O Conto dos Dois Irmãos

12 Capítulo 11 - Terra Desolada


Notas iniciais
Oi pessoal, meu amigo/revisor não está em condições de me ajudar por falta de tempo, então eu mesmo estou revisando, portanto sejam bonzinhos comigo u.u Já disse que sou farmacêutico, não linguista ou sei lá o que kkk. Da metade pra frente desse capítulo (e até o começo do outro) me deu um surto de inspiração, então eu acho que deve ser a melhor parte desde a que Edward quase morreu afogado. Sem mais delongas, espero que gostem ;)

De princípio os irmãos não notaram que algo estava errado. Há alguns minutos, caminhavam pela trilha que Edgard havia indicado no mapa, para onde a grifo-coruja os havia levado. Era um caminho pedregoso cuja vegetação se resumia a apenas alguns arbustos, o que pareceu bem natural. Pelo menos até contornarem o primeiro pico de montanha.

Os dois suspiraram ao ver a paisagem desolada que se estendia à frente deles... Tudo estava queimado, as árvores estavam reduzidas a troncos carbonizados. Não devia ter nada vivo em quilômetros...

– Ed, o que será?... — Começou Edward, que ficou quieto ao se deparar com o primeiro corpo. A aparência era de um homem adulto, trinta anos talvez. Flechas se projetavam de seu braço, do peito e do abdome. Sangue ainda escorria de seus ferimentos. Mas o que impressionava mesmo era o tamanho... Era tão alto quanto os pinheiros carbonizados, e segurava uma lança cuja ponta deveria ter o tamanho de Edgard. Os dois engoliram em seco. O Inventor estava certo quanto à guerra dos gigantes... Mas não fora apenas uma guerra. Fora uma carnificina.

Havia muitos outros corpos de gigantes ao decorrer da trilha, e alguns abutres começavam a devorá-los. Se Edward estivesse comido só um pouco mais tarde naquela manhã, duvidava que o peixe continuasse em seu estômago.

– Vamos lá Ed... — Disse o mais velho, começando a descer a trilha. — Agora temos que chegar à Aldeia do Norte até a noite, ou seremos o próximo jantar desses pássaros.

Ele tinha razão. Quanto mais ao norte estavam, mais frio ficava... Até o momento o sol os havia aquecido, mas algumas nuvens começavam a bloqueá-lo. Se a noite chegasse antes de saírem daquela terra devastada, morreriam de fome e de frio, pois duvidavam conseguir acender uma fogueira com gravetos já queimados.

Os dois continuaram a descer a trilha, evitando os imensos corpos dos gigantes. Um pouco mais abaixo, tiveram de empurrar o braço de um gigante para fora do caminho, e um pouco de sangue escorreu de ua flecha em seu braço... Não foi legal nem para os irmãos nem para o falecido gigante.

O menor murmurou sentiu-se mal pelo gigante, pois achava uma falta de respeito à memória do homem apenas afastar seu corpo do caminho como se fosse um tronco caído ou algo assim.

Mais à frete, outro corpo bloqueava completamente o caminho... O único jeito de continuar era o que Edgard mais temia àquela altura: um rio. A água devia estar a no ponto de congelar até pensamento. Delícia. Edgard colocou a mão na água, temeroso.

– Quente... — Murmurou ele. Já havia ouvido falar de águas termais vulcânicas, mas era a primeira vez que via aquilo de fato. — Mas mesmo a água estando quente, vamos sentir frio se nossas roupas encharcarem. — Disse um pouco mais alto paras que o menor também ouvisse.

O maior dobrou as calças até a altura dos joelhos e tirou as botas. Edward simplesmente arrancou a calça comprida e ficou com a calça curta que usava por baixo. Eles caminharam pelo rio de água quente, acompanhando a margem até reencontrar a trilha. Os corpos de gigantes caídos no rio vertiam sangue, tingindo a água de vermelho, o que tornava a temperatura agradável da água um tanto macabra.

