Notas iniciais
Olá, pessoal. Só queria agradecer a quem está lendo, e pedir para que continuem acompanhando. Gostaria que os leitores da história comentassem, expressando sua opinião sobre o desenvolvimento da história até agora. Obrigado, boa leitura.

Como aquele homem poderia saber meu nome? Nunca o vi antes. Talvez seja algum garoto da escola, ou amigo da Lauren. Estava muito sonolento, fiquei fitando suas vestes por alguns momentos, tentando entender de onde ele era.

– Sim, sou eu. — Respondi, afastando-me um pouco.

– Desculpe a hora, acabei enrolando na lanchonete. — Arrumou os óculos, virando um pouco a cabeça.

– Quem é você? — Perguntei um pouco assustado, preparado para fechar a porta.

– Ah, sim. — Ele levantou a mão direita, soltando uma pequena gargalhada.

– Seu nome? — Lancei a pergunta novamente, esperando a resposta.

– Meu nome é... — Ele abriu a maleta antes de responder, fechando o sorriso. Tirou de dentro um facão, me chutando contra o chão. Trancou a porta em seguida.

– O que é isso?! — Assustado, recuei para trás, encarando-o.

– Nossa, tão fraco. — Avançou contra mim com o facão, tentando me acertar na barriga. Rolei para o lado, levantando-me, correndo para meu quarto.

Todas as portas estavam trancadas, menos a do quarto de Katie. Estava com medo, precisava entrar naquele quarto. Katie estava em perigo.

– Já sei. — Abri a janela sem fazer muito barulho, saltando nos arbustos. Não era alto, então foi tudo bem. Entrei no quarto de minha irmã mais nova pela janela, aliviado.

– Katie? — Liguei a luz do quarto, e quase tive um ataque. Aquele homem esquisito estava com minha irmã nos braços, com o facão próximo a seu pescoço.

– Ei, Oliver. Linda garotinha, em? — Ele não se movia, apenas segurava minha irmã. Ela estava dormindo, o que era estranho.

– Solta ela, seu maldito! — Corri na direção dele, com o punho direito fechado. Tentei socar sua face, mas ele desviou, me deixando bater a mão na porta do armário.

– Que garotinho ridículo. — Chutou minhas costas com força, me esmagando no chão.

– O que você quer, seu maluco?! — Usei toda minha força para gritar, com o intuito de acordar mamãe ou Lauren.

– Uhm...? — Ele parecia confuso com minha pergunta, como se o certo fosse eu já saber a resposta. — Não sabe?

– Claro que não! — Continuei tentando, quase esgotado.

– Não adianta gritar, não vão acordar. — Ele me chutou novamente, rindo. — Bom, respondendo sua pergunta. Eu quero o seu coração.

– Como...? — Me assustei com a resposta dele, mas estava sem energia até para parecer surpreso.

– Isso mesmo, o seu coração. — Voltou a rir, me chutando várias outras vezes.

– Certo, quer meu coração. Então vamos conversar no porão, deixe Katie fora disso. — Tentando convencer o homem, o olhei diretamente nos olhos, confiante.

– Gostei da sua atitude. — Deixou a garotinha na cama, me puxando para o porão da casa.

– Quer dinheiro? Eu te dou, não faz mal. — Tentava ficar de pé, fracassando. Me joguei no chão.

– Já disse, quero o seu coração. — Voltou a rir, abrindo a maleta novamente. De lá, tirou um outro facão, ainda maior, e aparentemente mais perigoso.

– Como assim? Por que quer me matar? — Olhei em seus olhos, acabado.

– Garoto, garoto... Você realmente não sabe de nada. — Girava o facão entre os dedos, sentando-se em uma mesa de madeira velha, que guardávamos ali a muito tempo.

– É, eu não sei. Não faço nem idéia. — Mantive o olhar nele, curioso.

– Certo, vou explicar. — Ele sorriu, me fitando. Parecia bem confortável com aquela lâmina passando pelos dedos. — Primeiramente, eu não sou o que se pode chamar de normal. O que você vai ouvir aqui, provávelmente já deve ter ouvido naquele lugar.

