O Criminoso Perfeito
9 Capítulo 9 - Reviravoltas
Notas iniciais
Armin com certeza estava em uma maré de azar.
Ele sempre fora criado de forma conservadora e fechada, sempre seguiu um caminho correto, nunca teve contato direto com o mundo de fora da sua roda social, então nunca percebera como as pessoas podem ser cruéis.
Até agora.
As últimas coisas das quais lembrava, era de ver homens com máscaras negras invadirem sua casa, colocarem duas balas na cabeça dos seus pais, depois ser arrastado para fora e o enfiarem no porta-malas. Quando finalmente o tiraram de lá, foi para jogarem em um porão escuro, junto com várias outras pessoas. Ele nem tivera tempo para chorar, ou sentir sua perda, nem ao menos sabia do motivo pelo qual seus pais foram assassinados, mas sabia das dividas do pai, que viu sua empresa falir, e tentou reergue-la pegando dinheiro com agiotas. As coisas até ai estavam boas, sua vida tinha voltado ao normal, finalmente tinham voltado a pagar regularmente seus criados, sua escola, e os pedidos do único filho do casal Arlet voltaram a ser atendidos; o problema foi quando o pai dele decidiu ser mais esperto que os agiotas, tentando enganá-los para não pagar a dívida.
O resultado foi a chacina de todos na casa, menos de Armin, que só descobriu depois que já haviam colocado um preço nele, como uma mercadoria, e que estava prometido a Damien Cardinale, que o vendeu por quase dez vezes o valor pelo qual comprara a Don Valentino, que agora era seu dono “oficial”. O garoto ficou indignado com a situação, ele era uma pessoa, não um brinquedo ou animal, mas nada podia fazer para mudar qualquer coisa, não só porque era tímido demais até para falar, como sabia que aquele homem era perigoso e poderoso.
Agora Armin Arlet vestia um uniforme colegial feminino, com uma saia absurdamente curta que deixavam suas finas pernas aparecerem, além de sapatos e meias longas, e um laço vermelho preso em uma mecha de seu cabelo. Estava envergonhado e com medo, não sabia o que fariam com ele, mas esperava que aquilo acabasse logo, que parassem de ridicularizá-lo, que ele pudesse ir para casa.
Mas ele sabia que não tinha mais casa.
Ele sabia que a sorte não estava a favor dele.
O garoto franzino e loiro observou o homem com um roupão azul de cetim que entrava no quarto ricamente decorado. Uma hora antes, esse mesmo homem o havia comprado e trazido para esse lugar que Armin não fazia ideia de onde era, só sabia que era um pouco maior que o antigo quarto dele, e que tinha uma porta que dava para um quarto menor, mas decorado da mesma forma, onde haviam te dito que seria o lugar onde ficaria.
O homem era robusto e aparentava ter cerca de cinquenta anos. Tinha cabelos castanhos e grisalhos e uma forma de andar petulante, como se sentisse que era dono do mundo. Armin ouviu chamarem-no de Don Valentino, embora o garoto não soubesse de quem se tratava, sentiu um arrepio lhe percorrer a espinha quando ele entrou, sentou em uma poltrona vermelha que ficava próxima a cama, e passou a observa-lo de forma lasciva.
– Você é muito bonito, Arminzinho – o homem sorriu.
– P-P-Por que eu tenho que vestir isso?
– Porque fica melhor assim. Sempre gostei de colegiais.
– Mas... Mas isso é uma saia, estou sem cuecas... – o garoto puxou um pouco a saia que era tão pequena que mostrava parte das suas nádegas – e é muito curta.
– Mas é pra ser curta mesmo, assim dar pra ver melhor.
– V-Ver melhor o que? – Armin já estava começando a corar de vergonha e desconforto.
– Ora, não se faça de idiota, mas isso é bom, essa inocência me deixa mais... animado.
– Por que está fazendo isso?
– Porque agora você é meu.
– Não sou um tipo de mercadoria, nem brinquedo! – o loiro quis ter gritado, mas não conseguiu – Não sou de ninguém!
– Você não tem mais para onde ir, ou fica aqui, ou morre de fome lá fora.
