoiei-me nos cotovelos para observar Mikael lambendo e massageando meu membro, mesmo que ele ainda estivesse coberto pela cueca. Percebi que ele estava disposto a me provocar, já que, enquanto eu gemia e suspirava, ele sorria, observando minhas reações e fazendo com que meu rosto esquentasse ainda mais.
– Pretende ficar assim, me provocando? – Perguntei, antes de o sentir morder e puxar minha cueca para cima, mas sem tirá-la.
– Sim, não precisamos ter pressa...
Ouvi quando ele riu baixo e virei o rosto para esconder minha reação de vergonha. Como se não bastasse ele saber tudo o que precisava para me fazer enlouquecer, ele ainda tinha que me provocar sempre. Não que eu desgostasse disso.
Passei a morder meus lábios e já tinha consciência de que, mais um pouco e eu chegaria ao clímax, quando senti meu membro ser envolvido por algo quente e úmido. Me virei rapidamente para encontrar Mikael o chupando, subindo e descendo em um ritmo que me fez tremer, e segundos depois chegar ao orgasmo.
– Já? – O moreno sorriu enquanto engolia e ficava de pé.
– V-Você veio me provocando e diz “já”? – Tentei falar com uma certa coerência, mas eu não pensava mais direito.
– Achei que duraria um pouco mais – ele sorriu – não achei que estava tão excitado assim.
– Mentiroso!
Sentei na cama e abri o zíper da calça dele. Antes de qualquer protesto ou objeção, tirei seu membro da cueca e o envolvi com meus lábios. Não fui lentamente para provocá-lo, como ele havia feito comigo, comecei rápido, passando a língua em toda sua extensão e massageando os testículos, antes de voltar a chupá-lo rápido e com força. Eu queria vê-lo gozar o quanto antes, para me vingar das suas provocações. Senti sua mão em meu cabelo e passei a ouvi seus gemidos.
– Ann... Eu... Já...
Seu orgasmo veio forte, preenchendo minha boca, fazendo com que eu repetisse sua ação de engolir. Pensei em olhar para ele como quem dissesse “e então, o que achou?”, mas assim que levantei meu rosto, meus lábios foram tomados pelos dele, e o peso do seu corpo me fez deitar na cama.
Passei minha mão por dentro de sua camisa para tirá-la enquanto nos beijávamos. Ele mesmo fez o movimento para tirar a cueca e as calças, que por sinal eu já as tinha abaixado. Senti meu corpo ser pressionado na cama, e como se fosse por instinto, abri levemente as pernas, mesmo que segundos depois, enquanto me beijava, ele mesmo tenha começado a abri-las, colando ainda mais nossos corpos.
Eu já podia sentir nossos membros excitados em contato, mesmo já tendo chegado ao orgasmo há pouco tempo, ambos estavam eretos e prontos para mais uma.
– Ann... – Mikael sussurrou em meu ouvido, me fazendo arrepiar com seu hálito quente – Eu quero entrar em você.
– P-Pare de falar essas coisas! – Virei meu rosto já vermelho quando ele apoiou-se com os braços e passou a me observar – O lubrificante tá no criado-mudo.
Mikael sorriu e esticou o braço para alcançar a gaveta do criado-mudo, antes de abri-la e tirar um pote de lubrificante de lá. Jogou o suficiente na mão e passou em toda a extensão do seu membro, depois disso introduziu um dedo lambuzado na minha entrada, para só então se posicionar na frente dela.
– Eu... Já...
– Não precisa ficar avisando, Mikael! – Toda vez que ele fazia isso, eu sentia meu rosto esquentar ainda mais.
Não consegui conter um pequeno gemido quando ele entrou por completo em mim. Doía, sempre doía, mas eu já estava começando a me acostumar com o membro dele. Antes de começar a se movimentar, Mikael esperava que eu me acostumasse para que não fosse tão incômodo para mim. Envolvi seu pescoço com meus braços quando ele começou os movimentos, enquanto se apoiava com um braço, e me masturbava com o outro.
Nossos corpos já começavam a suar bastante, deixando o contato entre eles cada vez mais escorregadio e quente. Sentir Mikael dentro de mim estava me enlouquecendo, mas antes que eu pudesse continuar a aproveitar, ele decidiu mudar as coisas.
– Ann... vamos... mudar... – Mikael parou, ofegante e completamente suado.
– Co-como? – Eu também estava, e reuni todo pensamento coerente que ainda restava para responder.
– Vire.
