* Floresta Clevend.


Quando Amanda recobrou os sentidos assaltou-a a sensação de ter ficado muito tempo inconsciente. Memórias confusas se agitavam nela: socos num carro… conversa alta e brigas… luzes que lampejavam em seus olhos... Um horrível ataque de náuseas... Então lembrou vagamente de estar deitada numa cama e de alguém levantar seu braço... A fisgada aguda e agonizante de uma agulha... Depois, mais sonhos confusos e escuridão e por trás disso uma enorme onda de medo.
Agora por fim, vagamente ela sabia que tinha acontecido algo. O hotel... Jantar com Carisi...o que tinha acontecido? O cheiro horrível... Ela ainda podia sentir... Nauseante... Clorofórmio naturalmente. Ele a tinha cloroformizada e levada... Para onde?
Cautelosamente, Amanda tentou sentar-se. Parecia estar deitada numa cama... Uma cama muito dura... Sua cabeça doía e ela se sentia zonza... Ainda sonolenta horrivelmente sonolenta... Aquela fisgada de uma agulha, ele a tinha dopado... Ela ainda estava meio aérea.
Bem de qualquer maneira não tinham matado (por que não?). De modo que isso estava bem. A melhor coisa a pensou ainda meio dopada é dormir. E prontamente assim fez.

* Edenton: Carolina do Norte - Hotel Palace Dreams

Carisi estava no elevador indo para suíte.Estava ansioso pela noite que aguardava com Amanda.Nesses dois anos eles tinham se aproximado muito principalmente quando ela descobriu que estava grávida,depois veio o problema com a mãe e a irmã dela.

Mas quando Sarah nasceu e a peguei ela nos braços eu sabia que ia fazer de tudo para proteger aquela pequenina,mesmo não sendo o pai biológico dela.Carisi foi despertado do seu desvaneio quando ouvi o elevador avisar que chegou no seu andar.

Ele entrou no quarto colocando no sofá as sacolas de compras e chamando pela Amanda.

—Amanda já cheguei,com as coisas que você me pediu.Disse ele procurando ela,olhou pela suíte inteira e não a encontrou.

—Onde foi parar essa mulher,será que não voltou da corrida ainda.Disse ele para si mesmo ao olhar o vestido que ela separou em cima da cama.

Ela pegou o celular e ligou para ela,mas caía diretamente na caixa postal.Começou a ficar a intrigado.Então ele ligou para recepção e perguntou ao funcionário se ele tinha algum recado de Amanda ou se alguém viu a hora que ela saiu para correr,mas infelizmente não teve sucesso algum ninguém tinha visto ela.

Se passou algumas horas e nada dela aparecer ou atender o telefone,começou a bater uma preocupação em Carisi.Então resolveu ligar para Olivia.

—Alô Liv.

—Oi Carisi.Respondeu Liv pelo telefone.

—Amanda ligou hoje para você?

—Sim hoje cedo,eu disse a ela que tava tudo bem que as crianças estão se divertindo muito.

—Mas e agora a tarde?Perguntou ele sem conseguir esconder o nervosismo.

— Não Carisi.Por que?

—Eu sai para comprar algumas coisas e ela saiu para correr e isso já faz cinco horas e ela não atende o telefone.

—Vamos fazer o seguinte,enquanto eu chamo a babá do Noah para ficar com as crianças você dá uma procurada pelo hotel vê se alguém a viu.Se até a babá chegar não tivermos notícias eu e a equipe vamos para ir.

—Ok Liv,obrigado.Disse ele desligando.

* Floresta Clevend.


