O Corvo Negro

14 Capítulo 13 - A Lista


Notas iniciais
Consegui ^^ Na verdade, esse é metade de um capítulo, mas é o que eu consegui escrever nesse pouco tempo

– Aqui está, senhor – disse a secretária da escola.

David agradeceu e folheou os papéis. Eram três listas ao todo. Ele passou os olhos pelas duas primeiras, sem muita animação, mas a terceira chamou-lhe particular atenção. Mentalmente, ele fazia “tics” para cada um dos nomes, restando apenas três que ele desconhecia.

– É esta aqui... Sem dúvida, é esta aqui.

...

O som das sirenes era ensurdecedor.

Viaturas policiais e algumas ambulâncias estavam paradas na rua estreita que dava acesso ao pequeno escritório. Pessoas desmaiadas eram levadas sobre macas até as ambulâncias, para receber um atendimento rápido. Algumas pessoas ainda estavam nauseadas e recebiam instruções para se acalmarem e beberem copos d’água. Em casos mais graves, algumas pessoas precisaram ser levadas com urgência ao hospital, em decorrência de algum problema de saúde que se manifestou. Nelson também foi levado as pressas ao hospital, pois sofrera de um mal súbito. Os médicos acreditavam que se tratava de algum tipo de problema cardíaco, decorrente da forte emoção.

Alguns poucos que já haviam se recuperado, estavam amontoados do lado de fora do prédio, tomando um ar, tentando clarear a mente. Hernesto falava preocupado no celular, sem seus óculos escuros.

Johnson estava encostado na parede. Ele ficava batendo nela com a mão direita, apreensivo. Sua mente já voltara a funcionar, momentaneamente. Apesar de tudo, ele duvidava seriamente que conseguiria ter uma boa noite de sono após este dia.

Glalcon e Paul estavam junto de Johnson, assim como alguns poucos funcionários da companhia. Todos estavam muito apreensivos, esperando Hernesto voltar com as noticias. Glalcon remexia no celular, aparentemente enviando mensagens, e parecia extremamente concentrado naquilo.

Pouco tempo depois, Hernesto voltou, já com os óculos escuros. Ele parecia mais aliviado, mas não menos preocupado. Antes de responder aos pedidos incessantes nos olhares dos companheiros, ele perguntou a Glalcon:

– Você conseguiu?

O detetive ruivo mandou algumas últimas mensagens antes de responder.

– Sim, estão vindo nos buscar agora mesmo.

Hernesto assentiu, lentamente. Após colocar alguns pensamentos em ordem, ele chamou a atenção de todos batendo palmas. Quando tinha toda a multidão com os olhares fixos em si, ele começou:

– Os corpos foram encontrados, estavam na escola em que estudavam, enterrados sob pilhas de lixo. Desapareceram hoje de manhã, provavelmente durante o período que ficamos fora. – houve muitos murmúrios vindos da multidão e Hernesto esperou que abaixassem – Nelson está internado, em estado grave. Raul prometeu que cuidara dele por enquanto.

Ele fez uma pausa, para que todos pudessem digerir a informação. Após alguns segundos, ele prosseguiu.

– Agora, mais do que nunca, precisamos prender esse miserável. Ele não pode sair impune dessa. Matar crianças inocentes é um dos crimes mais odiosos que os seres humanos são capazes de executar. Nosso amigo Glalcon conseguiu uma base para que possamos operar e David acreditar ter a primeira pista realmente promissora para o caso. Entendo que não estejam prontos para continuar, então aqueles que decidirem deixar este caso de lado, podem se retirar livremente, sem medo de qualquer retaliação.

A multidão se entreolhou, preocupada. Alguns comentários foram trocados, decisões tomadas. A grande maioria resolveu deixar o caso de lado, seguir suas vidas, cuidar da família e tentar esquecer o que viram. Apenas meia dúzia dos antigos funcionários permaneceram para resolver o caso. Juntamente com a equipe do Corvo Negro, somavam pouco mais de dez pessoas.

– Fico feliz em ter todos aqui – disse Hernesto, a sua já tão conhecida equipe.

– Não vamos deixar esse desgraçado escapar, não depois de tudo que ele fez – comentou Johnson, ainda encostado na parede

– Por favor, o maior caso de assassinatos em série em anos... E acha que vou ficar de fora? – conseguiu brincar Paul, com um leve sorriso no rosto.

– Certo. Então, Glalcon, quando nossa carona vai chegar?

– Já chegou – respondeu, apontando para o céu

Todos olharam para cima e só então perceberam um helicóptero sobrevoando o local. Ele estava um tanto afastado do local, para não atormentar os enfermos, então o pequeno grupo teve de andar a pé até uma área mais afastada, para poderem embarcar por uma escada de corda.

Quando todos já estavam lá em cima, devidamente acomodados, Paul comentou:

– Sabe, é a primeira vez que ando em um helicóptero... Não esperava ter de subir nele em movimento!

...

Cerca de cinco minutos depois, o helicóptero pousou no teto de um edifício. Ele tinha um único andar, com uma escada que levava até o teto/heliporto. Apesar disto, o edifício era alto e todo pintado de branco, com janelas escuras. O grupo desceu pelas escadas de metal e se deparou com um salão imenso, amplamente decorado.

