O Cavalo De Bronze - Fic Interativa

6 A ida e volta de Helena Dawson.


Notas iniciais
Bem, finalmente passou de 2.000 caracteres o capítulo, e de novo dei um enfoque especial ao quadribol e as aulas de herbologia para apresentar os novos personagens.

Gabriela -

Helena não me contou seu plano, só sei que na manhã seguinte ela havia conseguido uma dispensa com o diretor e tinha ido para casa, já que Helena não estava ali, Mila se aproximou mais de mim. Falando na loira, estava conversando com ela enquanto víamos os treinos do time de quadribol das araras. Não conversávamos direito desde o jogo dos peregrinos contra as harpias.

–Então esse é o time das araras?Não me impressiona vocês nunca ganharem um jogo.

–Ei!Você tá falando da minha casa... – Caímos na risada juntas enquanto engolíamos um monte de chocobolas.

–Por que Helena e Liam estão sempre discutindo? – Mila estreitou os olhos para ver se achava o artilheiro das araras e viu-oele desperdiçar uma chance clara de marcar um goal, Liam realmente é muito ruim no quadribol.

–Eles eram tipo... Vizinhos, mas nunca foram muito com a cara um do outro...

–Eu acho que eles se gostam. – Disse automaticamente e recebi um sorriso de Mila do tipo: ”E desde quando você fica prestando atenção no relacionamento dos outros”, eu ia falar que era uma repórter e que sou muito observadora... Mas um garoto nipônico com estranhos cabelos alaranjados chegou para o treino usando uma roupa bem estranha e feminina.

–Droga... Já começou o treino! – O japonesinho falou subindo na sua Yamato 200, uma vassoura de ponta é bom constar, e subiu rapidamente para o treino, pelo tamanho de menos de um metro e setenta e ser um garoto franzino já deu pra perceber que ele não seria um batedor, era óbvio que era um apanhador.

Lembrei-me dele da cerimônia de seleção, foi designado para as Araras e até se sentou perto de mim, estranhei um garoto do primeiro ano já estar no time principal de quadribol, mas as araras são tão ruins que não acharia estranho um primeiranista virar capitão... E nesse exato momento Liam com sua pose de sempre erra uma pancada de Fingbourg, a goles vai ao alto e o americano cai de sua vassoura.

–Ele é horrendo... – Falei enquanto ele continuava em queda livre.

–Talvez jogue melhor trancabola... – Foi o momento que ele colidiu com o chão, e todos do time desceram para ver como ele estava, eu e Mila saímos dali segurando o riso.


Helena não voltou a aparecer no instituto por alguns dias, e eu nem liguei muito, estava mais preocupada em tentar me preparar para o N.O.M, principalmente depois do lindo “D” que eu tirei no simulado de DCAT, e como presente ganhei um berrante do meu pai, que fez questão de ressaltar minha nota para todos os alunos, professores, animais e micróbios que estavam comendo pela manhã.

Mila só tinha cara de popular, tirou “O” e “E” em todos os simulados, me deu até um pouco de inveja, mas nada que eu não possa superar.

Minha surpresa sexta-feira foi quando entrei na sala da Srta. Gomes e vi Helena sentada na mesma cadeira de sempre, andei a passos largos até ela e me sentei. Foi no exato momento que a mulher do diretor começou a falar, mas decidi perguntar logo pra ela o que havia acontecido:

–Helana... Por que você passou tanto tempo fora do Instituto? – Perguntei baixinho enquanto cobria a boca com a manga da camisa, ela sorriu e respondeu:

–Estava pegando uma coisinha. – Ela respondeu e deu um sorriso maléfico, tinha jogo dos peregrinos e das araras naquela sexta-feira chuvosa, logo Helena mesmo sem querer acabava ficando empolgada pra ver Liam jogar, ela devia gostar mesmo dele, porque o americano era simplesmente horrível no quadribol, me lembro que no terceiro ano disse que pra ele ser tão ruim devia ter dois braços esquerdos, sendo que ele é destro.

Imaginei qual seria a “coisa” que Helena teve que sair do colégio para pegar, obviamente era parte do seu plano.

Mais ou menos no meio da aula ouvi um barulho na porta e a Srta. Gomes fez um olhar de desaprovação antes mesmo de saber quem era.

–Entre logo, Ackerman! – Ela disse e as portas se abriram e um garoto de cabelos negros e olhos verdes entrou fechando a porta logo em seguida e andando lentamente foi até um lugar vazio no fundo da sala, usava o escudo penacho no lado esquerdo do peito.

Alan Ackerman estudava comigo desde que eu tinha entrado no instituto, nunca o vi chegar na hora pra uma aula, aliás, nunca o vi chegar na hora pra fazer qualquer coisa.


