O Criminoso Perfeito

1 Capítulo 1 - As ligações


Notas iniciais
Depois de passar um mês prometendo pra uma pessoa que ia escrever, finalmente terminei. Espero que gostem ♥

O moreno olhou mais uma vez para o corpo que agora estava sem vida no chão e sentiu seu estômago revirar. Não que ele sentisse pena ou arrependimento de tê-lo matado, mas porque a poça de sangue estava começando a sujar seus sapatos.

“Odeio quando isso acontece, e pior, ele tentou reagir o sangue respingou na minha camisa. Manchas de sangue são um saco pra sair.”

Ele limpou a arma com um pano que sempre levava quando ia fazer esse tipo de trabalho, e depois decidiu limpar a cena do crime. Essa era a parte que menos gostava, já que muitas vezes acabava se sujando no processo, mas como sempre fazia tudo perfeitamente bem, ele sabia que precisava concluir de forma impecável.

Depois de pegar todas as balas, limpar os sapatos e deixar o corpo em um beco escuro, ele se sentiu satisfeito e decidiu voltar. Do jeito que ele havia feito, a polícia não conseguiria descobrir quem foi. Bem, um policial normal não, mas ele sim. Ah sim, ele. Ao lembrar-se do homem que tinha descoberto seus crimes e agora o perseguia, Levi sorriu.

“Sim, eu sei que virá atrás de mim, e eu estarei esperando por isso, Erwin Smith”

***

- Ele atacou de novo, Erwin – Falou Hanji, a Investigadora Forense – Sem evidências, sem balas, sem nada, só pode ser obra do Levi.

- Levi tem enchido o saco esses últimos meses – Erwin esfregou a têmpora antes de continuar – Parece que Don Valentino decidiu riscar todos da lista de devedores dele e saiu matando todo mundo.

- Justamente. Aqui está o “recibo” que deixaram.

Erwin pegou um pedaço de papel onde estava escrito uma quantia em dinheiro, o ano da dívida e os juros. Era só isso que Levi deixava nas cenas. E era só isso que ele precisava para saber quem tinha feito o serviço. Não, aquilo era só uma confirmação, mesmo sem o “recibo”, algo na cena fazia com que ele percebesse que era obra de Levi, era como se pudesse sentir sua personalidade perfeccionista e maníaca por limpeza em cada parte daquele lugar. Desde que tinha recebido uma ligação estranha alguns dias antes, com apenas uma frase, ele não parava de pensar no moreno e na frase que ele tinha dito:

“Prenda-me, se puder, e eu serei seu.”

Lembrar daquele momento sempre o fazia tremer. Não de medo ou de preocupação, mas de algum sentimento que o fazia desejar prende-lo logo, algo que o fazia querer saber o que significava o “serei seu”. Embora ele imaginasse o que seria, imaginava que fosse absurdo, já que os dois praticamente se odiavam.

Pelo menos na teoria.

***

- Eren, cuidado!

A voz partiu de um rapaz de cabelos e olhos negros, para o de olhos verdes e cabelos castanhos. Eren Jaeger nunca foi a pessoa mais atenciosa do mundo, por isso não percebeu o carro que vinha em sua direção enquanto ele corria para a cena do crime. Aquela seria sua primeira vez em um caso daquele e ele já podia sentir a tensão do lugar.

- Eles parecem mais apreensivos que o normal – Disse Eren

- Claro, parece que foi obra de um tal de Levi, um assassino profissional da máfia – Respondeu Mikael

- Soube que ele tem dado bastante trabalho para a polícia, tanto que criaram essa força-tarefa, liderada pelo detetive Erwin.

- Seja lá quem for, deve ser muito bom pra limpar tudo desse jeito sem deixar rastros.

- Com certeza... Olha como eles estão apreensivos. Mas acho que vai ser bom pra gente já começar com um caso grande assim.

- Você parece animado com isso...

- E eu estou, você sabe como sonho em fazer valer a justiça e prender todos esses criminosos.

- Você precisa parar de sonhar tão alto Eren.

- Me deixa em paz Mikael, vamos ver no que podemos ajudar logo.

Mikael Ackerman observou Eren se afastar com um olhar determinado. Ele invejava essa força e vontade de mudar as coisas, mesmo quando não tinha nem motivos, nem meios pra isso. Mesmo se destacando mais do que ele, o garoto de cabelos negros queria ser como Eren. Não, na verdade ele queria entendê-lo, já que para ele, as coisas eram bem mais simples: se Eren estivesse bem, nada mais importava.

