O Criminoso Perfeito

12 Capítulo 12 - Novos planos


Notas iniciais
Aeeeeew, prometi e finalmente cumpri! Mesmo que eu tenha dois resumos pra fazer, uma prova pra estudar, e tenha apenas duas horas de sobra... Enfim, deve ter alguma coisa errada no cap, já que tive pouco tempo para revisar, espero que desconsiderem, depois eu vejo. bja1

A cabeça de Mike ainda latejava.

Depois da suposta morte de Erwin, coisa na qual o amigo não aceitava, preferia acreditar que era apenas um desaparecimento com algum motivo, quem Haia ficado responsável pela delegacia tinha sido ele. Mesmo sendo experiente o suficiente para assumir o cargo, não se sentia bem e preparado o suficiente para tal. Sabia que aquele lugar onde sentava era de Erwin, sabia que ele conseguia lidar melhor com as decisões, com os outros componentes da equipe, com a imprensa, com tudo.

A única pista que tinha achado era o carro do amigo, que por sinal estava cheio de sangue, mas vazio, o que o dava esperanças, mas onde Erwin poderia estar? Não tinha rastros, ou sinais de qualquer lugar para onde ele possa ter ido, e isso estava consumindo o barbudo. Como se não bastasse tudo isso, Mikael, um dos melhores policiais da delegacia, havia pedido demissão e simplesmente sumido.

Estava com a cabeça apoiada nas mãos, pensando em pedir para alguém comprar um remédio para dor, quando sentiu tocarem seu ombro, antes de ouvir um som de algo sendo colocado em cima da mesa. Levantou a cabeça para encontrar o loiro que o encarava.

– Você deveria descansar um pouco, não tem dormido o suficiente desde que Erwin sumiu.

Mike agradeceu mentalmente por seu mais novo parceiro ter falado “sumiu” ao invés de “morreu”, como algumas pessoas insistiam em dizer.

– Tenho que organizar as coisas por aqui – O barbudo pegou a xícara que estava em cima da mesa e a envolveu com as duas mãos – O que é isso?

– Café. Aqui tem alguns comprimidos – O outro lhe entregou uma cartela com duas esferas brancas – Tome depois do café.

– Obrigado, Nanaba.

– Por nada.

O mais novo sorriu e se afastou. De alguma forma ele o fazia se sentir bem. Seu sorriso, sua competência, sua forma de agir e falar quando estava sério, tudo isso o fazia se sentir bem. Desde que Erwin foi transferido para outra unidade e ele havia ficado sozinho, Nanaba foi mandado para substituir seu antigo parceiro. Não foi muito difícil confiar nele, ele parecia alguém que não mente, o tipo de pessoa a quem pudesse “confiar as costas”. Mike sabia disso porque sempre fora intuitivo, e conseguia ver como as pessoas eram apenas observando-as.

Diversas vezes ele vira o mais novo ser confundido com uma garota, pela forma mais calma e compreensiva de agir, mas ele não se importava, gostava dessa parte dele. Aquele pequeno momento foi suficiente para acalmá-lo, Nanaba tinha razão, precisava se acalmar, se Erwin estivesse desaparecido e pudesse ser encontrado, assim ele o faria.

“Eu vou achar você Erwin, nem que seja a ultima coisa que eu faça.”

***

O moreno entrou na sala após desligar o celular. Depois de dias sem dar noticia, ainda se recuperando da experiência de quase-morte, ele precisava pelo menos avisar a alguém que estava vivo, e nada mais justo do que avisar a pessoa que ele sabia ser capaz de dar sua vida por ele. Confiava naquele garoto, mesmo ele sendo meio lento e desajeitado às vezes.

– Pronto. Feito.

– Avisou ao garoto?

– Sim. Acho que agora ele pode dormir em paz.

O mais baixo se aproximou a passos largos do outro que estava sentado no sofá. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, abriu as pernas e sentou no colo do loiro, fazendo-o suspirar.