A aula de herbologia com a Srta. Gomes terminou e saímos da sala, encontrando com Mila nos corredores toda suja e com os cabelos para cima, a loira correu para abraçar Helena, que desviou mais rápido que Artur tentando ser pego por um balaço.

–O que aconteceu com você? – perguntou Helena fazendo uma cara esquisita, Mila balançou a varinha e rapidamente estava impecável de novo, minha boca caiu... Espera ainda, minha boca está caindo... Eu estou virando uma patricinha!

–Aula de feitiços com Heleno, aquele viado. – Disse Mila.

–Menos cinquenta pontos para as Harpias. – Disse Heleno já longe e ficamos olhando pra ele assustadas.



–Bem vindos á mais um jogo da “Taça das rapinas”, hoje será uma disputa entre o time de quadribol das Araras-Azuis e entre os Peregrinos. – Dizia o locutor, vi o diretor e uma série de professores no camarote com vestes azuis, a maioria dos professores torce pelas Araras, na verdade, todos torcem pelas araras, sabe aquele lance de torcer pelo mais fraco para se beneficiar, então...

Helena e Mila me chamaram de novo para se sentar junto a elas, mas tinha que fazer a matéria do jornal então decidi ficar ao lado de Jordyn, o estádio inteiro estava de azul praticamente. Olhei para os lados e me deparei com Julieta Felers e meus olhos se arregalaram, Julieta tinha ficado mais bonita ou era impressão minha?Os garotos ao redor babavam perto dela, que nem ligava, só olhava diretamente para o campo.

Foi mais ou menos nesse momento que o locutor do estádio deu um grito enorme chamando as araras que entraram voando rapidamente e contornando o estado ao som de gritos e aplausos, eles podiam não jogar nada, mas suas entradas eram incríveis. No telão em vez de Liam, o capitão, apareceu o primeiranista que tínhamos visto no treino, Akaito Kuroneko, nome bastante engraçado em diria, só me assustei quando Akaito parou e mandou um beijo para Julieta que mandou um de volta.

Foi nesse momento que os peregrinos entraram com suas vestes pretas e calças brancas e fazendo seu habitual rasante, no telão apareceu como sempre Artur, mas que dessa vez não sorria, fazia uma cara de mau, logo depois apareceu uma garota que nunca tinha visto na minha vida, ela tinha cabelos loiros quase impossíveis de ver em baixo dos enormes “dreads” coloridos, tinha quatro piercings, três nos lábios e um no nariz, além de provavelmente a única coisa “normal” em si ser os lindos olhos verdes, mas não me assustei com seu visual moderno, e sim com o fato de ser mulher, o time dos pererinos era de longe o que eu considerava mais machista, já que dava pra contar nos dedos o número de mulheres que já tinham feito parte daquele time.

Os dois times se reuniram em um círculo fechado, as araras deveriam falar de jogadas importantes enquanto os peregrinos deveriam estar discutindo onde seria a festa da vitória. Enquanto isso a escalação dos dois times passavam no telão, primeiro o das araras, o primeiro a aparecer foi o japonês ruivo que sorria, Julieta abriu um sorriso na arquibancada, apostava que ninguém estava entendendo nada dela, Julieta Felers, talvez uma das meninas mais lindas da história do instituto, com um primeiranista. Julieta era uma arara-azul, jornalista e ótima aluna, ou seja, ela era praticamente eu... Sendo que linda.

Foi quando parei para ver o time dos peregrinos e quando olhei bem vi o nome da garota nova, Cecile Ellard, ela vinha antes do próprio capitão dos peregrinos e o último da escalação, Artur.

Foi aí que o professor de vôo entrou com a mala na mão e andou até o centro do campo, todos estavam já em posições para começar a partida, Liam e Artur, os dois capitães estavam na frente, eles tinham a missão de pegar a bola, o pomo de ouro foi lançado e passou na frente de ambos, Artur não estava nem aí para a pequena bola voadora, o poder dos peregrinos estava em seus artilheiros, já os olhos de Liam brilharam, a chance deles era pegar aquela bola de ouro que cintilava em suas frentes.

O professor pegou a goles e ao mesmo tempo em que apitava jogou a bola para cima, Artur como o esperado pegou a bola e como um raio partiu para cima da defesa, passando sem problemas e deixando os balaços para trás e com um giro jogou a bola para o lado, fazendo com que o goleiro não conseguisse defender, Liam pegou a bola e continuou o jogo.

