O Criminoso Perfeito
17 Capítulo 17 - Bar
Notas iniciais
Erwin estava enrolado em um robe preto de seda enquanto segurava um copo com uísque e encostava as costas na poltrona, ouvindo-as estalarem. Doíam, talvez ele realmente estivesse ficando velho e enferrujado.
Estava na maior suíte da casa, ouvindo o som do chuveiro parar. Observou Levi terminar de tomar banho e sair do banheiro com uma toalha enrolada na cintura, os cabelos molhados caiam no rosto. As olheiras estavam tão evidentes quanto as suas.
– Qual o nome dele? – Começou, vendo Levi pegar outra toalha e começar a enxugar o cabelo negro, colocando-a em uma cadeira logo em seguida.
– De quem?
– Do cara que tá querendo matar a gente.
– Kenny. Kenny Ackerman. – Levi se aproximou de Erwin, tirando o copo da mão dele e bebendo um gole.
– De onde conhece ele? Nem sei quem ele é.
– Mas ele sabe quem você é.
– Percebi.
– Ele provavelmente queria te matar antes que chegasse a ele, já que depois que pegassem Valentino, vocês se tornariam um problema.
– Ele quer comandar o submundo?
– Ele já comanda por trás, talvez agora ele queira aparecer. Provavelmente já, já dá as caras.
Levi foi em direção à estante que guardava as bebidas, encheu o copo novamente e voltou para Erwin, dessa vez sentando em seu colo. Como apenas era envolvido por uma toalha, podia sentir o corpo do loiro vestido apenas com o fino robe escuro.
– Acha que teremos problemas com ele? – Erwin pegou o copo da mão de Levi e o puxou para mais perto com o braço livre.
– Talvez. – Respondeu Levi, colocando os braços ao redor do pescoço do mais alto. – Mas daremos um jeito.
– Sim. – O loiro passou a ponta do nariz pelo pescoço alvo de Levi. Os pingos do cabelo negro caiam, molhando seu rosto e escorrendo por sua nuca e pescoço. O cheiro de sabonete ainda se fazia presente, mas não era nele que Erwin estava interessado. Bebeu o resto do liquido antes de continuar – Quanto tempo faz? – Perguntou, colocando o copo já vazio no criado-mudo.
– Que o quê?
– Que só trabalhamos e não fazemos... mais nada.
Levi sorriu, sabia onde ele queria chegar.
– Desde que decidimos nos vingar. – Sussurrou em seu ouvido, enquanto descia a mão que antes estava no pescoço, percorrendo o peitoral do maior – Achei que nunca sentiria falta.
Erwin sorriu sugestivamente enquanto Levi abria seu robe lentamente, fazendo um caminho de mordidas da orelha até o ombro.
– Não estou com muita paciência para aguentar você me provocando, Levi. – Erwin suspirou sentindo o moreno esfregar-se em seu colo, despertando seu membro.
– Você gosta, nem começa. — Levi passou a intensificar as mordidas, deixando a marca de seus dentes na pele de Erwin – Deite.
– Hoje quer comandar?
– Sim.
Levi manteve os olhos fixos nos orbes azuis de Erwin enquanto o loiro ajeitava-se nos travesseiros, deitando-se.
– Onde estão suas algemas? Sei que ainda as tem. – Perguntou o moreno.
– Vai me algemar?
– Adivinha?
– Infelizmente ficaram em minha casa.
–Então vou ter que usar isso mesmo. – Continuou, indicando a fita que antes prendia o robe preto do maior.
O moreno pegou as mãos de Erwin e as amarrou, prendendo na cabeceira da cama. Sorriu e passou a língua pelos lábios ao ver o olhar de expectativa que o maior lhe dava, medindo cada parte exposta. Levi passou os dedos pela boca do loiro antes de voltar a beijá-la, puxando levemente o lábio inferior quando se separaram. Abriu ainda mais o robe escuro e agarrou o membro enrijecido de Erwin passando a masturbá-lo enquanto movimentava-se em seu ventre.
– Você está com sorte hoje, Erwin. – Levi sorriu levantando-se e pegando o lubrificante enquanto largava a toalha que o envolvia anteriormente no chão – Não estou com paciência para provocá-lo. Vamos logo com isso.
Depois de pegar o lubrificante e jogar na própria mão, passou na ereção de Erwin e sentou rapidamente, sorrindo ao ver o outro assusta-se com o movimento repentino. Apoiou-se com as duas mãos enquanto movimentava o quadril lentamente, sentindo todo o pênis de Erwin preencher-lhe.