***

Depois de fazer o serviço, Levi decidiu passar na casa do seu empregador Don Valentino, o chefe da máfia local, que na verdade já comandava boa parte do país.

Assim que chegou ao local já se deparou com dois novos brutamontes contratados para proteger Valentino, depois que os antigos seguranças foram assassinados no lugar dele.

- Aonde pensa que vai, baixinho? – Disse um deles, que usava óculos escuros, mesmo já sendo de noite.

- Vou falar com o Valentino – Respondeu Levi, contendo a raiva e a vontade de explodir os miolos do gigante que tinha acabado de insultá-lo.

- Eu acho que não – Interveio o outro.

- Vocês vão sair da minha frente, ou vou precisar mostrar pra vocês o que um “baixinho” pode fazer? Valentino não demorou muito tempo para encontrar novos guarda-costas, então não vai ser problema pra ele se mais dois morrerem.

- Olha como o tampinha é valente! E o que você faria, engraçadinho?

Levi já estava pensando no trabalho adicional que teria para tirar o sangue extra da sua roupa caso acabasse com aqueles dois ali, quando a porta abriu e Don Valentino saiu para ver do que se tratava aquela confusão.

- Ah sim, é você Levi. Podem o deixar passar seus imbecis, se ele quisesse explodiria a cabeça de vocês com apenas uma bala.

- Não sabíamos quem era, então... – Começou o grandalhão de óculos.

- Esqueça isso. Entre logo Levi.

O moreno baixinho passou pelos dois grandalhões sem antes lhes lançar um olhar de descaso, já que ele sabia que realmente poderia acabar com aqueles dois sem nem precisar gastar uma bala.

- Terminou o serviço? – Começou Don Valentino sentando-se na cadeira grande acolchoada, enquanto pegava dois copos e uma garrafa de vinho – Servido?

- Sim, já terminei. E não, não quero beber. Pelo menos não agora.

- Tudo bem então. Como confio em seu trabalho, sei que nem preciso perguntar se fez tudo certinho. Depositarei o dinheiro amanhã, assim que amanhecer.

- Eu quero hoje. Ainda dá tempo, sei que pra você, basta apenas uma ligação.

Don Valentino sabia que essa seria a reação de Levi, mas quis apenas testá-lo. Depois de sorrir e beber um gole do vinho, ele decidiu não continuar com uma discussão que ele sabia que perderia. Mesmo sendo um chefe da máfia, tinha noção que ainda assim poderia morrer caso desafiasse o homem que estava a sua frente.

- Claro, sabia que reagiria assim. Espere só um momentinho – Disse tirando o telefone do gancho.

- Não preciso esperar – Levi olhou para o relógio e sorriu – Tenho um compromisso importante e sei que tem tanto amor a sua vida, que antes que eu comece a fazer o que pretendo, o dinheiro estará na minha conta. Tenha uma boa noite Don Valentino.

Sem mesmo esperar uma resposta do Don, Levi virou-se e saiu da sala sem tirar o sorriso do rosto. Já estava na hora, ele precisava fazer aquilo de novo, precisava ouvir aquela voz novamente.

Ele já deve ter acabado tudo na cena do crime e deve estar chegando em casa agora. Vamos ver o que ele achou do presentinho que deixei...

Depois de dirigir por alguns minutos e finalmente chegar ao seu destino, Levi pegou o telefone e discou o numero que sabia de cor, embora só tenha usado ele uma única vez.

Vamos ver como você está hoje, Erwin.

***

Depois de passar a noite quase toda tentando achar provas para incriminar Levi, Erwin finalmente chegou em casa. Sabia que seria um esforço inútil, já que ele nunca deixava evidências, o jeito era saber quem seria sua próxima vítima e assim pegá-lo em flagrante, embora essa opção foi mais difícil do que ele imaginava. Desde que começou a liderar a força-tarefa para prender Levi e Don Valentino, ele sempre chegava em casa cansado. Não, na verdade Don Valentino não importava para ele, apenas Levi era seu alvo, mesmo negando para si mesmo, sabia que era verdade.

