O Convite
25 Chuva I
O CONVITE – Chuva I
18 de outubro – segunda-feira
Quinn se encontrava rodeada de formulários dos mais diversos tipos, solicitações de atendimento, atestados médicos, papeis de encaminhamento, contratos de estagio e relatórios de visitações antigas. Ela massageia as têmporas enquanto procura por uma ficha em especial no meio da bagunça que é a sua mesa. Normalmente ela não deixaria as coisas chegarem a esse ponto, mas ela voltou do casamento com uma semana de trabalho para por em dia e considerando-se os eventos relacionados a Rachel... Bem, podemos dizer que foco era algo que lhe faltava.
O dia havia começado maravilhosamente bem e se ela fechasse os olhos, podia quase fingir que estava na cama novamente, ao lado de sua namorada, vendo-a abrir aqueles grandes olhos castanhos e sorrir antes de lhe dar um beijo de bom dia.
Era apenas o começo da tarde e ela já estava morrendo de saudades da pequena diva. Elas haviam trocado algumas mensagens durante o almoço, Rachel estava em uma reunião muito chata com seus promotores e Meg, tentando se decidir sobre o filme a outra proposta que por enquanto ainda era um mistério.
Michael havia tentado entrar em contato novamente, dessa vez ligando, mas a loira rejeitou todas as suas cinco chamadas. A ultima coisa da qual ela precisava agora era um ex namorado idiota interferindo em sua felicidade. Ela tinha alguns acompanhamentos para fazer naquela tarde, mas antes, tinha que achar esse formulário especifico em que os médicos ofereciam a possibilidade de implante coclear para um menininho surdo. Esses papeis tinham que ser levados para a mãe da criança o quanto antes para que ela pudesse agendar o procedimento.
A luzinha vermelha de seu telefone pisca uma vez antes que ele comece a tocar. Ela atende distraidamente, folheando os documentos mais uma vez. "Alô?"
"Oi," Responde uma voz anazalada relativamente familiar. "com quem eu falo?"
"Quinn Fabray, assistente social."
"É a mulher das necessidades especiais?"
Quinn sorri, era sempre um pouco engraçado quando alguém descrevia seu trabalho dessa forma. "Sim, posso te ajudar?" Ela estranhou um pouco o fato dessa ligação ter caído em sua linha direta, normalmente todos os telefonemas passavam pela telefonista.
"Eu me voluntariei hoje de manhã e queria saber se já posso começar agora de tarde."
A assistente social encontra a folha que procurava e sorri triunfante, girando em sua cadeira e apoiando o telefone no ombro enquanto faz algumas anotações no cabeçalho.
"Olha," ela confere o horário na tela de seu computador. "eu não sei se lhe explicaram como o voluntariado funciona." Ela abre uma gaveta e tira um envelope pardo de dentro. "Nas primeiras vezes, você acompanha um de nossos visitadores, de modo a se inserir na realidade que o projeto atende." Sua voz soa extremamente profissional enquanto recita o discurso que todos os voluntários ouvem, normalmente esse era o trabalho de sua secretaria, mas ela não se importava em explicar também. "Os visitadores têm que ser avisados com antecedência sobre quando serão acompanhados, então, hoje, realmente não será possível para você começar." Ela coloca os formulários dentro do envelope e puxa um bloquinho de post its para perto de si.
"E o que eu devo fazer então?" Pergunta a mulher do outro lado da linha.
"Você já selecionou uma área de especificação quando se inscreveu?" Quinn bate a ponta da caneta contra o papel laranja. A mulher não responde e ela resolve explicar o que quer dizer. "Por exemplo, nós temos voluntários na área da saúde, fisioterapeutas, psicólogos, neurologistas. Temos pessoas do meio artístico, que trabalham com musica, dança, teatro..."
"Artístico."
"Ok, eu vou precisar do seu nome e de um contato, vou entrar em contato com uma das visitadoras e agendar os seus acompanhamentos iniciais, se tudo der certo..." Ela começa, mas é interrompida pela mulher.
"Quinn, olhe para a frente." Realização cai sobre ela ao reconhecer a voz e a loira levanta o rosto lentamente, encontrando um par de olhos castanhos que ela conhecia tão bem sorrindo através do vidro grosso de sua porta. Ela levanta em um pulo.
"O que você está fazendo aqui?" Pergunta ela, totalmente atônita enquanto Rachel guarda o celular no bolso do casaco.
