O Consultório do Haymitch
12 Susana Pevensie
Notas iniciais
Leo – Nick, você vai precisar ir no mercadinho.
Finnick – O Haymitch tá querendo mais bebida, é?
Leo – Não, acabou o nosso sorvete.
Leo e Finnick – ASSIM NÃO DÁ PRA SOBREVIVER!
Hermione tá babando no balcão.
Hermione – Posso ir junto? Posso, por favor?
Finnick – Ah, pra mim de boa.
Hermione – EBA! *abraça ele*
Leo – AR-HAM, a senhora precisa ficar aqui, temos que trabalhar no consultório.
Finnick – Tô indo já então. *sai*
Hermione – Aah, droga. Vamos ter que ver um monte de gente chata e...
Leo – MEU CORAÇÃO! *vendo quem acabou de entrar*
Susana – Desculpa, aqui é o consultório do Haymitch?
Hermione – É sim, por quê?
Susana – AQUELE CARA SUPER GATO QUE ACABOU DE SAIR TAMBÉM É PACIENTE?
Hermione – Mais ou menos. Ele trabalha aqui na verdade.
Susana – Nossa, agora eu até tô querendo...
Leo – TRABALHA AQUI, SUA LINDA! HAYMITCH, TEM ALGUÉM QUERENDO TRABALHAR AQUI!
Haymitch sai sonolento da sua sala.
Haymitch – PAREM DE GRITAR QUE EU TÔ DE RESSACA!
Susana – Hein, esse é o doutor?
Hermione – Pois é, conviver com esse daí é a parte ruim do serviço.
Haymitch – Mocinha, vamos entrando e Leo pode vir junto.
Leo – EBA, EBA, EBA!
Os três entram na salinha.
Haymitch – Então minha queridinha, pode me contar o seu nome.
Susana – Meu nome é Susana Pevensie.
Leo – Que nome lindo seria Susana Valdez, não?
Haymitch – Ah, começou. E qual a sua idade, Susana?
Susana – Bem, na verdade eu nasci na década de 20.
Leo – Se ferrou por causa da guerra, foi?
Susana – Isso mesmo.
Leo – Ah, normal. Tô acostumado já.
Susana – Bem, eu e os meus três irmãos morávamos em Londres e para podermos fugir do bombardeio fomos pra casa de um professor no campo.
Leo – Vocês MORARAM com um professor? Devem ter problemas da cabeça.
Susana – A parte divertida foi que lá tinha um guarda-roupa que levava a gente pra outro mundo.
Haymitch – Esse professor não fazia vocês usarem drogas não, né?
Susana – Não, falando sério. Primeiro a minha irmãzinha achou essa passagem, mas nenhum de nós acreditou nela. Aí depois o meu irmão que era um 171 do caramba também encontrou, mas acabou se dando bem com a pessoa errada e nessa a gente se ferrou legal.
Haymitch – Então você se sentiu traída pelo seu irmão?
Susana – Sem dúvida. Ao invés de ficar do nosso lado e apoiar a gente, aquele idiota se aliou com uma feiticeira louca que transformava todo mundo em pedra.
Leo – Revoltadinho ele, hein?
Susana – Pois é.
Leo – Curte bandinhas emo?
Susana – Acho que não existia isso antes.
Leo – Que sorte a sua.
Susana – Depois que eu e o meu outro irmão finalmente entramos em Nárnia, o lugar que ficava depois do guarda-roupa, a gente encontrou várias criaturas divertidas e animais falantes.
Haymitch – Agora falando sério, era cocaína? Crack? Chá de cogumelo? Eu tenho que denunciar esse velho por forçar vocês a usarem essas coisas.
Susana – Sério mesmo, tinha várias coisas divertidas lá. Só que quando a gente chegou a tal feiticeira tava fingindo ser a rainha e fez Nárnia sofrer com um inverno rigoroso por quase 100 anos.
Leo – Frio por 100 anos? Que terror!
Susana – Só que segundo uma profecia...
Haymitch – E lá vamos nós de novo...
Susana – Eu e os meus irmãos éramos os escolhidos para reinar Nárnia e trazer paz para aquela terra.
Haymitch – Quem quer que seja o cara que bola esse negócio de profecia eu tenho vontade de METER UMA MÃO NA TUA CARA!
Susana – Foi então que nós conhecemos o Aslam, um leão daorão que era tipo um líder pra quem era contra a feiticeira. Ele ajudou na batalha contra ela, nos deu umas armas, se sacrificou pra salvar o meu irmão babaquinha e fazer ele virar gente e ainda fez os caras que tinham virado estátuas voltarem ao normal.
Leo – Espera, um leão deu armas pra vocês?
Susana – É.
Leo – QUE SE DANE O MEU DRAGÃO, EU QUERO UM LEÃO QUE ME DÁ ARMAS!
Haymitch – Autores deviam perceber quando a influência pode sair meio errada.
Susana – Então no final tudo acabou bem, nós vencemos ela e passamos vários e vários anos governando Nárnia. Só que um dia acidentalmente voltamos pra casa e como o tempo passa diferentemente em cada lugar, só tinha passado quase uma hora no nosso mundo.
Leo – Nossa, que broxante.
