O Cara do Apartamento ao Lado
3 Tentando Te Entender
Notas iniciais
Anastásia Steele
Suspiro e caminho até a janela da sala sentando-me no banco à frente. Está chovendo forte hoje, Alice está dormindo, e é mais um fim de semana que eu terei que ficar em casa. Talvez eu dê uma passada na ONG mais tarde, para ver a mamãe e os filhotes, eu quero saber se eles estão bem, e desde de o acidente, eu ainda não fui lá. Já faz uns três dias.
—Mamãe?
Sorrio e me viro vendo Alice parada na porta do corredor. Ela está usando seu pijama de unicórnio, tem um ursinho pendurado na mão e está coçando os olhinhos.
—Oi, neném. Vem aqui. —Estendo minha mão e Alice dá um meio sorriso antes de vir correndo me abraçar.
—Bom dia, mamãe. —Diz com um sorriso sapeca.
—Bom dia.
—Onde está o Chlis?
—Ah, docinho, ele deve estar na casa dele.
Alice me olha por alguns segundos e franze o cenho fazendo seu famoso beicinho. Ela se afasta de mim e caminha até o sofá sentando-se encolhida. Não... ela não pode estar chateada por ele não estar aqui. Alice mal conhece Christian. Por que isso iria acontecer? Mas desde o dia que ele veio aqui, ela pergunta dele. Nós não o vimos mais depois disso.
Levanto-me e caminho até o sofá me sentando ao lado de Alice.
—Neném, o que foi? Por que você está triste?
—Ele devenia ter ficado aqui. —Alice cruza os braços e encara a janela.
—Ei, amor. Nós nem nos conhecemos direito. Ele não poderia ter ficado.
—Mas ele é meu aminho.
—Você acabou de conhece-lo, ele já virou seu amiguinho?
—Sim. Chama ele...
—Alice, sem chance. —Sussurro me levantando. —Vá escovar os dentes. Nós vamos sair um pouco.
—Não quéia sair. Neném quéia Chlis! —Alice grita apertando as mãos em punhos.
—Alice, não comece! —Peço impaciente.
—Não. —Alice grita em alto e ótimo som começando a chorar. —Não so amiga da Ana, so amiga so do Chlis!
—Já chega! —Grito assustando-a. —Você não pode gritar assim comigo! Pare de ser tão mimada! Eu disse que quero que você vá escovar os dentes. O Christian não é nada nosso. Você entendeu?
Alice me olha com raiva e solta um grito muito alto antes de jogar as almofadas do sofá no chão e correr em direção ao quarto.
Droga! Eu odeio agir assim como ela. Mas ela tinha que ter essa personalidade tão forte? Ela tem três, não deveria achar que pode agir assim e vai ganhar tudo o que quer! Eu nunca sei o que fazer nessas horas, ao menos se... se ao menos nossos pais estivessem aqui... eles saberiam o que fazer.
Caminho até a janela e escorrego até o chão me encolhendo no canto. Abaixo a cabeça sentindo as lágrimas virem e tento me manter firme. Levanto a cabeça e vejo Alice se aproximando com os olhos repletos de lágrimas. Ela me envolve com seus pequenos braços e me dá um beijo. Essa é a forma dela de pedir desculpas.
Eu amo Alice, mais que tudo, mas eu não queria que ela fosse minha responsabilidade. Ela precisa de alguém que dedique tudo a ela... e eu... eu não sei como ser mãe. É tão assustador.
—Anice ama a mamãe. —Ela sussurra beijando minha cabeça.
—Eu também te amo, Alice.
Puxo-a para os meus braços e ela se enrosca toda aninhando-se ao meu corpo. Eu posso querer que ela não seja minha responsabilidade em alguns momentos, mas eu não consigo imaginar minha vida sem ela. Afasto Alice com cuidado e acaricio sua bochecha rosada.
—Olha, não vamos brigar, por favor. Eu odeio brigar com você. Mas você não pode gritar assim como, eu fico muito magoada.
—Me desculpe. —Alice sussurra secando os olhinhos.
—Olha, que tal nós irmos ver os cachorrinhos um pouquinho? Depois nós podemos comprar bolo.
—Sim. —Ela diz fungando.
—Ótimo. Vamos lá trocar de roupa.
Levanto-me com Alice ainda garrada ao meu corpo e sigo para o seu quarto. Ponho ela sobre a cama e vou até seu closet pegando suas roupas. Visto-a com um vestido rosa, meia calça branca, sapatinhos pretos, sobretudo bege e sua touca e louvas. Ela pula da cama e se olha no espelho depois dá de ombros e sai do quarto.