– Mas... – Armin sabia que era verdade, um garoto mimado como ele não conseguiria se virar nas ruas, mas ainda assim não queria continuar com aquele homem, não estava gostando da forma como ele o olhava, e preferia morrer de fome e frio do que fazer seja lá o que o homem o obrigaria a fazer.
– E então? Paguei muito caro por você, então vou querer usar – Valentino molhou os lábios grossos com a língua, antes de passar a mão no colo, mostrando um volume.
– U-U-Usar c-c-como? – o olhar assustado do garoto estava deixando o homem mais excitado.
– Por que não começa resolvendo isso? – ele abriu o roupão mostrando seu membro rígido – Sei que você é virgem e inocente, mas vou te ensinar como funciona.
– Eu não vou fazer isso!
– Não me obrigue a agir de forma agressiva.
– Eu vou gritar!
– Sim, grite, acha que é o primeiro? Não meu anjo, a casa está vazia, ninguém irá te ajudar. Se você não agir como um bom garoto, terá o mesmo destino dos seus pais.
Armin se lembrou das expressões de desespero dos pais na hora em que morreram, como imploraram por sua vida, como fariam qualquer coisa para ficarem vivos. Percebeu que não havia esperança, que se não agisse como aquele homem mandava, tinha certeza de que ele cumpriria a ameaça e o mataria. Mesmo contra sua vontade, se aproximou.
– O que quer que eu faça?
– Primeiro você se ajoelha.
– S-Sim... – mesmo relutante, ele assim o fez, ajoelhando-se entre as pernas de Valentino.
– Agora use a boca para chupar.
– Vo-você quer que eu chupe... seu...
– Sim, coloque essa sua boquinha linda no meu pau, docinho.
Armin sentiu seu estomago se revirar, mas não sabia como sairia dali. Só esperava que fosse um sonho, na verdade um pesadelo, e que ele pudesse acordar a qualquer momento. Abriu a boca e fechou os olhos, mas não teve coragem de continuar, nunca havia imaginado que faria algo assim.
– Não sabe como fazer? Vou te ajudar.
Valentino se levantou e segurou a cabeça do loiro, antes de enfiar seu membro totalmente na boca do garoto, fazendo-o abrir os olhos e fazer menção de engasgar. Armin tentou empurrá-lo com as mãos, mas o homem era forte demais, e o empurrou em direção à poltrona, segurando seus braços. O garoto ficou sentado, com as mãos presas em cima da cabeça, enquanto Valentino entrava com veemência em sua boca.
– Ah... Sim... Nem se atreva a me morder. Feche mais sua boca e chupe.
Lágrimas começaram a brotar no rosto do garoto, enquanto ele engasgava e sentia que iria vomitar. Podia sentir o membro de Valentino batendo no começo da sua garganta, tentou bater as pernas, mas foi inútil, por fim decidiu ceder e esperar que aquilo passasse logo.
Valentino sentia seu membro ficar cada vez mais rígido e pulsante, a sensação de fazer isso sempre o deixava absurdamente excitado, não importava quantas vezes, nem com quantos garotos usava essa tática. Ver a expressão de desespero, dor, além de vê-los chorando, era algo que ele sempre amava, por isso preferia garotos mais novos, embora Armin fizesse bem o papel de criança, mesmo sendo mais velho do que Valentino gostaria.
O mafioso sentia que chegaria ao clímax, então tirou seu pênis da boca do loiro, apenas para jorrar em seu rosto, deixando uma mistura de lágrimas e gozo no garoto.
Mas ele ainda não estava satisfeito.
Armin ainda ofegava quando Valentino decidiu continuar. Depois de largar as mãos do loiro, este se afastou para observar sua “obra”. Aquilo o excitou novamente.
– Levante, apenas começamos.
Com um movimento rápido, Valentino segurou Armin pelo braço e o conduziu até a cama aos tropeços, antes de jogá-lo de bruços, deixando-o exposto da cintura para baixo. A saia que o loiro usava era pequena demais para cobrir alguma coisa, fazendo com que o homem tivesse uma visão de tudo que queria do garoto. Ele já sentia seu sexo pulsar só de imaginar todas as possibilidades do que poderia fazer. De primeira segurou as nádegas do loiro e mordeu uma delas, deixando uma marca vermelha, antes de levantar e abri-las, deixando a entrada do loiro totalmente visível. Armin se arrepiou quando sentiu algo quente e molhado passar pela sua entrada, antes de dar um grito abafado quando viu dois dedos serem introduzidos na mesma.
