Notas iniciais
Boa leitura :)

O Caso Cruzeiro do Sul.

Ao entardecer de domingo, em uma pequena cidade, passeava um casal de namorados pelo parque da Neblina, quando encontraram algo que jamais gostariam de ter visto:

O corpo de uma mulher aparentemente jovem já entrando em estado de decomposição, em seu corpo haviam marcas arroxeadas e unhas quebradas, assim como parte de suas roupas estavam rasgadas.

Ao olharem para o rastro de sangue que levava á floresta se assustaram ao ver um vulto por entre as árvores, então voltaram correndo ao carro e foram ao posto policial mais próximo. Após contar detalhadamente o ocorrido o delegado constatou uma denuncia de desaparecimento em seu sistema, e logo enviou uma equipe de busca até o local.

Após 10 dias já era possível saber quem era a vítima:

Joana Prado era seu nome, tinha 32 anos, trabalhava no gabinete do prefeito da cidade de Neblina, desaparecida desde a última sexta-feira.

Mas a pergunta que não queria calar era: quem haveria feito tal atrocidade?

Para resolução dessa questão seria necessário uma pesquisa de campo com as pessoas ligadas a vítima, nessa lista se destacavam:

O Prefeito- com quem trabalhou por um longo período.

Seus amigos de trabalho- Pedro; Laura; Ronaldo e Jonas.

Sendo assim todos eles foram intimados na delegacia para darem seu depoimento.

Depoimento do Prefeito:

Último contato com a vítima – às 16:00 horas de sexta feira, um pouco antes de sair para uma reunião na cidade vizinha.

Relação com a vítima – relação trabalhista, concordavam na maioria dos projetos e trabalhavam em perfeita sincronia profissional.

Comportamento da vítima – há algum tempo apresentava um comportamento estranho, principalmente em relação a sua amiga, costumavam ser inseparáveis, porem durante a semana passada Joana evitava Laura, e qualquer aproximação a deixava nervosa.

Depoimento de Pedro:

Último contato – às 20:30 quando saiu do trabalho.

Relação – além de trabalhista, não era segredo para ninguém do gabinete, o namoro vivido á um ano atrás.

Comportamento – em sua última semana de vida ela se encontrava um pouco paranoica, principalmente em relação a Jonas, que era conhecido por sua fama de briguento, Pedro diz que primeiramente achou que por conta das brigas frequentes dos dois, talvez Jonas a estivesse ameaçando.

Depoimento de Laura:

Último contato – às 20:30 quando saíram do trabalho e cada uma foi para seu carro.

Relação — amizade de anos, e trabalhavam lado a lado.

Comportamento – na última sexta-feira estava nervosa com algum e-mail que recebeu, estava evitando a todos, no começo Laura pensou que fosse por conta de seu romance escondido com o prefeito, afinal segundo Laura no e-mail haviam algumas instruções para um encontro porem sem um remetente.

Depoimento de Ronaldo:

Último contato – às 20:20 quando Ronaldo fora liberado por Joana para ir embora.

Relação – Ronaldo era assistente de Joana.

Comportamento – Joana se encontrava dispersa durante o trabalho, frequentemente olhando o relógio, a sua caixa de e-mail e conferindo algum documento numa pasta azul. E também havia o fato de pedir que todo o trabalho a ser feito com Pedro fosse adiado ou tratado com Ronaldo.

Depoimento de Jonas:

Último contato – às 20:00 quando foi se despedir após ter sido despedido por conta de mais uma briga com um funcionário local.

Relação – Jonas era colega de trabalho de Joana, porem os dois viviam se desentendendo.

Comportamento – Apesar de ser muito briguento Jonas era um cara inteligente e atento a tudo, logo percebendo a relação estranha mantida entre o prefeito e a secretária. Alem de ligações feitas escondidas e e-mails anônimos. Porem mais importante do que relatar o comportamento de Joana, Jonas julgou mais importante o comportamento de Ronaldo em relação a jovem. Ronaldo vivia entrando na sala de Joana durante o horário de almoço quando a mesma não se encontrava no local e também vivia chutando uma das pernas da mesa de Joana.

O delegado ficava cada vez mais intrigado com os relatos feitos pelos suspeitos, achou interessante a percepção de Jonas em relação a todos os acontecimentos, ele sabia de muitas coisas até mesmo coisas que não haveria citado, houve também as reações a qual cada um esboçava em cada relato, principalmente Pedro que frequentemente gaguejava, Laura se alterava, o prefeito atropelava suas palavras e Ronaldo demorava a responder.

Assim passaram-se meses de trabalho o delegado junto à psicóloga trabalhavam juntos na resolução do caso, porem devido a demora o delegado foi obrigado a fazer algo do qual não costumava, contratou um detetive particular para ajudá-lo seu nome era Maxwel.

