Notas iniciais
Yeeep! Novo capítulo! Agradecimentos para a Geovana Holaten, afinal, só avisei que a tinha posto na história depois que terminei de ler o capítulo -ué. Boa leitura

Liza me encarou por alguns instantes, seus olhos verdes estavam encharcados e seu nariz não parava de escorrer.
Peguei em sua mão direita e começamos a correr. Eu mal conseguia me manter em pé por causa da dor, cada passo realmente doía como um tiro. Já não me agüentava de pé. Foi nesse exato momento que Liza colocou seu pescoço sob meu braço esquerdo, me ajudando. Meu alivio não durou muito.
Milhares de mortos-vivos surgiram de todos os lados, tampando nosso caminho. Não tinha para onde correr. Minha irmã me colocou encostada num carro vermelho que estava capotado, após isso, ficou em minha frente, segurando um pedaço de madeira. Seus gritos foram a última coisa que ouvi, e, zumbis vindo em minha direção, a última que vi.


Acordei com uma luz muito forte iluminando meus olhos, mesmo com a vista embaçada, consegui perceber uma arma apontando para mim. Tentei me levantar, mas fracassei. Eu estava amarrada.
—O que está havendo aqui, Rachel? — Perguntou uma voz masculina.
—A guriazinha aqui acordou. -Dizia a pessoa que estava em minha frente, era uma mulher. —Conseguiu restaurar a luz, Aron?
—Sim. -Falou enquanto se aproximava.
Logo, as luzes do local foram acesas. Percebi que estava amarrada numa cadeira de couro, dentro de uma delegacia. As paredes continham uma cor amarelada, o chão era de assoalho marrom claro, e, em frente à mim, haviam cinco cadeiras de plástico encostadas na parede, ao lado, uma planta. As janelas do local estavam protegidas por pedaços de madeira que haviam sido pregadas. Na minha direita, percebi que o chão estava repleto de cobertas e enlatados espalhados, sem falar numa lata de tinta vazia, que estava com o fogo aceso. Ao olhar para frente, percebi que aquela mulher estava sentada numa pequena mesa de madeira à poucos centímetros de mim. Ela realmente era muito bonita. Vestia uma calça jeans azul claro, com uma camiseta tomara-que-caia vermelha. Por cima de sua roupa, um jaleco. Seus olhos castanhos contrastavam com seu cabelo loiro no tamanho do ombro, com pequenas mechas vermelhas. Sua pele era tão clara que parecia que nunca havia visto o sol. Ela aparentava ter uns 30 anos, mas não mais que isso.
Olhei para o lado, e percebi aquele homem -tal de Aron- estava de pé encostado na parede, ele era musculoso, devia ter pelo menos 1,70. Seu cabelo castanho escuro formava um topete perfeito. Aron vestia uma camiseta branca -que realçava seus músculos-, uma calça militar camuflada e coturno. Suas mãos estavam dentro do bolso, mas conseguia perceber pequenos traços de uma luva preta. Ele aparentava ter no máximo 28 anos. Encarei aquela mulher, então disse:
—Ok, já podem me dizer... Quem são vocês, e onde está minha irmã?
—Aqui somos nós que fazemos as perguntas. -Disse Aron. —Quem é você?
—Está de brincadeira com a minha cara, só pode. -Respondi, revirando os olhos.
—Se eu fosse você, faria o que mandamos, afinal... Está amarrada... -Falou aquela mulher... Rachel.
—E não sei a necessidade disso, não mordo.
—Vai me dizer que você não percebeu que foi mordida?! Pode não morder agora, mas daqui há alguns instantes... -Falou Aron, com uma expressão impressionada.
Após aquilo, senti uma forte dor em minha perna. Eu fui mordida?! Não, não pode ser, quando? Não consigo me lembrar. Foi nessa hora que algumas lágrimas começaram a escorrer.
—Se bem, Aron, já faz quase treze horas que ela está na mesma situação, talvez seja imune. -Comentou Rachel.
—Se você acha, solte-a, mas eu não vou tirar o olho dela. -Ele respondeu.
Rachel foi em minha direção com uma faca, cortando as cordas que me prendiam. Então, me ajudou à levantar, foi quando percebi que minha perna estava enfaixada.
—O-obrigada. -Falei, desviando olhar.
—Qual seu nome, garota? -Rachel perguntou.
—Audery... Onde está Liza?
Rachel encarou Aron por alguns instantes, então, disse:
—Desculpe... -Sussurrou, olhando para baixo.
