O Cavalo De Bronze - Fic Interativa
19 Hipogrifos de Pijama
Notas iniciais
Espero que aproveitem a leitura.
Gabriela –
Os olhos de Gabriela estavam pesados demais e mal conseguia abri-los, por isso apenas dedilhou a mesinha ao lado da cama até achar um livro grande e grosso, puxou-o e leu o que estava escrito na capa: “A Limine”. Era uma frase em latim que significava “desde o início”, um bom livro de história que ensinava feitiços velhos, alguns poderosos, tinha penado para conseguir a permissão para pegar livros da sessão proibida, mas finalmente conseguira.
Abriu o livro e automaticamente um papel rosa caiu, o pegou e viu o que tinha escrito: “Festa”. Só aquilo bastou para se desesperar, olhou no relógio e viu que ainda dava tempo, tinha simplesmente dormido e esquecido completamente da festa de Gabriel e Newt. Pulou da cama e correu desesperada pelo quarto para arrumar-se, tomou um rápido banho, pegou o vestido que Helena tinha comprado para ela e o vestiu, fazendo um feitiço que fizesse sua maquiagem e seu cabelo, agradeceu por ser boa em feitiços, tinha que lembrar-se de agradecer ao Heleno por ensinar tão bem.
Foi o tempo que levou para batidas frenéticas em sua porta começarem a ser ouvidas, se desesperou completamente e correu para atender e acabou se deparando com Helena parada fitando-a emburrada.
-Ficou louca?! Quer acordar todo o Instituto?! – Normalmente Gabriela não gritaria assim com Helena, mas em todos os seus anos no Instituto, e até mesmo antes, nunca tinha feito algo tão maluco quanto aquilo.
-Relaxa... Mas precisamos nos apressar porque logo o portal vai se fechar. – Helena a pegou pela mão e saiu andando a passos largos pelos corredores vazios, quer dizer, não tão vazios assim, de vez em quando podia ver algumas pessoas andando também, todas seguiam para o mesmo lugar. Qual não foi sua surpresa quando viu Alan Ackerman parado em um canto e fazendo as pessoas desaparecerem.
-Alan? – perguntou, ele não tinha cara de alguém que você confiaria para um trabalho tão importante.
-Gabriela, que bom que veio. Mas temo que tenha que se apressar, afinal, logo o portal irá se fechar.
-Que portal...
-Não temos tempo, peguem esse papel, vocês estarão em um lugar muito frio, coberto de neve, devem seguir em linha reta por um quilômetro até chegarem lá... Agora vão! – Ele apontou para um pano negro estendido no chão, elas caminharam rapidamente, um simples toque foi o suficiente para levá-las para aquele canto, praticamente todas vomitaram, uma pena para os garotos.
Caminharam até seus pés doerem, a neve dificultava a caminhada e o frio era avassalador e o pior foi quando chegaram de encontro a uma rocha escura.
-Ótimo... Tomamos a direção errada... – Disse Helena com raiva. Ela estava mais estressada que o normal nos últimos dias, principalmente com o fato de Mila nem mesmo tentar se desculpar, mas ela já suspeitava de alguém, Artur, iria descobrir o que estava por trás daquela história.