"Me voluntariando?" A diva sorri e da um passo na direção da ex lider de torcida.
"De verdade?" Em um gesto involuntário, Quinn deposita suas mãos na cintura da cantora.
Rachel morde o lábio e faz que sim com a cabeça. "Eu adoraria conhecer o seu trabalho e Meg diz que é uma boa desculpa para sermos vistas juntas em publico..." Ela fala em voz baixa e a assistente social olha em volta, percebendo que elas não estão sozinhas e que todos os olhos da sala se encontram grudados nas duas. Isso não consegue reprimir seu sorriso, mas ela solta a morena e se dirige até a mesa da secretaria.
"Não precisa encaminhar a Srta Berry para nenhum visitador, ela vai me acompanhar essa semana." Katy faz que sim com a cabeça e digita algo no computador. "Eu vou precisar de duas camisetas do projeto e se você tiver algum passe semanal de ônibus sobrando..." Os dois itens se materializam a sua frente antes que ela possa terminar de falar. "Obrigada." Katy era realmente um achado, totalmente eficiente e responsável. "Se você tiver um tempinho durante a tarde e puder organizar os papeis em minha mesa..."
"Pode deixar." Ela responde sorrindo.
Quinn retribui o sorriso e se dirige para Rachel novamente. "Pensa rápido!" Ela joga uma das camisetas verde-água para a diva e a cantora a deixa cair no chão.
"Quinn!"
"Eu disse para pensar rápido..." Ela sorri e veste sua própria camiseta por cima do casaco leve que estava usando.
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"Faziam anos que eu não utilizava o transporte publico!" Exclama Rachel, parecendo realmente animada ao sair do metro e seguir Quinn até o terminal de ônibus na superfície.
A loira não consegue deixar de sorrir ao olhar para a cantora, ela parece uma criancinha que se perdeu dentro de uma loja de doces. Seus olhos estão levemente arregalados e a camiseta verde-água a faz parecer ainda menor do que realmente é. Quinn tira dois elas ticos de dentro da bolsa e prende o cabelo com um antes de alcançar o outro para a morena. "Fico feliz que você esteja animada a respeito disso, a maioria dos voluntários do seu nível não entendem por que nós não vamos de carro realizar os atendimentos..."
Rachel prende o cabelo também e coloca as mãos na cintura, se inclinando para a frente e olhando para os lados ao ouvir o som de um ônibus chegando. "Por que nós estamos indo de ônibus mesmo?" Ela pergunta, sem ter ouvido o que a loira havia dito há um segundo atrás.
Quinn suspira, ela não pode culpar a cantora pela sua distração, o que elas estão prestes a fazer com certeza soa mais como uma grande aventura para ela. Pelo menos foi assim que a loira se sentiu as primeiras vezes que foi a campo, quando ainda era uma estagiaria. "A ideia é que a gente se insira no contexto social, dependendo da região, nós até poderíamos ir de carro, mas teria que ser o carro da prefeitura. A ultima coisa que precisamos é impor a nossa condição social para pessoas que não tem absolutamente nada. Seria como comer chocolate na frente de um diabético e ainda oferecer um pedaço."
"Oh... Faz sentido..." Rachel a olhava atentamente.
"Eu sei que faz." Responde Quinn com um sorriso. "Nosso ônibus chegou." Ela aponta para o veiculo que se aproxima.
"E o que a gente faz pra ele parar?" Pergunta a diva, fazendo um senhor rir atrás delas. Quinn tem que morder o lábio para não sorrir ainda mais. Ela tem vontade de beijar a ponta do nariz da cantora, mas consegue se controlar.
"Teoricamente, sempre que houver alguém parado perto da placa que indica a linha, ele deveria parar, mas não custa nada fazer um sinal com a mão..." A loira faz o sinal e o ônibus para, abrindo as portas para revelar a motorista. Elas apresentam o passe e entram, sentando no fundo em um dos últimos bancos para duas pessoas.
"Isso é tão divertido!" Rachel bate palmas e olha para fora da janela, vendo a cidade passar a sua frente, o centro rapidamente é substituído por lugares que ela nunca viu antes. Em algum momento durante o percurso, a mão de Quinn encontrou a da morena e elas permaneceram nessa posição.
"Nós vamos para quatro casas hoje." Comenta a loira, a medida em que elas vão se aproximando da parada final. " Olha Rach, eu tenho que te explicar que o que você vai ver hoje é totalmente diferente da sua realidade. Eles não são miseráveis, mas se encontram em um estado que nós chamamos de vulnerabilidade social."
