O Começo do Fim - Gregos e Romanos
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Piper saiu de seu chalé, quando o sol ainda estava nascendo. Leo e Nico estavam conversando no refeitório, junto com Quíron. Annabeth estava saindo do seu chalé, mas parecia estar acordada há bastante tempo. Ela estava com a adaga presa na calça, revelando somente o cabo da arma.
As duas andaram juntas novamente até a Casa Grande, talvez ainda mais nervosas que no dia anterior. Quíron estava raspando os cascos na grama, preocupado.
Como Nico iria apenas ajuda-las naquela missão – e raramente ficava no acampamento –, ele cumprimentou as meninas, com um aceno de cabeça.
– Acho que não há a necessidade de Argos levar vocês para o Olimpo – Quíron disse, olhando para o enorme navio voador no gramado.
– Iremos com o seu descendente singular – Leo disse, abrindo um sorriso.
– Como? – Quíron perguntou.
– Nada, esquece. Argo II nos espera! – o garoto continuou.
Annabeth e Piper sorriram. Nico continuou sério, como sempre. Os quatro andaram até a escada de corda para o navio e subiram a bordo. Quíron despediu-se com um aceno de mão. Logo, os semideuses estavam passando sobre as construções antigas do Acampamento Meio-Sangue.
O treinador Hedge estava na cabine. Havia dormido ali, considerando os restos de latinhas de refrigerantes e pedaços de batata-frita no chão de madeira. Ele assistia atento a um dos seus episódios de MMA.
– E lá vamos nós mais uma vez! – Piper disse, entrando no corredor para os quartos.
Annabeth apoiou-se à beirada do navio, deslumbrando a água entrando pela Long Island. De cima, o acampamento era minúsculo, mas ela ainda sim podia sentir o cheiro de morangos vindo dos campos. Nico aproximou-se dela e também ficou ali, olhando para a paisagem.
– Como estão as coisas lá embaixo? – Annabeth perguntou.
– Quer saber como meu pai está reagindo a isso tudo? – Nico perguntou, com o vento bagunçando seus cabelos negros.
– Também – ela respondeu.
– Tudo está muito estranho... Ele parece estar mais preocupado do que o necessário. Até Perséfone parece estar assim – o garoto disse.
Annabeth pensou em dizer algo, mas resolveu não levar adiante.
– Onde Percy está? – Nico perguntou.
– No acampamento romano, junto com Jason – ela respondeu. – Por quê?
O garoto pareceu corar um pouco, mas respondeu rapidamente:
– Apenas percebi que ele não estava aqui e fiquei curioso... Eu acho que vou para um dos quartos!
Nico deu meia-volta e andou rapidamente até o corredor do navio, com as mãos nos bolsos do casaco preto. Stygian, sua espada de ferro estígio, estava presa em sua costas.
Os prédios de Nova York aproximavam-se rapidamente do navio. Leo estava comandando a estrutura de bronze celestial com seu controle de Wii, o que ele fazia com a maior facilidade do mundo. Annabeth já tentara manejar o leme mais desenvolvido do mundo, mas não tinha tanta técnica. Certa vez, ela levou o Argo II para uma montanha, e se não fosse Leo para virar o controle 90º graus, eles teriam colidido. Desde desse dia, ela nunca mais havia pegado no controle.
– Quer dizer que iremos invadir o Olimpo? – Leo perguntou.
– Mais ou menos isso – Annabeth disse, vendo ao longe o Empire State. – Pelo menos não iremos precisar subir 600 andares até lá em cima.
– E se algum deus menor achar que isso for uma invasão e querer nos derrubar?
– Tyson controla a segurança do Olimpo. Acho que ele não vai querer fazer isso! – ela disse.
Imediatamente, Hedge saiu da cabine brandindo seu bastão.
– Alguém disse invasão, derrubar e segurança? – ele perguntou, pronto para realizar um dos seus golpes de MMA.
– Está tudo bem, treinador – Leo disse, erguendo os olhos entediado por ter que falar aquela frase inúmeras vezes num dia.
– Droga! Acabei de aprender um golpe novo, querem ver? – o sátiro perguntou.
– Não! – os dois responderam juntos, o que fez Hedge voltar à cabine.
Aos poucos, eles começaram a subir mais alto e passar das nuvens sobre o importante prédio da cidade. Seguidamente, as construções gregas da casa dos deuses ganharam forma.
– Preparando-se para pousar! – Leo gritou, fazendo Nico e Piper virem ao convés do navio.
Tyson, o meio-irmão ciclope de Percy, percebeu a chegada dos semideuses e deu sinal para não atacarem. Após alguns segundos, o casco de bronze tocava as calçadas do Olimpo.
Todos desceram do navio e ganharam um abraço apertado de Tyson, até Nico, que pareceu que iria ter um infarto quando o ciclope se aproximou.
– Onde está meu irmão? – Tyson perguntou, olhando para o convés do Argo II, esperando ver Percy descendo as escadas.
– No Acampamento Júpiter, resolvendo algumas coisas importantes – Annabeth respondeu.
– Ah – o ciclope pareceu ficar mais desanimado. – Zeus os espera para a reunião – ele continuou, apontando para a Sala dos Tronos.
– Ele disse que vem te visitar quando puder, Tyson – Annabeth disse, provocando um sorriso no rosto do ciclope.
Os quatros semideuses andaram até a enorme construção sustentada por colunas gregas. Eles entraram na sala e viram Poseidon e Zeus conversando ao fundo, na forma humana dos deuses. Quando os dois irmãos perceberam a presença dos adolescentes, pararam de conversar.
– Até que enfim chegaram! – Zeus disse, aproximando-se.
– Quíron disse que precisava conversar conosco – Annabeth disse.
– E realmente preciso. Acho que todos já sabem que um olimpiano está sendo acusado como traidor. – o deus continuou, e depois olhou para Nico. – Por que o filho do deus acusado está os ajudando nessa missão?
– Pra provar o contrário – Nico disse, tranquilo.
Zeus pareceu pensar um pouco.
– Acontece que temos as provas necessárias para comprovar nossa hipótese, garoto – ele disse. – E você e os outros irão juntar as restantes!
– Deixe o garoto, Zeus – Poseidon intrometeu-se. – Vamos ao que realmente interessa.
O deus olhou para Poseidon e por fim assentiu.
– Certo. Eu os convoquei para essa reunião por que precisamos passar algumas coisas para vocês. Deverão ir para o submundo o mais imediatamente possível – disse ele, entregando um mapa para cada um deles. – Em cada um desses mapas, está o que deverão fazer quando chegarem lá.
Todos olharam para o desenho. Cada um teria uma função específica. Nico pareceu não gostar nem um pouco daquilo, mas não disse nada.
– Esses lugares destacados é onde terão que procurar as pistas, que irão descobrir sozinhos – Zeus continuou.
– Está certo. E se não conseguirmos as pistas? – Piper perguntou.
– Ainda não pensamos nisso. Mas se após a ultima tentativa de muitas lá embaixo falhar, vocês podem voltar e nos contar o que aconteceu.
– Hummm... E nós viemos aqui para receber um mapa? – Leo perguntou. – Nem um chá, biscoito ou suquinho?
– Valdez! – Poseidon o repreendeu, mas não adiantou muito.
– Talvez um passeio com Afrodite ou algo assim? – o garoto continuou.
– Valdez!
– Até com Atena serve!
Annabeth chutou com força sua canela, fazendo o garoto parar.
– O que quis dizer com isso? – ela perguntou.
– Foi algo mal pensado, desculpa – Leo respondeu, temendo que Annabeth cortasse seu pescoço com sua adaga.
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