O Casamento

3 Estamos bem.


Notas iniciais
Agradeçam a Semideusa Tributo Selecionada (ô nome divo, hein filha?) porque ela pediu mais e cá estou eu para atender o pedido dela.

Eu acordei algumas horas depois deitada do peito nu de Maxon. Aquelas horas foram maravilhosas. Foi a primeira vez que fizemos amor e foi perfeito e fantástico. Tenho certeza que jamais me esquecerei daqueles momentos íntimos que tivemos. Foi tudo tão doce e quente... Tenho certeza que quero ter essa sensação gostosa pra sempre.

Quando finalmente abri os olhos e me virei para Maxon, ele ainda dormia. Quando me sentei, pude notar o quanto ele parecia com um anjo, estava sereno, calmo e tinha a respiração lenta e profunda, contrastando com o que nós sabíamos que tinha acontecido e poderia estar acontecendo até agora lá fora. Eu poderia o observar ali pra sempre.

Ele respirou fundo e acordou.

– Eu amo o fato de saber que toda vez que eu acordar, vou ver você assim, toda natural, com cara de sono e despenteada. Você assim, pra mim, é mais bonita que todas as paisagens do mundo juntas.

É claro que meu coração derreteu.

– Eu também. Você é lindo, mais do que o normal, enquanto dorme. É de uma serenidade invejável.

Então ele me beijou outra vez e eu voltei a deitar nos braços dele.

– Agora eu me sinto mais preparada para te contar o que aconteceu na festa.

Ele ficou em silêncio, o que eu interpretei como um sinal para que eu seguisse falando.

– Lembra que eu te disse que eu ia chamar a Marlee na cozinha, para comer o bolo?

– Uhum.

– Então, eu estava indo, mas quando me aproximei da biblioteca, eu encontrei com seu pai. Nós discutimos porque desde que eu cheguei, você não trabalha mais direito. E ele me disse que por ele eu já estaria longe. Que por ele, eu estaria no inferno. É sempre assim, mas dessa vez eu não consegui evitar me sentir abalada. Em 10 minutos fui da felicidade total ao ódio total. E o pior, no meu dia! No nosso dia! Eu só queria chorar, mas eu deveria ter deixado você entrar. Sinto muito.

Ele suspirou fundo.

– Eu que sinto muito, América. Eu realmente me afastei do meu pai, e você conhece os motivos. Não quero ouvir ele me dizendo pra te mandar embora. Não quero mais ser machucado por ele.

Ele me envolveu com os braços e eu sabia que ele me protegeria de tudo que resolvesse me fazer mal.

Terminamos de nos vestir, eu fiz uma trança no meu cabelo e comemos alguma coisa para amenizar a fome. Aproximadamente 40 minutos depois, a porta se abriu e um guarda gritou:

– Rainha, eles estão aqui!

Lá fora estava uma bagunça, mas assim que saímos, a Rainha Amberly veio correndo ao nosso encontro. Me abraçou e abraçou Maxon.

– Eu estava preocupadíssima com vocês. Os outros acharam que vocês tinham sido levados, mas algo me dizia que vocês estavam seguros.

– Estamos bem, mãe.

Eu pensei em contar como chegamos aqui, pensei em tantas coisas mas escolhi pela prioridade:

– Onde está minha família, Rainha?

– Estão bem, America. Todos dormindo em seus devidos quartos, a invasão só durou quatro horas, mas precisamos retirar os entulhos daqui para que pudéssemos chegar até esse abrigo.

E então olhei ao redor e vi uma casa na árvore pichada na parede, com "Aqui tudo era justo" embaixo.

A Rainha notou meu olhar fixo e perguntou:

– Você sabe o que significa?

Eu só fui capaz de abaixar a cabeça. Tinham várias marcas de sangue o chão e me lembrei do cheiro no colo de Maxon, quando ele me levou para o abrigo e de Marlee.

– Majestade, onde está Marlee?

– Ela foi levada para o nosso abrigo, e estava consciente quando saímos do abrigo, mas depois de pouco tempo na ala médica... Ela faleceu.

Não. Não pode ser. Marlee. Tudo ficou escuro e me senti fraca, caí e quando voltei a mim, eu não estava mais no corredor. Ao julgar pela aparência do local, eu estava na ala médica. Aqui, onde Marlee faleceu.

Permaneci de olhos fechados e pude ouvir a Rainha e o Maxon conversando.

– Ela levou uma flechada no estômago. Foi inevitável depois desse tempo todo sem atendimento.

– Não havia realmente o que fazer? America vai ficar arrasada.

– Não, filho. Nós no abrigo mesmo retiramos a flecha e colocamos algum pano para tampar, mas ela perdeu muito sangue.

– Entendo. Eu e América tivemos nossa primeira noite juntos.

Eu não sei como, mas pude sentir o olhar e o sorriso da Alteza sobre mim. Então achei melhor acordar.

Quando abri os olhos, lentamente, já vi Maxon correndo até minha cama. Segurando a minha mão, ele me deu um beijo na testa.

– Como está se sentindo, América?

– Mal. O que houve?

– Você desmaiou. Provavelmente pelo impacto emocional.

– Hum... Eu mexeria na minha orelha agora, mas estou tão cansada.

Então ele se dirigiu a mãe dele.

– Mãe, pode nos dar licença, por favor?

Ela, que estava do outro lado da minha cama, saiu rapidamente.

– Você também o viu, né?

– Vi. America...

– E o desenho?

– Também.

– Então, a casa da árvore era o local que nós ficávamos juntos, o local onde eramos fora da lei, onde tudo nos era justo e nada daqui de fora atingia a gente.

– Você acha que foi ele?

– Sim. E acho que ele agora é um dos chefes, você viu como ele vinha na frente e estava mais bem armado?

– Si... Olá, senhor e senhora Singer! Olá, May!

Minha família estava entrando no cômodo nesse momento. Eu estava tão preocupada com eles ontem, antes de encontrar Marlee. Ainda bem que eles se salvaram, não sei o que faria sem o meu apoio familiar, uma vez que tudo isso começou por causa deles.

Me sentando na cama, May veio me abraçar. Ela estava tão alegre em me ver que tive que segurar as lágrimas. Minha mãe me abraçou igualmente forte, e meu pai me deu um beijo na testa e acariciou meus cabelos.

– Filha, nós vamos embora. O Rei Clarkson decidiu que é melhor voltarmos para Carolina, eu e sua mãe concordamos com ele.

Eu, definitivamente não queria que eles fossem mas seria muito egoísmo da minha parte pedir para ficarem.

– Tudo bem. Eu vou sentir muito a falta de vocês. Não demorem a voltar!

– Não demoraremos!

Cada um deu um beijo em mim e se foram. Estava só eu e Maxon outra vez.

– Eu conversei com meu pai.

Me voltei para ele.

– Eu apresentei um plano de tempo para que eu pudesse ajudar no trabalho. Das 9 às 11 da manhã, eu trabalho com ele. Eu iria mais cedo, mas depois de hoje, não quero deixar de ver você acordar nunca mais. É claro que ele não me entendeu, mas não tinha escolha. Eu disse que se ele me batesse, esses horários iam por água abaixo. E também trabalho à tarde, de 14 às 17 horas. Está tudo bem, por você?

– É claro. Mas você falou algo sobre o que ele me disse?

– Não. Não falei porque sei que seria pior.

Assenti.

– Maxon...

– Sim, querida?

– Não sei se ainda quero continuar aqui.