O Cativar
1 Único
Notas iniciais
Alias a capa da fic foi feita pela própria Ana, que é uma excelente desenhista o/
Yugi tentava manter suas orelhas felpudas em seu melhor ângulo, porém o cabelo rebelde não parecia colaborar, Anzu estava a auxilia-lo e ajustar a cauda para que esta ficasse firme no lugar e é claro para que o pequeno amigo por ventura não tropeçasse nela.
‘’Isso é tão constrangedor, Anzu, eu não sei por que aceitei esse papel’’
‘’Porque você nasceu para papeis fofos, e esse é só um deles’’
Yugi soube que sua vontade de contrariar sua professora de teatro foi abafada quando esta insistiu que ele interpretasse a raposa da obra o Le Petit Prince, era irônico ele ter recusado o papel principal, já que a mesma lhe deixou claro que a sua personalidade e porte seria ideal para que representa-lo, agora ele teria que encarnar a raposa, que a essa altura parecia muito menos interessante visto a fantasia tão meiga
‘’As crianças vão querer puxar o meu rabo, minhas orelhas, o que eu vou fazer?’’
‘Você lida tão bem com crianças, vai se sair bem e alias eu vou filmar tudo’’ a garota revelou seu aparelho
‘’Quer me matar de vergonha!?’’
‘’ O que? Eu prometi ao seu avô que o faria’’
Yugi alçou um de seus supercílios, esperando algo a mais daquela afirmação
‘’Tudo bem, Jou e Honda também insistiram, até mesmo Ryou implorou_ ela suspirou e esboçou o seu melhor sorrio_ mas eu não posso resistir você está tão fofinho!’’
O menor corou ao ouvir a excitação na voz da amiga que nunca mediu esforços para acaricia-lo com seus elogios.
‘’Vai se sair bem, eu tenho certeza’’.
Antes que ele pudesse se preparar para entrar, a professor lhe deu uma sugestão, que mais soou como um dever.
‘’Sr.Mutou entre pela porta de trás, eu quero que você capte a essência do personagem’’ Seria cômico a vibração daquelas palavras, se Yugi pudesse entender o que ela queria.
‘’Sensei, o que exatamente seria essa essência?’’
‘’Oras não me diga que não sabe que uma raposa é um animal astuto, e que sua aproximação é sempre despercebida’’
‘’Eu pensei que eu tinha que apenas falar sobre o personagem’’
‘’Falar e interpretar, Sr.Mutou, eu quero veracidade em sua atuação’’.
‘’Mas eu não bom em atuar’’
‘’Não seja modesto, Sr. Mutou, estamos cientes do talento nato’’
Eles perceberam que estavam autorizados a entrar na sala, os outros personagens então fizeram uma fila em direção à porta
‘’Prepare-se está quase na sua hora, e lembre-se; Tu te tornas eternamente responsável por aqui que cativas’’
Yugi sabia muito bem o significado daquela frase, já que ele mesmo prezava pela amizade, porém ele não estava confiante de que saberia transmitir essa convicção
Ele então optou pela porta lateral da sala, por onde a professora lhe aconselhou, ao abri-la pode visualizar os alunos sentados e atentos às palavras dos demais, e quando chegou a sua vez ele fez o que lhe foi pediu; Tentou reproduzir uma autentica raposa. Este então teve a ideia de se surpreender a todos, adentrando o espaço furtivamente, entregando suas orelhas e mãos felpudas nos alunos mais desatentos o que acabou gerando burburinhos de surpresa e risos por parte daqueles que conseguiram notar sua presença.
Uma das crianças apontou para os outros quando este viu Yugi esgueirar perto de sua carteira, alguns se levantaram para avistar melhor aquelas orelhas veludosas, pode-se ouvir os risos que se dissolveram pela sala em uma alegria contagiante.
–Bom dia, disse ele com uma voz imponente que vez com que arrancasse mais risos.
–Bom dia? O príncipe buscou pela fonte da voz, mas fingiu não encontra-la.
–Estou aqui!_adiantou-se para frente da classe
–Quem é você?
–Sou uma raposa
–Então venha brincar comigo
– Eu não posso brincar contigo, não me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa, mas o que quer dizer cativar?
–Pelo visto não é daqui. O que está procurando?
– Procuro amigos, mas o que quer dizer cativar?
– É um sentimento esquecido.Significa criar laços...
– Criar laços?
– Exatamente! Quando o vejo não há nada que eu não tenha visto antes, garotos como você existem aos montes, eu não preciso de você, assim como, você não precisa de mim, mas, se você me cativar, nós precisaremos um do outro. Será para mim o único no mundo, assim como, eu serei para você
A raposa então voltou a sua ideia:
– Minha vida é sempre igual, por isso me aborreço às vezes. Mas se você me cativar, minha vida será mais alegre! Saberei distinguir seus passos dos demais, e não precisarei me esconder debaixo da terra e então, olharei para o campo de trigo e me lembrarei de seus cabelos cor de ouro e jamais me esquecerei do nosso vinculo.
A raposa então calou-se, esperando, ansiosamente a atitude:
– Por favor, cativa-me!
– Eu bem que gostaria, mas tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
– A gente só conhece bem as coisas que conquistou. Os homens já não têm mais tempo de conquistar suas paixões e insistem em consegui-las sem qualquer esforço. Se você quer um amigo, então me cative! Mas lembre-se que assim que o fizer será eternamente responsável por nossa amizade
Yugi terminou aquela frase quase sem fôlego, mal ele havia notado a sua entrega ao personagem e apenas observou o deslumbre da plateia ao ouvir aquelas palavras, quando as crianças perceberam que aquele era a ultima cena aplaudiram em pé, Anzu estava no canto da sala ao lado as professora, esta lhe fez um sinal de aprovação com os olhos lacrimejados. O ex-duelista não teve tempo de reagir quando os alunos avançaram para frente da sala, entusiasmados.
–Dona raposa, você foi a melhor!
–Posso tocar no seu rabo?
–Eu quero tocar as orelhas!
Yugi não evitou o assedio das crianças, e deixou que estas apalpassem sua fantasia, abraçou varias delas que queriam ‘cativa-lo’ a todo custo como se acolhessem a queixa da pequena criatura. Apesar de todo o acanhamento, Yugi esforçou-se para se manter no papel, apesar de que ele e a raposa pareciam ser uma só
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