– Calma docinho, só estou te acostumando... deveria me agradecer – Começou o mais velho com uma voz arrastada.
– A-A-Acostumar a que?
– Você vai descobrir...
O garoto se sentia extremamente envergonhado, humilhado e exposto, mas nada do que ele fizesse ou falasse, faria Valentino parar o que estava fazendo. O homem ficava cada vez mais excitado ao ver a expressão de vergonha e desespero do garoto,que mal podia se conter ou esperar. Depois de achar que já tinha “acostumado” a entrada do loiro o suficiente, ele tirou os dedos rapidamente, e antes que Armin pudesse respirar aliviado, o penetrou com força, fazendo-o soltar um grito agudo.
– O-O-O- O que você está fazendo?!
– Ah gracinha, não resisti e não aguentava mais esperar...
Valentino não tinha pudor nem pena dos garotos que pegava, mas sempre na primeira vez fazia questão de fingir ser bonzinho, embora sempre acabasse violentando-os sem dó. Mesmo com todos os pedidos e súplicas do loiro, este continuou forte e incisivo, segurando os braços do garoto para trás quando ele tentou se livrar daquele momento.
– P-Po-Por favor... P-Pare – gemia o garoto numa tentativa falha de fazer Valentino parar.
– Ah não... – o mais velho deu um sorriso de triunfo e satisfação, adorava quando eles imploravam para parar, mas isso só fazia com que ele entrasse com mais força – Vamos continuar, está ótimo.
Armin sentia uma mistura de repulsa, nojo e medo, além de ódio, um sentimento que nunca antes sentira, agora tomava conta de cada parte do seu corpo. Desejou que aquele homem morresse das piores formas possíveis, apenas por ter feito aquilo com ele. Pensou em gritar, mas quem o ajudaria? Todos naquele lugar estavam a favor de Valentino, não adiantava nada espernear e implorar por misericórdia.
– Se você resistir demais, vai continuar doendo – começou Valentino, vendo que a expressão do garoto mudara para uma de ódio e repulsa.
– Eu vou matar você! – mais uma vez Armin quis gritar, mas não conseguiu.
– Ah vai? Vamos ver se eu fizer isso, você não vai começar a gostar... – o mais velho soltou os braços do garoto, deixando que ele se apoiasse na cama, e então começou a mexer seu membro dentro do loiro, até encontrar o ponto que procurava, fazendo com que o menor gemesse quando atingiu em cheio a próstata – E então? ainda vai me matar?
Armin sentiu seu corpo estremecer, não queria estar gostando daquilo, ainda desejava gritar, ameaçar Valentino, mas sabia que seria em vão. Sentiu-se aliviado quando o homem suspirou, antes de jorrar dentro dele, indicando que tinha chegado ao clímax.
– De primeira, isso foi incrível – Valentino sentou na cama enquanto Armin perdia as forças e caia de bruços na mesma – Vamos repetir isso mais vezes docinho – continuou, passando a mão pelos cabelos loiros – várias vezes.
***
Erwin se surpreendeu com a visão do seu rosto no espelho. Sempre ouvia Hanji falar que ele estava péssimo, mas não esperava que estivesse tão ruim assim. Barba por fazer, cabelo com corte irregular, um rosto abatido e cansado. Pelo menos havia dormido o suficiente nos últimos dias para que suas olheiras sumissem, ou estaria pior com elas.
Depois de quase meia hora cortando o cabelo e fazendo a barba no cabeleireiro, o loiro finalmente chegou em casa para se trocar. Horas antes havia deixado a equipe da delegacia a comando de Hanji, e foi para casa se arrumar, precisava estar apresentável se quisesse entrar na festa de Valentino. Cortou o cabelo, fez a barba, e pegou seu smoking em perfeito estado — que só ficara assim graças a sua ida à lavanderia mais próxima -, e depois de se arrumar, ficou na porta esperando um conhecido que lhe devia um favor, e pagaria levando-o de limusine para festa, já que ninguém o levaria a sério se chegasse em uma festa de gala com seu carro esporte.
