O Casamento do Meu Melhor Amigo
3 Capítulo 3 - 2º Plano
Mais tarde Gerard e eu combinamos de nos encontrar numa boate. Quando cheguei na porta ele me aguardava. Entramos e nos sentamos no bar pra conversar.
G: e então?
K: então o que?
G: deu certo o seu plano? – dizia ele enquanto dava algumas tragadas no cigarro.
K: acho que sim.
G: foi a primeira coisa que ele comentou comigo quando me viu.
K: sério? – pulei da cadeira e me apoiei no ombro dele. – o que ele disse?
G: nada de mais.
K: mas fala.
G: esqueci.
K: por favor, fala. – supliquei.
G: ah...ele disse que estava impressionado que você estava mudada....
K: pra melhor ou pra pior?
G: logicamente pra melhor ele até disse que estava orgulhoso dessas suas novas atitudes.
K: jura?
G: é claro né?
K: aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! – gritei de felicidade e o
abracei. – vamos dançar.
Puxei-o pela mão do bar e roubei o cigarro da mão dele pra mim. Dançamos no meio da pista. Estava muito feliz com a notícia, meu plano tinha dado certo. Que maravilha! Não conseguia pensar em outra coisa. Estava muito contente e queria descontar toda minha felicidade na dança. Nós estávamos dançando os dois quando Gerard chegou bem perto e tentou me beijar sem sucesso pois eu bastei em empurra-lo e o queimei com o cigarro sem querer.
G: ta louca?
K: você que veio pra cima de mim como um louco. nem pense em tentar isso novamente.
G: eu só queria um beijinho, entrar no clima...
K: esquece cara. Eu gosto do seu irmão.
G: ok, esquece. Eu acho que pirei mesmo. – e foi pro outro lado da pista me deixando sozinha com o cigarro.
No dia seguinte...
Acordei toda empolgada com a aula da faculdade, me arrumei toda e quando cheguei na faculdade a terrível notícia: Aula de anatomia. No começo eu achei legal, ta bom isso era fácil oras, só estudar e gravar o nome de cada parte do corpo e pronto, mas isso não foi a única coisa que tivemos que fazer. A turma foi levada pra uma sala com dois corpos, um de um homem e outro de uma criança. Tem noção do que é isso? Não agüentei e fugi da aula e acabei no banheiro chamando o Raul. Foi a pior coisa que eu já tive que enfrentar em toda minha vida, ou melhor, pior coisa que tive que fugir pra não enfrentar né?
Fugi da aula e fui direto pro hospital...Mas a sorte não estava mesmo do meu lado, pois as coisas ruins não pararam por aí...
Mi: Karen? Chegou cedo hoje... – disse Michelle vindo até mim quando entrei pela porta do hospital.
K: é, o professor liberou mais cedo... – menti na cara lavada.
Mi: você pode fazer um favor pra mim?
K: ta.
Mi: eu to atendendo um paciente, você pode me adiantar e atender o do
quarto 218 por favor?
K: ok. – fui até o banheiro onde troquei de roupa e em seguida fui pro tal do quarto 218. quando cheguei um homem idoso estava deitado na cama. – bom dia.
V: bom dia querida.
K: ok, do que o senhor precisa?
V: evacuação.
K: precisa que eu te leve ao banheiro?
V: não querida, eu preciso de algo mais. – e ele levantou a camisola deixando aparecer a parte de baixo nua e toda suja.
K: ó meu Deus! Que nojo. – gritei tapando os olhos e sai correndo da sala.
[...]
Mi: não precisa ter nojo, você usa luvas e pode pedir ajuda a outra pessoa pra que suspenda a perna do paciente. – e ela pediu ajuda a uma enfermeira e começou a limpar o idoso. O cheiro era insuportável. Quando saia do quarto depois de ver aquela cena horripilante, dei de cara com ela que me fez voltar ao quarto pra explicar como se deve limpa-lo.
K: eu preciso de um banheiro. – e corri pro banheiro.
Chegando lá vomitei tudo que tinha pra vomitar. Lavei meu rosto e me encostei à pia com as mãos no rosto. Estava um caco, aquilo não era pra mim mesmo. Não tinha estômago pra essas coisas.
Mi: está tudo bem agora? – perguntou ela entrando no banheiro.
K: ah sim eu só...chamei o Raul...
Mi: Karen eu posso te perguntar uma coisa? – perguntou ela se encostando
na pia.
K: claro.
Mi: tem certeza que é isso que você quer?
K: por que a pergunta?
