O Caracol

1 Odin e o Guerreiro


Logo após sua morte e aceitação como fantasma ele se lembra que uma vez ouviu falar de um deus chamado Odin e dos guerreiros de uma terra distante que nada se identifica com onde vive o povo chamado Nórdicos. Sempre ensinado que a guerra era ruim e os sábios pregavam a paz, mas ouviu de um amigo que o Odin significava sábio então foi buscar entender se a guerra era boa ou ruim se os generais são lembrados com orgulho e honra de seu povo.

Lá estava um soldado que já tinha a muito tempo perdido seu nome e identidade que vivia só por aquilo e pela vingança da morte de sua família. Vivia em busca do sangue derramado e nada mais então ele se aproxima e pergunta:

—Por que você luta?

—Por que estamos sendo invadidos.

—E por que estão os invadindo?

—Por que querem terras.

O garoto olha em volta e percebe que existem muitas terras livres, planícies de solo bom pois é lotado de árvores e de flores e animais de toda qualidade.

—Mas existem tantas terras livres...

—Mas eles querem nossas terras.

—Por que?

—Por que são melhores que estas.

—Mas e as mortes?

—Todos morrerão um dia.

—Mas porque tentamos então viver e evitar riscos?
—Porque não queremos morrer.

—Então por que fazem guerras?

—Porque dizem que se um nórdico morre fora de batalha jamais chegará ao paraíso.

—Mas você já viu Odin?

—Não.

—Então porque acredita?

—Você já viu a morte? O calor? O frio?

—Hum... Não.

—Então por que acredita?

—Porque sinto.

—Exato.

—Mas existem tantos deuses e tantas sensações diferentes.

—Tem gente que tem mais frio e menos frio, mais coragem e menos coragem.

—Mas tudo não vem de um mesmo lugar.

—Exato.

—E como saber qual é certo?

—Aquele que todos concordarem.

—E se todos não concordarem.

—É porque não é o certo.

—Mas nunca existiu um homem que agradou a todos.

—Não preciosa ser um homem, mas quem discorda da morte?

—Hum... entendo. O que acontece se eles vencerem?

—Seremos escravos.

—O que são escravos?

—Pessoas que se não trabalharem a vida toda para outras são mortas.

—Mas a vida não é delas?

—Exato.

—Por que não lutam?

—Para viverem.

—Então porque não aceita ser escravo?

—Prefiro saber que até meu último suspiro vivi por mim. Vivi como homem livre e morri como homem livre à pensar que escolhi viver por alguém sem virtudes e morrer como um escravo.

—A liberdade é assim tão valiosa?

—Liberdade se parece com poder. O que faria para poder mais uma vez ter um abraço de sua mãe?

—Hum... entendo.

—Os que morrem na guerra ganham o que?

—O direito de conhecer odin e o paraíso e de se quiser poder voltar e lutar mais uma vez.

—Hum... como chego até ele?

—Se você estiver morto é só acompanhar o espírito de um soldado que morra no campo da batalha.

—Hum... certo.

E assim em meio à guerra aquela criança conheceu a coisa mais feia criada pela humanidade. O cheiro da morte, fúria, desespero, vingança, onde homens se comportam pior que animais e não existe leis, justiça, direito, tolerância, amor ou compreensão.

—Quem é o garotinho que vem até mim?
—Ah... Eu?...
—Aquele que não morre em guerra não pode vir até mim.
—Mas...
—MAS NADA!
—Espere...
—O que você quer?!
—Entender porque a guerra tem valor a um homem sábio.
—Hum...
—A paz não gera dor a nenhum dos lados.
—Mas gera insatisfação a um deles.
—Mas podem conversar...
—E quem está pronto para ouvir?
—Hum...

E assim o garoto percebeu que as pessoas afirmam muito mas pouco perguntam e se retirou de lá enquanto Odin olhava aquele garoto que poderia um dia ser um novo sábio. Só por saber ouvir.