O loiro jogou as chaves da casa e do carro na mesa e foi direto para o banheiro tomar um banho quente para relaxar. Ele podia sentir seus músculos relaxando quando a água quente batia e escorria pelo seu corpo, enquanto seu pensamento vagava e o fazia lembrar da primeira ligação estranha que recebera, com apenas uma frase, e mesmo que tivesse escutado por apenas alguns instantes ninguém precisava dizer de quem se travava.

Ele sabia muito bem quem era.

Após o banho ele não fez questão de pegar alguma roupa para vestir. Enrolou-se em uma toalha, pegou uma cerveja na geladeira e sentou na poltrona da sala, olhando para o abajur, a única fonte de luz do cômodo. Ele ficaria imerso em pensamentos, em especulações e lembranças se naquele momento o telefone não tivesse tocado.

Erwin atendeu antes que tocasse uma segunda vez.

- Alô?

- Parece que finalmente chegou em casa detetive.

Aquela voz. Ele tinha ligado de novo. Ouvi-la o fez se arrepiar, mas ele não queria desligar, queria manter uma conexão, queria continuar a falar com Levi.

- Anda me perseguindo? Como descobriu meu telefone?

- Eu descubro e sei tudo que preciso saber, isso que importa.

- E pra quê precisa do meu telefone?

- Pra quê se precisa de telefones? Para ligar, não é óbvio?

- Como você é engraçado, não vai achar tanta graça assim quando estiver na prisão.

- Você não vai me trancafiar em uma prisão tão facilmente, mesmo que consiga me prender, você não o faria.

- Por que acha que não?

- Posso te dar a cabeça Don Valentino em uma bandeja, basta você querer. Não agora, claro, ele ainda é minha fonte de dinheiro.

- Acha que eu negociaria com você?

- Não acho, tenho certeza.

- Não fique tão certo disso, assim que eu te pegar, eu...

- Será que você vai ficar tão excitado quanto eu estou agora? Ah, sim Erwin, ouvir sua voz também mexe comigo, não pense que é só com você. Sabe, você deveria vestir uma roupa e se enxugar direito antes de sentar na poltrona, ela pode ficar molhada.

Ouvir aquilo fez seu coração acelerar, será que ele estava observando desde o começo?

- Anda me seguindo?

- Na verdade eu estava esperando você chegar. Estou aqui desde metade da noite.

- Desde quando sabe onde eu moro?

- Desde quando você se tornou interessante pra mim.

- E quando foi isso?

- Quando você começou a juntar as peças e percebeu que todos aqueles crimes foram feitos pela mesma pessoa e que eu sempre observo vocês de longe. Você estava mais agitado que o normal hoje, quando chegou na cena do crime.

- Então você estava lá.

- Claro, queria ver sua reação. Foi das melhores. Queria poder te ver melhor, se tirasse essa toalha ficaria bem mais interessante. Só não te envio uma foto minha porque você saberia onde estou.

- O que você quer que eu faça?

- Eu queria que você tirasse a mão de cima do colo e me deixasse ver que também está com uma ereção.

A ultima frase foi dita quase como um sussurro, o que realmente deixou Erwin excitado. Ele queria negar, mas sabia que não podia. A cada passo que dava, a cada cena que via, era como se os dois se conhecessem cada vez mais, sem ao menos terem trocado uma palavra pessoalmente. Já que estava naquela situação, decidiu entrar no jogo. Ele tirou a mão do colo e abriu a toalha que estava presa na cintura, mostrando seu membro já ereto.

- Satisfeito?

- Ah sim, muito. Estou imaginando você entrando em mim, enquanto massageio meu pau. Se você fizer o mesmo, vai ficar bem melhor.

- Se você quer sexo por telefone, deveria arranjar outra pessoa.

- Não vai ter graça se não for você.

- O que você quer de mim?

- A questão não é o que eu quero de você. Eu simplesmente quero você.

Erwin não tinha mais o que falar. Aquilo o deixara mudo, a única coisa que o fazia continuar com aquela ligação, era os gemidos e a respiração ofegante de Levi enquanto se masturbava. Quando menos percebeu, ele estava fazendo o mesmo.

- Da próxima vez todo seu gozo estará dentro de mim, Erwin. Estarei aguardando ansiosamente esse dia, até lá, divirta-se nas cenas dos meus crimes.

E então a linha ficou muda.

Notas finais
Estou pensando seriamente em só deixar EruRi nessa fic... acho que vou colocar MikaEre em outra, ou vou deixar aqui mesmo. Tanto faz, espero que tenham gostado :3