Sorrio e vou para o meu quarto me trocar. Ponho uma calça jeans, camisa com mangas e um casaco velho do meu pai. Calço meu All Star e ajeito meus cabelos. Quando chego à sala, Alice está sentada no chão colocando seu All Star preto.
Certo. Eu já entendi. Ela ama All Star.
—Não tica bava, mamãe. —Alice sussurra e eu sorrio.
—Eu não estou brava. Pode usar o que você gosta. —Aproximo-me e abaixo para amarrar seus tênis. —Pronta?
—Sim.
Toco a ponta de seu nariz e me levanto ajudando-a a levantar. Preparo uma bolsa para Alice, porque sei que ela vai precisar, então caminhamos em direção a porta. Assim que abro sinto meu coração disparar. Christian está no corredor andando de um lado para o outro enquanto fala ao telefone. Ele parece bravo.
Pelo canto do olho posso ver Alice abrir um sorriso gigante, ela sai correndo e eu simplesmente deixo acontecer e me viro para trancar a porta. Eu não entendo como, mas ela sentiu falta dele.
—Oi, você está uma graça hoje. —Ouço Christian dizer.
Viro-me e me recosto sobre a porta forçando um sorriso.
—Srta. Steele. —Ele diz se levantando já com Alice em seus braços.
—Olá, Sr. Grey. —Murmuro indiferente. —Como está o Arthur?
—Chorando. Como sempre. —Christian diz depois de um suspiro.
—Olha... eu tenho que ir, vamos Alice?
—Mas eu quenia tica com o Chlis... —Ela diz chorosa e eu respiro fundo.
—Nós duas íamos ver os cachorrinhos, lembra?
Alice balança a cabeça negativamente e envolve os braços no pescoço de Christian. Ele enrijece na hora e eu o encaro sem saber o que fazer. Por que ele fica assim toda vez que Alice chega perto dele? Talvez... talvez ele não goste de crianças, e minha irmã só está forçando a barra.
Suspiro e caminho até Christian tirando Alice a força de seus braços, e logo temos um pequeno escândalo.
—Anastásia... eu... eu posso...
—Não. Está tudo bem. Ela não pode ter tudo o que quer, Sr. Grey. Ela só tem três anos. —Murmuro caminhando até o elevador. Abaixo-me e coloco Alice no chão à minha frente. —Já chega!
—Mas...
—Alice! —Digo firme e ela se cala por completo. —Eu disse chega. Eu já conversei com você antes, e vou falar mais uma vez. Você tem três anos, e não vai ter tudo o que quer. Eu sou sua mamãe, lembra? Então quando eu disser que não, é não. Então eu sugiro que você se despeça do Sr. Grey, agora mesmo. Ok?
—Ok. —Alice sussurra fungando.
Levanto-me e chamo o elevador enquanto Alice caminha até Christian, ele abaixa na frente dela e os dois conversam por alguns minutos. Então ela vem em minha direção menos chorosa. Seguro sua mão e entro no elevador olhando para Christian. Ele me fita com o olhar impassivo e eu me encho de alivio quando as portas se fecham.
—O que ele te disse? —Pergunto encarando Alice enquanto o elevador desce.
—Pala eu obedece a mamãe. —Alice sussurra tristonha. —Mas eu ainda estou bava.
—Eu não posso fazer nada. Você tem que entender que nem tudo é do seu jeito.
Ela faz beicinho e não me diz mais nada. As portas do elevador se abrem na garagem e eu sorrio ao ver Taylor e outro homem perto de um carro. Alice corre para ele que a pega no colo levantando-a.
—Oi, Taylor. —Murmuro me aproximando.
—Srta. Steele, como vai?
—Bem. Eu conheci seu chefe. —Sussurro e Taylor me olha preocupado. —Agora Alice acha que ele é algum tipo de amigo, e só quer saber dele.
—Ele é um bom homem. —Taylor diz com sinceridade. —Apenas tome cuidado.
—Por que você diz isso?
Taylor abre a boca para falar, mas para quando seu celular começa a tocar, ele atende e apenas ouve, então me entrega a Alice e praticamente corre para o elevador com o outro homem. Suspiro e vou para o carro com minha irmã. Coloco-a sentada e fecho a porta e entro na frente.
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Sorrio ao passar na recepção da ONG e logo avistar Paul e Meg. Eles são os veterinários daqui, e são responsáveis por quase tudo.
—Ana. —Meg diz sorrindo antes de vir me abraçar. —Como está a cabeça?
