O Convite
28 Santana II
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O CONVITE – Santana II
22 de outubro – sexta-feira
"... e o medico disse que o coraçãozinho dela está batendo direitinho, o que significa que ela é uma menina muito forte e saudável, né San?" Brittany tagarela alegremente enquanto dirige sem prestar muita atenção no que está fazendo.
"Por favor meu amor, tente prestar atenção na pista." Santana estava sentada no banco da frente, sua barriga estava realmente grande e dirigir era muito desconfortável. Ela tentava fazer com que Britt se concentrasse em dirigir, mas a ecografia havia mexido com a loira e ela parecia ainda mais aérea do que o normal.
Quinn sorria no banco de trás, olhando para suas amigas com divertimento e dando direções ocasionais. A fase hormonal da gravidez havia finalmente passado (pelo menos era o que elas esperavam...) e Santana estava agindo como a esposa perfeita, totalmente amável e compreensiva.
Elas encostam em uma esquina próxima a um Starbucks e a dançarina buzina uma vez antes de sair do carro e dar lugar para a outra loira dirigir. A latina também se move para o banco de trás e elas esperam nessa nova posição.
"Por que é mesmo que nós estamos aqui?" Santana pergunta, prendendo o cinto de segurança com cuidado.
"Eu já falei que Rachel vai ir com nós." Quinn tamborila os dedos no volante e espia pelo pára-brisa, tentando encontrar sua morena dentro da cafeteria.
"Você não lembra S?" Brittany prende os cabelos enquanto olha para sua esposa. "Q explicou ontem a noite que a R vai trabalhar como voluntaria também..."
"R? Dês de quando Tresure Trail faz parte da gangue?"
"Santana!" Exclama Quinn. "Eu já disse para parar com os apelidos!"
"Eu sei, desculpa. Antigos hábitos são tão difíceis de largar..." Responde ela, dando de ombros e sorrindo para a loira de olhos azuis que acaricia seu abdômen.
"Você acha que ela pode sentir?" Pergunta Brittany para a barriga da latina.
San faz que sim com a cabeça, depositando sua mão sobre a de sua esposa. "E ela ouve também, não como a gente é claro, mas ela consegue reconhecer a sua voz..."
Os olhos da dançarina brilham e ela se inclina um pouco para frente. "Oi Valerie... Eu sou a sua mamãe sabia? Eu te amo minha querida." Ela levanta o tecido verde água da camiseta da Santana, revelando a pele bronzeada, como se o bebe pudesse ouvir melhor dessa forma.
Quinn sente vontade de chorar. Ver a interação das duas com o bebê que ainda nem nasceu a faz lembrar de Beth. Seu peito dói de verdade quando ela pensa em como tudo poderia ter sido diferente se ela tivesse ficado com sua filha. Ela conheceu a menina, inclusive esteve presente em seu segundo aniversario. A adoção era aberta e a loira tinha todo o direito de visitar se quisesse, mas quando Beth fez três anos, tudo mudou, de todas as formas possíveis.
"Oi! Desculpem o atraso, reuniões no café da manha sempre demoram muito mais do que o normal. Provavelmente por que as pessoas não estão despertas o suficiente para discutir contratos antes de um..." Rachel entra no carro falando sem parar até que vê a expressão no rosto de sua namorada. "Está tudo bem?" Imediatamente, sua mão voa para a de Quinn, afrouxando seu aperto no volante e acariciando suavemente a pele branca de seu pulso.
A loira consegue mandar as lembranças de Beth para o fundo da memória e sorri para a diva, se inclinando para beijá-la no rosto. "Sim, eu só estava pensando em tudo o que temos que fazer hoje..." Mente ela. Não é inteiramente uma mentira, considerando-se que hoje de tarde elas vão visitar Andy e esse menino tem um efeito depressor sobre ela.
"Ok, agora que Man-Haaa—" Santana para no meio da palavra ao captar a frieza dos olhos de Quinn pelo espelho retrovisor e se apressa em corrigir-se. "—chel." Ela limpa a garganta. "Agora que... er... Rachel chegou, será que a gente pode ir? Eu tenho que fazer xixi, tipo, urgente."
"Você pode usar o do Starbucks, tenho certeza que..." Começa Quinn.
"Nem pensar! Você nunca sabe que tipo de gente usa esses banheiros!" A latina cruza os braços.
"Eu tenho que concordar Quinn, principalmente na condição que ela se encontra, é perigoso contrair alguma doença..." Rachel veste a camisa do projeto por cima de sua blusa.
"O lugar para aonde nós estamos indo não é nem um pouco melhor..."
"Nós podemos parar no estúdio." Responde Santana. "Sério, eu acho que ela acabou de chutar a minha bexiga e eu não sei por quanto tempo vou conseguir segurar..." Ela morde o lábio.
"Está bem, mas vai ter que ser rápido. Nós temos que estar no centro comunitário antes da dez." A assistente social da a partida e acelera em direção a escola de dança.
