Notas iniciais
Então... aventurem-se em Furor! O Reinado do Conde!

Os lobos simplesmente foram separando-se de menina, devagar, pisando na neve como se ela fosse fogo. Devagar, com passos tristes e ao mesmo tempo leves.

Ela ficou com medo daquele lugar no inicio: Perdida na neve. Sozinha. Perdida num mundo que ela não sabia se era simplesmente um sonho ou realidade.

Então, Manoela viu uma névoa roxeada, e no meio da leve melancolia misturada com medo que tinha, ela sentiu sua alma esvaziar-se desses sentimentos dolorosos, e uma leve paz a tomou. Não sabia de onde, ou como essa paz veio, mas, ela agora a tinha, de algum jeito.

A menina olhou para aquela vela na sua frente: Uma vela grossa, normal, presa a um pires com desenhos de flores cravados nele. Suspirou lembrando-se do teste. Manoela abaixou-se e segurou o pires com as duas mãos, depois, começou a andar.

Por mais que andasse, apenas via a doce neve caindo, a névoa roxa e os vagalumes. Mesmo na neve, ela sentia um calor afavel, amoroso. Sentiu ele depois que a névoa apareceu, a menina estava intrigada com ela.

Então, no meio daquilo tudo, ela avistou uma linda moça. Ela era alta, pálida e seus cabelos eram tão pretos quando uma pérola negra, igual aos seus olhos. Vestia um lindo vestido vermelho, igual da cor de seus lábios: Um vermelho aceso.

Manoela, no inicio, sentiu um pouco de medo. Mas o sorriso da mulher a acalmou, era um sorriso leve, não mostrava os dentes, mas era um sorriso carinhoso. A menina parou de andar ao passso que a mulher se aproximava, e quando a moça chegou bem perto dela, seu sorriso desmanchou-se, os olhos que antes eram radiantes e amorosos, ficaram perdidos no vazio. Seus braços nus começaram a sangrar. A menina, assustada com aquilo, ao passo que foi rapidamente para trás, caiu. Por sua sorte, a vela não se apagou.

– Venha cá, menininha... Vou te pegar, vou te pegar... Irei sempre estar ao seu lado...

Então, Manoela gritou, um grito agudo e forte. Nisso, um vento forte bateu, e a mulher transformou-se em um pó negro. O coração de Manoela aliviou-se, mas logo endureceu de medo: A vela havia se apagado.

– Não... Não... – Ela dizia.

Com isso, lágrimas mornas saíram de seus olhos e escorreram pelo seu delicado rosto, assim, caindo na gélida neve.

– NÃO!

A menina despencou em lágrimas, queria do fundo de seu coração que aquilo tudo fosse um sonho, que ela acordaria em sua cama, com um livro ao seu lado e uma musica de piano tocando em seu rádio. Mas algo a dizia que aquilo nunca aconteceria, que ela nunca voltaria para o seu mundo. Nunca.

Com isso tudo, ela ouviu passos na neve, e vozes. Garotos estavam conversando entre sí. Ela estendeu seu rosto banhado pelas lágrimas para vê-los. Ela viu que eles tinham na faixa uns onze ou doze anos, estavam rindo, alegres.

Então, eles a perceberam. Seus rostos se encontraram com o da menina. Seus sorrisos desapareceram quando seus olhos passaram pela vela apagada dela, pareciam estar com pena da garota.

Um aproximou-se, e estendeu a mão para ela.

– Pode confiar em mim.

Ela, com a mão trêmula, segurou a mão do garoto. Sim, ela estava com medo, mas algo a dizia que podia confiar nele, de algum modo.

Ele, então, a puxou devagar. Ela, já de pé, limpou a neve que estava em sua calça grossa, marrom. Olhou cançadamente para o menino, que deu um sorriso triste para ela.

– Eu queria que aqui fosse apenas um sonho.

– Eu também.

– Minha vela apagou.

– Não se preocupe. – Ele olhou para os outros garotos. – Iremos cuidar de você.

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Eles a levaram, sem dizer nada, a uma pequena casa de madeira. Lá dentro era quentinho, tinha uma lareira acesa, e uma menina os recebeu, ela parecia ter uns doze anos.

– Que bom que voltaram cedo! – Os olhos dela passaram pela menina. – A vela dela se apagou? – Disse com a voz triste, olhando para a vela nas mãos de uns dos garotos.

– Sim. – Disse aquele que a ajudou a se levantar. – Iremos cuidar dela.

Manoela, ainda com medo, perguntou:

– Tinha uma mulher... Ela tentou me pegar... Mas bateu um vendo muito forte... E... E...

– Ela era uma Ilusão.

– Uma Ilusão?

– Bem, você já deve de saber. Aqui é o mundo dos Loucos, era era uma ilusão de alguma pessoa com problemas. Como ela era fraca, aquele vento já a desmanchou.

– Então esse mundo também acaba com as Ilusões?

– Sim. É para isso que ele foi criado. Mesmo assim, eu não concordo de aprisionar pessoas nesse mundo. – Ele olhou para todos os outros garotos, e depois, para a garota. – Nem eles.

– Oh...

– Por isso lutamos contra o Conde de Furor, para depois lutar contra o Rei dos Loucos e... E acabar com esse mundo!

Manoela pensou um pouco, se acabassem com aquele mundo, ela poderia voltar para o mundo dela?

– Se esse mundo acabar... Eu posso voltar para o meu mundo?

– Claro que pode!

– Mas... Os policiais disseram que eu morreria se a vela apagasse.

Os meninos ficaram em silêncio, pensando em qual resposta poderiam dar para a pobre garota achada na neve.

– É mentira. A pessoa apenas entra em coma.

Os olhos de Manoela acenderam-se.

– Ajudarei vocês!

O menino então sorriu, um sorriso largo e carismático.

– Sou Robert. E nós... – Ele apresentou todos majestosamente com uma de suas mãos. – Somos os Rebeldes, cujas velas foram apagadas.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Obs.: Comentem, please.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.