Maxwel, também conhecido por Max, tinha 43 anos, apesar de não ser muito conhecido já fora comparado a Sherlock Holmes por sua habilidade em resolver os mistérios mais complexos, sua perna mecânica enganava àqueles que o achavam inofensivo, sua agilidade durante uma perseguição se igualava a de um jovem policial bem treinado. E junto com ele trabalhava seu ajudante Mederix, mais conhecido como Medê.

Medê era muito jovem, com apenas 24 anos, era dono de uma pequena construtora herdada pela família, mas não abandonava por nada seu trabalho investigativo com Max, gordo e baixinho, era chamado por Max na elaboração de relatórios, tinha uma mira com facas e armas invejada por muitos policiais.

Estavam os dois no seu escritório comemorando a resolução de mais um mistério com sua indispensável pizza de calabresa, quando o celular de Max começa a tocar. Era o delegado da cidade vizinha pedindo ajuda num caso de assassinato, após ouvir vários detalhes do caso, Maxwel marcou uma reunião na manhã seguinte.

“ Meu caro Medê, parece que temos um novo caso a ser resolvido.” Dizia Max logo começando a narrar alguns fatos.

“ Me parece um caso complexo Max!” dizia o jovem impressionado.

“ Complexo?” perguntou Max rindo “ Não devemos subestimar o acontecido, porem o comportamento dos suspeitos está a nosso favor!”

Medê muitas vezes não entendia o raciocínio de Max, porem ainda sim era possível ver uma pequena ruga de dúvida no rosto distorcido em uma risada, de Maxwel.

Na Manhã seguinte, no gabinete da delegacia.

“Delegado gostaria de deixar claro que nossos métodos não são muito conhecidos, porém como deve saber sempre conseguimos resolver a todos os mistérios, somente me admiro a policia não ter descoberto nada ainda” disse Max

O delegado bufou irritado.

“ Peço ao senhor delegado que nos arranje um emprego no gabinete do prefeito e de preferência na antiga sala de Joana.” Disse Medê calculando o tempo que teriam para investigar a pequena sala “Creio que possamos concluir nosso trabalho em no máximo 15 dias!”

“ Oh meu amigo, não sejamos pessimistas, em 10 dias teremos um resultado, espero que amanhã pela manhã já possa ir ao meu novo trabalho, certo delegado?” dizia Maxwel sem tirar o sorriso de sua face.

“ Claro, claro!” disse o delegado desgostoso com a situação, se despedindo.

Seis dias depois, gabinete do prefeito, antiga sala de Joana.

Maxwel havia sido contratado como substituto de Joana, Ronaldo seria seu secretário profissional e Mederix seu secretário particular.

Durante o horário de almoço de Ronaldo Max chutava as quatro pernas da mesa de Joana e depois repetia o chute em uma delas, Medê logo havia entendido a intenção de seu amigo, logo abaixou-se de frente a estrutura que havia sido chutada a pouco, perfurando-a com a faca afiada que costumava levar no bolso, dentro da perna da mesa agora com um buraco aberto havia um celular preto de modelo bem antigo.

Mas o que aquele celular estaria fazendo naquele lugar?

“ Creio que esta seja uma pista importante, não é mesmo Medê?”

“ Com certeza, acho que Joana também tinha alguns mistérios!” disse enquanto Max esboçou um sorriso satisfeito.

“ Acho que devemos nos apressar se não quisermos nos atrasar para a reunião com o prefeito, afinal estou ansioso em conhecê-lo!” disse Maxwel se levantando de sua cadeira, e indo em passos mancos à sala no fim do corredor com Mederix em seu encalço.

Durante a reunião puderam finalmente conhecer o prefeito, e o que mais chamou a atenção de Medê e Max foi o prefeito citando a reunião que supostamente comparecera no dia do assassinato de Joana, empresa tal que se chamava “Cruzeiro do Sul”, que coincidentemente era a construtora de Medê, que sabia que na sexta-feira daquele dia não houve nenhuma reunião, pois a empresa estava fechada por conta do feriado de aniversário da cidade. Max cada vez mais expandia seu sorriso, principalmente quando teve a visão privilegiada do pescoço do prefeito quando o mesmo tropeçou no pé de Max, uns entendiam como contentamento com o projeto, outros funcionários pensavam que assim como eles, Maxwel estaria rindo mentalmente do desastre do prefeito, o que não sabiam era que Maxwel assim como Mederix eram investigadores, prontos para interpretar qualquer movimento a mais que o esperado.

