O Cavalo De Bronze - Fic Interativa
15 Âmbar
Notas iniciais
Outra coisa é que depois do fim da semana medieval eu não sabia pra onde ir com a história, então resolvi usar de uma lição que eu aprendi durante meus anos de nyah, "se você não sabe como continuar um enredo, apele para o clichê", e para quê mais clichê que uma festa, mas é óbvio que eu fui atrás de criar um enredo atrás disso, agora quem tem que decidir se ficou bom foi vocês, então fiquem com o capítulo e se Deus quiser amanhã terá um novo, com um tom mais leve que esse.
Mila Blocklengust –
Já se passara quase uma semana desde os eventos da semana medieval, estávamos já na quarta-feira e os corredores do instituto estavam infestados de agentes do ministério, todas as correspondências eram checadas antes de chegar á nossas mãos e pelas informações que vazavam o estado era de emergência em todos os lugares, o que se mostrou um saco, eu tinha me recuperado dos meus ferimentos e tanto Gabriela quanto Helena estavam ocupadas demais fazendo “coisas” e eu acabei ficando mais solitária que o normal nesses últimos dias, e para completar a desgraça o Liam, mais conhecido como “namoradinho da Helena que ela não assume” resolveu gravar nós duas bêbadas e colocar para todos verem no pátio do instituto, e pra piorar nem o ataque fez com que os alunos não rissem.
Aliás, não teve nenhuma morte, no máximo alguém ficou um pouco mais ferido, o clima só ficou tenso durante o fim de semana, com o recomeço das aulas todos começaram a esquecer e tocar á vida, e eu confesso que até eu não estava mais ligando, meu pai me parabenizou pelo segundo lugar e que as vendas estavam incríveis depois da semana medieval, ele ainda não desistira de me tornar uma funcionária da empresa.
Saí apressada do salão onde todos tomavam café da manhã, logo começaria a aula de transfiguração com Benjamin Alaric, ele era um bom professor de transfiguração, mas era muito chato e todos perdiam mais tempo falando de sua barriga saliente e suas vestes antigas. E eu ria muito com os comentários, ele não tirava pontos como o Heleno, ele preferia nos ferrar nas provas, sabia que iria prejudicar muito mais.
Estava andando pelos corredores até que achei finalmente um vazio e sem guardas do ministério, foi quando uma porta vermelha e estreita surgiu na parede de pedra e um bilhete de papel velho caiu e eu peguei e me pus a ler:
“Entre sem medo, Cacatua.”
Minhas bochechas ferveram em raiva, a única pessoa que usava aquele apelido para mim era... Newt. Olhei para porta vermelha e com raiva abri e me deparei com um vento gelado passando pelo meu corpo, á porta se fechou sozinha atrás de mim e olhei para o dito cujo, Newt estava parado sentado em uma escada de madeira me fitando com um sorriso sarcástico no rosto, um garoto estava parado logo depois da escada, me lembrei dele, era Gabriel Silver mexendo em uma prateleira cheia de potes vazios e teias de aranha.
-Minha cacatua preferida chegou...
-Me chama de Cacatua de novo que eu quebro á sua cara de fuinha. – Ele deu uma gargalhada sonora.
-Mas que diabo é isso aqui, Newt?
-Isso? É a “casa dos amantes”. – Ele sorriu se levantando do degrau onde estava sentado.
-Bem, aparentemente nosso querido diretor Tobias Gomes, quando estudava aqui acho um jeito de sair do instituto e resolveu criar uma casa de madeira aqui para trazer a nossa também querida professora de herbologia, para você sabe...
-Para! – Falei antes que ele insistisse em continuar á falar.
-Bem, então não só eles, como todo mundo começou á vir aqui para fazer essas coisas, e no final á casa ganhou esse nome. É claro que Tobias deve ter fechado á casa no seu último ano no instituto. – Eu deveria ter perguntado alguma coisa como o que eles estavam fazendo ali, mas eu não perderia a chance de zoar ele.
-Hm, e o que você e o Gabriel estavam fazendo na “casa dos amantes”? – Perguntei com um sorriso estampado no rosto, o sorriso de Newt desapareceu e Gabriel, que nem havia olhado para mim me olhou fulminante.
-Cala a boca Cacatua e me segue. – Ele disse e eu olhei com raiva, normalmente daria meia-volta e sairia dali, mas estava interessada demais na casa, então resolvi engolir meu orgulho, dei um suspiro pesado e subi as escadas logo atrás dele, não antes de Gabriel aproveitar para assoviar e me fazer andar com o quadril todo para frente de forma que ele não pudesse ver minhas roupas de baixo, claro que aquilo se tornou uma cena ridícula, mas tudo bem, porque logo estava na parte de cima da casa de madeira.