– Mais rápido Levi. – Pediu Erwin mordendo o lábio inferior.
– Não... Ainda não... Quero te sentir todo.
– Daqui a pouco eu vou gozar.
– Está a tanto tempo sem sexo que vai gozar rápido?
– Você anda me deixando ocupado de uma forma não muito proveitosa.
– Parece que sim.
Levi passou a se movimentar mais rapidamente, rebolando um pouco até sentir que a ereção de Erwin atingia sua próstata. Quando finalmente encontrou o ponto certo passou a subir e descer veemente, chegando ao orgasmo minutos depois, antes de ser preenchido pelo gozo de Erwin.
– Pra quem já ia gozar você até que demorou. – Provocou o mais baixo soltando o loiro.
– Queria que demorasse mais?
– Talvez. – Respondeu começando a se levantar, mas foi impedido pelos braços de Erwin que o envolveu e o puxou de volta para a cama.
– Então vamos tentar de novo. – Concluiu o loiro deitando em cima de Levi – Acho que serei melhor da próxima vez.
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O dia terminou sem muitos problemas no jornal. Exceto o estresse de sempre, com Armin precisando correr para pegar mais café, ou ajudando Marco a carregar a pilha de papeis que ficara acumulada na sala. Armin sentia suas costas doerem um pouco quando finalmente o expediente acabou. Pegou suas coisas, colocou na mochila que sempre trazia, e procurou Jean para se despedir. Não que precisasse, mas de certa forma queria falar com ele antes de sair.
Metade da Redação já tinha ido embora enquanto Armin procurava pelas salas. Jean havia saído para ajudar Marco com alguns relatórios que precisavam levar ao chefe e desde então não tinham voltado para a sala. O loiro já estava desistindo de procurá-lo quando decidiu lavar o rosto, mas parou em frente à porta fechada do banheiro ao ouvir os gemidos.
Os sons abafados e as vozes contidas sem dúvidas eram de Jean e Marco. O loiro estava em choque ao reconhecer, mesmo que já esperasse. Todos no jornal já desconfiavam que os dois mantiam um relacionamento, embora sempre que questionados sobre isso, negassem disfarçadamente. A culpa de não assumirem o relacionamento era do chefe Nile Dok, que tinha fama de homofóbico, então não sabiam o que ele podia fazer ao descobrir.
Armin só queria sair dali e deixá-los em paz, mas não conseguiu sair do lugar. Antes de descobrir e ficar apenas na desconfiança, esperava que algum dia tivesse a oportunidade de falar a Jean o que sentia, mas agora sabia que não teria chance. O que um cara como Jean poderia querer com um garoto cheio de problemas e sem graça como ele? Só conseguiu sair do transe em que estava quando ouviu eles falarem que precisavam sair logo, e o som de passos começar a ficar mais forte.
Apertou a mochila nas costas e saiu correndo em direção à saída. Queria aguentar as lágrimas até em casa, mas sabia que assim que chegasse iria passar a noite toda chorando e não desejava isso. Estava com a cabeça baixa enquanto andava, mas assim que decidiu não ir cedo para casa, percebeu que passava por um bar meio cheio para o horário. Lembrou-se que era sexta feira e todos deveriam estar bebendo e se divertindo, então decidiu fazer o mesmo e esquecer Jean.
Um sininho tocou quando entrou no bar.
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– Jean, eu não vou poder ir para sua casa hoje. – Disse Marco assim que pegaram uma papelada para entregar ao chefe.
– Mas... Você disse que iria... – Respondeu o outro fazendo um biquinho teatral.
– Eu sei, mas minha mãe me pediu que eu fosse lá hoje de novo. Juro que passo o final de semana com você.
– Você falou isso ontem de noite.
– Agora é sério.
– Quem garante? – Os dois chegaram à sala do chefe e colocaram os papeis em cima da mesa.
– Cadê o chefe?
– Já foi embora com a Rico... E não muda de assunto!
– Eu garanto. Se minha mãe pedir qualquer outra coisa, eu digo que tenho planos para o final de semana.
– Vou ficar sem você por mais uma noite?
– Terá que aguentar por mais um dia. – Respondeu o sardento sorrindo.
– Ah não...
Jean pegou a mão do namorado e o puxou até o banheiro, trancando a porta atrás de si.
– Jean... Nós não... – Interveio Marco, sabendo o que o outro pretendia.
– Não vou aguentar ficar mais um dia sem você, Marco...
