O Começo do Fim
3 Lembranças
Notas iniciais
P.O.V Rachel Campbell
Todos estavam sentados frente à fogueira, tudo parecia tão calmo. Audery se sentou ao meu lado e, após um tempo... Nosso pequeno silêncio foi invadido por gritos.
Edward se levantou, seguido de mim, Geovana e Aron. Já Audery, ficou sentada por alguns instantes encarando-me com desespero. Corri até a frente da delegacia e peguei uma pistola, que estava sob minha mochila preta. Após isso, olhei para um pequeno fecho da porta e percebi alguns mortos-vivos devorando sua janta: Uma garota de aparentemente quinze anos. Ela segurava algum objeto metálico em sua mão direita, não pude reconhecer o que era.
Edward logo se aproximou de mim, juntamente com os outros. Olhou pelo fecho por um ou dois segundos, no máximo. Não demorou para ele abrir a porta e correr em direção aos mortos-vivos, atirando com uma pistola semi-automática 380. Fui atrás dele. Aron gritava para voltarmos, mas sem sucesso, optou por nos ajudar. Foi quando a garota apertou o objeto. Era uma granada.
Fui jogada longe, chocando contra uma parede, logo minha vista embaçou, e então, desmaiei.
''Estava na cozinha, sentada numa cadeira de madeira maciça, lendo o jornal. Foi quando alguém me abraçou por trás.
—Resolveu não acordar atrasada hoje, Rachel? -Falei enquanto levantava.
—Sempre acordo nesse horário, mãe. -Respondeu, bufando.
Soltei uma pequena gargalhada e encarei minha filha por alguns instantes. Ela realmente era linda, poderia causar inveja em algumas garotas de sua idade. Tinha 1,64 de altura, seus cabelos lisos já estavam alcançando parte de seu quadril. Só detestava a cor que ela havia pintado: preto. Seus olhos verdes contrastavam com sua regata vermelha-sangue. Seus lábios, aquela hora preenchidos com um brilho labial, eram muito bem desenhados. Aquela pele bronzeada era tomada por algumas espinhas no rosto, o que disfarçava era a base que havia passado. Rachel já havia ganhado dois concursos de beleza na cidade, e a mesma tinha apenas dezesseis anos.
Parei de lhe encarar, sacudindo a cabeça, foi então que falei:
—Vai comer algo?
—Não. Já combinei com as meninas de tomar café da manhã no Spyce Coffe. -Respondeu.
—Então vamos... -Disse, caminhando em passos largos até a porta.
Sai de casa seguida por Rachel, então, entrei no carro — um Ford Focus ST prata, modelo 2013 — que estava estacionado sobre a grama. Rachel logo se sentou no banco de passageiro . Então, seguimos caminho.
Ao deixa-lá na casa de sua amiga, Angélica, andei por mais meia hora até chegar ao Centro de Pesquisa Genética. Estacionei o carro do outro lado da rua e entrei no laboratório.
O local estava vazio, todas as cadeiras giratórias estavam desorganizadas ou jogadas contra o chão, o que era um pouco estranho. O chão, que deveria estar limpo, estava repleto por barro. Estava espantada com o local vazio. Dei alguns passos para frente, observando alguns papéis que estavam sobre o chão. Neles haviam pequenos textos de uma pesquisa recente do laboratório, o vírus Ebola. Ignorei-os e fui em direção ao elevador, apertei o botão para descer.
Cheguei no subsolo do prédio, desci no corredor principal, que estava totalmente vazio, se não fosse por algumas plantas que enfeitavam o local, onde o piso, teto e paredes, eram totalmente brancas.
Dei pequenos passos para a frente, indo até uma porta metálica com uma faixa em vermelho, passei meu crachá que estava dentro de um bolso de minha camiseta e entrei.
Tudo estava normal por lá, diversas pessoas andavam com pressa para cumprir seu trabalho, todos utilizando um jaleco. Segui para o laboratório dois, até que ouvi uma voz masculina me chamando...
—Jacqueline!
—O-oi? -Respondi, enquanto tentava procurar o dono daquela voz.