Sabe quando dá vergonha de ver um jogo... Era isso que eu estava sentindo, minha matéria poderia bem dizer só: ”Foi como se os peregrinos jogassem sozinhos ali”, estava 140 a 0, e incrivelmente só 110 daqueles pontos tinham sido marcados por Artur, não me leve a mal mas... Geralmente ele marca os 150 pontos... Ou pelo menos 140, 110 era um número “ruim” pra ele, quem surpreendeu foi à garota loira, Cecile, já tinha marcado 30 pontos e jogava muito bem, diria até melhor que Artur, Cecile jogava na defesa, no ataque, dava passes, fazia interceptações, enquanto o capitão se preocupava em marcar pontos, definitivamente daria ênfase á ela, até porque é uma mulher que se mostrou, para mim, a melhor jogadora da partida.

Artur pegou a bola e seguia rumo aos aros sendo espremido por Liam e outro garoto, Artur abriu um pouco de espaço e jogou a goles para cima e Cecile pegou a bola jogando contra o aro, o goleiro não conseguiu defender... Estava extasiada, era um Ardil de Poskoff, sendo que ao contrário!Todos gritavam, tinha sido uma grande manobra pra encerrar o jogo, nem tinha parado para perceber que aquilo não tinha sido uma jogada convencional para os peregrinos. Mesmo no primeiro ano, Artur teria apenas se livrado dos marcadores e feito o goal, mas dessa vez não, ele tinha passado a bola, isso de certa forma era estranho.

Mas tudo mudou mesmo foi quando o locutor disse:

–Espera um pouco!Espera ai... Os peregrinos ainda não ganharam o jogo! – Gritou o locutor entusiasmado.

–O apanhador das araras, Akaito Kuroneko, pegou o pomo de ouro ao mesmo tempo em que o ponto foi feito... Dessa forma o jogo está empatado em 150 a 150. – Deu pra ver todos no estádio, ou pelo menos a maioria comemorar, o diretor Tobias estava vermelho enquanto gritava e pulava no camarote. No telão a imagem Akaito rindo e mostrando o pomo de ouro, mas especificamente na direção de Julieta que sorriu e mandou beijos para o japonesinho.

–Eu convido aqui o diretor para dizer o que acontece nesse caso.

Tobias saiu correndo do camarote e foi até o lugar da locução. E gritando de felicidade disse:

–Nesse caso, se encaixa a regra dos 10 pontos!O primeiro time a marcar, vence o jogo!E a bola começa com quem pegou o pomo de ouro, ou seja... As Araras-azuis! – Juro que quando o diretor disse isso o estádio quase veio a baixo, não é por nada, mas a última derrota dos peregrinos foi á seis anos, e ver os todos poderosos peregrinos perderem sua invencibilidade para o time de quadribol mais fraco do instituto era o sonho de praticamente todos os alunos que não eram peregrinos, Helena e Mila sorriam, gritavam, pulavam e tudo mais, Artur pediu tempo.

O tempo foi como uma verdadeira eternidade para todos, quando o tempo acabou todos voltaram para suas posições, e como poucas vezes na história todos prestavam atenção simplesmente no jogo, quem começaria com a bola era Liam, os peregrinos estavam do outro lado do campo, as araras poderiam avançar a vontade por um bom tempo.

A goles foi jogada para Liam que a agarrou e saiu em grande velocidade, os dois times iam ao encontro do outro, dava a impressão que colidiriam e cairiam sobre o gramado como moscas, mas quando estavam chegando um perto do outro todos desviaram e como uma verdadeira jogada de mestre, praticamente imperceptível aos nossos olhos, a bola passou pela defesa dos peregrinos e como uma daquelas jogadas inesquecíveis Liam avançava com a bola em direção aos aros que só tinham o goleiro para defender e logo abaixo dele vinha Artur, isso mesmo... Abaixo dele, olhei para o outro lado do campo e vi Cecile sozinha ali, e em um piscar de olhos vi tudo acontecer em câmera lenta... Artur colocou as mãos na parte de trás da vassoura e as pernas na frontal e então saltou uma mão só na vassoura e acertou a Goles que estava nas mãos de Liam e logo depois, mais rápido que Akaito pegou a bola e com sua vassoura bateu na bola jogando-a para Cecile que sozinha partiu contra o goleiro e quando chegou perto, por pouquíssimos segundo a loira com dreads coloridos na cabeça parou num ângulo perfeito de 90°, ela jogou a bola para o alto e foi junto à bola, quando a goles parou no ar ela segurou a vassoura como se fosse um bastão, exatamente como Artur tinha feito a pouco para lançar a bola, e quando vi a vassoura já tinha batido na bola, a goles já tinha atravessado o aro e tudo estava acabado... Os peregrinos haviam ganhado.



-Gabriela!Gabriela! – Ouvi a voz de Helena, me lembrei que tinha dormido em seu quarto após o jogo, abri os olhos e vi Julieta á minha frente.

–Mas... – Tentei falar, mas estava perplexa.

–Gostou do meu novo visual Gabriela? – Perguntou Helena, ela podia estar em um corpo de Julieta Felers, mas o sorriso irônico ainda era o mesmo.