O Instituto Psiquiátrico Total Recovery, foi criado em 1899. Um hospital que atualmente abrigava 38 pacientes. Uma delas era Lívia, tinha 21 anos, alta, morena, cabelos compridos, olhos expressivos. Estava lá há três anos, seus pais a internaram, pois Lívia tinha “surtos psicóticos”, e neles afirmava ver pessoas que haviam morrido.

-Nossa filha surtou, esta ficando louca – dizia o pai, Antero.

-Não fale assim, Lívia não tem culpa. Dizia Mercedes, a mãe.

No hospital, os pacientes ficavam excluídos em seu quarto. Lívia era jovem, queria sair, conhecer novas pessoas, ou pelo menos poder andar pelos corredores do hospital para se sentir um pouco melhor.

-Ei, enfermeira. Você pode me levar para dar uma volta no jardim? – indagou dengosa.

-Não tenho autorização para isso, seu quadro não é instável. Todo dia você tem surtos. Infelizmente eu não posso. – disse penalizada.

-Já disse que não sou louca, eu apenas vejo espíritos... Pare... Fique parada onde esta. – disse lentamente. – Ele disse que se você se mexer, ele te mata. Não, não não se mexe.

-Não disse, surtou minha querida. Vou chamar o Dr. Salvattore.

-Não, eu não preciso de psiquiatra, eu na sou louca – disse cautelosamente.

-A ta, e a louca sou eu? – disse irônica.

-Não, não – gritava – ele esta com uma faca, ele vai matar todos nós, todos, todos, todos.

-Fica calma meu bem, vou chamar o Doutor. Ele vai te ajudar.

Lívia estava nervosa, porém certa. Naquele quarto havia três pessoas. Ela, Joanne – a enfermeira – e... Um homem... Novo, magro, alto, com olheiras, pálido, e com... Uma faca na mão. Ele estava com o peito coberto de sangue jurando vingança e com uma faca na mão. Lívia sentiu-se fraca e perdeu os sentidos. Acordou em seu leito, ouvia vozes que diziam que ela tinha que descobrir um segredo. O segredo do hospital. E ela iria tentar,tentar não, ela ia conseguir. Queria ter paz. Ficou se perguntando que segredo seria aquele. Para descobrir teria que sair do quarto. Mas como?

-Tenho que sair deste quarto e ajudar essas almas condenadas. Ai, ai que dor. Sai daqui, nãos e aproxime de mim, não me mate, por favor.

-Não vou te matar, quero sua ajuda – disse um dos fantasmas.

-Para que? Você também quer que eu descubra o segredo deste lugar?

-Sim, quero. Tem a ver com o correr, aquele... Você não pode entrar naquele corredor. Eles matam pessoas lá, eu morri lá.

-Que horror! Como é isso? – indagou assustada.

-Descubra sozinha, e me ajude, por favor. Não só a mim, ajude os outros. Os que ainda podem ser ajudados.

-Pode deixar – garantiu.

Lívia ouvia gritos e sussurros, choros e lamentos. Via os mortos. Eles a atormentavam em busca de socorro. Ela estava interessada em ajudar, mas não sabia como. Sabia que começara a ver os espíritos para que fosse internada lá. Tudo havia sido programado, mas porque com ela. Com tantas pessoas disponíveis por que escolheram-na? Já havia ouvido falar em pessoas que tinham vontade de vê-los, porque elas não haviam sido as escolhidas. Não era aquilo que queria para sua vida. Queria apenas voltar a viver normalmente. Sair com a irmã, viajar com a família. Era jovem, bonita, queria ter uma vida social normal. Estava disposta a ajudar, desde que fosse ajudada. Era isso que faria, desvendaria o mistério do corredor 47, que há anos estava sombrio e desabitado. Seria aquela noite que fugiria do quarto e iria até lá. Sabia que não podia, aquele homem havia dito isto a ela. Pegou o grampo de cabelo, forçou a porta e conseguiu. Estava do lado de fora do quarto. Finalmente descobriria os mistérios do Instituto. Há menos de dois meses, uma interna morrera, a causa foi escondida de todos... Até mesmo da família. Lívia ouvira uma conversa entre o coordenador e uma enfermeira.