– Aquele lugar? — Abri um pouco os olhos, com medo de que ele esteja falando do suposto sonho.

– Isso mesmo. A sala branca. — Riu um pouco, tacando a faca no chão. — Você deve saber que no mundo oculto existem dois exércitos, o exército superior, e o inferior. Dentro desses exércitos, existem vários tipos de pessoas e criaturas, cada uma com um dever diferente. Outra coisa que deve saber, é sobre a morte de cada ser no mundo. Quando alguém morre, ela é escolhida para fazer parte de um dos exércitos, ou então, ser jogada no purgatório. Quando ela é escolhida para um dos exércitos, mas não recebe um cargo especial, ela é jogada na área de seu exército, e vive normalmente lá. Mesmo morrendo, ela continua dona de sua própria alma, porém, existem pessoas que vendem a própria alma por algum tipo de coisa.

– Vender a alma... — Não estava muito surpreso, é como se eu estivesse me esquecendo de algo.

– Bom, não é muito inteligente fazer isso. — Ele ficou mais sério, olhando para o teto por alguns segundos.

– Por que não é inteligente? — Queria saber mais sobre o assunto, estava realmente interessado.

– Simples, se você vende sua alma, você vira uma espécie de boneco. Pode ser controlado sempre pelo novo dono da alma. — Disse o estranho, voltando a olhar para mim.

– Entendo. — Olhei para o chão por alguns instantes, mas voltei a olhar para ele em seguida. — O que acontece com as almas?

– Ah, sim. Geralmente, são usadas em experiências, que na maioria das vezes dão errado. — Falava de tudo isso com uma tranquilidade absurda, me dava medo.

– Como você pode falar de almas, mortes, de forma tão normal? — Estava tão espantado com o homem, que não aguentei, e perguntei.

– As mortes são algo muito interessante. Elas finalizam uma fase, e começam outra, e algo tão extraordinário não poderia acontecer por conta própria. Existem pessoas, ou melhor, seres, que são responsáveis por cada morte que acontece, eles cuidam de como a pessoa vai morrer, quando ela vai morrer, e óbvio, se ela vai morrer.

– Quem são? — Eu já tinha ouvido sobre isso antes, na sala branca, mas não estava muito lembrado.

– Ceifadores. — Ele abriu um pequeno sorriso no canto da boca, colocando o olhar dentro de meus olhos. — Fazem parte da linha principal de cada exército, e são extremamente importantes. Tanto o superior, quanto o inferior, possuem ceifadores.

– Como assim? De onde eles vem? — Continuava acabado no chão, mas meu interesse pelo assunto só crescia, e acabava me dando mais forças para continuar acordado.

– Eles já foram pessoas normais, como qualquer ser humano do mundo. Quando morreram, ganharam uma extrema importância, da mesma forma que ganharam total respeito dos outros. Dentro do mundo dos mortos, são o cargo mais alto de todos, e podem fazer tudo. Mas... — Ele olhou para baixo, deixando o sorriso sumir.

– Mas...? — Continuei com a mesma expressão, sério.

– Existem algumas coisas sobre eles que poucos sabem. — Voltou a olhar para mim, inexpressivo. — Eles são cães do exército, e devem seguir seu dever. Devem fazer tudo que seus superiores mandarem, e matar sem piedade quem deve morrer. Por outro lado... Diferente dos outros cargos, podem andar livremente por ai, como pessoas normais.

– Isso é muito interessante. Continue contando. — Estava com menos força, então, me arrastei para a parede, ficando encostado lá para olhar para o homem.

– Bom, agora que terminei a explicação, está na hora. — Voltou a sorrir, abrindo a maleta novamente.

– Na hora? De que? — Estava com medo, não sabia o que ele iria fazer.

– Na sua hora. — Tirou de dentro da maleta uma espécie de revólver, mirando-o para mim.

– Quem diabos é você? — Arregalei os olhos, tremendo.

– Hum... — Ele puxou o gatilho, deixando a bala acertar no meio de minha testa. Aquela bala não era normal, no momento que fui acertado, meus olhos brilharam, e nada aconteceu. — Sou Bryan Crandwerd, o Ceifador de Agulhas.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.