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O centro comunitário era um grande salão cinzento em um bairro relativamente bom comparado aos outros que Quinn atendia. As aulas de dança de Brittany nunca eram nos piores lugares, quando ela decidiu se voluntariar, Santana tomou cuidado para que sua esposa ficasse em segurança e ela e a assistente social montaram uma pequena lista com as localidades que não poriam a dançarina em risco de forma alguma.
Esse era um dos motivos pelos quais elas haviam ido de carro. O bairro não era ruim. Outro motivo era que Brittany gostava de levar diferentes materiais para trabalhar com as crianças e ela não podia carregar sacolas cheias de fantasias e bolas e coisas divertidas dentro de um ônibus.
Em fim, a maioria das crianças já estava lá quando elas finalmente chegaram e as quatro mulheres começaram a espalhar materiais pela sala. Bambolês, bolas, fitas, roupas, enfeites, coisas coloridas... O grupo de hoje era somente de crianças com deficiência física, paraplégicos, paralisados cerebrais, distrofias musculares, entre outros.
Rachel observava tudo com os olhos arregalados. Era incrível o que aquelas crianças podiam fazer, mesmo sendo privadas da maior parte do movimento. Eles eram desordenados e a principio, ela sentiu necessidade de corrigir algumas coisas, mas depois de algum tempo, a diva começou a prestar atenção a outras coisas, alem da dança em si. Ela ouviu conversas dos pais que falavam sobre o quanto isso era bom para seus filhos e as risadas dos filhos que pareciam estar se divertindo de verdade. Ela observava Brittany e Quinn circularem pela sala, conversando e orientado tanto os adultos quanto as crianças e idéias começaram a invadir seus pensamentos. De repente ela estava ansiosa para ter seu próprio espaço e ensinar as coisas que ela sabia sobre musica e teatro para essas pessoas.
"É incrível, não é?" Pergunta Santana, aparecendo atrás dela com os braços cruzados e um pequeno sorriso nos lábios. "Eu gostaria de me voluntariar, mas a rotina no hospital não deixa muito tempo para isso..."
"Eu estou ansiosa para começar a trabalhar sozinha, ser responsável por todos esses sorrisos... Eu entendo por que Quinn ama tanto esse trabalho." Concorda a cantora.
"Ela realmente gosta de você, sabe?" Os olhos da latina encontram os de Rachel e ela fica seria de repente. "Em todos esses anos, eu nunca a vi tão envolvida em um relacionamento. Olha Stu... er... Rachel, desculpa, te chamar pelo nome é tão... estranho."
"Eu fico feliz que você esteja tentando." Sorri a diva.
"Eu estou fazendo isso pela Quinn." Continua Santana. "Nosso relacionamento sempre foi turbulento e nós mal podíamos nos suportar durante o ensino médio, mas ela é realmente importante para mim agora. Depois da Brittany, ela é minha melhor amiga. Uma das únicas com quem eu realmente posso contar..."
"Eu tenho certeza que ela sente o mesmo em relação a você Santana."
"Eu queria conversar com você sobre isso." Ela faz uma pausa. "Sobre o que está acontecendo entre vocês..."
"Nós estamos juntas, mas tenho certeza que você já sabe disso..." Rachel franze a testa.
"Sim, isso é completamente obvio. O que eu quero falar é sobre... É sobre a Quinn, na realidade." Ela umedece os lábios e lança um olhar para as duas loiras que conversavam na outra extremidade do aposento. "Isso tudo é muito novo para ela, Rachel. A questão da sexualidade e a própria paixão, tenho certeza que ela nunca sentiu isso antes, ela mesma já me falou isso."
"Eu sei. É por isso que estamos indo devagar. Eu sei como ela foi criada e o quanto é difícil se descobrir homossexual depois de ouvir tantas vezes o quanto esse tipo de relacionamento é errado." A cantora solta e prende os cabelos, sentindo a necessidade de manter as mãos ocupadas.
"O maior medo dela é te machucar." Santana puxa uma cadeira e senta-se pesadamente, suas pernas estavam começando a inchar. A gravidez podia ser um tanto inconveniente as vezes... "E ela vai."
A diva se escora na parede e escorrega seu corpo até estar sentada no chão ao lado da cadeira da latinha. "Como assim, ela vai?"
"Eu e Quinn somos muito parecidas Berry. Ela vai te machucar. Acredite em mim."
"Eu não entendo por que você diz isso."
Santana força um sorriso ao olhar para a mulher sentada ao seu lado. "Vocês já conversaram sobre tornar o relacionamento publico? Você é uma pessoa publica Berry. A mídia vai cair em cima de vocês no momento em que descobrirem que você é lésbica. Eles vão querer saber absolutamente tudo sobre a sua estonteante namorada. Como você acha que Quinn vai reagir a isso?"
Rachel abre a boca para responder quando percebe que não tem resposta para o que Santana acabou de falar. É claro que ela já havia pensado sobre isso, mas em sua cabeça, elas enfrentariam as noticias juntas, sem medo de se expor para o mundo.
