O Cordeiro e o Tigre

4 Capítulo 3 - Algumas Respostas, e muito mais perguntas.


Notas iniciais
Espero que curtam este capitulo.

— Fui enviado para proteger seu pai, Victoria. Estive em sua casa, alguns dias antes do incêndio – o homem mascarado diz, olhando para a mesa, então ele vira a cabeça para olhar para ela, dizendo: – Eu sinto muito, não consegui prever o que aconteceria depois.

Victoria se mantém calada, não querendo interromper o homem.

— Conversei com seu pai sobre ele estar em perigo, e que iria proteger ele a todo custo, mas ele disse que conseguiria se virar sozinho. Claro que tentei argumentar, mas o homem era a pessoa mais teimosa que já conheci.

O homem deu um pequeno sorriso de boca fechada, preso em alguma lembrança.

— Ele me fez prometer, que caso ele... – Victoria percebe que ele desvia o olhar dela e depois volta a olha-la, meio sem jeito – você sabe... Caso ele viesse a falecer por algum motivo, que eu deveria cuidar de sua família.

O homem suspira, desviando o olhar de Victoria, fixando o olhar na mesa, ele levanta os braços sob a mesa entrelaçando as mãos.

Victória percebe que as mangas da camisa social estão levemente levantadas um pouco acima do punho, ela franze a testa percebendo o que parecia ser marcas de queimadura indo do inicio do punho até a parte dobrada da camiseta social, possivelmente continuando para cima.

Ele claramente percebe o olhar de Victoria e abaixa os braços, puxando a manga para cobrir o punho, deixando apenas a mão descoberta.

— Me desculpe, acabei me esquecendo de vestir as luvas. – ele então se levanta indo até o balcão, pega duas luvas pretas que estavam lá e veste-as.

— Onde estávamos? – Ele diz sentando-se novamente, no mesmo lugar – Ah sim, então aqui estou eu, protegendo a família de Gabriel.

Victoria olha para o homem como se ele tivesse acabado de contar que viera de outro planeta.

— Você percebe que não me explicou nada? – Victoria diz sem paciência.

— Me pergunte então, especificamente, o que quer saber. – o homem diz.

— Como você e meu pai se conheceram?

— Bom, pode-se dizer que ele foi meu médico por um tempo.

— Vocês se conheceram no hospital então, era um dos pacientes dele?

— Pode-se dizer que sim. – O home diz dando de ombros – Você precisa comer.

— Por que meu pai estava em perigo? – Ela diz, ignorando o que o homem mascarado havia dito.

— Ele tinha algumas informações importantes sobre pessoas importantes. Isso, minha querida, é por si só um grande motivo para correr perigo.

— Quem são essas pessoas, pelo amor de Deus?! – Victória diz exasperada.

— As pessoas que foram te procurar no estúdio e a pessoa que mandou eles irem atrás de você.

— Você sabe quem são?

— Sei quem eram. – Ele diz simplesmente.

— Você não vai me dizer nada concreto?

— Tudo o que eu disse é a verdade.

— Meias verdades, que não formam nem um parágrafo. Como espera que eu acredite em você?

— Só preciso te manter segura, não preciso que acredite em mim. – Ele diz, se levantando – Agora coma!

— Você me sequestra, me conta qualquer bobagem sobre meu pai e espera que eu apenas obedeça a suas ordens? – Victoria diz se levantando e se pondo a frente do homem, o medo ainda estava lá, mas a raiva a dominou.

“Se este homem vier para cima de mim, vou enfiar a tesoura em sua garganta!” Victoria pensa, se agarrando a tesoura ainda escondida em suas costas.

O mascarado apenas olha para baixo, vendo a pequena mulher de braços para trás e uma expressão de raiva muito convincente, ele sorri.

— Você não foi sequestrada, minha querida. Te salvei da morte eminente, sinta-se livre para sair a qualquer momento, basta virar à esquerda quando sair da cozinha, o corredor leva diretamente a porta de saída.

Uma Victoria muito confusa o encara, ela então começa lentamente a se encaminhar para a porta da cozinha, ainda sem tirar os olhos do homem.

— Ah! Se eu puder fazer um pedido – O home diz se aproximando dela – Gostaria que deixasse minha tesoura antes que vá embora. Não somos selvagens aqui, e eu não roubei nada seu.

Victoria fica completamente vermelha, ela retira as mãos das costas e deposita a tesoura em cima do encosto do sofá.

— Não deve temer a mim, se fosse para te matar teria feito isso lá mesmo. Por que eu sujaria minha casa? Não faz nenhum sentido.

Victoria se dirige a porta de saída, previamente informada, ainda hesitando ela põe a mão na maçaneta.

—Então você vai apenas me deixar sair daqui?