– Deveria parar com isso, eu mesmo já estou exausto.

– Não – passou os finos dedos pela barba por fazer do loiro – Gosto de provocar você.

– Sei disso, mas quase morremos um dia desses, e você já volta a me provocar dessa forma.

– Você deveria ligar para alguém avisando que está vivo.

– Se eu fizesse isso, provavelmente iriam me procurar. Acho melhor não. Por enquanto. Antes de qualquer coisa, temos que descobrir quem nos queria mortos.

– A lista é grande – o moreno passou a lamber o pescoço do outro, fazendo com que ele jogasse a cabeça para trás enquanto suspirava.

– Podemos reduzi-la se pensarmos em quem queria tanto eu quanto você mortos.

– A lista continua grande... – Dessa vez o mais alto começou a sentir a mão do outro passando por dentro do seu roupão – Mas acho que tenho uma ideia de quem seja.

– Quem?

– Se for mesmo ele, estamos fodidos, ele vai querer nos destruir e vai nos caçar até a morte – ele parou de massagear o peitoral do outro e observou fixamente seus olhos azuis – Mas tem um porém, se ele descobrir que estamos vivos, vai atrás das pessoas que você gosta. Eu não tenho família ou algo do tipo, mas você...

– O pessoal da delegacia.

– Justamente.

– Então temos que descobrir logo, mas como faremos isso?

– Primeiro, você vai ter que esquecer sua antiga carreira, vamos começar do zero.

– E o que devemos fazer?

– Entrar na máfia local.

***

Patrick enxugava a louça quando o telefone tocou. Enquanto seguia em direção à sala, pôde ver seu reflexo no vidro da janela, e não se surpreendeu com sua aparência. Estava mais magro que o normal, olheiras, e com os olhos vermelhos de tanto chorar. Desde que Levi havia sumido, andava preocupado com seu chefe. Pensava se ele estaria bem, se estaria vivo, se estava ferido... A única coisa que o distraia era seu novo companheiro de trabalho, que, ao contrário do que deveria, quando passou a perceber que o ruivo estava mal, começou a aparecer todo o dia, e passava o dia inteiro com ele, alegrando-o. Não tinha muita coisa a ser feita no jardim, mas mesmo assim ele ia e contava as mesmas piadas sem graça, apenas para fazer com que o garoto não se sentisse sozinho.

Estava mais do que agradecido pela companhia do outro, mas ainda assim nada o fazia se acalmar. Quando finalmente chegou na sala, pegou o telefone no terceiro toque.

– Alô?

– Patrick? – Aquela voz... Patrick sentiu como se um choque passasse pelo seu corpo.

– M-M-Mestre? – Lágrimas passaram a escorrer pela sua bochecha.

– Sim. Como vão as coisas por ai? Você está bem? Dormindo e comendo bem?

– Sim – Patrick estava dividido em sorrir e chorar, mas acabava fazendo os dois – E o senhor?

– Ah, to vivo, acho que isso que importa.

– M-M-Mas... está machucado?

– Sim, ainda estou me recuperando, mas vou sobreviver, só descansar um pouco. Estou em uma casa que tenho afastada da cidade, sinto muito, mas não posso te falar onde, se não as pessoas que querem nos matar podem ir atrás de você. Vou continuar mandando dinheiro, vou depositar sempre em sua conta. Cuide de tudo por mim, ok?

– “nos matar”? Está com alguém, mestre?

– Sim, parece que Erwin também é um alvo deles, estou com ele aqui.

– Bem... – aquela noticia o deixou um pouco triste, mas nada que superasse o fato de saber que pelo menos Levi estava bem – Se cuida, tudo bem?

– Sim. Você também, Patrick. Obrigado.

***

Era a segunda vez que batiam na porta, e o loiro ainda não havia atendido. Na verdade estava ocupado demais entre a parede e seu guarda-costas, que o estava deixando sem ar, e sem forças o suficiente para encerrar o beijo.