No caminho eles tiveram de empurrar outros gigantes para abrir espaço, e chegaram a ter de decepar a perna de um deles com o machado do outro, que por sorte o segurava em pé justamente na posição certa. Naquela hora, Edward pesou que fosse vomitar... Retalhar o corpo de um gigante não estava em sua lista de dez coisas mais divertidas.

Quando as margens do rio finalmente voltaram a se de terra, a trilha reapareceu ao lado deles, como Edgard havia visto no mapa. Ao tirar os pés da água, notaram como estava frio... Geralmente o tempo ficava daquele jeito um pouco antes do inverno, e ainda era apenas o começo do outono.

– Parece até que vai nevar... — Os primeiros flocos começaram a cair antes que o menor terminasse. Ele colocou logo as calças compridas e as botas. O mais velho ajeitou o cachecol.

– Sabe Ed... — Começou o maior — Desde que saímos da Aldeia estamos indo para o norte, mas agora que começou a nevar, só um dia depois de termos saído... Isso me faz pensar o quanto estamos longe...

Edward acenou a cabeça em concordância.

– Ontem de manhã levamos o papai ao Curandeiro... Nossa, parece que isso faz uma semana... — Ele abaixou uma cabeça — Será que dará tempo? — Perguntou com a voz embargada.

O mais velho suspirou.

– Não sei Ed. Não conseguiremos voltar pelo mesmo caminho... Se tivermos que fazer o desvio que eu havia previsto, levaremos três dias para voltar. Isso supondo que cheguemos à Árvore da Vida amanhã cedo.

Eles se calaram. "Eu não deveria ter tocado no assunto" pensou o maior. A situação deles era deprimente. O pequeno estava pensando em algo para dizer, algo para tentar levantar o astral deles quando ouviu os tambores.

Logo abaixo deles havia um círculo de colunas de mármore branco, onde estavam cerca de uma dúzia de homens e mulheres. O piso também era de mármore, e era esculpido para que um pequeno pedaço do rio corresse na forma de uma grande aranha. O fato de o rio naquela parte da montanha estar totalmente vermelho dava um aspecto maligno ao lugar.

– Ed, tem algo acontecendo ali em baixo — Cochichou o pequeno.

– No mapa só diz que é um santuário... Tem alguma coisa a ver com a Aldeia do Norte. Deve ser por isso que fica tão perto de uma estrada antiga...

Eles continuaram descendo a trilha com cautela, e pularam sobre o rio. Menos de cinco metros à frente, o caminho fazia uma curva em "U" e passava diretamente abaixo da cascata de água ensanguentada.

– Ah não... — Gemeu o menor. Edgard bufou.

– Ok, vamos lá... Estamos perto da Aldeia do Norte. Se andarmos rápido chegamos em quinze minutos... Lá a gente procura ajuda. Um pouco de frio não faz mal a ninguém. — Ele tentou parecer confiante e despreocupado. Achou um fracasso total, mas pelo menos tentou. Então o mais velho respirou fundo e passou pela cascata de sangue. Foi nojento. Ali, tremendo de frio e tingido de vermelho acobreado, esperou pelo mais novo.

– Eca... — Resmungou o pequeno, ensopado com sangue de gigante.

Eles continuaram pela trilha, que passava por uma gruta que Edgard presumiu ser parte do santuário. Velas iluminavam o lugar, e haviam estranhas pinturas nas paredes. Uma delas mostrava um grande ser de quatro braços e duas cabeças, como se uma pessoa estivesse em pé no ombro de outra. Aquilo estava em uma posição central com vários homenzinhos ajoelhados em volta, como que venerando a figura central.

Em outra pintura o mesmo ser aparecia combatendo, junto com os homens, várias figuras de oito patas. Aranhas gigantes, talvez. "Por que será essa mania de aranhas?..." pensou o menor.

Eles continuaram andando. Na saída da gruta havia outra cascata de água quente, que diferente da outra, estava completamente limpa e cristalina. Como estavam sujos de sangue e morrendo de frio, os irmãos resolveram ficar um pouco mais ali, limpando um pouco aquele sangue de gigante.