Rachel faz que sim com a cabeça e aperta a mão da assistente social, mostrando que já esperava por isso.
"E as crianças, bom, já aconteceu de pessoas desistirem do trabalho quando viram as crianças..." Sua voz soa realmente triste. "Você entende que elas tem algum tipo de deficiência e isso as comprometeu fisicamente também. Elas nãos são comuns, mas são muito mais do que isso..."
"Eu já sei o que esperar Quinn, eu não vou fugir."
"É muito importante para mim que você esteja fazendo isso Rach..."
A cantora sorri e beija o rosto da loira, sem se importar com a audiência, as chances de algum paparazzi encontrá-la dentro daquele ônibus eram quase inexistentes. "Eu te amo..." murmura ela, antes de voltar a olhar pela janela.
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"A primeira casa hoje é a do Julian." Elas estavam paradas em frente a um prédio de aparência antiga em um lugar totalmente estranho para Rachel. Elas não precisaram andar absolutamente nada para chegar até ali, o ônibus as deixou exatamente em frente, mas a cantora já estava se sentindo estranha, algumas pessoas passavam por elas, olhando-as de forma estranha e isso gerava arrepios por sua espinha. Ela chegou bem perto de Quinn e enganchou seu braço ao da assistente social. "Você está bem?" Pergunta a loira, preocupada com o comportamento estranho de sua namorada.
"Eu... tem umas pessoas estranhas por aqui..." Ela fala baixinho e Quinn sorri, desprendendo Rachel de seu braço e apoiando as mãos nos ombros da diva.
"Não é muito diferente do centro de NY." Ela comenta, prendendo uma mecha castanha atrás da orelha da cantora. "As pessoas só parecem diferentes, mas nenhuma delas vai te fazer mal. Eles sabem o que fazemos e respeitam o nosso trabalho. Por que você acha que eu te dei uma camiseta? Isso significa que nós somos neutras aqui dentro."
Rachel solta um gemido quando um homem enorme aparece em seu campo de visão. Ela pode ver uma arma presa a sua cintura.
"Oi Quinn." Cumprimenta ele, parando ao lado delas. "Moça nova?"
"Colton!" Ela sorri. "Sim, essa é Rachel, a nova voluntaria."
Ele limpa uma mão na calça e oferece para a cantora.
Rachel olha para Quinn, hesitando por um momento antes de aceitar a mão e chacoalhá-la.
"Eu adoro a cara que os novatos fazem nos primeiros dias." Fala ele, rindo. "Não se preocupa não moça, todo mundo aqui é gente boa... Bom, quase todo mundo."
Quinn bate no braço dele. "Ele está só brincando Rach..."
A cantora prende a respiração quando o homem levanta a mão, ela pensa que ele pode machucar a loira de alguma forma, mas o que ele acaba fazendo é passar as dedos pela cabeça desprovida de cabelos, como se fosse um habito passado. "Claro que sim... Você vai ver a Molly hoje?"
"Está no meu roteiro, é a ultima do dia..." Responde ela, passando um braço pelo ombro de Rachel em uma tentativa de amenizar a tensão que a cantora apresenta.
"Bom, eu te vejo depois então. Foi um prazer conhecê-la Rachel..." Ele acena para elas antes de ir embora.
"Você viu que ele tinha uma arma?" Pergunta a diva em um sussurro assim que ele desaparece de vista.
"Isso é bem comum por aqui, principalmente quando eles estão envolvidos com trafico..." A loira não via por que não ser honesta com Rachel, se ela realmente estava entrando nisso, era melhor saber o que esperar. "Mas não se preocupe. Como eu disse, eles respeitam o nosso trabalho."
"Nós vamos para a casa dele depois?"
"Sim, ele tem uma filha de 10 anos, a Molly, que tem mielomeningocele."
"O que é isso?" A morena arregala ainda mais os olhos.
"Uma má formação na coluna, ela não pode andar e tem alguns atrasos cognitivos, mas você vai adorá-la! A esposa dele estava grávida de novo, o filho deles nasceu há três meses, eu ainda não o conheço..."
Rachel faz que sim com a cabeça. "E agora nós vamos visitar o Julian?"
"Isso. Ele tem 5 meses e é surdo. Nós conseguimos um implante para ele e eu vim trazer os formulários para a mãe encaminhar a cirurgia."
"Ok..."