Sem que ele precisasse falar o que eu tinha que fazer, Mikael saiu de dentro e me virei, ficando de quatro. Particularmente aquela posição fazia com que eu me sentisse mais exposto do que gostaria, mas naquele momento eu não me importava com mais nada. Senti quando ele entrou novamente em mim, dessa vez com mais rapidez. Eu já estava ofegante e gemia alto, tinha sido uma ótima ideia ter essa casa afastada da principal, ou o resto da família toda acabaria ouvindo. Soltei um gemido abafado quando senti a mão grande de Mikael envolver novamente meu membro, que a essa altura estava extremamente excitado e pulsante, mas eu não queria gozar naquele momento, queria que aquilo se prolongasse o máximo possível, mas todo meu esforço foi em vão quando o senti atingir minha próstata. Apenas mais algumas estocadas foram o suficiente para que a mão de Mikael fosse preenchida pelo meu gozo, e para que eu caísse sem forças na cama, mesmo que continuasse empinado. Mikael continuou por alguns segundos até que eu sentisse ser preenchido por ele, indicando que também havia chegado ao orgasmo.
Depois de deitar atrás de mim, senti seus braços envolverem minha cintura enquanto me abraçava. Fechei meus olhos sentindo seu corpo quente e suado contra o meu, estava em paz, mas ainda tinha uma questão que eu gostaria de perguntar.
– Mikael...
– Hmn?
– O que nós somos?
– Como assim?
– Amigos, companheiros, ou... namorados?
Mikael sentou-se na cama, e me virei para fitá-lo.
– Bem... eu... nunca tinha pensado para pensar nisso.
– Não quero forçar nada, só...
– Tudo bem. O fato de estar ao seu lado já me acalma,achei que nunca esqueceria o Eren, e que sempre sofreria com um amor não correspondido, até você aparecer – Ele envolveu meu rosto com uma das mãos e eu me aproximei dele, sentando ao seu lado.
– Me sinto tão bem agora... mas algumas coisas ainda continuam confusas.
– Eu sei... comigo tamb- O celular dele começou a tocar. Olhei para o relógio, ainda eram onze horas da noite, mas pra mim já estava muito tarde para alguém ficar ligando.
Ele se levantou e atendeu ali mesmo, como se não se importasse que eu escutasse sua conversa.
– Alô? Sim... Bem, sim. Acharam o carro? Ah, ok, tudo bem, estou a caminho.
– Precisam de você na delegacia? – Perguntei depois de desligar.
– Sim, parece que encontraram o carro do Erwin, me desculpe, preciso ir – Mikael começou a pegar e vestir suas roupas. Quando ele finalmente já estava pronto, peguei minha cueca e o acompanhei até a porta.
– Mikael, tenho mais uma pergunta.
– Diga.
– Você quer ser meu novo guarda-costas?
Mikael se virou e me olhou surpreso. Bem, eu já tinha vários guardas, mas eu sabia o quão bom ele era, e precisava de alguém forte o suficiente para me ajudar a lidar com as pessoas que compravam armas, principalmente os chefes de gangues, que cada vez mais estavam ficando ousados.
– Se não quiser... Bem, eu não vou forçar nada, só pensei que...
– Eu vou pensar – Ele depositou um beijo calmo em meus lábios e saiu, pegando sua moto nova. Só depois que ele já estava longe, lembrei que tinha deixado seu capacete e sua mochila aqui. Pelo menos eu tinha certeza que ele viria buscá-la.
***
Meu dia começou agitado. Como se não bastasse meu corpo ainda estar marcado pelas mordidas e chupões de Mikael, eu tinha que atender várias ligações, dizendo que precisariam de novas armas. Era incrível como final de mês era a época com mais compra de armas, seja no submundo, seja pelas “lojas especializadas”.
Estava começando a sentir meus ombros ficarem tensos quando ouvi alguém bater na porta, era um dos meus guardas.
– O que foi agora? – Eu estava sem paciência alguma para mais uma dessas malditas visitas de chefes da máfia, que se achavam importantes o suficiente para virem me encher por nada.
– Tem um cara aqui querendo falar com você.
– Sempre tem um, o que ele quer?
– Ele pediu pra dizer que seu nome é Mikael.
Senti meu sangue congelar, o que Mikael queria indo ali àquela hora? Bem, só tinha um jeito de descobrir.
– Ok – suspirei para parecer cansado e não levantar suspeitas – Manda ele entrar.
Depois de alguns segundos achando que ele estaria vindo para pegar sua mochila e capacete, o vi entrar na sala, mas algo estava diferente. Ao contrário do que sempre usava, dessa vez ele vestia um paletó preto, luvas igualmente negras e uma gravata vermelha.
– Mi-Mikael?
– Olá, Antonnie.
– O que faz aqui? – Estava tentando entender o motivo daquela roupa, mas sinceramente, não estava conseguindo me concentrar, porque aquilo caia incrivelmente bem nele.
– Vim aceitar suas propostas.
– Propostas? Quais?
– Ser seu guarda-costas. E namorado.
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