– Mas e se nos ouvirem?
– Que ouçam.
O sardento se encostou na parede quando Jean o beijou. Agarrou-lhe o cabelo quando o loiro lhe prensou e segurou suas coxas, ajudando-o a se sentar na pia. Logo os beijos ficaram mais intensos, as mãos passeavam pelo peitoral, ventre, coxas. Estavam ávidos pelo corpo do outro e abriram as calças com rapidez, apalpando o volume que se formava entre as pernas dos dois. Jean puxou a calça do sardento deixando-o nu da cintura para baixo e mostrando seu membro semidesperto. Pegou uma camisinha com lubrificante na carteira no bolso de trás e colocou rapidamente em seu membro enrijecido; tinha passado muito tempo sem o namorado e precisava daquele momento já que teria que esperá-lo até o outro dia.
O penetrou rapidamente enquanto Marco abraçava sua cintura com as pernas, apertando-o com força e começando a gemer baixo. Jean mordicava o ombro com sardas do namorado, sorrindo ao ver as bochechas coradas e a respiração ofegante do outro.
– Não faça muito barulho, Marco.
– Mais rápido Jean.
– Com quiser...
Jean segurou com firmeza as nádegas do moreno aumentando a intensidade das estocadas, ouvindo-o gemer cada vez mais alto.
– Marco... – Começou Jean, chegando ao orgasmo segundos depois.
Depois de finalmente chegar ao clímax e tirar a camisinha que usava, envolveu o membro do namorado com a boca, chupando rapidamente sentindo a mão do sardento em sua cabeça, guiando-o.
– Eu... já... – Marco disse antes de soltar um gemido vendo Jean engolir toda sua ereção, quase se engasgando no processo.
O moreno se desfez na boca de Jean que engoliu tudo, passando as costas da mão para limpar os lábios molhados.
– Agora sim eu consigo esperar... – Sorriu o loiro.
– Alguém podia ter nos visto ou nos ouvido! – Reclamou Marco vestindo suas calças.
– A porta estava trancada.
– Mesmo assim!
– Vai me dizer que não gostou?
– Sim, mas você foi inconsequente, e se alguém ouvisse e falasse ao chefe?
– Ninguém faria algo assim...
– Esqueça, tenho que ir embora logo. Vamos. – Marco destrancou a porta e saiu. Tentava ficar irritado com o namorado, mas sabia que não conseguia.
Talvez fossem seus olhos, mas pensou ter visto alguém correndo ao sair da Redação.
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– Posso fazer uma pergunta? – Começou Nanaba quando entrou no carro.
– Diga.
– Você era apaixonado pelo Erwin, não é?
– Sim. – Respondeu Mike, olhando para frente tentando evitar o olhar inquisidor do parceiro.
– E você superou isso?
– Não.
Um suspiro pausado saiu do loiro menor com a constatação. Desde o encontro com o antigo delegado, Nanaba vinha pensando que descobrira quem havia partido o coração do novo parceiro. Sabia que ele seria direto em suas respostas, mas depois de passar o dia todo com a pergunta engasgada na garganta, decidiu ser direto.
Como pensava, se arrependeu da sua curiosidade.
– E você contou a ele isso? – Continuou Nanaba.
– Não. Aconteceu quando ainda éramos parceiros, nunca soube que ele gostava de caras. Na época ele namorava uma garota chamada Mary, mas acabou com ela quando foi transferido. Nem parecia que estava afetado por ter terminado.
– Sempre guardou isso pra você?
– Sim.
– E o que você acha de mim?
Mike finalmente se virou e fitou os olhos de Nanaba.
– Eu não posso usar você pra esquecer o Erwin. – Respondeu.
– Eu não perguntei isso.
– Eu sei.
– E então?
– Eu gosto de você Nanaba, mas ainda não superei.
– Acha que consegue?
– Sim, mas, por favor, tenha paciência.
– Eu estou disposto a isso, Mike. – Nanaba suspirou – Eu estou disposto a qualquer coisa por você.
– Não deveria pensar isso.
– Mas é o que eu penso. – Respondeu envolvendo o rosto barbudo com uma mão – Eu quero que você pare de sofrer, eu quero fazer você esquecer.
– E se não conseguir?
– Eu vou conseguir. – Concluiu Nanaba dando-lhe um selinho antes que ele se virasse e desse partida no carro.
– Te levo pra casa.
– Não. Me leve para a sua.