Quando chegou ao local surpreendeu-se com o tamanho e a quantidade de gente que havia se reunido ali. A mansão de Valentino era um pouco fora da área residencial da cidade, o que dava uma certa privacidade ao mafioso, e dificultava o trabalho da policia de se camuflar e expiar a dita casa.
A noite prometia muitas reviravoltas, e essa era apenas uma delas.
Seu primeiro choque foi encontrar Mikael guardando os carros, ao invés de ser garçom. Queria falar com seu subordinado, mas sabia que não podia estragar o disfarce, então se contentou com apenas uma rápida troca de olhares, que o fez entender que nem mesmo o rapaz sabia porque estava ali. Decidiu pensar que era apenas um contratempo sem muita importância e seguiu em frente.
O salão principal era enorme, e Erwin percebeu que poderia facilmente se perder naquela casa, deveria se situar logo onde poderia procurar por pistas, mas sem se precipitar demais e colocar tudo a perder. Percebeu que todas as pessoas se dividiam em pequenos grupos, o que o deixou preocupado, pois havia chegado sozinho, então poderia ser facilmente identificado. Aceitou uma taça de champanhe de um garçom e passou a observar o salão, à procura pelo menos de Ann, que não tinha visto em lugar algum, mas seu olhar se demorou em uma bela mulher alta e esguia, com um vestido aberto em um lado, deixando de fora belas pernas levemente bronzeadas. Estava tão absorvido por aquela visão, que quase derrubou a taça no chão ao ouvir uma voz do seu lado.
– Então você gosta de mulheres altas. Interessante.
Aquela voz que sempre o fazia sentir um arrepio toda vez que chegava perto dele... Nem precisou se virar para saber quem era, apenas continuou olhando para frente enquanto respondia.
– Não tenho nenhuma preferência por mulheres altas, você deveria saber disso.
– Verdade, sou o total oposto e você se arrepia só de ouvir minha voz.
– Achei que não falaria comigo aqui, Levi.
– Tecnicamente , segundo o convite, você está comigo, então sou responsável por te enturmar, antes que te vejam aqui sozinho e desconfiem de algo.
– Você parece conhecer muita gente por aqui, toda hora alguém acena pra você.
– Sim, é verdade. A maioria aqui é de alguma família da máfia, outros são de famílias ricas que se beneficiam, ou participam de algum tipo de trafico.
– Sabe onde posso encontrar Valentino por aqui?
– Se eu soubesse te levaria até lá, mas já andei por aqui e não o encontrei. Normalmente em suas festas, ele fica no salão principal, comendo como um porco, bebendo e rindo alto. Se não está por aqui, deve estar em alguma outra sala resolvendo alguma coisa.
– Preciso achá-lo.
– Sabe quantas salas e quartos há nessa mansão? Demoraria a noite toda para burlar a segurança e achá-lo.
– Então o que acha que devo fazer? – houve uma pausa por parte de Levi e o loiro virou para finalmente fitá-lo, encontrando o olhar concentrado e fechado do mais baixo – Levi?
– Droga! Acho que te descobriram – Levi olhou ao redor como se procurasse algo.
– Como assim?
– Como assim que eu achei estranho que Valentino não estivesse aqui, e que os seguranças estivessem mais bem armados que o normal.
Erwin seguiu o olhar do moreno e observou dois homens grandes entrarem no salão seguindo na direção dele. Sentiu seu corpo ficar tenso, mesmo que estivesse sido treinado, e até já tivesse se acostumado com situações de perigo, no meio de toda aquela gente seria difícil sair sem se machucar ou machucar alguém.
– Hanji, está na escuta? – Erwin apertou o primeiro botão da sua camisa fazendo com que o microfone ligasse, mas ninguém respondeu – Hanji! Responda!
– Não adianta, devem ter colocado sensores que bloqueiam sinais – Levi pegou seu celular – Foi o que eu pensei, realmente fizeram isso, estou sem sinal no celular.
– Puta que pariu, o que vamos fazer agora?
Os homens estavam a poucos metros de distancia deles, e claramente tinham como objetivo capturar o loiro. Erwin procurava alguma forma de sair rapidamente daquele local, quando sentiu uma mão puxar seu pulso.
– Já sei, venha por aqui.