Susana – Depois disso a gente ficou de boa, até que um ano depois a gente foi parar em Nárnia de novo pela estação de trem. Só que aí já tinha se passado muito tempo, o reino tinha sido invadido, um otário queria matar o sobrinho pra conseguir o trono e foi esse sobrinho que nos chamou de volta pra lá.
Haymitch – E como era esse cara?
Susana – Nossa, o Caspian era tudo de bom. Ele era bonito, legal, simpático, bonito, generoso, bonito, não sei se eu disse...
Haymitch – Hum, então chegamos em uma parte interessante. Mas e aí, o que é que aconteceu lá?
Susana – A gente teve uma batalha gigantesca pra poder derrotar o cara, o Aslam tava desaparecido, apesar da Lúcia sempre falar que ainda via ele. Nós todos tínhamos perdido a fé nele, achávamos que ele estava morto. Mas no fim, quando nós mais precisamos, ele apareceu e nos ajudou a derrotar aquele cara porque o povo deles tinha medo de árvores.
Haymitch – Medo do quê?
Susana – Árvores.
Leo – Oi, árvores? Como alguém pode não gostar de árvores?
Susana – Não é não gostar, eles tinham medo mesmo. Depois que alguns espíritos de árvores apareceram e começaram a perseguir eles, os caras saíram todos correndo.
Haymitch – Isso tá ficando cada vez mais bobo mas continue.
Susana – Depois dessa tudo ficou bem de novo. Caspian virou rei, várias pessoas foram perdoadas, Nárnia teve paz mais uma vez, só que então eu e Pedro, o mais velho, não poderíamos mais voltar pra lá pelo que Aslam disse.
Haymitch – E como isso fez você se sentir?
Susana – Sei lá, além de me sentir ofendida por ele falar que eu tava velha...
Leo – É, eu aprendi que não se faz isso com meninas.
Susana – Sim, mas tudo ficou muito triste pra mim. Eu não ia mais me divertir com o pessoal de lá, eu tava realmente gostando muito do Caspian e talvez rolasse alguma coisa, e ao mesmo tempo pensar em Edmundo e Lúcia voltando sozinhos, eu sentia tantas coisas ao mesmo tempo que simplesmente não consegui me expressar direito.
Haymitch – E o que aconteceu quando você voltou à sua vida normal?
Susana – Bem, eu acabei entrando na rotina e dando bastante importância pra coisas materiais, o que fez com que o Aslam levasse todo mundo de volta pra Nárnia, menos eu.
Leo – Ai, tadinha.
Susana – É, sabe? Eu não podia nem me cuidar? Mas tirando o fato do Aslam ter sido muito machista, todos os meus irmãos, o meu primo e a amiga dele morreram num acidente de trem e eu fiquei sozinha aqui. Não tinha como eu ficar feliz com isso. Quando chegou a esse ponto, eu acabei perdendo um pouco do que eu lembrava de Nárnia e passei a achar que era tudo uma brincadeira de quando éramos crianças.
Haymitch – Mas que trauma esse seu, hein?
Susana – Cara, mas eu perdi todo mundo que eu amava. Eu fiquei completamente sem chão.
Haymitch – Eu entendo. E acho que já sei qual é o seu problema, minha querida Susana.
Susana – E qual é, doutor?
Haymitch – Você tem a Síndrome de Doctor Who.
Susana – Quem?
Haymitch – Isso mesmo, Who. Que é quem em inglês. Já tá pegando o espírito da coisa.
Susana capota.
Haymitch – O negócio é que você ficou completamente perdida no tempo depois de todas essas coisas doidas que já fez na vida. E isso acabou gerando uma consequência bem direta que foi você deixar de acreditar em Nárnia. Ao mesmo tempo em que você devia ter cuidado de si mesma, era bom ter pensado em suas prioridades.
Susana – Hum, eu entendo.
Haymitch – Caspian, seus irmãos, seus amigos, Nárnia, qualquer que fosse o foco, você não podia ter deixado outras coisas passarem na frente do que realmente importa pra você. Esse zigue-zague de ser adulta, ser criança, crescer de verdade fez você ficar completamente doidinha, se me permite dizer.
Susana – Mas como eu faço pra curar isso, doutor?
Leo encara Haymitch com os olhos brilhando.
Haymitch – Não, seu tarado. Ela não vai trabalhar aqui.
Leo – Ah...
Haymitch – Susana, pra que você possa dar um jeito de ver as suas prioridades, te darei uma tarefa super divertida: você vai fazer um documentário.
Leo – Argh, que coisa chata.
Haymitch – Silêncio, não espanta a cliente... Ar-hem, paciente. *tira uma câmera da gaveta* Susana, você irá gravar o dia-a-dia na favela da rocinha e ver como é que pessoas que já sofreram na vida aprenderam ver tudo de um jeito mais feliz.
Susana – Hein?
Haymitch – Isso mesmo. *começa a empurrar eles* Agora os dois pra fora da minha sala que minha cabeça ainda tá latejando.
Susana – Ele é sempre assim?
Leo – Bêbado e vagabundo? Que eu me lembre sim.
Pevensie, Susana
Diagnóstico: Síndrome de Doctor Who

"Quem?"
Haymitch – Caramba, moça. Você é tipo uma Katniss da década de 40.
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