O Coração Quer O Que Ele Quer
12 Capítulo 12
Notas iniciais
"Se ao menos conseguíssemos enxergar a infinita cadeia de consequências que resulta das nossas pequenas decisões. Mas só percebemos tarde demais, quando perceber é inútil."
John Green
POV PEDRO
Após Karina partir, permaneci por algumas horas naquele mesmo lugar. Precisava refletir sobre os últimos acontecimentos e aquele era o lugar certo. Eu não queria apontar quem estava errado na história, pois nem eu nem ela estávamos, talvez ninguém estivesse.
Mas tudo estava estranho, de uma hora para outra ela aparece namorando aquele cara e – suspirei – quanta hipocrisia da minha parte.
Depois de muito pensar, decidi que pediria ajuda a alguém que me conhece como ninguém, e que sempre tem os melhores conselhos – à sua maneira — e esse alguém é minha irmã Tomtom.
Não demorei mais que meia hora para chegar em casa. Meus pais estavam dormindo pois trabalharam o dia todo, como sempre. E Tomtom estava em nosso quarto – que dividimos – lendo um livro. Ela percebera que havia algo errado.
“Desembucha, maninho.” Ela prontificou a dizer, sem mesmo tirar os olhos do livro.
“Acho que perdi a Karina...” Estava cabisbaixo.
“Pedro, você tem um sério problema em fazer besteira. Qual foi a da vez?” Sua atenção continuara no livro.
“A Karina apareceu com um namorado...”
“O que você tá falando? A K? Namorando?” Agora sua atenção voltara para mim.
“É isso mesmo, maninha. Namorando.”
“Não pode ser, tem certeza?” Fiz que sim. “E você não fez nada?” Ela estava inconformada.
“O que eu podia fazer, Tomtom?” Eu desabara naquele instante.
“Pedro” Ela acariciava o meu cabelo. “Chora, põe tudo pra fora, é melhor.” Ela suspirara.
“Mas Tomtom, dói aqui...” Disse repousando a mão no peito, eu parecia uma criança chorona.
“Esse é o problema da dor, ela precisa ser sentida.” Olhei-a confuso. “John Green, Pedrinho. Você devia ler mais.” Sorrira, ainda fazendo-me carinho.
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POV TOMTOM
Permaneci ali com o meu irmão até que ele, por fim, adormecera. Não queria sair do seu lado, ele estava realmente precisando de mim. E enquanto ele descansava, eu tentava encontrar respostas para tudo que estava acontecendo.
Peguei o celular de Pedro e procurei o nome de uma pessoa que com certeza me ajudaria. Encontrei-a e rapidamente coloquei para chamar.
“Pedro?” Ela parecia confusa com a ligação.
“Não, Tomtom. Tudo bem, Sol?” Conheci Sol em um dos ensaios da banda, que Pedro me levara. Conversamos muito e descobrimos algo em comum: Perina.
“Ah! Oi, Tomtom. Tudo sim e com você?”
“Eu tô bem. Mas acho que assim como o Pedro, a K também não está.”
“Ai, Tomtom... Esses dois são tão complicados!” Ele bufara.
“Eu sei, Sol. O Pedro chegou aqui chorando, disse que a K tá namorando e...” Ela interrompeu-me.
“Como o Pedro descobriu isso?” Sua voz era assustada.
“Ele não me explicou. Só sei que ele saiu com a Vicky e voltou desse jeito.”
“Você sabe pra onde ele foi com ela?"
“Ele anotou aqui” Verifiquei a anotação dele num papel da escrivaninha. “Acho que isso aqui é um bistrô, lá em Botafogo e...” Novamente fui interrompida.
“Não pode ser...” Ela dizia como se houvesse entendido algo. “Tomtom, eu tô com uma suspeita aqui e acho que você pode me ajudar.”
“Se for pra ajudar o Pedro e a K, eu tô dentro!” Aquilo me animara, faria tudo para juntar esses dois.
“Ótimo, então é o seguinte...”
Sol me explicara o que eu deveria fazer, posteriormente me explicara a suspeita que tinha. Não seria fácil e nem rápido, mas o que nos confortava era saber que com a nossa ajuda eles poderiam ficar juntos. Após repassar o plano com Sol, desligamos e eu voltei ao livro que estava lendo.
“O verdadeiro amor nasce em tempos difíceis.” Sorri com a citação, dei uma última olhada em Pedro e deitei-me. Meu desejo é que em breve tudo esteja resolvido e que meu irmão possa, finalmente, ser feliz ao lado da Karina.
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Despertei no meio da madrugada assustada. Não sabia o que havia sonhado, tudo que eu sei é que agora meu corpo doía, minha cabeça estava pesada, eu suava frio, meu estômago revirava. Com certa dificuldade levantei-me e fui caminhando – cambaleando, para ser mais exata – até a sala, onde estavam meu pai e Bianca, assistindo a um filme qualquer.
“Pai...” Eu estava escorada na porta, minha voz saiu falhada.
“K, o que você tem, filha?” Meu pai correra assustado até mim, Bianca veio junto.
“K, o que você tá sentindo?” Bianca estava aflita.
“E-eu...” De repente tudo ia se esvaindo, minha vista escurecia, as vozes diminuíam e em questões de segundos eu já não estava mais ali. Não conscientemente.
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