Levi conduziu Erwin até uma saída que dava ao lado da mansão. Como não conseguia entrar em contato com o resto da equipe, Erwin desejou que pelo menos Mikael e Ann estivessem bem, e que apenas ele tivesse sido descoberto. Desejou que Hanji estivesse no mesmo lugar onde haviam combinado, ou ele estaria em sérios problemas.
– Temos que encontrar o furgão onde a minha equipe está – Erwin lutava para acompanhar o passo rápido do menor.
– E fazer com que eles matem todos vocês? Se aqueles dois o pegarem, outros virão. Não viu a quantidade de homens que estão por aqui?
– Desde quando se importa comigo e com meus homens?
– Desde quando não quero que você morra, e provavelmente já sabem que ajudei vocês. O problema é que deve ter alguém na sua turma que deu com a língua nos dentes.
– Acha que tem algum traidor na minha equipe?
– Eles não descobririam se não tivesse.
– Faz ideia de quem seja o traidor?
– A equipe é sua, como eu posso saber?
Os dois passaram pelo jardim florido que tomava conta de todo o perímetro ao redor da casa, e seguiram em direção à rua. Quando Erwin virou para olhar se tinham conseguido despistar os guardas, percebeu que ambos estavam correndo atrás deles.
– Puta merda! Estão atrás da gente!
– Claro que estão! – Levi começou a correr, seguido por Erwin – Me dê sua arma!
– Não trouxe minha arma.
– Como você vai pra uma operação e não trás uma porra de uma arma?
– Eles não me deixariam entrar, e ficaria meio óbvio. Por que não trouxe a sua?
– Prefiro andar com armas brancas, só uso as outras quando vou trabalhar.
– Que trabalho, hein.
– Cala a boca e continua a correr. Onde sua equipe está?
– No próximo quarteirão.
– Ótimo, agora anda!
Os dois já estavam na metade da rua deserta quando ouviram os disparos. A principio ambos pareciam bem, até Erwin sentir algo bater em seu braço, e um liquido quente começar a escorrer. Não tinha tempo para pensar naquele momento, e quando finalmente avistaram o furgão onde estava sua equipe, ouviu mais disparos, dessa vez vindo de sua frente.
– Entrem no furgão! – Hanji gritou enquanto disparava mais vezes em direção aos homens que os perseguia – Rápido, porra!
Quando finalmente entraram, Moblit deu a partida, livrando-os de mais disparos do segurança sobrevivente.
***
Quando a figura loira entrou finalmente na sala, todos pararam para comemorar.
Valentino tinha a mania de fazer reuniões particulares como aquela para “apresentar” seus novos “brinquedinhos”. Depois de usar e abusar deles, exibia-os como se fossem verdadeiros troféus, como se todos aqueles chefes de famílias da máfia fossem crianças, e ele tivesse um boneco novo.
Depois de quase um ano com o mesmo garoto, ele finalmente tinha uma nova atração, que agora entrava vestido com uma roupa de policial feita de látex, o que deixava todo o desenho do seu corpo aparecer sob uma camada preta. Usando uma bota de salto alto até os joelhos, um vestido curto o suficiente para mostrar parte das suas nádegas, e um quepe, tudo igualmente preto, o loiro fez todos soltarem uma expressão de surpresa, e alguns deles até mesmo ficarem excitados com a visão.
– É aqui que se reuniram os homens maus? – Começou Armin, tirando o quepe da cabeça, e apertando contra o peito enquanto fazia um biquinho manhoso.
– Oh sim docinho, é aqui mesmo. Porque não começa com esse homem mau aqui? – respondeu Valentino.
O anfitrião sentava em uma poltrona grande, localizada na parede oposta à porta, o que fez com que o garoto atravessasse toda a sala para chegar até ele. Todos usavam apenas um roupão e estavam sentados em sofás que ficavam ao redor de uma mesa de madeira escura, cheia de petiscos e bebidas, o que dava ao ambiente um cheiro de vinho, charuto e champanhe. Antes mesmo de se aproximar, Armin percebeu que Valentino estava excitado pelo volume entre suas pernas.
– Acha que pode resolver isso? – o homem abriu o roupão confirmando as suspeitas do garoto.
– Claro.