As enormes paredes eram pintadas com tintas de cores suaves, para dar destaque aos imensos enfeites que se prendiam ao teto. Sofás de todos os tipos e cores se espalhavam pela sala. Mesas baixas de vidro e madeira exibiam enfeites abstratos e belos. Tapetes espalhados por todo o salão principal davam um último toque ao local, tornando-o extremamente convidativo.

– Gostaram? Eu mesmo decorei. – sorriu Glalcon, um tanto sem graça

– Realmente, devo admitir que é maravilhoso... Você não quer arrumar meu apartamento qualquer dia desses? – brincou Johnson

A brincadeira arrancou alguns risos, que não duraram muito tempo. Quando o silêncio começou a ficar constrangedor, Glalcon decidiu mostrar-lhes a casa.

Um dos imensos arcos laterais levava para uma ampla cozinha, onde grupos de cozinheiros e ajudantes estavam amolando facas, conferindo talheres e vistoriando os alimentos. Mais adiante, encontrava-se um pequeno corredor que levava a diversos quartos, onde poderiam dormir enquanto trabalhavam.

Voltando ao salão principal, havia três degraus que levavam a uma espécie de segundo nível, ainda dentro do primeiro andar. O corredor fazia uma curva para a esquerda, levando à três salas fechadas. Uma delas foi apresentada como um banheiro, grande, provavelmente maior do que um banheiro devia ser. Glalcon garantiu que todos os quartos possuíam banheiros privados, o que tornava aquele espaço todo ainda mais desnecessariamente maior.

A outra sala, de frente para o banheiro, era a sala de máquinas, onde ficavam os computadores e outras máquinas. No entanto, uma equipe ainda trabalhava na instalação dos equipamentos. Glalcon pediu desculpas por aquilo, mas tudo havia sido muito de repente.

A outra sala era apenas uma sala vazia, que poderia ser usada para qualquer coisa que eles inventassem.

– Realmente, muito impressionante. – elogiou Hernesto

– Ora, obrigado. Eu ganhei esse lugar quando fiz 18 anos. Eu estava sem muitas ideias do que fazer, até que fui visitar um amigo na Índia e a ideia veio assim, simplesmente.

– Pera, pêra. Você ganhou esse lugar... De presente de aniversário? – perguntou Paul, espantado

Glalcon assentiu, sem entender muito bem o sentido da pergunta.

Paul deixou escapar um assobio de admiração, enquanto olhava mais uma vez para o salão principal.

– Bem, agora só precisamos esperar o David com a tal da pista, não é?

– Sim – concordou Hernesto – eu já informei o endereço, ele já deve estar chegando.

Mal ele havia dito aquilo e as grandes portas do salão principal foram abertas, com um David eufórico do outro lado. Ele estava sorrindo alegre, com um papel nas mãos.

– Pessoal, vocês não vão acreditar no que... Uou! Que lugar incrível!

– Obrigado – agradeceu Glalcon

David observou o lugar por mais alguns segundos, depois voltou ao foco.

– Vejam só o que eu encontrei!

Ele colocou o papel sobre uma das mesas. Era uma lista de nomes.

Turma escolar “Raio-de-Sol” — 1989

Em ordem aleatória:

– Gabby Fuentes

– Beto Ramares

– Fred Duncan

– Peter Dawn

–Jefferson Marlon

– Emil Harrarash

– Nathaly Mcnell

– Clarisse Laford

– Dimitry Dompson

– Heitor Leussen

– Joseph Garford

– Albert White

– Esses são... – começou Hernesto, que teve que retirar os óculos para garantir que o que estava vendo era real

– Exatamente, praticamente todas as vítimas do Corvo Negro estão aqui. Com exceção destes três: Albert, Clarisse e Heitor. – concordou David

– Eles estão sendo perseguidos, ou algo assim?

– Eu não sei... Pode ser alguém entre eles, ou alguém perseguindo eles, não dá para saber. A questão é que estamos perdendo essa briga, e perdendo feio. Mas agora me digam, porque mudamos para cá? E cadê o resto do pessoal?

Os presentes se entreolhavam, tristes. Hernesto, como novo líder do grupo, decidiu que era seu dever informar as coisas.

– David, precisamos conversar...

...

– Aquele desgraçado! – berrou David, batendo com força na mesa

– Precisamos pegá-lo... Agora podemos, sei disso! – disse Glalcon, afastando a mão potencialmente destrutiva de David de sua amada mesa

– Podemos pegar dois coelhos com uma cajadada só. Não sabemos se eles são todos vítimas ou se tem um assassino entre eles não é? Podemos trazer todos para cá. Na melhor das hipóteses, poderemos protegê-los e na pior, os assassinatos param, pois nenhum assassino vai cometer crimes cercado de policiais, não é mesmo? – sugeriu Paul

– Não estamos falando de um assassino comum aqui... Mas pode dar certo – ponderou Johnson, que fervia por dentro com a possibilidade de acertar um tiro no meio da testa do Corvo

– Certo. Paul, encontre esses três. Vamos nos dividir em grupos e trazê-los até aqui. Quem está dentro?

Notas finais
Bem, ficarei fora por algum tempo (data deste post). Então poderei demorar um pouco para responder os comentários ou postar novos capítulos. Acham que o caso será resolvido? O Corvo finalmente vai ser pego? Quem sabe... no próximo/continuação capítulo: Três menos Um