O Castelo Dos Meninos
22 Capítulo 22
O dia estava lindo, e Sam caminhava com seus pais e irmã pelos jardins da escola. Finalmente sentaram-se sob uma árvore frondosa para aproveitar o calor fraco do sol que brilhava no céu.
- Sam, preste atenção no que sua mãe está falando! – Ralhou o Sr. Winchester ao ver o quanto o filho estava distraído. A Sra. Winchester discursava sobre alguma coisa, que Sam nem fazia ideia do que se tratava. Tentou se concentrar nas palavras da mãe, mas parecia impossível. Será que John Campbell estava na escola e nesse momento Dean estaria abraçado ao pai, radiante de felicidade?
Uma onda de otimismo invadiu o jovem Winchester. Naquele momento Dean já deveria saber que sua doença não passava de uma gripe boba e deveria estar rindo de si mesmo. Sam sorriu também, só em pensar.
- Está rindo da desgraça dos outros, menino? – reclamou sua mãe. Provavelmente ela deveria estar falando de alguma desgraça. Sam balançou a cabeça negativamente, sem graça.
Dois pintassilgos arrulhavam, e Sam notou que os pássaros namoravam em um galho. Seu coração encheu-se de esperança. Talvez aqueles passarinhos apaixonados fossem um presságio. Com Dean sentindo-se feliz e não mais temendo por sua vida aquele seria o dia ideal para Sam se declarar. Dean se lembraria daquele dia para o resto da vida. As bochechas do moreno voltaram a subir sem que ele percebesse.
- Esse nosso filho é mesmo mórbido... – suspirou o pai.
----------------------------------------------------------------------------
Quando Sam se despediu de seus pais e irmã, não podia mais se conter de tanta ansiedade. Passara o dia todo querendo compartilhar da felicidade de Dean e se declarar para ele. O menino partia afobado em direção ao quarto do louro quando ouviu um guincho familiar. Notou que um garotinho de uns três anos segurava Ben nas mãos, apertando-o sem piedade.
- O que está fazendo com ele?! – Sam reclamou, preocupado com o bem estar do bichinho.
O pequeno olhou para ele assustado, e depois sorriu mostrando o roedor.
- É o meu latinho, o Ben. E esse é o Sóclates – disse o garotinho mostrando o rato branco na caixinha.
Só então Sam percebeu que Frederick Gilbert estava ao lado deles, assistindo à cena.
- Cuidado, Steave! Esse menino vai roubar suas balas! – E ao dizer isso, Fred caiu na gargalhada.
Sam se irritou.
- Pode ficar com as balas, o que eu quero é o Ben. Vou devolvê-lo para o Dean.
- Nada disso! – protestou Fred. – O Dean não quis mais o rato e deu ele pra mim. Eu dei pro meu irmãozinho.
- Mas o Dean adora o Ben, você sabe disso... Ele achou que não pudesse mais cuidar dele, mas pode! Por favor, o Dean vai ficar super feliz de ter ele de volta. “Felicidade completa” – pensou Sam.
- Ah que se dane! Bobeou dançou. Deu tá dado.
Sam lembrou-se de Dean chorando por causa do ratinho, e de todo o amor que sentia por ele. O infeliz do Frederick nem ligava de vê-lo sendo esmagado pelas mãozinhas desastradas de seu irmão caçula. Sentiu sua cabeça ferver de raiva.
- Isso é o que veremos! – Sam disse, tomando o ratinho das mãos do pequeno Stephen, que imediatamente começou a chorar.
- Desculpa, garotinho, mas seu irmão é um idiota. O Ben já tem um dono que gosta muito dele. Fique com o Sócrates.
E dizendo isso, o moreno saiu carregando o pequeno troféu peludo nas mãos. Coincidência ou não, a primeira vez que Sam vira Dean com Ben fora em um dia de visitas também. Sam lembrou-se do louro sozinho na praia, triste por não ter nenhum parente por perto. Ben havia feito companhia a ele o dia todo. “Bom ratinho” – Sam pensou acariciando o roedor. Mas agora tudo haveria de ser diferente. Aquele era um dia feliz, para ser comemorado.
----------------------------------------------------------------------------
Sam bateu na porta e Dean abriu. O moreno se surpreendeu com o semblante do amigo, e por um instante não pôde entender o que se passava. Sim, ele esperava que Dean abrisse a porta para ele. Um Dean feliz e livre de preocupações... Quem abriu a porta, entretanto, foi um garoto entristecido e cansado.
- Seu pai não veio? – perguntou o menino decepcionado.
- Não, ainda bem. – Dean disse, forçando um sorriso tão triste que Sam teve vontade de chorar. O moreno ficou sem ação, e odiou John Campbell com todas as suas forças. Como um homem podia ser tão covarde?
— Aproveitei para arrumar o meu quarto. Olha, tudo arrumadinho... – o louro disse mostrando como havia deixado o aposento.
Sam não disse nada e sentou-se ao lado de Dean na cama. Então se lembrou que estava com Ben no bolso, esperando para fazer uma surpresa ao louro.
Pegando o bichinho nas mãos, Sam estendeu o ratinho ao amigo.
- Veja Dean, quem eu trouxe para lhe fazer uma visita...
Dean, surpreso, pegou o roedor com cuidado.
- Aliás, visita não... – prosseguiu Sam. – Ele me disse que estava com saudades de você, e que queria ficar todo o tempo que pudesse ao seu lado. Você aceita ele de volta?
