Notas iniciais
Ultimo capítulo de hoje!
Um mês depois...Duas semana antes do casamento, 14:25.

M: não entendo por que tanto interesse em conhecer meu pai.

Michelle e eu estávamos duas amigas inseparáveis. Saíamos juntas todos os dias. Nos divertíamos de montão, mas tudo isso fazia parte do plano.

K: é que eu amo seu pai. Sempre fui muito fã dele, afinal acho que todos deveriam ser fãs do grande homem que inventou o batom que fixa 24 horas e o lápis de olho que não sai com lágrimas, e etc.

M: isso eu também agradeço a ele todos os dias que posso. Eu sou muito emotiva. – entramos num enorme corredor e enfim chegamos em frente a uma porta no final do corredor onde ela abriu. Quando entramos a cadeira dele estava virada de costas pra nós e ele falava no telefone. – hum hum. – fez um pigarro tentando chamar a atenção do pai.

O pai dela se virou e eu me espantei ao olhar que o pai dela era mais diferente do que eu pensava. eu imaginava um cara bem gay, mas não, ele era um coroa que aparentava ter bem menos idade do que tinha e era bem bonito também.

L: olá. – disse ele pra nós tapando o telefone. – só um minuto. – e voltou ao telefone onde falou rápido e depois desligou. – Michelle. – disse ele se levantando e vindo abraça-la.

M: oi pai. – os dois se abraçaram. – hoje vim por um motivo especial. Além de trazer o seu convite e da mamãe eu também trouxe uma amiga minha e do Mikey e madrinha de casamento também não se esquecendo.

L: prazer. – disse ele num tom galanteador beijando minha mão.

K: o prazer é meu. – disse meio sem graça.

M: ela é uma fã sua e queria que você mostrasse um pouquinho do seu trabalho.

K: pretendo ser modelo.

L: isso é legal.

K: é, e uma boa maquiagem é essencial.

L: concordo plenamente.

M: pai eu posso falar com o senhor a sós um instante sobre umas coisinhas?

L: é claro.

M: é rapidinho Karen.

K: ok.

L: aguarde aí na sala.

K: eu posso?

L: claro, não tem problema nenhum.

K: ok. – disse fazendo cara de santa.

M: só um minutinho Karen. – e enfim os dois saíram me deixando sozinha na sala.

Esperei um pouco e depois abri a porta. O corredor estava vazio. Corri pro computador do pai da Michelle e abri o correio pessoal dele e comecei a colocar o plano em prática.

K: ok, Prezado Genro Mikey, queria te propor uma condição pra que possa se casar com minha filha Michelle: você deve aceitar minha oferta de emprego. Entenda minha colocação, acho que esse negócio de banda não irá ter sucesso pra sempre e eu só viso o futuro e bem estar da minha filha. Espero que pense nisso e aceite o que lhe proponho. O salário é bom, não irá se arrepender. – terminei de escrever e digitei o e-mail do Mikey. – ok, agora é só enviar.

Quando ia pressionar “enter” parei um momento pra pensar no que ia fazer. Será que era certo o que eu fazia? Não, não era. Mas relaxa, se eu fizer isso, vou conseguir o que queria. Não era isso que eu queria? Separar os dois? Então, vamos lá, aperte o botão. Eu fiquei nessa de colocar o dedo sobre o botão preste a pressiona-lo e tirar várias vezes. Pensei, pensei, pensei...até que ouvi vozes se aproximando então no meio do desespero, foi. Apertei o tal do botão e uma mensagem na tela apareceu “Mensagem enviada com Sucesso!”. Fechei a janela e me sentei na cadeira de frente pra mesa dele como se não tivesse feito nada. Pronto, o que tinha que fazer lá estava feito. Agora era só enrolar e fingir que estava interessada em ver os milhares de cosméticos da empresa do pai dela.

M: voltamos. – disse michelle quando abriu a porta do escritório. – não te disse que não demoraríamos muito?

K: é, foram rápido.

M: então, pronta pra conhecer a empresa? Meu pai está ansioso pra te mostrar tudo.

K: sei. – pensei ao olhar a cara de safado que ele tinha.

M: então, pronta?

K: claro. – e me levantei.

Parte do meu último plano estava feito. Deu certo. Agora eu tinha que pôr outras coisas em ação.

De noite depois de me arrumar toda fui pro apartamento do Mikey. E adivinhem só como ele estava? Do jeito que eu queria, estava péssimo, inconsolável, desiludido e principalmente carente.