– Eu... – Finalmente conseguiu dizer enquanto tentava se soltar dos braços do outro – Preciso abrir a porta, Mikael!

O moreno sorriu e deixou que seu novo chefe se soltasse e saísse em direção à porta, enquanto arrumava o cabelo e as roupas.

– Sim? – Falou quando abriu a porta.

– O garoto com quem queria falar está aqui, posso mandar entrar? – Era um dos responsáveis pela segurança da casa.

– Claro.

Antonnie voltou para sua cadeira e sentou-se, enquanto um garoto loiro e franzino entrava na sala.

– B-Boa tarde, o senhor é o filho do senhor Valentino?

– Por favor, não pronuncie o nome daquele cara aqui.

– D-Desculpa.

– Tudo bem, pode sentar – Respondeu, indicando a cadeira do lado oposto da mesa. Mikael se posicionou ao seu lado, como sempre fazia quando alguém entrava na sala.

– Bem... o que quer comigo? Creio que depois que seu pai morreu, você vai querer que eu...

– Você está livre. Sei que não posso reparar o que meu pai fez, nem o que aconteceu com você, mas posso reembolsá-lo. Darei dinheiro o suficiente até que possa arrumar um trabalho ou algo assim. Se quiser, posso pagar algum psicólogo, ou uma faculdade...

– Então quer dizer que eu...

– Sim, sinto muito pelo que aquele homem fez, mas espero que posso ter uma vida melhor agora.

– Bem... Obrigado... Mas não sei por onde começar.

– Que tal começar com alguma coisa que queira fazer? Talvez terminar o colégio, arrumar um emprego.

– Pode ser...

– Conheço um cara que trabalha em um jornal, ele disse que precisam de ajudantes. Servir cafés, digitar alguma coisa, esses pequenos serviços, posso falar com ele pra você entrar lá.

– Eu agradeceria.

– Tudo bem – Antonnie sorriu timidamente, estava tentando ao máximo ajudar aquele garoto, que tinha sido o primeiro a sobreviver às garras de Valentino – Aqui tem o endereço do jornal em que ele trabalha, apareça lá de manhã cedo – O mais velho entregou um envelope com um bilhete, um cartão e uma chave para Armin – Aí tem uma carta para você entregar para um cara chamado Nile, ele é o chefe de lá. Aí também tem um cartão de crédito, pra você comprar algumas coisas por enquanto, e uma chave. Pode ficar com o apartamento. O endereço também está nesse envelope.

– Poxa... Eu... Nem sei como agradecer.

– Não precisa, é o mínimo que posso fazer para ajudar.

Armin agradeceu veemente Antonnie antes de sair, sentindo que poderia mudar de vida. O mais velho se sentia mal por causa dele, queria fazer tudo que pudesse para que o garoto restaurasse a própria vida. Perguntou-se como ele reagiria se o pai o tivesse violentado, como já tinha ouvido historias de que Valentino tentara, mas sem sucesso.

– A culpa não é sua – Sentiu a mão de Mikael em seu ombro, e encolheu-se, apoiando as duas mãos na mesa, de cabeça baixa, e se segurando para não começar a chorar.

– Eu... me pergunto... e se meu pai tivesse feito comigo o que fez com aquele garoto?

– O que passou, passou Ann, não adianta ficar remoendo – o moreno passou o braço pelos ombros do loiro e o trouxe para perto de si — Valentino está morto, não pode mais ameaçar nem você, nem aquele garoto.

– Eu sei, mas...

– Se acalme, você fez tudo que podia, aquele garoto vai conseguir ser feliz.

– Eu espero...

***

– Porra! Por que não conseguimos nada? A policia está escondendo alguma coisa, tenho certeza! – O loiro explodiu, jogando todos os papeis que estavam em cima da mesa no chão.

– Jean, se acalme! Assim você vai desorganizar tudo!

– Você não entende, se conseguirmos achar uma pista do paradeiro do delegado que sumiu, e da pessoa que estava com ele, teremos o furo das nossas vidas!