A parte de cima era de madeira como o resto da casa e tinha apenas uma cama de ferro com um colchão bem antigo e lençóis finos para o frio que fazia, e um criado-mudo de madeira com um jarro vazio que antigamente deveria ter água. Notei um sorriso no rosto de Newt, ali tinha apenas uma janela e deu para ver que estava nevando, o que não fazia nenhum sentido se estávamos perto do instituto, virei o rosto e tinha outra parede de madeira, andei até lá e tinha alguns papéis aparentemente sem nada.
-Fotos... Mas especificamente... Lembranças. – Disse Newt chegando perto de mim, perto até demais.
-E por que não conseguimos ver? – Perguntei para ele que fez questão de chegar bem perto do meu ouvido fazendo meus pelos loiros se eriçar.
-São lembranças perversas, postas aqui pelas pessoas para que apenas elas pudessem olhar e lembrar um momento de alegria. – Me permiti corar, não sou do tipo de garota que fica vermelha por qualquer coisa, mas isso era um poder que o Lachowski exercia sobre mim de vez em quando, talvez nossa situação, eu diria, complicada, ajudasse nisso.
-Mas como você vai organizar uma festa... Aqui! – Disse me afastando dele e mostrando o lugar pequeno e frio, ele pareceu voltar de seus devaneios e me olhar como se tentasse ainda adivinhar o que eu teria dito, até que finalmente ele entendeu e andou até uma porta na outra parede e abriu, andei até lá para ver o que tinha e me surpreendi ao ver um grande salão de cor âmbar com grandes pilastras que pareciam ser feitas de ouro, dei um passo á frente e senti um perfume passar por minhas narinas, era como um afrodisíaco, o ambiente era quentinho e confortável, bem diferente do quarto frio que estava antes, tinha uma piscina redonda no meio do salão vazia, mas que rapidamente se encheu de água morna, junto do afrodisíaco o salão inteiro parecia inebriante.
-Sabe, aqui era onde os antigos alunos do instituto organizavam... Bacanais. – Aquilo me fez despertar na hora, minha cabeça girou e meus olhos azuis cerúleos se encontraram com os olhos de mesma cor de Newt que me fitava com seu costumeiro sorriso sarcásticos e conquistador nos lábios.
-Isso é impossível... Tobias não participaria disso...
-Errada. Sabe Mila, quando somos mais jovens e mais imaturos cometemos erros e fazemos e dizemos coisas que não deveríamos, o que apenas nos trás arrependimento no futuro. – Ele falou e me fez para de fitá-lo, tempo o suficiente para ele tirar seu moletom das Harpias.
-O que você... – Parei por um momento, não queria saber, queria sair logo dali. Aquela maldita sensação estava me corrompendo. – Por que está me contando dessa festa?
-Você é o braço direito de Helena Dawson, uma das rainhas do colégio. Preciso que você chame Helena e traga todas as suas amigas mais bonitas. – Quando ele terminou de falar já estava sem camisa. – É claro, eu também irei convencer Jess para trazer suas amigas e quando todas as meninas mais bonitas do instituto estiverem aqui... Todos virão para a MINHA festa. – Newt voltou á falar daquele jeito centralizador dele erguendo ás mãos já sem camisa e só de calça, também estava descalço.
-Eu falarei com ela. – Disse e mexi o pescoço tentando tirar aquele cheiro afrodisíaco da sala e comecei á caminhar passando por Newt que continuava seguindo para a grande piscina de formato redondo no meio do salão. Antes de sair do salão olhei para trás e vi Newt já dentro da piscina.
-Pensei que você fosse mais forte Lachowski, e que não se corrompesse apenas com um salão encantado.
-Não se engane Blocklengust, o feitiço desse salão só corrompe aqueles que querem ser corrompidos minha querida... – Saí e fechei á porta antes que ele pudesse terminar á maldita frase, não queria ouvir ele me chamar daquilo, eu nunca tinha concordado, nem ele.