"Uma coisa são os olhares e comentários aleatórios de pessoas estranhas na rua cada vez que vocês se beijarem ou até mesmo andarem de mãos dadas. Isso já vai ser difícil para ela. Ela vai ouvir a voz do pai na cabeça, lhe dizendo o quanto isso é errado e cada olhar vai fazê-la voltar para o momento em que foi expulsa de casa pela primeira vez."
A cantora olha para a figura de sua namorada e Quinn sorri para ela, piscando um olho e movendo os lábios, formando as palavras 'eu te amo'. Ela se apaixona ainda mais nesse momento e tudo o que Santana diz, apesar de coerente, parece tão impossível...
"Pense como seria sair do armário e se ver cercada por repórteres e flashes." A latina continua a falar. "Eu sei que ela te ama, mas isso não significa que ela não sinta medo."
"Eu sei disso. Eu sinto medo também. Eu tenho medo do que os meus pais vão pensar, eu ainda não tive coragem de contar para eles..." Suspira Rachel, descansando as mãos no colo. "Eu não acho que eles vão ir contra a minha escolha, eles são gays afinal. O que me preocupa é que eles podem ficar desapontados. Eu nunca escondi nada deles, mas por algum motivo, toda a vez que penso em falar sobre a minha opção sexual... é como se eu travasse... Não sei como explicar..."
"Eu entendo. Minha família só ficou sabendo sobre meu relacionamento com a Brittany três meses depois do casamento..." Rachel arregala os olhos para a latina. "Minha família não é muito diferente da de Quinn. Nós duas freqüentamos a mesma igreja quando éramos crianças..."
"E eles aceitaram?"
"No começo não. Mas eu não me importei, eu já estava casada mesmo." Ela da de ombros. "Depois de um ano, a minha mãe veio me procurar e nós conversamos. Ela percebeu o quanto eu realmente amo a minha esposa e acabou me apoiando. O resto da família não demorou para aceitar depois que ela deu o primeiro passo..."
"Não vai ser assim com a Quinn, não é mesmo?" A diva morde a ponta do polegar, tentando imaginar qual seria a reação de Russel e Judy Fabray à noticia do envolvimento das duas.
"Não."Santana olha para a frente e pensa no que falar a seguir. "Sabia que ela não fala com os pais dês de que saiu de Lima?"
Rachel faz que não com a cabeça. Ela já imaginava isso, mas nunca havia recebido uma confirmação da loira.
"A única pessoa da família com quem ela mantém contato é Olivia"
"Quem é Olivia?"
"Olivia Fabray, irmã da Quinn. É normal que ela não tenha te falado sobre ela. Trazer Olivia a tona significaria ter que falar sobre Judy e Russel e esse é um assunto muito delicado." Explica a latina.
A diva faz que sim com a cabeça. "E elas se dão bem?"
"Acho que sim. — vem visitar com freqüência e Quinn fica realmente feliz quando ela está aqui." Santana suspira, Quinn e Brittany estavam encerrando a atividade e ela fica de pé. "Eu não iniciei essa conversa para falar sobre a relação que Q tem com a família. Eu queria te pedir para ser forte."
Rachel se levanta também e passa as mãos pelas calças, espantando a poeira. "Ser forte?"
"Como eu disse antes Berry, ela vai te machucar." A cantora abre a boca para responder, mas a latina levanta uma mão, silenciando-a. "Você vai ter que entende-la Rachel. Eu não sei o que ela vai fazer, e nem quais serão as circunstancias por trás do momento, mas eu posso te assegurar que ela vai estar sofrendo tanto quanto você por causa disso. Se você realmente quiser que esse relacionamento de certo, vai precisar entender."
Elas trocam um ultimo olhar antes de serem interrompidas por uma dupla de loiras sorridentes.
"O que vocês duas estão tramando?" Quinn envolve Rachel em um abraço e beija o topo de sua cabeça. A diva olha para os lados e percebe que o salão está vazio.
"Como vão os meus dois amores? Estão com fome? Eu estou..." Brittany da um beijo estalado nos lábios de sua esposa.
"Eu acho que almoço seria uma boa ideia..." Sorri Santana, pegando a mão da dançarina na sua e guiando-a para fora do prédio.
Quinn vira Rachel em seus braços e encontra os olhos castanhos com os seus, levantando o queixo da diva. "Aconteceu alguma coisa?"
A morena sorri e retribui o abraço de sua namorada, ficando na ponta dos pés para conectar seus lábios. "Não." Ela descansa a cabeça no peito da loira. "Eu só estou chocada com o fato de ter sobrevivido a uma conversa de quase horas com a Santana..."
"Humm... Ela pode parecer durona por fora, mas por dentro, é uma ótima pessoa." Sorri Quinn, beijando os lábios da morena mais uma vez.
"É, ela realmente me surpreende..."
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