"Tem certeza que quer continuar com isso?" Quinn morde o lábio diante da falta de palavras de sua namorada. "Se você estiver desconfortável..."
"Nem pense em terminar essa frase Fabray, nós já chegamos aqui não é? Eu só preciso me acostumar com... tudo..." Um pequeno sorriso aparece em seus lábios e ela analisa o interfone. "Então, qual é mesmo o numero do apartamento?"
A loira se inclina e beija os cabelos da cantora. "4D"
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"Olá..." Rachel falava coisas aleatórias e sem sentido para o bebe em seus braços e ele realmente parecia estar gostando dela, suas mãozinhas agarravam seu queixo e nariz esporadicamente e ela fazia caretas quando ele apertava com força demais. Quinn a observava com adoração enquanto a mãe de Julian assinava os papeis que ela havia espalhado sobre a mesa da cozinha.
"Eu nem sei como te agradecer por isso Quinn, eu nem acredito que ele vai poder ouvir de verdade..." A voz de Rosalie sai tremida e ela pega um pano de prato para secar as lagrimas que escapam de seus olhos.
A atenção da loira se volta para ela novamente. "Você não precisa agradecer por absolutamente nada Rosie, essa cirurgia é um direito do seu filho..."
"Mas eu nunca iria saber disso se não fosse por vocês." Ela pega a mão da assistente social entre as suas por cima da mesa. "Ele vai poder ouvir musica e cantar e falar e brincar e fazer tudo o que as outras crianças fazem, graças vocês." Ela põe uma mão sobre o coração e fecha os olhos.
Rachel observa a cena e morde o lábio com força, ela pode sentir as lagrimas queimando seus olhos e percebe que Quinn também está se controlando. Ver isso acontecendo a faz entender os motivos que levaram a loira a se tornar assistente social, poder mudar a vida de alguém de uma forma tão positiva era realmente gratificante. Ela entendeu também o que Quinn havia falado sobre ser impossível não se envolver com as pessoas. Ela estava na casa há meia hora e já seria difícil ter que deixar Julian para trás. Ela começa a cantarolar uma melodia aleatória e o bebe para de se mover, grudando seus grandes olhos castanhos aos da diva.
"Ele gosta do som da sua voz..." Fala a mãe, estendendo um dedo para a mão de seu filho. Ele aperta com força e desvia seu olhar para as duas mulheres que estão agora em pé ao lado deles.
Rachel franze a testa e Quinn se apressa em explicar. "Ele não pode ouvir a sua voz, mas ele sente." A cantora entrega o bebe para Rosie e olha para a loira, que continua a explicar. "Você deve saber disso melhor que eu, o som emite vibrações. Quando você canta ou fala, o som reverbera em seu peito." Ela coloca uma mão no peito da morena. "Ele sentia as vibrações da sua musica mesmo que não conseguisse ouvi-la..."
"Ele gosta que cantem para ele, as vezes é a única coisa capaz de acalmá-lo..." A mãe sorri para o bebe e beija seus cabelos escuros.
"Eu nunca teria pensado nisso..." Rachel estende uma mão e espanta alguns fios dos olhos do menininho.
Elas ficam em silencio por um momento até que Quinn enxerga o relógio na parede. "Nós temos que ir andando Rosie, ainda temos outras três casas para visitar..."
"Sim, eu vou abrir para vocês..." Ela começa.
"Não precisa, só destranca o portão pelo interfone." Responde a loira, não querendo que a mulher deixe Julian sozinho no apartamento. "Tchau bebê..." Ela acaricia o rosto do menininho e ele sorri para ela.
"Tchau, foi realmente um prazer conhecer-los..." Despede-se a diva. Ela faz um ultimo carinho no bebê antes de seguir a loira porta a fora.
"E então?" Quinn a olha em expectativa no momento em que elas começam a descer as escadas. "O que você achou?"
"Eu acho que eu quero um bebê Quinn..." Elas param de andar e Rachel está um degrau acima da assistente social. A loira ri e chacoalha a cabeça, descansando suas mãos na cintura da morena.
"Todos os voluntários dizem isso depois do primeiro atendimento com uma criança pequena..."
"Será que a Valerie vai demorar muito para nascer?" Rachel abraça o pescoço de Quinn, fazendo pequenos círculos com o polegar na pele exposta pelo rabo de cavalo.
"Mais 3 meses e eu duvido que a Santana vá deixar agente chegar muito perto..."
A cantora captura os lábios da loira com os seus. "Sempre podemos recorrer ao método mais pratico..."