Eu já havia saído dali e estava de volta aos corredores de pedra do instituto, andava á passadas rápidas, eu queria acreditar que ele apenas disse aquilo por estar corrompido pelo salão, mas as suas últimas palavras teimavam em bombardear minha cabeça: “O feitiço do salão corrompe apenas aqueles que querem ser corrompidos.”, quer dizer então que ele queria aquilo, que ele queria dizer aquilo, ouvir aquele “título” sair da boca dele seria demais para mim, precisava achar alguém, Helena ou Gabriela, tanto faz, já estava na hora do intervalo e o pátio de grama verde estava cheio, mas apenas fui tentar encontrá-las em uma região perto das paredes do instituto, debaixo de uma árvore centenária onde um grupo estava reunido, abri espaço e vi Heitor, um garoto penacho do sexto ano cuspindo lesmas enquanto duas garotas, provavelmente algumas de suas “pegas” o amparavam, em pé estava Lucas com seus cabelos loiros apontando a varinha para o garoto e dando risada, vi que não tinha ninguém ali, e por algum motivo estava com raiva, provavelmente por ter me mostrado fraca perto de Newt, nem que tivesse sido um pouco, e vi Lucas como um alvo. Em um momento ergui minha varinha e sem falar nenhum feitiço eu disparei contra o loiro que caiu no chão logo em seguida, ele tentou gritar alguma coisa, mas quase que instantaneamente suas mãos e pernas começaram a inchar, e depois sua face e corpo virando um mini-balão, fazendo a pequena platéia cair na risada novamente, e em poucos segundos senti mãos me segurarem firmemente pelos braços e logo em seguida notei serem agentes do ministério por suas vestes inteiramente pretas, logo me notei rodeada por eles e todos os presentes se dispersando pelo pátio.
É óbvio que só eu fui para a diretoria, Heitor ainda vomitava lesmas e Lucas estava inchado como um balão, e minha conversa foi bastante constrangedora com Tobias pelos fatos por mim recém-descobertos. Sei que passei uma tarde inteira escrevendo e fazendo dever, aliás, minha situação não melhorou nenhum pouco depois que descobriram que eu tinha faltado às primeiras aulas, o que me fez sair da sala já de noite.
Andei sozinha pelos corredores até chegar a um corredor vazio o que fez minha mente agora calma pensar novamente na porta vermelha que tinha surgido mais cedo, por impulso eu olhei para á parede, mas não apareceu nada então continuei á avançar, passei e logo percebi que Artur que estava escorado secretamente atrás de uma pilastra andava atrás de mim.
-Boa noite, bela Mila. – Ele falou e eu apertei o passo, ele também aumentou o ritmo para me seguir.
-Sempre com suas lisonjas não é mesmo. – Falei come escárnio em resposta, Artur não era o tipo de cara que eu tinha respeito, o via como um cara que ganharia muito dinheiro para acertar uma bola em um aro. Mesmo estando de costas para ele podia sentir seu sorriso.
-Me diga um homem que não é lisonjeiro com uma mulher tão linda quanto você.
-Não sei.
-Talvez... Newton Lachowski. – Ele disse e eu parei, pude sentir que ele parou no mesmo momento, como se previsse meus movimentos, eu ouvi fracamente um: ”previsível”.
-O que quer dizer com isso seu capitão de sinuca arrogante e tolo. – Virei nos calcanhares e fitei seus olhos âmbar que mal eram visíveis no escuro do corredor iluminado apenas por tochas.
-Você sabe que eu podia ter parado o seu ataque a Lucas.
-Sim, eu sei.
-Mas é claro que eu não o faria, é incrível como as pessoas são previsíveis, eu sabia que logo os agentes viriam, eu vi você apontar a varinha e talvez não saiba, mas as suas primeiras aulas de quarta, são comigo... – Ele deu um sorriso. – Logo eu supus que você atacaria e seria levada á diretoria, e que sua “pena” aumentaria por ter faltado às primeiras aulas.
-Vá direto ao assunto seu peregrino presunçoso.
-Está certo... Minha querida cacatua. – Meus olhos se arregalaram, aquele era um apelido idiota que Newt havia me dado antes de entrarmos no instituto por um motivo que não gosto de lembrar, mas apenas eu e ele sabíamos, e como Newt não era um dos maiores amigos de Artur eu duvido muito que ele tenha o contado, então como ele sabia?
-Eu tenho olhos e ouvidos por muitos lugares Mila. Eu quero apenas saber... O que o Lachowski quer fazer na casa? – Olhei para ele, como ele sabia da casa também?
-Ele só quer fazer uma festa lá, feliz?
-Aquela é a MINHA casa, ele não tem o direito de usá-la. – Ele falou com o mesmo jeito louco de Newt mais cedo.
-Pelo o amor de Deus, isso é ridículo. – Falei e ele se aproximou com sua cara de irritado, a cada passado ele parecia se acalmar mais.
-Uma garota como você não devia se envolver nos assuntos dos homens.
-Sempre machista e arrogante. – Ele pensou em dizer algo, mas ouvi um pequeno barulho e logo ele se jogou por cima de mim e caímos no chão, a poeira subia e logo vi um grande rombo na parede, me levantei junto dele e olhamos lá dentro, Carlos Magno estava jogado do outro lado e tinha um monte de prateleiras cheias de potes de vidro com um líquido verde, Artur pegou um e me puxou e saímos em disparada pelos corredores do instituto.
Fale com o autor