Foi tirada de seus pensamentos quando Cheng, uma chinesa dos peregrinos, encostou-se à pedra e ela começou a rachar e se abrir. E pôde ver uma pequena choupana toda iluminada, riu ao perceber que a festa deveria acontecer ali, mas não tinha nada, nenhum som, mesmo assim elas andaram até lá e depararam-se com uma casa vazia, quer dizer, quase vazia, lá ainda estava a figura loira de Gabriel Silver, sorrindo encantadoramente, correu e deu um grande beijo em Cheng e nos guiou até uma porta, e quando abriu viu uma festa sem precedentes, era uma grande loucura, principalmente pelo fato de a banda “Hipogrifos de Pijama” estarem tocando seu maior sucesso, “Porra Leviosa!”, como adoraria escrever uma matéria sobre aquela festa no jornal da escola, mas obviamente não poderia. Seus olhos vagaram por todo o salão, a maioria das pessoas já estavam bêbadas, seus olhos foram até Mila, que estava em um canto bebendo alguma coisa e levando uma cantada de Elien Balbus, era óbvio seu desgosto pela situação, mas não demorou a achar todos os outros, Jéssias Alves Ferrer estava com, sem dúvida, o vestido mais bonito da festa, é verdade que Helena a mataria se ouvisse ela dizendo aquilo em voz alta, mas era óbvio seu olhar de ódio. Encontrou também Cecile Ellard, como não encontrar, e junto dela estava todo o time de quadribol dos peregrinos, a maioria com suas namoradas ou ficantes, só quem aparentemente estava sozinho era Artur, além da própria Cecile, e eles ouviam a conversa animada de Lucas, que já estava claramente alterado por causa da bebida em excesso. Olhou Allicia puxando Lucas e o beijando, riu com aquilo, Lucas era um baita de um “garoto problema”, mas a menina parecia gostar deles.
Viu também o jovem Kuroneko rodeado pelos poucos membros da Arara-Azul que estavam presentes naquela festa, ele conversava animadamente com uma garota que parecia ter sua idade, talvez um pouco mais, enquanto enlaçava Julieta Felers pela cintura, mesmo depois de tanto tempo não conseguia acreditar naquele casal improvável.
Seus olhos voltaram para Cecile Ellard, à única com quem simpatizava no time de quadribol dos peregrinos, ela vinha junto a Artur para perto dela, ele segurava uma taça que parecia estar cheia de vinho e ela vinha logo atrás, também segurando uma taça.
-Gabriela! Adorei seus comentários sobre mim no “Planeta”... O que eu mais gostei foi quando disse que eu não ganharia um campeonato europeu nem que eu fosse o único jogador com uma vassoura. – Disse Artur ficando ao meu lado e olhando para toda a extensão do lugar.
-Mesmo? Minha resposta preferida foi quando te chamei de Voldemort do Quadribol. – Dei um sorriso irônico para ele e olhei para os lados em busca de alguém para poder sair dali, mas Helena e todas as outras estavam tendo uma discussão com Jéssica, a mais próxima era Cheng, mas ela estava bastante ocupada com Gabriel, eu queria realmente dizer para eles arrumarem um quarto, mas quando olhei o capitão dos peregrinos correndo para algum lugar, olhei um pouco mais e vi Liam beijando Cecile Ellard, naquele momento nem parei para prestar atenção em Artur começando uma briga com Liam e dois grupos brigando em plena pista de dança, me preocupei mais em ver a expressão de Helena, que estava se segurando para não chorar, era óbvio, corri até ela para consolá-la. É simplesmente incrível como alguém como Helena Dawson, uma garota tão linda, rica e poderosa, que poderia ter qualquer um em sua mão, amava justamente Liam.
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Newt Lachowski –
Eu tinha visto tudo e não acreditava, Mila tinha realmente feito Liam beijar Cecile, aquilo tinha sido um golpe duro, porque ela só poderia estar tentando atingir uma única pessoa, Helena, mas não entendeu o motivo de Cecile Ellard ter sido a escolhida. Aquilo também tinha, de certa forma, acertado a mim, afinal, isso queria dizer que ela tinha beijado Liam por querer, e aquilo me dava raiva. Caminhei até onde Mila estava parada com um sorriso, viu que Elien Balbus estava se aproximando novamente, apenas bastou um olhar mortal para fazê-lo dar meia volta.
