O Coração Quer O Que Ele Quer
5 Capítulo 5
Notas iniciais
PoV Karina
“Mando ou não mando?” Por horas essa dúvida me consumia. Deveria ou não mandar uma mensagem para Pedro? Se sim, o que escrever? Que adorei a noite, que poderíamos repeti-la mais vezes. Ou apenas mando um simples “oi”, o que seria impessoal já que eu o havia beijado? Outro ponto importante, por que diabos eu o beijei? Seria apenas para deixá-lo sem ação, para revidar o que ele fazia comigo, ou por que, no fundo, era isso que eu queria de verdade?
Passaram-se alguns dias desde o tal beijo e Pedro ainda não fizera contato. Nem um sinal de fumaça ou coisa parecida. Enquanto estava perdida em minhas dúvidas mortais, escuto o sinal do celular, informando que uma mensagem acabara de chegar. Meu corpo paralisou, seria ele? E num rompante, levanto da escrivaninha e vou até o criado-mudo que se encontrava na lateral da minha cama.
Sol
K, sexta tem ensaio da banda e creio que ele vai estar lá. Quer ir? (10:14)
Sol sabia que ele “desaparecera” desde o último sábado e quis me ajudar. Mas aparecer no ensaio seria uma boa ideia? Não pareceria intromissão da minha parte? E se ele achar que o estou seguindo? Será que eu o assustei com a minha atitude? Quer saber de uma coisa, chega de dúvidas. Vou lá e tiro a prova. Rapidamente respondo a mensagem.
Eu
Só falar hora e lugar. (10:17)
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O ensaio seria num estúdio que Nando conseguira por um preço camarada. Sábado eles tocariam numa festa de formatura e Sol disse que faria por merecer o valor pago a eles, por isso ensaiariam até que atingissem a mais perfeita harmonia. E eu estaria lá, para conferir e dar minha humilde opinião de amiga e, assim podemos dizer, fã.
De carro, fui até a casa de Solange pegá-la para irmos juntas até o estúdio. Conversamos sobre coisas do dia-a-dia até que chegamos ao local marcado. Sol recebera uma mensagem avisando que estavam a sua espera, pois todos já haviam chegado. Estacionei o carro e entramos no estúdio. Todos já estavam dentro da cabine, e Sol apressou-se para pegar o seu posto de vocalista enquanto eu me acomodava num sofá que havia no local.
Vez ou outra, pegava-me olhando para onde o guitarrista tocava e quando nossos olhos se encontravam, sentia algo dentro de mim, que não podia ser explicado. E eu não queria explicar, apenas sentir aquela sensação que me trazia um bem estar. Estava ansiosa para que o ensaio acabasse, queria logo falar com ele, saber o que havia acontecido, por que sumira.
Um pouco mais de uma hora depois, deram por finalizado o ensaio, e eu agradecia em pensamento. Sol e os outros integrantes saíram da cabine falando sobre algumas modificações que ainda poderiam ser feitas e sobre o quão ansiosos estavam para o show do dia seguinte, e foram trocar informações com Nando. Pedro saíra por último, parecia desanimado ou cansado, não sei ao certo. Levantei-me para ir falar com ele, mas ele apressou-se em sair da sala em que nos encontrávamos.
“Ei, posso falar com você?” Disse como numa súplica, olhando-o da mesma forma. Ele permaneceu na mesma posição, dando-me as costas. “Você tá bem, Pedro?” Ele respirava fundo.
“Não posso falar agora...” antes mesmo que prosseguisse, a porta a sua frente se abre e vejo entrar uma garota. Quem seria? Tinha pouco mais de um metro e sessenta, ou nem isso, cabelos sobre os ombros e um jeito que me deixou intrigada. Então ela se pronunciou.
“Podemos ir, amor?” Ok, amor? O que estava acontecendo ali? Ela me olhava de um jeito diferente, eu estava prestes a dizer algo quando ela, percebendo isso, fez o que eu não acreditara. Era isso que eu estava vendo? Eles estão se beijando? Olhei para Sol como quem clama por uma justificativa e pelo seu olhar, entendi que ela não fazia ideia do que estava acontecendo, assim como eu.
Num rompante, saí da sala, empurrando o casal que estava na passagem da porta, fazendo com que se separassem. Escutei Pedro me chamar, mas eu não queria ouvir o que ele tinha a dizer, então corri o mais rápido que consegui e, em poucos segundos, já estava em meu carro, com as mãos sobre o volante e repousando a cabeça sobre o mesmo, respirando fundo, como se isso fosse expulsar aquele sentimento ruim que eu sentia.
Percebi uma movimentação na entrada do estúdio, o que parecia ser Pedro. Isso me fez ligar o carro e acelerar. Eu só queria sair dali, então eu dirigi por horas, sem destino. Eu não chorara ou algo próximo a isso, não. Era só uma angústia que me consumia por dentro. E logo a reprovação me veio, eu o beijei sendo que ele tem uma namorada, talvez seja por isso que ele não reagira, ou o motivo pelo qual ele sumira. Mas o que importa agora?
Minha respiração voltara ao normal, a madrugada chegara e agora eu estava consciente do que fazia, então rumei para minha casa. Não demorou muito para que eu chegasse lá. Bianca e meu pai já deviam estar adormecidos em suas camas, para o meu bem, seria complicado e cansativo explicá-los o motivo por eu ter chegado àquela hora.
As luzes estavam apagadas e, com cuidado, caminhei até o meu quarto. Desfiz-me de minhas roupas pelo caminho até o banheiro, abri o chuveiro e senti a água morna cair em meu corpo nu, aquilo era para mim como um ritual de purificação. A água levaria tudo de ruim e eu estaria revitalizada. E foi isso que aconteceu, após o banho eu me sentia leve, porém cansada. Então, procurei por um pijama e logo estava em minha cama.
Deitei-me e logo adormeci. Não lembro o que sonhei ou se havia sonhado, foi então que senti alguém me cutucando e despertei. Era Bianca, olhei para o relógio que estava no criado-mudo e marcavam 7:45 da manhã. Ok, ela teria um ótimo motivo para ter me acordado tão cedo num sábado. Bufei e olhei para ela, esperando sua explicação.
“Não me olha assim, também não estou nem um pouco feliz por ter sido acordada a essa hora” bufou e prosseguiu “Mas é que tem visita pra você lá na sala...” sua expressão mudara, me olhava com uma cara de insinuação. Terminou e saiu. Quem seria? Levantei-me e fui me arrastando até o cômodo onde estava o visitante. Parei quando o vi.
“Precisamos conversar.”
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