Ao fim da reunião quando todos se retiravam Medê trombou com uma jovem que provavelmente seria Laura, mesmo ouvindo o pedido de desculpas do rapaz a jovem saia apressadamente em direção a sua sala, na qual o telefone soava alto. Medê se aproximando um pouco mais pode ouvir a moça ao telefone.

“ Pedro, não posso mais continuar aqui, tem alguém infiltrado no gabinete, que está próximo de descobrir! Está me ouvindo? Ei! Alô?” dizia a ruiva com um sotaque americano, talvez.

Antes que a moça pudesse vê-lo Mederix se direcionava à sua sala encontrando um Max com um olhar questionador, sussurrou brevemente um “Depois te conto”, pois Ronaldo seu assistente estava ainda arrumando suas coisas para ir embora, após despedir-se dos detetives Ronaldo olhou para a perna da mesa aonde fora encontrado o celular, porem não disse mais nenhuma palavra.

Max se levantou rapidamente e acelerou o passo até chocar seu quadril com o de Ronaldo.

“ Me desculpe, mas poderia entregar esta pasta a Pedro, ele esqueceu na minha mesa hoje pela manhã” disse Max levantando uma pequena pasta azul em sua mão, assim que Ronaldo olhou a pasta arregalou os olhos reconhecendo a pasta que na noite do desaparecimento era carregada por Joana e ao pegá-la Max percebeu que Ronaldo a segurava como quem segura uma preciosidade.

Ao voltar para sua sala mirou o teto como frequentemente fazia quando estava pensando.

“ No que pensas Max?”

“ Trombei com Ronaldo.” Dizia segurando o relógio que a pouco estava no pulso de Ronaldo

“ E...” incentivou o amigo tentando entender aonde Max queria chegar

“ Era duro!”

Dizendo essas últimas palavras arrumou sua mesa assim como Medê e saíram do gabinete conversando.

“ Mederix achei um tanto quanto excepcional o sotaque do nosso prefeito...”

“ Árabe talvez?”

Max concordou chutando o pneu do carro do prefeito durante o trajeto. Ao chegarem em seu destino se depararam com uma figura encostada em seu carro.

“ Jonas suponho!” disse Medê se aproximando junto a Max

“ Sei que são detetives, não precisa de encenação comigo.”

“ Não sabemos...” dizia Medê até ser interrompido por seu colega Maxwel

“ E provavelmente você também não está muito longe disso, certo?” perguntou Max recebendo um aceno positivo de Jonas que agora levantava o olhar em direção aos dois detetives deixando seus olhos cada um de uma cor a mostra.

“ Porque não me acompanham a um lugar mais apropriado para conversarmos?” perguntou Jonas entrando em seu carro, enquanto recebia um “Claro” de Max e um olhar incrédulo de Medê.

Após chegarem ao que parecia um galpão abandonado, souberam mais de Jonas, que há tempos vinha investigando alguns desvios de dinheiro da prefeitura que estavam indo para uma região afastada da Arábia, estava fazendo a investigação por si mesmo, sabia que a policia não conseguiria descobrir nada sobre o assassinato de Joana e logo acabaria por pedir ajuda a um detetive, que talvez pudesse se aliar a Jonas.

“ Então está pedindo nossa ajuda?” debochou Mederix

“ Na verdade estou propondo uma aliança, afinal alguém tem que saber mexer descentemente no computador!” provocou Jonas, era visível a antipatia existente entre os dois. Notando o clima instaurado Max resolveu amenizá-lo.

“ Tenho certeza que será uma parceria interessante! Amanhã começamos caro Jonas!”

Assim despediram-se indo cada um para sua casa.

Mais três dias se passaram e segundo as contas de Medê teriam somente mais 1 dia de prazo, para concluírem seu trabalho, estavam indo mais uma vez ao galpão o qual todo dia encontravam Jonas, porem dessa vez na companhia dos policiais.

Chegando lá juntavam todas as pistas em um relatório, já tinham todas as peças do quebra-cabeça faltava apenas montá-lo.

Sabiam que de fato Joana não era apensa uma secretária, descobriram que o celular escondido no pé de sua mesa só podia fazer 1 ligação, por Jonas ter experiência no computador conseguiu rastrear o local o qual o numero ligaria, o local se tratava de uma base secreta do governo, após mais alguns estudos Jonas conseguiu entrar no site dessa base e procurou informações sobre Joana Prado, que na verdade era uma espiã infiltrada.

A informação chocou a policia, porém os três que já trabalhavam com a informação há alguns dias não demonstravam nenhuma emoção.