Os olhos de Dean marejaram e Sam sentiu que o louro, se tentasse dizer alguma coisa, não conseguiria conter as lágrimas. Talvez Sam devesse ter sido mais cuidadoso com suas palavras.
Dean permaneceu imóvel acariciando Ben com os dedos, parecendo vulnerável. Sam olhou para ele sem saber muito bem como agir. Passou o braço pelos ombros do amigo como a lhe dar algum conforto pelo sofrimento que via estampado em seus olhos.
Dean então pousou Ben em seu colo e escondeu o rosto com as mãos, deixando as lágrimas correrem livremente. Sam abraçou-o com mais força, encorajando seu amado a soltar o choro ainda mais.
- Dean... Fala comigo... O que foi? – Sam então perguntou a ele, enchendo-se de coragem.
Dean não respondeu, talvez porque não pudesse de fato falar, de tanto que chorava. O louro apenas recostou a cabeça nos ombros do amigo e abraçou-o. Sam sentiu seu coração apertar. Como era angustiante ver seu amor sofrendo daquele jeito... Seus olhos marejaram também.
- Dean... — Sam insistiu. – Se abre comigo...
Dean então, finalmente, ainda chorando, disse:
- Eu queria ver o meu pai, Sammy... Por que ele me abandonou?
Sam não conseguiu responder. Segurou com todas as forças algumas lágrimas que tentavam escapulir de seus olhos.
- Ele não gosta de mim... – Dean adicionou soluçando.
- Não, claro que não. Ele gosta de você... Você é lindo, adorável... É impossível não gostar de você. — e dizendo isso, Sam aninhou Dean em seus braços, querendo protegê-lo do mundo inteiro.
Enquanto Dean chorava, o moreno afagava seus cabelos e tentava confortá-lo. Misha havia dito a ele que seria difícil, mas Sam não imaginava que seria tanto. Ver Dean daquela forma partia seu coração. Teria que ser forte por ele.
- O Ben deve estar com fome... Vamos dar pão pra ele? Eu tenho um sanduíche aqui no bolso... — Sam falou quando Dean já parecia mais calmo. Precisava distraí-lo com alguma coisa.
Dean levantou a cabeça exibindo o rosto vermelho e inchado.
Ele não gosta de pão. Mas eu tenho biscoito... — o louro respondeu com voz trêmula.
Pegou um pacote de biscoitos no armário e picou dentro da caixinha de sapatos que ainda guardava debaixo da cama.
- Aqui Ben. Pode comer. — ele disse colocando o ratinho cuidadosamente ao lado dos farelos.
Dean olhou para Ben ternamente a afagou seus pelos enquanto o bichinho comia.
Obrigado por tê-lo trazido de volta, Sammy. — ele disse então, com os olhos se enchendo de água novamente.
Sam notou o quanto o seu lourinho parecia esgotado. Não iria deixá-lo sozinho naquele estado de jeito nenhum.
Depois que Ben comeu, Dean colocou a caixinha em um cantinho escuro para que ele dormisse.
Vamos dormir também? — sugeriu Sam.
Dean pareceu feliz ao perceber que Sam pretendia passar a noite com ele. Concordou, e logo já estavam aninhados na cama.
----------------------------------------------------------------------------
A noite não foi nada fácil, entretanto. Quando Sam já estava prestes a dormir, ouviu Dean chorando de novo. Sam aconchegou-o mais ainda em seus braços de maneira protetora. Não havia mais nada que pudesse dizer para consolá-lo. O melhor que podia fazer era ficar ao seu lado fazendo carinho, até que o louro se acalmasse.
No início da madrugada Dean teve febre. Sam notou que ele estava quente demais e se preocupou.
- Dean, você tem algum remédio pra febre? – o moreno perguntou percebendo que o amigo também estava acordado.
- Não... – respondeu ele fracamente.
Sam também não tinha. Seus pais o haviam instruído para procurar a enfermaria da escola caso tivesse necessidade.
- Vou até a enfermaria então, ver se eles podem te dar alguma coisa... Acho que essa sua febre está alta.
- Não, Sammy! – Dean pareceu despertar mais ao ouvir o que o amigo dissera. – Se você for até lá e disser que eu estou doente, vão trazer as sanguessugas...
Sam sorriu. Dean era adorável quando se comportava como um garotinho assustado. Entretanto ele precisava parar de acreditar naquelas histórias ridículas para seu próprio bem.
- Dean... Eles vão dar algum remédio para você melhorar... Esquece essa história de sanguessuga, pelo amor de Deus... – ele disse então, pacientemente.
Dean fez beicinho e só faltou chorar. Implorou para Sam não ir até a enfermaria. O moreno ponderou. Aquela febre toda provavelmente era de fundo emocional, talvez fosse pior estressá-lo ainda mais.
- Tudo bem, eu não vou a enfermaria – Sam disse concordando com o pedido desesperado do amigo. – eu mesmo cuido de você...
E dizendo isso, Sam enrolou Dean nos cobertores e refrescou sua testa com uma toalha úmida. O louro não custou a adormecer.
Como era difícil fazer o seu amado feliz com o maldito John Campbell para atrapalhar. Por que tudo sempre tinha que dar tão errado pra eles? Sam tinha tantos planos maravilhosos para aquele dia, mas novamente não pudera se declarar...
O menino olhou Dean que dormia pesadamente em seus braços. Seu coração apertou. Ele parecia um anjinho... Sam sentiu-se impotente por não conseguir evitar que Dean sofresse. Finalmente aliviou-se liberando as lágrimas que segurara por tanto tempo.
Fale com o autor