K: oi Mikey. Aconteceu alguma coisa? – fingindo não saber de nada ao ver a cara dele de raiva.

M: aconteceu sim Karen. Entra.

K: o que houve? – disse me sentando no sofá dele.

M: Adivinha o que aconteceu?

K: não faço a mínima idéia.

M: venha aqui e veja com os próprios olhos. – fui até o laptop dele que estava sobre a mesa e olhei pra onde ele apontava. Era o e-mail que eu mandei. Ele tinha acreditado, do jeito que eu planejei. Ele andava desesperado de um lado a outro. – ai Deus, que absurdo!

K: não fique assim Mikey. Tem gente que é ignorante com essas coisas, não sabe de nada.

M: eu falei pra Michelle que não queria mais saber desse assunto que era pra ela não insistir mais. Ela disse que falou com esse cara e ele havia concordado e agora isso...

K: e você já falou com a michelle?

M: nada! Nada ainda! Eu to tentando há horas ligar pro celular dela, mas só dá fora de área.

K: deve estar no trabalho. Tente mais tarde e converse com ela. Ela nem deve saber...

M: eu não estou entendendo Karen. Juro que eu to tentando entender essa situação. Eu falei com ela. Avisei a ela.

K: fique calmo Mikey, você está muito nervoso.

M: eu não estou nervoso. – disse dando um soco no abajur que voou longe. Até eu me assustei nessa hora. Nunca tinha visto ele tão nervoso antes. – foi mal. – disse se controlando e vendo minha cara de assustada.

K: ok.

O telefone dele enfim tocou. Então eu me retirei do apartamento dele e fui pro corredor pra ele ter mais privacidade. Me sentei no chão encostada na porta do quarto dele.

K: nossa! Foi perfeito. – disse pra mim mesma toda sorridente tirando um cigarro da minha bolsa e o acendendo. Na hora passou um faxineiro e parou na minha frente.

F: moça. – olhei pra ele que apontava pra uma placa colada na parede que tinha o símbolo pra não fumar ali.

K: ah, ok. – dei minha ultima tragada e apaguei ele no chão e o entreguei pra que ele jogasse no saco de lixo que ele carregava. – foi mal.

F: dia difícil?

K: um pouco.

F: sei como é isso.

K: quer um? – perguntei oferecendo um cigarro a ele que pegou um da cartela.

F: valeu moça. – e saiu.

Cruzei meus braços e fiquei tentando imaginar o que eles conversavam foi quando a porta se abriu e eu cai deitada com a metade do corpo dentro do quarto dele.

M: foi mal.

K: está tudo bem. – ele me estendeu a mão e me ajudou a levantar.

Entramos e ficamos os dois fumando sentados no chão do quarto dele.

K: e então?

M: mais uma vez disse que não sabia de nada.

K: e você o que fez?

M: acabei com tudo. Não tem mais casamento. Foi mal.

K: por que?

M: você teve trabalho em fazer os convites, gastou o maior dinheiro com tudo isso e agora está tudo cancelado...

K: ta tudo bem. Não foi tão caro. Você fez certo.

M: você acha?

K: acho. Você merece alguém que te dê o valor.

M: esse alguém ta difícil.

K: olhe em sua volta Mikey. Não se preocupe, um dia você vai encontrar, tenho certeza.

M: eu gostava dela...

K: esquece ela Mikey, ela não te tratou como você merecia. Ei, olhe pra mim. – disse quando ele abaixou o rosto ameaçando chorar. – eu amo você. – ele ficou me olhando espantado e então eu ataquei e o beijei. Foi um beijo bem calmo só que incompleto por que justo quando estava ficando melhor ele segurou nos meus braços e me puxou pra trás.

M: desculpa Karen, mas eu não posso.

K: por que não?

M: ainda não estou com cabeça pra isso, desculpe.

K: ok, eu te entendo. Agi mal. Falha minha. Desculpe.

Pouco tempo depois fui embora. Estava péssima sabe, levei o maior toco da minha vida mesmo depois de ter conseguido concluir meu plano. Mesmo depois de tanto esforço nada deu certo. Mas ainda não tinha perdido as esperanças, agora estava ainda mais fácil conseguir ele pra mim já que não tinha mais ninguém no meu caminho.

No meio do caminho de ida começou a chover. Estava próxima, então corri até meu prédio. Entrei no elevador e apartei o andar que eu morava. Me encostei no elevador, estava arrasada. Quando o elevador chegou no meu corredor vi uma pessoa encolhida e encharcada na porta do meu quarto.