-Apenas nós dois sabemos disso. Esses loucos tentam fugir e temos que impedir. Por isso instalamos os choques, assim quando tentarem fugir, vão ter que passar pelo corredor 47 para ter o acesso a porta de saída, e lá o os choques são disparados.

-Claro Doutor, eu sei disso. Tantos já morreram neste corredor. Pelos meus cálculos Margarida foi a 19°. Sabe a interna quarto 121? A Lívia... a descrição do homem que ela vê bate certinho com as características do Julio. Aquele que morreu em 2001. Ele carregava uma faca na mão, e ao levar o choque cravou a faca no próprio peito. Será que ela realmente vê espíritos?

-Ela é louca. Você também acredita em espíritos enfermeira? – indagou um tanto quanto curioso.

-Eu? ...Sei lá, dizem que se ouvem gritos naquele corredor. Eu mesma tive impressão de já ter ouvido. Se existe... Eu não sei. Mas as evidências nos levam a crer que sim.

-Deixa de loucura, isso é obra dos próprios doentes.

-Não sei não.

Lívia caminhava vagarosamente, sentia medo, uma sensação estranha. Corria perigo, mal sabia que estava prestes a...

Desta vez não via espírito algum, mas eles estavam lá. Ansiosos para que alguém fizesse justiça pela morte de cada um deles... Regina, Janice, Polínio, Rita, Leonor, Nico, Sarah, Carlota, Henrique, Estela, Onofre, Nazaré, Orlando, Antonio, Ailton, Maria das Graças, Shirley, Margarida e Júlio. 19 mortos, cada um querendo justiça. Lívia iria ajudá-los. Foi andando... Andando. Já avistava o corredor 47, um arrepio lhe percorreu o corpo. Estava prestes a descobrir a verdade, a história do Instituto Psiquiátrico Total Recovery. Entrou... Sentiu-se tonta, cenas lhe passavam pela cabeça... Mortos... Mortos e mortos. Lívia via tudo. Ela estava se aproximando do perigo, estava chegando a hora da sua...

Um redemoinho dourado a envolveu, os espíritos dos mortos gritavam para que Lívia não seguisse em frente. Tudo em vão, ela não ouviria. A garota avistou a porta de saída, encheu-se de esperança. Finalmente iria embora dali. E fora de lá desvendaria os crimes. Mas não era bem isso que o destino havia reservado para a menina de cabelos compridos e olhos expressivos. A cilada estava armada, ao aproximar-se o alarme disparou. Ao ouvir, o diretor correu para ver o que era. Lívia ficou estática, não sabia o que fazer. Viu quando o diretor se aproximou e a mandou ficar parada.

-Pare ai mesmo sua louca... Se não parar vai morrer.

Ao ouvir as palavras do homem um filme passou em sua cabeça. As imagens vinham em sua mente, ela descobrira o segredo. Sabia que Josivaldo – o diretor e Viviane sua enfermeira e cúmplice eram os responsáveis pela matança.

-Eu sei de tudo, sei que vocês mataram todos os internos que tentaram fugir. Não sei muito bem como, e não vou ficar aqui parada para saber.

Rapidamente Viviane gritou pára que Lívia não se movimentasse, sentia enorme simpatia e carinho pela garota.

-Não Lívia... Não se mexa.

-Não quer que eu me mexa por quê? Também querem me matar não é? Pois eu vou embora e vou denunciar vocês. – disse em tom desafiador.

Ao dar um passo Lívia levou o choque e ali... No chão, do Corredor da Morte mais uma vitima estava morta. Sem nenhuma lógica, a energia no choque que caiu sobre Lívia percorreu o chão e também acertou Josivaldo e Viviane. Agora Lívia savia o grande mistério que envolvi ao Instituto Psiquiátrico Total Recovery. Encontrou-se com todas as outras vitimas, que finalmente encontraram a salvação. O caso foi informado a policia e o Instituto interditado. Os parentes foram indenizados e finalmente a sessão de mortes havia terminado. E você já passou por algum Corredor da Morte?

Fim

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!