Um pouco antes do esbarrão com Ronaldo, Max já havia pego e tirado cópia das informações contidas na pasta, que eram provas dos desvios de dinheiro feitos pelo prefeito, que realmente eram para Arábia, porem o que não sabiam era que esse dinheiro estava sendo usado na compra de armamento ilegal.Durante o esbarrão Max constatou que o “duro” do quadril de Ronaldo era o cabo de uma faca, afinal que lugar a arma do crime poderia estar mais segura, senão com ele próprio?

O e-mail realmente tinha instruções para um encontro porém quem ás enviou foi Laura que assim como Joana trabalhava para base do governo, e a melhor forma de esconder que fora ela a autora do e-mail seria fazendo um anônimo que somente Joana entendesse e o mesmo se danificaria. Mesmo parecendo suspeito Laura não teve nenhum envolvimento no assassinato, sua única intenção era pegar o arquivo em um local com Joana e entregá-lo a outro agente em outro ponto da cidade. Porém combinou de seguir um caminho mais longo para ninguém desconfiar, e assim encontrou o corpo da amiga morta no parque. Mas dar queixa seria um tanto quanto suspeito, considerando que o local que Joana fora assassinada era nos fundos de um cemitério perto da floresta, por isso deu apenas queixa na polícia do sumiço as amiga.

Mas como o corpo foi parar no parque no domingo?

É aí que entra Pedro. Laura considerava Pedro um bom aliado, pelo menos o único que não faria perguntas que pudessem pôr em risco sua missão secreta, então contou que viu a amiga sendo assassinada e que ficou com tanto medo que saiu correndo, mas que com medo de delatar os assassinos também fosse morta somente disse sobre seu sumiço, e então pediu que para evitar a aflição dos parentes da moça (que na verdade não existem) o rapaz deixasse o corpo no parque da Neblina que era perto da delegacia, fazendo assim que o corpo fosse logo encontrado e quando foi pegar seu corpo achou a pasta azul e na sua ingenuidade pensou que se tratasse de algum trabalho da empresa.

O prefeito de início não sabia que sua namorada se tratava de uma espiã, e assim que descobriu, precisava matá-la, pois ela tinha as informações necessárias para ele ser acusado. Então se aproveitou do e-mail que o próprio Ronaldo havia lhe dado a informação, e ambos foram ao local. Porem quem fez o trabalho sujo foi Ronaldo com a faca, o relógio dele continha um pouco de sangue que foi detectado com o uso de Luminol, e a pulseira de seu relógio de metal foi responsável pelas roupas rasgadas. Durante a ação o prefeito foi responsável por segurar a jovem o que resultou em arranhões em seu pescoço que foram notados durante a reunião.

“ Creio que ainda estamos em tempo de impedir que o prefeito vá de encontro aos seus companheiros do Oriente!”

O delegado junto aos policiais, despertaram de seu estado de choque com a voz de Maxwel, o brilhante detetive capaz de resolver um mistério que provavelmente entraria para a história.

“ Mas como acharemos ele, se ele saiu da cidade agora a tarde?” perguntou um dos policiais.

“ Essa eu respondo!” Disse Mederix “ Maxwel foi muito inteligente, pois durante nosso percurso pelo estacionamento, ao chutar o pneu do carro do prefeito com sua perna mecânica, introduziu um pequeno chip que nos daria sua localização!” terminou sorrindo satisfeito.

“ E pelo que vejo o ‘Terrorista Escolhido Pelo Povo’ está no aeroporto á 30 quilômetros daqui, então se corrermos o pegamos!” Dizia Jonas sorrindo de canto.

Após uma pequena perseguição no aeroporto foi possível capturar o perfeito e junto Ronaldo, e depois de levarem ambos para a delegacia e deixá-los em solitárias a segurança americana foi acionada, que veio o mais rápido possível levando os dois malfeitores para um julgamento na Califórnia.

Laura retornou a sua base, e seria responsável pela sentença de Ronaldo e o prefeito de nome Salem.

Pedro nunca soube da verdade, sobre espiões e por ser o funcionário mais próximo do prefeito que não estava preso, nem resolvendo mistérios ou até mesmo sentenciando malfeitores, se tornou o novo prefeito da cidade, prosperando.

*****

Noite do dia seguinte, na Pizzaria D’ Monte Plaza.

“ Medê devo dizer que cometi um grande erro!”

“ Mas Max, você desvendou o mistério!”

“ Mas ainda sim subestimei este mistério! E nós resolvemos este mistério com êxito, mesmo assim! Sem contar a participação do nosso mais novo membro da equipe!” Disse Max dando tapinhas no ombro de Jonas que agora também partilhava da pizza de calabresa, que simbolizava o êxito em sua investigação. Jonas e Mederix acabaram se tornando amigos ao descobrirem sua semelhança na apreciação de automóveis.

Notas finais
E Então o que acharam? Comentem! :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!