O caminho continuava à frente, deia dar mais algumas voltas e então chegar à Aldeia do Norte pelo portão da frente. Bastava seguir em frente, e logo estariam em uma aldeia com cabanas quentinhas e talvez alguma ajuda extra para continuar... Mas algo os deteve.

Os tambores ainda rufavam, mas agora uma voz também falava.

–... E esta bruxa será punida, consumida em chamas para alimentar o Grande Pai, protetor de nossa aldeia! Por séculos pensamos que essas criaturas estavam extintas, apenas para descobrir que um desses demônios ainda rasteja-se entre nós! — As pessoas em volta clamaram, revoltadas. Mas não com o homem que falava. Elas estavam revoltadas com a jovem mulher que estava amordaçada e presa na escultura de três metros do tal ser de quatro braços.

– Ed, temos que fazer alguma coisa... Eles vão queimá-la viva! — Cochichou o menor.

– Eu sei... Não queria desviar do caminho, mas você tem razão. Alguma ideia?

Edward olhou em volta. Ele tinha uma ideia, mas era muito perigosa... Aquela estátua do ser de quatro braços confirmou sua suspeita de que a divindade que aquele povo venerava parecia com duas pessoas, uma em pé sobre os ombros da outra. A pintura que havia ali também indicava que o ser era completamente vermelho... Exatamente como ficaram quando passaram pela cascata de sangue... E havia outra ali em baixo de santuário. Ele explicou a ideia ao mais velho.

– Então você acha que podemos enganá-los com um truque simples assim? — Edgard suspirou — vamos torcer que esteja certo.

Os dois se pintaram com o sangue diluído na água quente. Edward subiu nos ombros do irmão mais velho e os dois subiram as escadas.

– Que as chamas consumam o demônio em nome do... — O sacerdote ficou sem voz. Pelo visto, o plano havia dado certo. — O Grande Pai... — Os tambores pararam. Todos ajoelharam-se e o sacerdote abaixou a cabeça — Ó Grande Mestre, Protetor do Norte, você agraciou-nos pessoalmente para destruir a última bruxa... — O pequeno lançou um olhar severo para ele e mandou que se calasse com um gesto.

A jovem ficou pálida, e o menor arrancou a mordaça de sua boca.

– V-você existe — Sussurrou a mulher, assustada.

– Não sei. — Edward respondeu, desamarrando os braços da mulher da escultura.

– Mas não somos a criatura que pensam que somos — O maior completou, levantando a cabeça para olhar a mulher, um pouco mais alta que ele por causa do pedestal em que estava amarrada. "Ela é... Bonita..." Pensou ele, um tanto abobado.

– Quando eu te soltar o nosso disfarce não ai mais adiantar nada... Alguma ideia de por onde fugir? — Perguntou o menor.

– Para o lado contrário daquela gruta ali em cima... Tem uma caverna pela qual podemos fugir.

Edward não esperou uma confirmação do irmão. Desamarrou os pulsos da mulher e pulou para o chão.

– CORRE! — Gritou o pequeno

– Vocês nos enganaram... — Assustou-se o sacerdote — Crianças esperem! Estão cometendo um grande engano! Ela é uma bruxa, um demônio!

O menor chegou à hesitar um pouco, mas Edgard o puxou e a mulher fechou um portão de madeira atrás deles.

– Corram, isso não vai segurá-los por muito tempo!

Eles atravessaram uma cascata de água quente e dispararam para dentro de uma caverna. Mas uma coisa ainda martelava na mente do menor... Aquelas pessoas estavam com arcos e lanças. Por que não haviam atirado nos irmãos? "Crianças esperem!" Dissera o sacerdote. "Estão cometendo um grande engano!".

Aquilo não importava mais agora. Ele cntinuou andando, seguindo o irmão e a misteriosa mulher caverna adentro enquanto batia os dentes de frio.

Notas finais
Oi de novo, gostaram? Espero que sim :D Quem já jogou deve ter percebido que dei uma mudada, mas, como sempre, foi só pra deixar mais realista. Nos próximos capítulos vai ter mais emoção hein? Huhahaha, acho que daqui a dois ou tres vai ser o melhor... Enfim, adios, até o próximo capítulo