— Claro, você não é uma cativa. Pode fazer o que quiser – O home diz se sentando no sofá – Realmente é um desperdício você não querer comer, todo o exercício que está prestes a fazer irá te fazer mal de estomago vazio.

Victoria ignora o homem e abre a porta, mas ela não fica menos aterrorizada, pois percebe estar em alguma espécie de caverna.

— Merda! Você mentiu para mim, disse que estava livre! – Victoria diz se virando para gritar com o homem, mas assim que ela se virou o viu parado logo atrás dela, a apenas dois passos de distância.

— Você está livre, basta me pedir para tirá-la daqui. – Ele diz, aparentemente se divertindo.

— Pare de joguinhos, seu... – Ela então para, não faz sentido xingar quem pode acabar com a sua vida.

E inesperadamente, o homem se desculpa, e aparenta ser sincero.

— Não estou acostumado a ter pessoas do meu lado, me perdoe. Fiz o mesmo com seu pai uma vez, e como o bom teimoso que era, decidiu se aventurar na caverna, quarenta minutos e muitas voltas em circulo depois, ele resolveu sentar e conversar comigo... Foi um bom dia. – Ele diz com o olhar perdido.

— Prove. – Victoria diz de repente.

— O que? – Agora foi a vez do homem ficar confuso.

— Prove que conhecia meu pai.

O homem suspira indo em direção a sala se dirigindo a uma estante.

— Sente-se, garota. Se não vai ir, não tem para que ficar em pé. Irei te contar tudo, prometo. Basta me perguntar.

— Sem joguinhos? – Victoria pergunta, de braços cruzados.

— Prometo que não terá nenhum, a menos que queira. – Ele retira um livro da estante e se senta no sofá. – Juro que tenho a melhor das intenções a pesar da falta de jeito.

Victoria hesitante entra fechando a porta novamente, e indo em direção ao homem, ela se senta no sofá oposto ao que o homem está ficando frente a frente com ele.

Ela o vê foleando o livro e percebe ser um álbum de colagens, com algumas matérias de jornais e fotos.

— Este sou eu – O homem diz virando o álbum e apontando para uma criança impossivelmente magra, não tendo mais que seis ou sete anos, vestida apenas com uma bermuda vermelha e uma máscara de pano que mais parecia um saco de estopa com buracos para os olhos e a boca.

— Por que... – Ela começa, mas ele logo interrompe.

— Este é seu pai – ele bate com o dedo no homem de jaleco. Era realmente seu pai, alguns anos mais novo do que ela se lembrava, mas definitivamente era ele, sorrindo de volta para quem quer que fosse que estava tirando a foto.

Eles estavam com mais dois homens vestindo ternos pretos, os homens, porém não sorriam.

— Quem são esses? – Ela pergunta.

— Não são importantes, já não estão mais entre nós. – O homem diz virando o álbum para si.

— Isso é prova suficiente, senhorita? – ele pergunta fechando o álbum.

— Por que querem me matar? – Victoria pergunta.

O homem se levanta, ela percebe que ele está ponderando provavelmente entre contar a ela a verdade ou mentir descaradamente, ele começa a andar de um lado para o outro, e alisa seu cabelo para trás.

— Eu não sei, venho te seguindo todos esses anos, desde que soube que sua casa havia pegado fogo. – ele para de andar e se vira para ficar de frente a ela. – Eu sinto muito por ter chegado tarde demais, não consigo me perdoar por isso e não espero que me perdoe.

— Eu não o culpo. – Victoria diz, tentando entender essa súbita mudança.

— Você deveria... – Ele diz sussurrando, mas ela ainda consegue ouvir.

— Você vem me seguindo todos esses anos? – Ela pergunta, um pouco insegura.

— Sim, sempre mantive distância, apenas precisava ver que estava segura. – ele diz se sentando novamente no sofá – Eu estive lá, quando você voltou a sua casa, naquela noite chuvosa. Havia voltado para contar... – Ele para, e olha para o chão – Eu ia contar algumas noticias para seu pai, e encontrei a casa daquele jeito, horrivelmente queimada.

— Você me vigia desde então?

— Sim... Sinto muito.

— Quem são eles?

O homem abre a boca para falar, mas rapidamente a fecha, ele se coloca de pé rapidamente, totalmente em alerta.

— O que foi? – Ela pergunta.

— Quieta! – o mascarado sussurra, ele retira um celular do bolso e começa a olhá-lo.

E então, inesperadamente começa a rir. Um riso tão lindo e ao mesmo tempo aterrorizante.

E a cada minuto que passava lá, Victoria percebia.

Ela estava presa com um louco.

Notas finais
Prometo que já já tudo vai se encaixar! Sinta-se livre para digitar o que achou. Deixará esta persona aqui muito feliz. Até a próxima e que não demore muito para acontecer!