Mi: desculpa eu te dizer isso, eu posso estar errada, mas...acho que essa não é sua área. Você não tem aptidão pra essas coisas. Precisa ter sangue frio. Ontem você ficou enjoada ao ver aquele paciente baleado chegando no hospital..
K: mas tinha sangue escorrendo pelo chão...
Mi: você está aqui pra isso. Vai ver muita coisa pela frente e coisa ainda pior.
K: é...você tem razão. Acho que isso não é pra mim. – achei melhor desistir dessa historia de emprego no hospital. Não servia pra isso. Era meu plano indo pro ralo.
Mi: eu não quero que desista por mim, só estou te falando o que eu acho. Mas pode ser que esteja pensando errado.
K: não está não. Eu pensei que fosse mais fácil, mas...não tenho estômago pra essas coisas.
Mi: o que pretende fazer agora?
K: só me restar largar esse estágio e desistir.
Mi: tem certeza? – disse pegando na minha mão amigavelmente.
K: Acho que é o melhor a se fazer.
Mi: ok. quer dar uma volta? Eu largo agora... – disse olhando pro relógio.
K: ok.
Mi: vou me trocar então. – ela deu uns tapinhas de leve no meu ombro tentando me confortar e depois se retirou do banheiro me deixando sozinha. Meu plano foi por água abaixo, mas agora era hora de partir pro segundo plano: mantê-la próxima e parece que isso não irá demorar muito à acontecer.
Saímos dali e fomos direto pra um pub onde pedimos cerveja.
K: não sabia que você bebia, parece ser tão certinha.
Mi: não sou de ferro né? Está o maior calor e nada melhor do que uma geladinha.
K: poxa, nem fala. Tim Tim? – disse estendendo meu copo de cerveja no qual ela deu duas batidinhas com o dela nele.
Mi: Tim Tim.
K: e então, já foram ver a igreja?
Mi: ainda não. Vou lá amanhã.
K: está certa disso?
Mi: disso o que?
K: disso: casar...
Mi: ah...to... – disse num tom incerto.
K: tem certeza? Esse “to” não me convenceu.
Mi: é que eu sou muito apegada ao meu pai e às vezes eu fico pensando...vou sentir muita falta dele...vai ser difícil me desapegar entende...? mas fora isso vai ser maravilhoso. Eu nunca encontrei alguém que me fizesse sentir tão especial como o Mikey.
K: também não. – disse pensativa. Olhei pro meu lado e ela me olhava com os olhos arregalados e eu percebi o quão grave soou minha frase. – digo...como amigo é claro.
Mi: vocês eram muito apegados não é? – como assim eram? Ele vai me deixar de lado agora?
K: é sim. Muuuuuuuito. Não sabe o quanto... – e dei um gole na minha cerveja.
Mi: vocês...vocês já...namoraram?
K: namorar? não...Nunca.
Mi: mas já ficaram não é?
K: por que as perguntas?
Mi: é que não sei...às vezes eu sinto que vocês são tão próximos... – disse meio cabisbaixa. Me deu um pouco de pena dela. Isso seria ciúmes? — desculpa. Não interprete isso como ciúmes, é só curiosidade. Ou melhor, vamos esquecer tudo isso.
K: acho melhor.
Mi: e então? Vamos nos conhecer melhor. Tenho que conhecer a amiga do meu noivo e a madrinha do nosso casamento.
K: como assim madrinha?
Mi: é, mikey ainda não te falou?
K: não.
Mi: pois é, decidimos que você seria a madrinha ideal pro nosso casamento. Você topa?
K: é claro. – disse sorridente e ao mesmo tempo aquela historia de casamento me dava uma tristeza...
Mi: que bom que aceitou. Você entrará com o Gerard.
K: Gerard? Irmão do Mikey?
Mi: é. Por que? Não gosta dele?
K: não é isso...
Mi: eu pensei que fossem amigos, vocês dois andam sempre juntos.
K: é, não me incomodo em ser o par dele. De jeito nenhum... – na verdade seria um incômodo sim. Já bastava ter que atura-lo todo dia.
Mi: ih! Eu amo essa música. – disse ela se levantando quando ouviu começar a música “Under Pressure” do Queen.
K: eu também. – respondi animada.
Começamos a cantar juntas ao mesmo tempo caindo na gargalhada. Parecíamos duas bêbadas cantarolando no bar com todos nos olhando. Foi a noite mais divertida de todas que eu tive nesse mês inteiro. Cantamos, conversamos, rimos e bebemos. Realmente nesse ponto Mikey estava certíssimo, ela e eu tínhamos muito em comum.
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