Armin sorriu. Até algum tempo atrás ele provavelmente entraria em pânico ou começaria a chorar, mas percebeu que nada adiantaria e decidiu não continuar a resistir. Antes que percebesse acabou gostando, e viu que poderia ser bem lucrativo para ele.
Depois de se aproximar e ajoelhar entre as pernas do mais velho, o loiro agarrou seu membro e passou a lambê-lo com veemência, fazendo-o suspirar. Valentino passou a acariciar os fios loiros do garoto, e o menor já podia sentir seu membro começar a ficar excitado.
– Não, hoje não quero que me chupe, quero que sente – Valentino segurou o rosto de Armin fazendo-o olhar para ele — Você terá a noite toda para chupar quantos quiser nessa sala.
O garoto sorriu e abriu seu vestido, só então abriu as pernas e começou a sentar lentamente no membro endurecido do anfitrião, fazendo-o suspirar. Armin ainda estava na metade quando Valentino segurou suas nádegas e o empurrou para baixo, entrando totalmente enquanto o garoto soltava um grito abafado.
– Agora vamos mostrar para esses caras como a gente faz, Arminzinho.
Armin apoiou-se nos ombros de Valentino e passou a subir e descer de forma lenta. Estava sem a lubrificação adequada, mas a saliva que havia deixado quando o lambeu, deixava as coisas mais fáceis. Gemeu de forma manhosa quando sentiu Valentino atingir sua próstata.
– Ah, é aqui que você gosta, não é? – o homem agarrava suas nádegas e as abria, mostrando a forma como entrava em “seu garoto” – Vamos mais rápido.
A essa altura todos da sala observavam atentamente a cena e já estavam altamente excitados, alguns já começavam a se masturbar enquanto ouvia os gemidos de Armin. O garoto por sua vez, jogou a cabeça para trás e se deixou levar pelo momento, deliciando-se com os sons e frases lascivas que lhe eram ditas.
– Valentino, te pago o que quiser por esse garoto! – Gritou um dos homens na sala com um sotaque arrastado.
– Não troco meu garotinho por nada! – o anfitrião empurrou o garoto mais uma vez para seu colo, fazendo gemer mais alto – Arminzinho, eu... já...
O orgasmo veio forte e quente, preenchendo o garoto que a essa altura já estava ofegante e bastante excitado, embora não tivesse tido a oportunidade de gozar como seu mestre. Depois de alguns segundos recuperando o fôlego, Armin finalmente se levantou, saindo do colo de Valentino.
– Mostre a eles, docinho – Valentino sorriu – Vamos ver quanto podem pagar para você.
Armin seguiu em direção à mesa, jogou a roupa de látex no chão ficando apenas com a bota negra, e então subiu, empurrando algumas garrafas vazias para deixar espaço o suficiente para que ele pudesse ficar de quatro. Quando finalmente conseguiu o olhar de todos na sala, empinou as nádegas abrindo-as, deixando que o líquido escorresse de sua entrada.
– Eu pago o quanto você quiser, Arminzinho! – Começou um homem que parecia estar com seus cinquenta e tantos anos.
– Eu também! Só me deixe meter nessa sua bundinha! – Continuou um outro loiro, que provavelmente era estrangeiro.
Os lances começaram a ser dados, notas começaram a serem jogadas na mesa, e antes que pudesse perceber, todos já estavam ao seu redor, prontos para usá-lo. Quem começou foi o homem alto com o sotaque arrastado, que depois de jogar várias notas de cem na mesa, fez com que o loiro deitasse antes de penetrá-lo rapidamente. Os outros não tardaram a seguir seu exemplo, e o estrangeiro correu para usar a boca do menor. Em poucos minutos Armin era penetrado pelos dois lados, enquanto masturbava aleatoriamente quem pedisse.
– Ah garotinho, seu cuzinho é tão bom... – o homem com sotaque estava em êxtase enquanto entrava e saia do garoto – Melhor do que as putas que eu como por lá...
– Mais rápido, docinho – o loiro mais velho segurou a cabeça de Armin – Sua boca é tão boa que eu já... – Antes de completar a frase ele tirou seu sexo da boca do garoto, e jorrou em seu rosto – Vamos fazer de novo.