– Eu sei! – O moreno sardento tentava reunir os papeis espalhados pela sala – Mas não adianta ficar se estressando agora!

– Eu não sei por onde começar, Marco, se não fizermos algo logo, as pessoas esquecerão. Lembre-se que somos nós que estávamos cobrindo a vida do delegado Erwin desde que ele começou a caçar aquele assassino. Nós lutamos para ter esse destaque aqui no jornal, precisamos mantê-lo!

– Mas agora ele sumiu, estamos de mãos atadas.

– Não, acharam o carro dele com sangue, muito sangue. E não apenas no banco do motorista, como do passageiro também. Sem contar nas malas com roupas. Ele estava indo para algum lugar, e com alguém. Mas onde? E com quem?

– Temos que descobrir isso.

– Ah, me diga uma novidade.

– Ei, vocês dois! – Uma voz veio da porta, cortando a conversa – O chefe está chamando vocês.

– Pra que? – Perguntou Jean.

– Venha e veja.

A mulher de óculos e cabelos claros saiu, e foi seguida pelos dois, que iam em direção à sala de Nile Dawk, responsável pelo maior jornal local.

– Vamos, entrem – Começou ele, quando os dois apareceram na porta.

– Sim chefe, o que foi?

– Esse é seu novo colega de trabalho, vai ajudar vocês. Na verdade auxiliar, já que ele não é formado em jornalismo ou algo assim – Respondeu, apontando para um garoto loiro, que até aquele momento eles não tinham prestado muita atenção.

– O-Oi... – O garoto mais baixo começou.

– Só isso? – Perguntou Jean.

– Sim.

– Ok então – O loiro mais alto foi em direção à porta, seguido pelo moreno – Ei, vamos, vou te mostrar a sala em que a gente fica – Chamou o novato.

– T-Tudo bem – Respondeu o outro, aparentemente bem feliz.

***

– Como ele era? Quer dizer... é – Perguntou o loiro que arrancava algumas ervas daninhas que cresciam entre as flores que havia plantado.

– Ele quem? – Respondeu Patrick, sentado na com uma xícara de chocolate quente nas mãos.

– Levi, o chefe.

– Ah, sim. Bem... Baixinho, meio chato às vezes, manipulador, sarcástico...

– Nossa, ele não me parece uma pessoa muito agradável.

– Quem ouve falar dele, realmente não o acha legal de primeira – Patrick sorriu – Mas, se você conhecê-lo bem, vai ver que ele tem um bom coração. Quer dizer... Não tão bom assim.

– Ele deve ser mesmo, já que você gosta dele.

Patrick tirou a concentração do chocolate em sua mão, e olhou para Auruo, completamente vermelho. Não sabia desde quando o loiro percebera, mas se até mesmo ele tinha notado, significava que estava mais do que evidente.

– E-E-Eu não estou a fim do mestre Levi! – Falou, mais alto do que gostaria.

– Não é o que parece – Auruo tirou as luvas grossas de jardinagem das mãos e as colocou na cintura.

– V-Vo-Você nem conhece ele, como pode falar algo assim? – O ruivo já começava a sentir seu rosto esquentar.

– Não falo dele, e sim de você.

– MAS EU NÃO ESTOU!

– E por que está tão afetado?

– P-Porque...

Patrick ainda pensava no que ia responder quando percebeu que Auruo se aproximava. Ainda estava perdido em pensamentos até sentir o loiro levantar seu queixo e depositar um beijo leve em seus lábios. Se antes ele estava vermelho, agora definitivamente estaria bem pior.

– O-O-O que...

– Se ele se importasse tanto com você, teria dado noticia mais cedo. Se ele ao menos correspondesse seus sentimentos, você não sofreria tanto.

O menor nem teve tempo de pensar em uma resposta, já que o loiro passou por ele e seguiu em direção à sala, e por fim, à porta, por onde saiu.

Notas finais
Vai ter mais treta? VAI TER SIM MWAHAHAHAHAAH *joga bombinha e some*