"Hummm..." Quinn a beija novamente, sorrindo quando sente a língua da morena partir os seus lábios. "E qual seria esse?"
Rachel se afasta e segura sua mão, voltando a descer os degraus. "Sequestro..." Fala ela, com um sorriso maquiavélico no rosto.
"Eu gosto do seu jeito de pensar."
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Elas estavam caminhando para a ultima casa do dia, Rachel simplesmente havia se apaixonado pelas crianças, especialmente pela ultima, Brenda, uma menina de seis anos com paralisia cerebral. Ela era tão simpática e afetuosa... Quinn havia explicado que casos como o de Julian eram muito raros, a maioria das deficiências não tinha solução, mas ela fazia o máximo para que todos tivessem a melhor assistência possível.
A loira falava sobre Molly e o problema na coluna e como ela já havia passado por diversas cirurgias quando as primeiras gotas de chuva começaram a cair. Já eram seis da tarde e elas continuaram caminhando pela garoa, nenhuma delas havia pensado em trazer um guarda-chuva.
Elas estavam quase chegando na casa quando a chuva triplicou de intensidade, gotas grossas manchavam suas roupas e encharcavam seus cabelos. Quinn segura a mão de Rachel e a puxa para baixo de uma parada de ônibus.
"Oh meu Deus!" Exclama ela, olhando para o corpo ensopado da diva a sua frente.
Rachel começa a rir e desgruda alguns fios de cabelo da face de Quinn. A rua estava totalmente deserta e a chuva estava tão densa que mal se podia ver um palmo adiante. "Isso foi tão divertido!"
"Divertido?" A loira começa a rir também. "Totalmente inesperado você quer dizer..."
"É, isso também..." Concorda a cantora. "O que a gente faz agora?"
"Espera um ônibus e vai pra casa." Quinn tenta desgrudar o tecido de seu corpo, ela odiava a sensação de roupas molhadas. "Definitivamente não tem condições de continuarmos por hoje..."
Elas ficam em silencio por um tempo, ouvindo o som da chuva batendo contra o teto da parada quando Rachel pega a loira pela mão e a puxa para o meio da calçada, olhando para os lados e se certificando que não há ninguém por perto.
"O que você está fazendo?" Pergunta Quinn, assim que é atingida pela chuva novamente. Ela tenta voltar para o lugar seco, mas a cantora segura-a com força.
"Me beija." Pede a morena, circulando a cintura de Quinn com os braços.
"Como?" A loira olha em volta também, mas não consegue encontrar uma viva alma que arriscaria estar do lado de fora com um tempo desses.
"Me beija." Repete a cantora, movendo uma mão para o pescoço da mais alta.
"Você está maluca? Nós estamos totalmente em publico, no meio do meu lugar de trabalho!" Exclama a assistente social, mas Rachel consegue perceber um pequeno sorriso se formando em seus lábios.
"Eu não vejo ninguém por aqui, além do mais, eu duvido que haja algum paparazzi nessa parte da cidade..." Ela se inclina um pouco para a frente. "Eu sempre quis ser beijada na chuva, parece ser tão romântico e..."
"Molhado?" Pergunta a loira, arqueando uma sobrancelha, mas colocando sua mão sobre a face da cantora.
"Você está arruinando o clima Fabray." Rachel diz baixinho quando sente os lábios de sua namorada se aproximando dos seus.
"Tem certeza que quer fazer isso?" Quinn decide provocar a diva e sorri quando sente a pressão em seu pescoço aumentar, forçando-a para baixo.
"Quinn Fabray, faça o favor de me beijmmmm" A loira ataca os lábios da cantora e a puxa mais para perto, sentindo a água escorrer entre elas, Rachel realmente tinha razão, por algum motivo esse beijo parece muito mais intenso que todos os outros que elas já trocaram, talvez por ser extremamente publico, talvez por ser sob a chuva, Quinn não se importa realmente e continua seus movimentos, aprofundando o beijo até que elas ouvem o barulho do ônibus se aproximando.
As duas se afastam relutantes.
"Isso foi..." Começa a morena, respirando com dificuldade e seguindo a assistente social para o lugar aonde o ônibus iria parar.
"Vamos para a minha casa." Interrompe Quinn sorrindo para a diva e apertando sua mão.
"Ok, vamos para a sua casa..." Responde a cantora, o seu coração praticamente saindo pela boca em expectativa do que está por vir.
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