O Choro da Lua
1 Entre essas 4 paredes.
Notas iniciais
Ah… tão frio. Há quanto tempo... Estou nesse lugar…? A maca metálica, atravessando-me a pele, gélida, por través destes tecidos. Apenas a luz do luar como companheira, refletindo-se pelas paredes brancas... Por quê?... O teto me era a única visão permitida. Tão branco. Tão branco que podia imaginar-me olhando para um céu em nevasca.
A única coisa que talvez me aquecesse hoje fosse você. Todos os dias, sinto-me eternamente preso... Neste deserto de areias brancas, onde é sempre noite. Por que não está aqui? Comigo... Ainda lembro-me de como seus braços calorosos aqueciam-me em noites como esta. De seu sorriso gentil... De sua presença acolhedora.
Você sumiu, tão de repente. Chamaram-me de louco. Às vezes me pergunto se você realmente existiu... Mas. Minhas memórias ainda, tão claras. Impossível, não ter sido real. De como suas carícias provocavam-me arrepios. Do prazer que me era extraído pelos seus toques. De como suas mechas azuis recaíam por sua testa, observando-me carinhosamente. Não havia como esquecê-lo. Eu não podia esquecer.
Ainda sinto falta, de seus olhos azuis, calmos... Preenchendo-me por inteiro! Por que, sumiu assim, tão de repente...? Nada fazia-me melhor do que estar ao seu lado... E agora, nem ao menos posso alcança-lo, com estas vestes que prende-me os braços! Meu peito dói. Doe-me tanto, que mal consigo respirar. Tão frio. Por que me deixou?... Disseram nunca tê-lo existido. Acusaram-me de louco, e prenderam-me neste lugar. No entanto, ainda tenho minhas lembranças. A prova viva de sua existência. Agora mesmo, posso vê-lo sorrindo para mim, vendo-me imóvel no colchão da maca. Ah... seu sorriso, sua gentileza. É tudo que preciso. Volte para mim. Volte e não me deixe nunca mais... Grimmjow.
E, em um único, sufocante suspiro, aquele homem deixou sua existência para trás, ainda perdido em suas memórias...
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