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Patrick continuava encostado à parede quando a porta se fechou. Escondia o rosto atrás das duas mãos, o rosto vermelho e a respiração descompassada. Auruo o havia pegado de surpresa, apenas isso, não podia estar se apaixonando por aquele idiota que tentava imitar Levi para que ele não sofresse com a ausência do chefe.
Tudo começou depois de jantarem. Auruo ajudava Patrick com a louça, enxugando os pratos, copos e talheres que lhe eram entregues e tentando puxar um assunto que se mantesse por mais de cinco minutos. Patrick ria das piadas improvisadas do outro, mas ainda sofria de preocupação com Levi, fazia quase um mês desde a última ligação e ele se perguntava se algo sério tinha acontecido.
Após um café que Patrick tinha servido, Auruo finalmente levantou-se e avisou que iria embora.
– Bem, vou indo nessa. – Começou o loiro.
– Já ‘tá na hora, né?
– Sim, mesmo que eu não queria te deixar nessa casa enorme sozinho.
– Vou ficar bem.
– Sei que vai, mas ainda assim queria ficar com você.
– Sem chance que vou te deixar zanzando nessa casa de noite.
– Desconfia de mim?
– Desconfio de todos. Sempre.
– Faz bem pensar assim, mas justo de mim?
– Não confio em você perto de mim, isso sim.
– Está com medo de quê, Patrick? – Sorriu de forma sugestiva.
– De nada, só de você por aqui. – Patrick puxou Auruo pelo braço e o empurrou até a porta.
– Tudo bem, tudo bem. Vou embora então. Mas... – O loiro pegou o braço de Patrick antes que ele abrisse a porta e o segurou na parede -... um dia você vai implorar para que eu fique.
Foi então que o mais alto fez algo que nunca tinha tentado antes, inclinou-se e beijou Patrick. O outro ficou surpreso com a ousadia do loiro até sentir um braço de Auruo envolver sua cintura e puxá-lo para mais perto. Abriu um pouco a boca para deixar que o beijo se intensificasse, mas antes que percebesse estava segurando o rosto de Auruo e puxando sua cabeça para si. Auruo quebrou o contato sorrindo triunfante; Patrick se perguntava por que tinha retribuído daquela forma, o rosto corando enquanto o outro abria a porta e saía sorrindo.
Não, sem chance. – Pensou – Não posso simplesmente me apaixonar por ele.
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Armin nunca tinha entrado em um bar sozinho antes. Sentiu-se um pouco intimidado, mesmo que o bar em questão fosse bonito e aconchegante. Piso de madeira, iluminação baixa e uma música dos anos 80 faziam aquele lugar ser convidativo, mas não para um rapaz sozinho com aparência inocente. O loiro viu todas as mesas com amigos bebendo e rindo alto, então decidiu que compraria uma garrafa de alguma coisa e voltaria para casa, sofreria lá mesmo, vendo filmes e bebendo enquanto comia uma pizza que pediria por telefone.
Aproximou-se do balcão e observou as garrafas na prateleira. Percebeu que muitos drinques que o bartender fazia levava uma tal de Smirnoff, então decidiu pedir algo que levasse aquela bebida também. Escolheu um nome aleatório no meio de uma gama de drinques e pediu, recebendo um olhar desconfiado do bartender que com certeza tinha achado que ele não tinha idade suficiente, mas depois de ver o crachá onde dizia que trabalhava no jornal do prédio em frente, resolveu entregar a bebida.
Os olhos azuis procuraram uma cadeira vazia e após não encontrar, decidiu ir embora, mas ainda segurava o copo com o drinque meio vermelho então não podia sair. Visualizou uma mesa com duas cadeiras, uma delas ocupadas por um rapaz que parecia não ser mais velho que ele, a outra estava vaga e não parecia que ninguém iria ocupá-la.
– Boa noite. – Começou, fazendo com que o outro levantasse o olhar e o observasse com seus orbes verdes.
– Oi...
– Tem alguém nessa cadeira?
– Não. – O rapaz pegou o copo que estava em cima da mesa e o girou observando o liquido que o preenchia.
– Posso sentar?
– Claro.
Alguns minutos se passaram enquanto Armin encarava sua bebida e dava pequenos goles tentando se acostumar com o gosto de álcool. O silencio estava deixando o loiro sem jeito, mas quando finalmente pensou em falar algo, o outro foi mais rápido.
– Qual o seu nome? – Perguntou antes de beber todo o resto da cerveja que estava em seu copo.
– Armin. Arlet. E o seu?
– Eren Jaeger.
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