– De jeito nenhum! – Interveio um velho que parecia ter cerca de sessenta anos – Agora é minha vez de usar a boca dele!
Valentino se deliciava com aquela visão. Sempre que fazia isso, conseguia arrecadar uma boa grana em cima dos garotos, mas como já tinha dinheiro o suficiente, deixava que eles tomassem conta do dinheiro, como forma de pagamento pelo “serviço prestado”.
Dois convidados brigavam para ver quem seria o próximo a penetrar o garoto depois do homem de sotaque ter chegado ao clímax, quando decidiram inovar.
– Já sei – começou o primeiro, e mais alto – vamos os dois.
– Vamos ver se ele aguenta – concordou o outro.
Armin se arrepiou com aquela afirmação, mas estava tão absorvido pelo momento, que tinha noção de que nada poderia fazer para impedir. O mais alto deitou sobre a mesa antes de fazer com que o loiro sentasse sobre seu membro, antes do outro abrir mais as pernas do garoto e entrar com rapidez, fazendo com que Armin soltasse um grito agudo.
– Sem tempo para gritinhos, docinho – Valentino já estava do lado da mesa, pronto para participar também. Entrou na boca do loiro sem falar duas vezes.
O lugar era preenchido por risos, gemidos e frase aleatórias proferidas enquanto o usavam Armin de diversas formas. O garoto não sabia dizer quantas vezes todos aqueles homens haviam gozado, ou quantas vezes ele mesmo tinha chegado ao clímax. Por mais que se sentisse como um pedaço de carne, sentia um prazer estranho a cada estocada que davam. Ele não desejava mais morrer, pelo contrário, de certa forma havia começado gostar daquilo. Talvez ele tivesse vocação para ser a nova “putinha da máfia”.
***
– PUTA QUE PARIU, ERWIN! VOCÊ TOMOU UM TIRO!
Erwin demorou alguns segundos para entender o que Hanji havia falado, de repente começou a sentir tudo a sua volta girar.
– Deve ser por isso que estou sangrando – Concluiu.
– Claro que você está sangrando! – Levi começou – Temos que levar ele para um hospital antes que ele tenha um ataque.
– Isso tudo é culpa sua! – Hanji agarrou o moreno pela gola da camisa – Você deve ter nos denunciado!
– Acha que eu ajudaria vocês a entrar e depois os trairia? Também estou com minha cabeça a prêmio!
– Foda-se! Aposto que foi você que entregou tudo!
– Parem já os dois! Que porra! Eu tomei um tiro e temos que buscar Mikael e Ann, dá pra pararem? – Interveio Erwin, fazendo com que Hanji soltasse Levi e ambos voltassem a sentar.
– Não consigo falar com o Mikael, não sei ond- Hanji não completou a frase, foi interrompida por Moblit.
– Achei ele!
Avistaram Mikael parado sozinho em frente a uma casa, estava cabisbaixo, mas bem. Estranharam o fato de Ann não estar ao lado dele.
– Onde está Ann? – Perguntou Hanji quando o carro parou alguns segundos para Mikael entrar.
– Ele nos traiu.
– Como assim nos traiu? Foi ele?
– Foi.
– E onde aquele filho da puta está?
– Se acalma Hanji – Erwin tentou acalmar a companheira, percebendo que Mikael parecia abalado com a traição do parceiro.
– Ele deve estar indo para a casa de Valentino, o pai dele.
– Então é ele o filho de Valentino? – Finalmente foi a vez de Levi se pronunciar.
– Você o conhecia? – Perguntou Erwin.
– Sim e não. Na verdade quase todo mundo sabe que Valentino tem um filho, mas quase ninguém realmente o viu. Só sei que ele foi criado com a mãe, mas não sabia que ele se passaria de policial para ajudar o pai, achei que eles não se dessem bem.
– Então eles não se dão bem?
– Agora já não sei. Talvez sim, talvez não, pelo menos ninguém morreu aqui.
– Só eu que tomei um tiro.
– É, e vamos logo para o hospital, resolvemos essa traição de Ann depois – Interveio Hanji, antes de Moblit virar a esquina e seguir em direção ao Pronto Socorro mais próximo.