Sentei no chão, coloquei as mãos no rosto e comecei a chorar. Aquilo não poderia ter acontecido. Minha mãe, meu pai e minha irmã. Perdi as pessoas mais importantes na minha vida em menos de 24h.
Ainda conseguia me lembrar do dia antecedente de nossa viagem... Minha mãe não parava de gritar com meu pai, pois o mesmo não havia feito a revisão no carro. Liza estava trancada no meu quarto, escutando música. Havia me irritado tanto que fiquei chutando a porta, com esperanças que ela abrisse, mas quando ela o fez... meu quarto já estava revirado. De noite, discutimos durante a janta e dormimos brigados. Eu gostaria que tudo fosse diferente.
Rachel sentou do meu lado, e disse:
—Ela foi corajosa, Audery. Entrou em sua frente apenas para lhe defender. Se fosse eu, teria te abandonado junto aos zumbis apenas para conseguir ganhar tempo. -Ela riu.
—E... Como me acharam?
—Estávamos passando pelo local, quando ouvimos os gritos de sua irmã... Entramos em confronto com os zumbis e só conseguimos salvar-te, pois ela se jogou em sua frente quando os mortos estavam quase chegando perto de você. -Disse Aron, enquanto me encarava. —Ela morreu com honra, Audery.
Levantei com um pouco de esforço e suspirei, limpando as lágrimas. Encarei Aron por alguns instantes, foi quando percebi que seus olhos eram verdes.
—Aron... É esse mesmo seu nome? -Disse.
—Não. -Respondeu
—Qual é? -Insisti.
— Acho que isso não é de sua conta. -Ele deu de ombros, saindo do local.
Rachel deixa sair uma pequena gargalhada, então falou:
—Não ligue, Audery. Ele não gosta do próprio nome, afinal, essa foi a última palavra que sua esposa disse, antes de virar um zumbi, e... Ele ter de matá-la.
—Ah, sim... -Respondi, envergonhada.
—Bem... Acho que você precisa de um banho, vem comigo.
Segui Rachel por dois corredores, até que paramos em um pequeno banheiro. Era um espaço pequeno, continha três pias, três vasos sanitários e dois pequenos chuveiros que eram separados apenas por uma mureta de metal. Todos os móveis, e até mesmo as paredes eram acinzentados. Apenas o chão era branco. Fui em direção do primeiro chuveiro, ao girar a torneira, percebi que a água era fria.
—A luz está fraca, não vai durar muito, então cortamos a opção de água quente do chuveiro... -Disse Rachel colocando algumas roupas ao meu lado. —Vou estar do lado de fora, qualquer coisa, é só gritar meu nome. -Ela saiu do banheiro.
Tomei um banho rápido, não queria pegar um resfriado por causa da água fria. Me sequei rapidamente e vesti a roupa. Era uma calça jeans escura, me coube perfeitamente. Já a camiseta vermelha ficou um pouco pequena, o que a calça ajudava à disfarçar, pois tinha cós alto. O sapato era apenas um chinelo branco, um pouco maior que meus pés. Ao sair do banheiro, Rachel me levou para trás da delegacia.
Tudo estava bem protegido com algumas cercas de arame, com aproximadamente três metros de altura. No centro havia uma pequena fogueira, onde três pessoas -incluindo Aron- estavam sentadas, ao chegar, Rachel me apresentou.
—Audery, esses são Edward e Geovana. -Falou apontando para cada um deles. —Essa é nova sobrevivente.
—Bem vinda. -Falaram em conjunto.
Olhei diretamente para Geovana. Ela estava sentada à direita de Aron, seus olhos cor de mel foram o que mais me chamou atenção, eu realmente gostava daquela cor. Seu cabelo castanho claro estava um pouco oleoso, e sua pele aparentemente ressecada. Ela vestia um shorts jeans preto e uma camiseta vermelha, onde estava escrito "We will not be killed" em branco. Também usava um coturno feminino preto, onde os cadarços estavam desamarrados. Ela deveria ter uns 20 anos.
Já Edward tinha uma pele morena, seu cabelo era raspado, e, seus olhos castanhos não paravam de me encarar. Ele vestia uma calça de moletom branco e uma camiseta azul marinha simples, que o deixava um pouco magro. Realmente, acho que Edward não passara de 17 anos.
Sentei ao lado de Rachel, tudo parecia estar em paz aquela noite, mas logo a tranquilidade acabou. O silêncio foi tomado por gritos.

Notas finais
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