Notas iniciais
Hey,como estão? Eu espero que gostem,bjs.

Daniela estava deitada às margens de um rio, tão cristalino que não parecia real. A sua frente se seguia uma imensa floresta e o rio ia na direção de uma mata mais densa e úmida.
A garota tentou se acalmar para identificar o local, mas não sabia onde estava, nunca vira aquele local na vida.
A água começou a se agitar, e água começara a formar uma imagem.
Uma mulher negra se formara no meio do rio, com cabelos negros e cacheados, com grandes olhos verdes, tinha uma coroa de conchas de vários tipos, seu vestido azul e branco tinha pérolas e conchas por todas as parte, ela também usava um bracelete... Humm azul prateado (Se é que essa cor existe), ela tinha uma... Uma... Pulseira anel? Ah! Tanto faz, uma pulseira que tinha um anel, com várias meias luas, também azul prateadas.

Aquilo com certeza era um tipo de sonho bizarro.
Ela jurava que tinha dormido no internato e de repente foi parar naquele local totalmente estranho...
Será que ela estava ficando louca?

— Q-quem é você? — A voz quase não saiu, mas conseguiu.

— Eu sou Iemanjá! — O que? Ou aquela mulher era muito louca ou Daniela estava ficando biruta.

— Iemanjá? — Sua cabeça se encheu de dúvidas, a mulher sorriu e a menina não sabia como, mas aquilo lhe trouxe uma certa paz.

— Siga o rio. — a menina olhou para a mata e aquilo lhe deixou agitada, então a mata se abriu mostrando uma trilha ao lado do rio. Quando se virou para perguntar o porquê de estar ali, a figura se desmanchou em água.
Sem opção a menina caminhou a margem do rio pela trilha.
Quando a mata começou a diminuir, ela viu uma... Cidade? Vila? Acampamento? Não sabia com o que se parecia ou como chamar o local.
Tudo parecia ser feito de bronze e diamante, as construções pareciam pirâmides Maias. As estátuas tinha mais ou menos cinco metros de altura... Aquilo eram os... Orixás? Elas estavam espalhadas e pareciam ter sido esculpidas em montanhas de bronze.
Uma estava no rio e era idêntica a mulher... Iemanjá! Ela soltava um jato de água pela boca, como uma pequena cachoeira.

Outra segurava dois machados em um X, de um homem musculoso e tinha uma cara de bravo.

Ao passar pelas estátuas, atrás das pirâmides, tinham grande palmeiras, coqueiros e uma trilha de paralelepípedos de bronze. Ótimo, mais trilha! Sinceramente, Daniela estava cansada de trilhas.
Ela seguiu e chegou em um tipo de jardim.
Tinha várias pessoas ali.
Ela viu um pequeno furacão se formar mais a sua frente e dois jovens, um rapaz negro com dread, alto, musculoso, que estava sem camisa, mas usava... Uma saia? Bem, ela ia até os seus pés, era vermelha e branca, seus olhos eram cinzas, ele corria atrás do furacão com seu machado, que era igual o da estátua.

ao seu lado tinha uma garota de vestido vermelho e branco, cabelos volumosos e cacheados, usava uma tiara vermelha, seus olhos pareciam ouro, ela tinha várias sardas pelo rosto, sua pele era negra... Daniela não sabia falar, ela era linda, dos pés à cabeça, ela era perfeita... Que pensamentos são esses? Disse para si mesma, mas era impossível não pensar, ela era maravilhosa.

A menina puxou algo de dentro do furacão, um... Um capuz vermelho? Então o furacão parou e revelou um ser pequeno, negro, de uma perna só... Saci?

— Está na hora de voltar para casa, não é, Saci? — A voz da menina era suave.

Eles andaram até a floresta mais a frente. A garota do jeito curiosa e bisbilhoteira seguiu os dois. A floresta tinha um cheiro doce de flores, era grande, em um rio ali tinha mais uma estátua... Ela não se lembrava o nome... Seu pai era um Umbandista, tinha todas as relíquias e imagens. Uma luz clareou em sua mente, aquela era Oxum, a Orixá dos rios e águas doces.

Entrando mais na floresta via pequenas criaturas, do tamanho de insetos. Um grupo de garotas lindas, algumas negras, outras brancas, mas todas lindas, elas não pareciam estar envergonhadas por estarem com seios a mostra, mas então Daniela percebeu que elas não tinham pernas e sim caldas, uma das "Sereias" acenou, mas Daniela achou melhor ir embora. Então chegou em uma clareira onde aqueles dois haviam ido, a garota parecia brava, o rapaz tinha um semblante pensativo, os sacis pulavam de um lado para o outro enquanto eles conversavam sobre algo que parecia importante, até perceberem Daniela ali.