***
Valentino ainda estava exausto da noite anterior. Tinha usado Armin de tantas formas junto com seus amigos, que mal conseguia acordar. Sabia que deveria deixar o garoto descansar bastante, já que ele provavelmente estaria todo assado e mais cansado que ele, então se levantou e foi silenciosamente até o jardim sem acordar o garoto que dormia em sua cama.
Tinha sido um golpe de mestre colocar seu filho para espionar os policiais que o investigavam. Desde que descobrira que Levi o havia traído, a única coisa em que pensou em fazer foi atingir o delegado, talvez matando alguém que ele gostasse, só para “dar um susto”. Como não achou ninguém a quem Erwin fosse apegado, decidiu ver como andava a investigação, para saber como andava as coisas, tanto com ele, como com seus parceiros de crime.
A festa tinha tudo para dar certo, reuniria os amigos e conhecidos e finalmente apresentaria seu novo “brinquedinho” para eles, mas teve que mudar os planos, deixando o local alguns minutos antes de começar, para ir em direção a outra casa, uma que ele usava como refúgio quando as coisas ficavam feias.
Sentia-se mais vivo que nunca. Seus negócios andavam bem, sua vida sexual estava novamente ativa, e sabia que talvez seu filho pudesse seguir seus passos, provavelmente na parte do tráfico de drogas, ou quem sabe no tráfico de armas, ainda não sabia qual dos dois o rapaz escolheria. Ainda pensava em Ann quando ouviu passos se aproximarem.
– Ah, olá filho – Valentino se virou para cumprimentar o filho antes de sentar em um banco branco no meio do jardim – Como foi tudo? Parece que deu certo.
– Sim, deu certo.
– Matou algum deles?
– Não.
– Não me parece animado.
– Porque não estou.
– E por que não? Você tem uma grande vida pela frente, deveria estar feliz. Não vai me dizer que se apegou àqueles policiais – Valentino sorriu com desdém, fazendo o rapaz se irritar ainda mais.
– Não pretendo seguir seus passos podres, se é isso que deseja.
– Mas você seria um chefe ótimo! Ainda tenho muito o que te ensinar.
– Eu sei, eu serei um chefe ótimo, mas não tem mais nada o que me ensinar.
Valentino se virou para olhar para o filho e lhe perguntar o que pretendia fazer quando viu o cano negro sendo apontado para sua cabeça.
– Morra pai.
O único som audível foi dos pássaros voando, enquanto a arma com um silenciador era disparada.
***
As costas de Erwin doíam. O loiro odiava ficar muito tempo deitado, e já tinha passado mais de uma semana naquele maldito leito de hospital. De tempos em tempos Hanji vinha lhe trazer noticias da delegacia. Ao que parecia Mikael não sabia de mais nada sobre Ann, apenas seu verdadeiro nome, e que ele era filho do chefe da máfia, ao passo que as investigações estavam empacadas com o insucesso da operação.
A única coisa que o animava eram as mensagens e as ligações no meio da noite, as ligações que ele sentia falta, onde podia ouvir os gemidos, os sussurros sensuais e abafados do moreno que ele tanto desejava. Sempre que se lembrava delas, precisava se conter para não ter uma ereção. Sentia-se um adolescente virgem toda vez que pensava como Levi o provocava, embora ele soubesse que gostava.
Uma enfermeira entrou no quarto trazendo uma bandeja com seu almoço. Erwin se endireitou na cama e quando finalmente iria começar a comer, viu o moreno entrar o quarto e seu corpo ficar tenso.
– Vejo que está melhor – Começou Levi aproximando-se da cama.
– Sim, não sei porque ainda preciso ficar aqui, foi só um tiro no braço, mas os médicos dizem que meu corpo está muito debilitado pelo estresse e correria. Acho que ficarei aqui por mais uns dias.
– Isso não soa nada bom, mas é melhor do que deixar você sair para se matar de trabalhar.
– Verdade. Mas o que veio fazer aqui?
– Conversar com você.
– Que assunto seria tão importante pra fazer você vir até aqui? Não basta as ligações de madrugada?
– Ah sim, as ligações, sabia que sentia falta delas, por isso decidi voltar a fazê-las. Mas não foi sobre isso que vim conversar.
– Então o que foi?
– Acho que você tem mais problemas à frente.
– Por quê?
– Valentino está morto.
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