Olhei para trás, foi quando vi Johnny Martinez, um líder da segurança nacional dos Estados Unidos, também responsável pela operação 'occidit virus', ou simplesmente, O.V.
Apesar de seus defeitos — ambição, extremo perfeccionismo, egoísmo — ele era uma boa pessoa. Johnny tinha quarenta e sete anos. Às vezes, apareciam pequenos fios brancos sobre seu cabelo castanho. Ele era musculoso e alto. Continha uma pele morena e olhos castanhos. O que deixava-o um pouco estranho, era o óculos que utilizara.
—Jacqueline, seu experimento... Foi um sucesso! Tudo ocorreu como o planejado! -Falou, sorridente.
—C-como!? -Respondi, espantada. -Sr. Martinez, o projeto Cadent só poderia ser confirmado com sucesso caso testado em algum ser humano...
—Venha comigo. -Disse, com um largo sorriso no rosto.
Não falei mais nada, apenas o segui. Passamos por alguns seguranças, até chegarmos num local apelidado de 'Casulo' por nós, cientistas.
Johnny olhou para um dos seguranças, que saiu de perto, então, começou a digitar alguns números em uma pequena tela. Pelo o que pude perceber, ele digitou '120218'.
Entramos numa sala onde pisos e paredes eram tomados pela cor branca. O local continha duas mesas de metal com duas cadeiras do mesmo material, uma de cada lado da sala. Ao centro, conseguia perceber uma grande cortina preta, como se estivessem tentando esconder algo. A sala estava lotada de seguranças, todos bem armados. Além de mim e de Johnny, haviam mais dois cientistas no local, que eu não fazia idéia de quem seriam. Cheguei mais perto daquela cortina e comecei a observar.
—Está preparada para ver o resultado de dois anos de experimentos sobre o projeto Cadent? -Disse, olhando para mim.
—Sim, Johnny. -Estava tremendo.
Respirei fundo, foi então que aquela cortina foi aberta, lentamente.
Soltei um grito alto e caí, assustada. Atrás de tudo aquilo havia uma pequena cela de vidro, onde prendia algo que um dia poderia ser chamado de ser humano. Era bizarro. Suas pupilas estavam vermelhas, sua boca completamente deformada. Olhei-o de cima a baixo e percebi que sua pele, que um dia já foi normal, estava pálida, mas tão pálida que conseguia perceber suas veias. Aquela aberração me encarava, chocando-se contra a única coisa que me separava dela: a cela de vidro.
—O-o que é isso Johnny!? -Gritei.
—Isso, Jacqueline, é a arma biológica mais perigosa já descoberta pelo ser humano. E que vai acabar sendo o futuro dessa espécie suja. -Sussurrou.
Encarei aquela criatura por alguns segundos, então, levantei-me.
—Isso não pode ser o projeto Cadent! Aquilo era para ser uma descoberta de cura! -gaguejei.
—Era. — respondeu-me, rindo -mas vamos concordar que aquela pesquisa iria muito além caso juntado com o Vírus Ebola. E não é que deu certo? Então, senhorita Campbell, você deveria estar honrada por ser a desenvolvedora disso. Imagine quanto posso ganhar vendendo esse experimento para a Rússia?
—Você é sujo, Martinez... Como pode pensar dessa forma, traindo o seu próprio país!? -Gritei, ainda mais alto.
—Que pena que você pensa assim, Jacqueline. Sempre pensei que poderíamos formar uma sociedade, juntos. -Ele desviou olhar para um segurança, que estava atrás de mim.
Senti uma forte pancada na cabeça, e então, adormeci... "
—Rachel! Rachel, acorda! -Ouvi a voz de Audery.
—O-onde estou? -Respondi, enquanto sentava no chão úmido.
Foi então que observei, estávamos na delegacia, os zumbis já tratavam de tomar conta do local. Levantei-me, sentindo uma forte dor na nuca. Foi quando lembrei-me de tudo...
Meu nome é Jacqueline Campbell. A autora de todo o caos que está acontecendo e de tudo que ainda está por vir.
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