Quando acordou novamente, sentiu a cabeça muito mais clara. Tinha amanhecido e ela podia ver mais nitidamente onde estava. Era um quarto pequeno muito alto, cuja pintura desbotada se convertera num pálido cinza azulado.
O chão era terra batida. A única mobília do quarto parecia à cama na qual estava deitada com um tapete sujo jogado por cima e uma mesa sobre a qual jazia uma bacia esmaltada, rachada. Em baixo da mesa via-se uma jarra de zinco. Havia uma janela com uma espécie de gradeado de madeira a sua frente.
Amanda desceu da cama, sentindo dor de cabeça e tontura. Aproximou da janela, podia ver claramente por entre o gradeado, e o que via era uma imensa floresta. Em seguida voltou sua atenção para a porta, que era grande e maciça. Sem muita esperança, foi até ela e experimentou. A porta estava fechada. Voltou e sentou – se na beira da cama.
Onde estava? E que iria fazer em seguida? Depois de um ou dois minutos, ocorreu-lhe que a última pergunta na realidade não estava bem formulada. O mais exato era: O que iriam fazer a ela? No entanto ela voltou a esse ponto com alegria determinada ainda estava viva. Se conseguisse manter-se viva até a equipe a encontrar... Que faria Carisi e o pessoal descobrisse que ela havia desaparecido?
Passos se aproximava do lado de fora e houve o rangi de uma chave numa fechadura enferrujada. A porta estremeceu nas dobradiças e escancarou-se. Em sua abertura Peter que carregava uma velha travessa de estanho, sobre qual, havia louça.
Depositou a travessa, abriu a boca apontando para goela a baixo e partiu fechando novamente a porta atrás de si.
Amanda aproximou-se da travessa com interesse. Havia um pouco de arroz, carne e pão. Também uma jarra de água e um copo e em seguida atacou o arroz, o pão e a carne picadinha.Quando terminou de comer, sentiu-se bem melhor.
Tentou o melhor que pode pensar nas coisas claramente. Tinha sido raptada. Havia quando tempo? Quando isso, não tinha mínima idéia. A vaga recordação dos momentos de dormir e acordar a fazia pensar que fora dois dias antes.
Tinha sido atacada quando estava na rua enquanto caminhava... Para onde os sequestradores a levaram? Alguém tinha testemunhado seu sequestro?Não tinha meios de saber. Diversas horas de tédio agudo se seguiram. Aquela noite seu carcereiro reapareceu com outra travessa de comida. Ela falou com ele, mas Peter nada disse. Saiu fechando a porta de novo. Amanda se levantou em seguida e foi examinar a porta. Certamente nada tinha a fazer ali.
Não era o tipo de fechadura que se abria com um grampo de cabelo. Se é que ela teria um grampo. Restava então a janela. A janela, ela descobriu logo, era uma alternativa mais compensadora.
O gradeado de madeira que guarnecia estava nos estágios finais de decrepitude. Tomando como certo que seria capaz de quebrar uma porção o suficiente do madeiramento podre para fazer sua passagem por ele, dificilmente poderia fazê-lo sem atrair a atenção devido o barulho.
Para o cúmulo do azar, o quarto no qual estava confinada ficava no andar superior: isso significava que teria que fabricar uma corda de algum tipo, ou saltar, arriscando-se ficar com um tornozelo torcido ou outro ferimento.
Nos filmes, pensou ela, fazer uma corda de tiras de roupas de cama. Olhou, em dúvida para o espesso edredom de algodão e para a colcha esfarrapada. Nenhum dos dois parecia adequadamente ao seu propósito. Não tinha nada pra cortar o edredom embora provavelmente fosse capaz de rasgar a colcha, sua condição de podridão eliminaria qualquer possibilidade de lhe sustentar a peso.
–Maldição! Disse Amanda em voz alta.
Estava mais e mais obcecada pela idéia de fuga. Até onde podia julgar seu carcereiro...
–Vou sair daqui de qualquer forma. Disse ela para si mesma. Aproximou-se da mesa e serviu-se de novo do suprimento de comida. Havia novamente arroz, algumas maçãs e alguns pedaços de carne.
Amanda comeu tudo em seguida tomou um gole de água. Quando colocou a jarra de novo na mesa, estava inclinada levemente e um pouco de água foi para o chão.
O chão naquele lugar imediatamente se tornou um pequeno lago de lama líquida. Olhando para ele uma idéia surgiu no seu cérebro sempre fértil da senhorita Amanda Rollins. A questão era: será que a chave fora deixada na fechadura, do lado de fora da porta?