— Olá?- A garota falou insegura. Daniela estava com medo dá reação dos dois. — E-eu me chamo Daniela.

— Oi Daniela. Sou Lúcia e esse é o Gaspar. — Você me parece familiar. — Algo aconteceu, pois os olhos de Lúcia e Gaspar se arregalaram. — V-você é filha de... De Iemanjá. — Aquilo parecia mesmo ter surpreendido eles, mas surpreendeu mais ainda Daniela. A garota se dirigiu ao rio ali perto e viu a sua imagem... Mas diferente. Seus cabelos cacheados caiam perfeitamente em seus ombros, o vestido era branco esvoaçante, com algumas pérolas, em sua cabeça havia uma tiara prata-azul, um colar com uma meia lua.

Aquela não parecia Daniela, mas ao mesmo tempo parecia.

Lúcia e Gaspar começaram a discutir sobre algo, Daniela não prestava atenção, estava mais preocupada em pensar no que estava acontecendo.

Depois de uma longa conversar os dois chegaram a conclusão de que tinham que arrastar Daniela para um lugar estranho.
Aliás, aquele lugar era estranho.

Os três entraram em uma das pirâmides pequenas feitas de ouro e prata, das quais Daniela não se lembrava.

Lá dentro era assustador, a iluminação vinha de tochas na parede, o cheiro era de ervas.

—Aonde estamos? — Daniela perguntou.

— Viemos falar com Lino, ele é nosso... Orientador.

Uma porta de ouro se abriu diante deles. Uma sala gigante surgiu diante deles, ela era dourada, o piso era de uma pedra que Daniela não sabia dizer o que era. Um homem se encontrava sentado em uma mesa dourada. Ele deveria ter seus cinquenta anos, seus olhos estavam fechados, seus cabelos eram grisalhos assim como sua barba, sua cara era séria.

— O que fazem aqui? — Uma voz grave reverberou pela sala, o ar ficou mais pesado e rarefeito, o cheiro ficou mais forte.

— V-viemos falar sobre uma garota nova, ela entrou na cidade... É uma filha de Iemanjá. — Um silêncio assustador tomou conta da sala. Os poucos minutos pareceram uma eternidade. Então o homem abriu os olhos. Eles eram negros como a escuridão.

— Uma nova garota para a cidade?- A voz dele não era tão assustadora quanto a primeira. — Como chegou até a cidade minha querida?

— Uma hora eu estava deitada no meio de uma floresta, na outra tinha uma mulher dizendo, "siga o rio".

— Rio?- Lúcia olha para a garota como se ela fosse louca. — Rios não são de Iemanjá. Rios são de Oxum! — Ela parecia duvidar do que Daniela dizia.

— Tem uma estátua dela em um rio, tem até uma Cachoeira. — Lúcia revira os olhos como se Daniela fosse idiota.

— Aquilo não é um rio, é água do mar, apenas forma um pequeno volume de água, e faz muito tempo que a água do mar não chega até a estátua, é como... Um aviso. — Ela não parecia muito feliz com a notícia.

— Lúcia, apresente os aposentos da garota, por favor. — Lino disse educadamente e Lúcia obedeceu.

Quando saíram do local Daniela ficou aliviada. Lúcia a guiava por uma trilha de asfalto. A vista era linda, havia imensos campos e vegetações, dava para se ver pequenas piramedes de bronze ao longe e ficavam muito mais linda ao por do sol, Daniela nunca tinha visto nada tão lindo.
Ao chegar a cidade se via várias pessoas andando e conversando. Todos usavam roupas de algodão brancas, com uma faixa coloridas na cintura, como amarelas, vermelhas, laranjas, etc.

Lúcia a levou para uma das pequenas piramedes maias afastada das outras, era de frente para o mar e isso a fazia se sentir bem. Em cima da cama tinha uma roupa igual a dia outros, só que a faixa era prateada.

— Que lugar é esse? — Daniela perguntou fazendo Lúcia se virar para ela.

— Aqui é a Cidade de Oxalá, foi construída pelos orixás para que abrigassem pessoas como a gente, quando os escravos foram trazidos para o Brasil e aqui se tornou o novo lugar para o povo africano.
Durante séculos os Orixás traziam todos os escravos que podiam para cá, mas muitos não tiveram a mesma sorte. — Ela se voltou para Daniela — Já ouviu falar no Zumbi dos palmares? — Daniela faz que sim. — Ele era filho de Xangô, ele trouxe vários escravos para essa cidade, guiando por passagens secretas que ficavam em pontos discretos por todo o país, mas quando ele foi morto muitas passagens que os traziam para cá foram fechadas. Agora temos poucas em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará e Minas Gerais, o que causou um retardamento na filha dos escravo... — Um sinal alto suou fazendo Lúcia parar de falar. — Depois continuamos, agora é hora de jantar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.