Notas iniciais
Olá! Vou postar um capitulo por dia, já que a primeira parte da historia já está concluida... Espero que gostem e comentem!

O CONVITE – Prólogo

Sam Evans saiu de casa atrasado. Ele pegou sua correspondência e entrou no carro sem olhar para os envelopes que jogou no banco da frente. Normalmente ele iria a pé para o trabalho, normalmente ele não se importaria em chegar depois das nove, ele era o dono da academia afinal. Se não fosse pela reunião com o promotor, ele estaria na cama agora.

O lugar já estava funcionando quando ele chegou e varias pessoas o cumprimentaram, ele não reconheceu a metade delas. Sua sala estava vazia e impecavelmente organizada. Ele fechou a porta e agradeceu o silencio, alcançando o telefone em sua mesa e pedindo para a secretaria providenciar algo comestível e energético. Sam não tomava café.

Dez minutos depois, uma batida na porta. "Senhor Evans?"

"Pode entrar Georgia." Respondeu ele.

A mulher que aparentava ter trinta anos fez seu caminho até a escrivaninha e depositou uma garrafa com um liquido azul dentro em frente ao seu chefe junto a um prato com ovos e torradas. "John ligou e disse que vai se atrasar meia hora." John era o promotor. Seu atraso já era esperado, ele vinha de fora da cidade já que em Lima não havia muita coisa para promover. Mesmo já esperando por isso, Sam não conseguiu conter sua irritação quando falou novamente.

"Mais alguma coisa Georgia?" Normalmente ela já teria saído da sala e ido resolver outros problemas. Ela era uma ótima secretaria, muito responsável e ela nunca tentou seduzir Sam como as outras três que vieram antes dela.

Ela limpa a garganta. "Eu queria lhe perguntar qual destino devo dar para a pilha de correspondências que o senhor deixou em cima da minha mesa quando chegou."

"Oh, sim, pode trazer para dentro..." Ele se reclina na cadeira e toma um gole da bebida azul.

Antes que consiga dizer qualquer outra coisa ela já saiu e voltou com o bolo de cartas. "Obrigado." Fala ele vendo-a sair.

Conta, conta, jornal, conta... Ele separa em pilhas quando algo fora do comum chama a sua atenção. Um envelope amarelo claro e pesado se destaca dos demais. Ele percebe que seu nome está escrito em letra cursiva na parte da frente. Deixando sua organização inicial de lado, ele cede à curiosidade e abre a carta para encontrar mais papel amarelo decorado com letras douradas em alto-relevo. Seus olhos se arregalam conforme ele vai lendo.

"Meu Deus!" é a única coisa que ele consegue dizer. Sem desgrudar os olhos do convite, ele alcança pelo celular. Escaneia seus contatos rapidamente até encontrar o numero que estava procurando. "Atende, atende, atende."

"Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mens..."

"Droga Finn!" Ele desliga o telefone e tenta mais um número.

"Alo?"

"Artie! Artie." Pergunta ele nervosamente.

"Sam! Sam? O que houve?"pergunta a voz do outro lado da linha.

"Você recebeu o..."

"O convite? Sim, é claro. Agora de manha."

"E você está calmo assim por que..." Sam não consegue entender como alguém pode não parecer surpreso com a notícia que aquele papel trazia.

"Por que eu não estaria?" ele faz uma pausa, mas Sam não responde. "Você realmente ficou tão surpreso assim?"

"É tão estranho, eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer. Eu liguei para o Finn, mas ele não atendeu. Certamente ele estava sabendo sobre isso. Imagino por que ele não falou nada quando nos encontramos semana passada."

"Eu também nunca pensei que isso pudesse acontecer, mas de certa forma faz sentido."

"O que você quer dizer com isso?"

"Bom, em muitos casos, o ódio não passa de amor disfarçado..."

Sam pensou por um momento, Artie tinha razão. "E você vai ir?"

"Ainda não sei. Tirar uma semana de folga é um pouco complicado para mim, não existem muitos especialistas na minha área que possam me substituir nas aulas..."

"Eu acho que seria legal reencontrar todo mundo." Mesmo que seja sobre circunstâncias bizarras... Pensou ele. "As únicas pessoas com quem eu falo do colégio são você e Finn."

"É... Vou tentar ir pelo menos para a cerimônia."

"Sr. Evans, John esta aqui." Georgia abre a porta.

"Mande ele entrar." Diz ele para a mulher a sua frente. "Te ligo depois Art."