-Mila... – Não deu tempo de começar uma conversa, tive que olhar para trás para ver Liam beijando Cecile, mais do que isso, logo depois Artur veio com tudo e o afastou, dando um forte soco na cara de Liam, devia ter quebrado o nariz do pobre Arara-Azul, mas o problema foi quando os Araras, e outros caras que estavam com Liam se reuniram para ajudar o amigo, o problema é que o time de quadribol dos peregrinos, assim como muitos dos peregrinos, estavam apoiando Artur, começando uma briga generalizada, viu Lucas dando um chute contra um garoto penacho gorducho, e até mesmo Kuroneko enforcando um peregrino, era óbvio que em situações normais algo do tipo não aconteceria, mas os ânimos estavam exaltados por causa da bebida e da magia que o lugar exalava, e para piorar os “Hipogrifos de Pijama” fizeram questão de tocar outro de seus sucessos: “Bang, bang, quebra tudo!”, apenas olhei para trás e me deparei com Mila boquiaberta, era óbvio que ela não esperava por isso, mas quando vi que os peregrinos estavam com vantagem tive que correr para lá ajudar Liam antes que a situação piorasse, procurei Gabriel, mas ele obviamente devia estar se divertindo com Cheng em algum quarto. Ouvi Mila gritando o meu nome, mas não olhei para trás e tentei ao máximo me lembrar de alguma aula sobre luta que eu tive quando era menor. Vi Artur desprotegido e coloquei um sorriso no rosto e dei um chute com toda força que tinha na cara dele, eu nem mesmo sabia que podia dar um chute daqueles, mas foi o suficiente para Artur ficar tonto e receber alguns socos o fazendo cair quase inconsciente, o problema é que eu também recebi diversos socos e chutes, aquilo daria um problema imenso para enfermaria, como daria.
A briga teria ficado imensamente pior se as meninas não tivessem aparecido para acalmar os ânimos, me senti sendo puxado pelo local e depois subindo uma escada, estava semi-consciente, mas vi que logo todos começaram a beber e a dançar como se nada tivesse acontecido. Senti um frio imenso ao entrar em um cômodo diferente, era de madeira, tinha apenas uma janela e uma cama, parecia muito com o primeiro quarto, mas não era ele, fui colocado na cama e dormi.
Acordei alguns minutos, talvez horas depois e encontrei Mila sentada e segurando as pernas ao lado da cama, ela devia ter me levado até ali, com um feitiço provavelmente.
-Mila...
-Newt! Finalmente você acordou, eu estava tão preocupada...
-Preocupada? Isso foi por sua causa. Afinal, por que está tentando atingir Helena?
-Eu não estava tentando atingir Helena... – Ela começou a se explicar e parou rapidamente, percebi que ela parou pra não falar demais, sabia que tinha entrado em um beco sem saída, só precisava de uma pergunta... “E estava tentando atingir quem?”, mas não precisava, se ela não estava tentando atingir Helena, ela só poderia estar tentando atingir... Artur. Mas por quê? Isso era o que me intrigava, mas não podia pensar muito, tinha que organizar os fatos e tentar chegar a uma conclusão lógica. O pensamento era simples, ela usaria Liam, que já estava bêbado, para ficar com Cecile enquanto Artur estava conversando com Gabriele, que era amiga de Mila, mas Artur gostava de Cecile? Ri com a ideia do capitão dos peregrinos com uma israelense cheia de dreads coloridos no cabelo e piercings, mas a questão continuava no ar, por que ela faria isso? Era algo que ele não conseguia entender, na verdade, tinha criado ainda mais perguntas dentro de si, por isso deixou o pensamento de lado e voltou a olhar para Mila.
-Você está sendo bem negligente para uma noiva. – Deu seu melhor sorriso e fez ela se irritar, mas uma irritação alegre, um paradoxo é verdade, mas era apenas assim que conseguiu definir.
-E o que você quer que eu faça?
-Um feitiço para aliviar minha dor... Talvez um beijo. – Dei uma risada para ela que ficou semicerrou os olhos e me deu uma tapa na parte mais dolorida do meu braço.
-Morra Lachowski! – Ela deu as costas e saiu do quarto, mas era óbvio o sorriso dela, então apenas me posicionei melhor na cama e dormi.
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