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Santana estava sentada na mesa da cozinha tomando uma xícara de café enquanto esperava sua esposa ficar pronta. Ela finalizava os últimos detalhes do caso em que estava trabalhando. "Vamos B. Eu tenho que entrar em cirurgia daqui à uma hora!" Cirurgias para controle de epilepsia eram suas favoritas, toda a parte do estudo de caso e preparação para finalmente livrar a pessoa da causa das convulsões. O caso de hoje era particularmente complicado, a paciente era uma menina de seis anos com crises recorrentes dês de o nascimento. Em casos como esse ninguém poderia prever como o paciente reagiria à cirurgia e nem se sua memória seria preservada depois.

Ela corre os olhos pelos resultados dos testes de lateralização de linguagem uma ultima vez quando ouve o som da correspondência sendo empurrada pela portinha. Ela levanta e pega os três envelopes, levando-os para a mesa e abrindo o primeiro, amarelo e endereçado a ela e Brittany. Ela toma um gole de café quando lê o que está escrito e se arrepende no mesmo instante, quando sente a bebida ficar presa em sua garganta e começa a tossir desesperadamente.

Seus olhos se enchem de água e ela bate a mão contra o peito. "Brittany!" Grita ela quando consegue recuperar ar suficiente para falar. Ela lê mais uma vez antes da chamar de novo. "Brittany!"

A loira corre escada a baixo, segurando os sapatos numa mão e uma escova de dentes na outra, sua blusa está meio aberta e sua saia totalmente torta. "O que houve? O bebê está vindo? Temos que separar as coisas e correr para o hospital. Meu Deus!"Ela corre de um lado para o outro tentando se organizar.

"Calma B. O bebê tem mais cinco meses antes de nascer..." Diz a latina passando a mão pelo abdome protuberante. Britanny respira fundo e caminha até ela colocando sua mão sobre a dela e beijando sua testa.

"Você me assustou S. eu achei..." Ela para por um momento. "Só não faça mais isso está bem?"

"Eu não queria te assustar, mas você precisa ver isso." Ela levanta o convite e entrega para a sua esposa esperando uma reação semelhante a sua.

"Oh... Eu estava me perguntando quando esse convite iria chegar..." diz ela sorrindo e depositando o papel no balcão enquanto se servia de café.

Santana abre a boca e arqueia as sobrancelhas sem entender. "Como assim? Você já sabia disso?"

"Sim... Já faz algum tempo que eu descobri..." Ela prende o cabelo e abotoa a blusa.

"Mas... Mas como?" Santana aperta os olhos. "Eu nunca teria imaginado..." Brittany sempre fora mais perceptiva.

"Ora, eu trabalho com a Quinn uma vez por semana..."

"E o que isso tem a ver? Eu também encontro a Quinn com freqüência e ela nunca falou nada sobre isso!" Santana joga os braços para o alto em frustração.

"Eu meio que escutei uma conversa particular quando fui buscá-la no escritório há três semanas atrás..." A loira da de ombros e se senta para calçar os sapatos.

"E em nenhum momento você pensou que seria interessante informar a sua mulher grávida antes que ela descobrisse isso através de um pedaço de papel?"Pergunta a latina, sentindo-se traída não só pela sua esposa, mas também por sua melhor amiga. "O stress pode fazer mal para o bebê sabia?"

"Não exagere Santana!" Quando elas decidiram engravidar, Brittany tratou de absorver quase todas as informações possíveis sobre gravidez. Acabou sendo bem mais fácil do que ela imaginava, ela sempre foi boa em lembrar-se de fatos aleatórios. "Se tem alguma coisa que vai estressar nosso filho ou filha é essa rotina maluca no hospital."

"Não tente mudar de assunto!"

"Eu não estou, eu só estou dizendo que seria melhor se você começasse a se preocupar com a sua própria saúde e não com a dos outros." Ela pega as mãos de Santana por sobre a mesa. "Eu não quero que você entre em trabalho de parto no meio de uma cirurgia..."

"Eu sei B. Esse é meu ultimo mês antes da licença, eu só preciso organizar tudo antes de sair..."

Brittany fica em pé e põe as xícaras na pia, pegando as chaves do carro e caminhando até a porta. "Nós vamos não é?"

Santana junta-se a ela. "Para o casamento? Sim, eu não perderia isso por nada..." Ela sorri maliciosamente e fecha a porta atrás de si.