—Normal. —Digo sorrindo.
—Alice, como você está linda. —Meg sorri antes de toma-lo dos meus braços e leva-la para ver cachorrinhos.
—Ana, que bom te ver. —Paul se aproxima e passa o braço pelo meu ombro.
—Sim, eu vim apenas ver a mamãe e os filhotes. Eu não vou poder ajudar muito por alguns dias. O médico pediu.
—Entendo. Vem, eu te mostro.
Caminho com Paul para uma das salas e sorrio ao ver um cercadinho onde a mamãe e os filhotes estão brincando.
—Alguém tomou banho. —Sussurro e ao ouvir minha voz a cachorra começa a latir e pular. —Oi neném.
—Ela gosta de você. —Paul diz e eu apenas sorrio. —Nós resolvemos chama-la de Docinho, ela pareceu gostar.
—Combina com ela.
Me aproximo da cerca e pego Docinho no colo recebendo muitas lambidas. Acho que ela está agradecendo. Acaricio sua barriguinha e ela simplesmente se derrete toda.
—Como eles estão?
—Estão bem, fraquinhos. Nós estamos cuidando dos ferimentos, e dando alguns remédios, logo eles vão para a adoção.
—Isso é bom. —Coloco novamente a mãezinha no cercado e ela vai amamentar os filhotes.
—Ei... —Paul diz segurando meu braço e eu o encaro. —Nós poderíamos sair hoje...
—Paul... você sabe o que eu penso sobre isso. Você é mais velho, bem mais velho. Meu pai iria enlouquecer.
—Ana, ele nem vai saber. Ele nunca está em casa.
—Nossa, obrigada por me lembrar disso, mas obrigada. Eu dispenso. Você é muito babaca.
—Ana... qual é? Eu não quis...
—Olha. É melhor eu ir embora.
Puxo meu braço e saio da sala indo até Meg e Alice.
—Ana, está tudo bem? —Meg pergunta preocupada.
—Está. Eu só preciso ir. Me ligue se precisar. —Digo pegando Alice. —Tchau.
—Tchau... —Ela sussurra olhando para Paul.
Eu jamais poderia ficar com Paul. Meg sempre foi louca por ele, e ele é uns oito anos mais velho do que eu, mas esse nem é o motivo. Eu não gosto dele, e mesmo se gostasse, Meg sempre foi minha amiga, e sempre demonstrou o que sente. Eu jamais poderia ficar com uma pessoa quando há sentimentos de outra pessoa no meio.
Saio da ONG e vou para o carro com Alice. Talvez eu realmente deva vir menos aqui. Isso pode fazer com que Paul e Meg fiquem juntos, sem contar que eu preciso passar mais tempo com minha irmã. Isso pode ajudar. Por mais que eu ame os animais, há outras coisas que eu preciso resolver antes.
Entro no carro e sigo para a padaria com Alice. Ela escolhe um bolo de chocolate com nozes e então, assim que pago, nós vamos embora.
Quando estaciono na garagem Alice já está dormindo, e eu por algum motivo fico parada no carro pensando sobre Christian.
Eu o conheci apenas há três dias, e não entendo como fico tão brava toda vez que penso nele. E também quando Alice pediu para vê-lo. Isso tudo é tão confuso. Talvez eu deva me manter longe dele, só por segurança. Eu não quero me magoar, ou magoar Alice... e Taylor disse algo assim. Se Christian Grey não fosse um problema grande, seu motorista não diria isso. Mas que tipo de problema ele poderia ser?
Desço do carro e vejo alguns brinquedos de Alice caídos no chão do mesmo, suspiro e me abaixo para recolher. Eu não sei por que ela insiste em deixar seus brinquedos jogados, em todos os lados. Por que quando criança fazemos isso? E quando crescemos nos tornamos maníacas organizadoras? É tão confuso.
Pesco umas peças de lego embaixo do banco e enquanto faço isso acho algo de papai. Droga! Isso não deveria estar aqui. Alice vai se assustar se ver isso. Guardo no bolso do casaco, e quando vou levantar ouço algo que faz meu coração parar. Um tiro. Minhas pernas fraquejam e eu recosto-me no carro abaixando. Droga. Sinto alguém puxar meu braço e me viro assustada vendo que é Christian.
—O que...
—Shii... —Ele sussurra segurando minha mão. —Eu vou tirar você daqui, só me obedeça.
—Christian, a Alice... —Sussurro olhando para a janela do carro.
—Droga. —Pragueja baixinho. —Olha só... tem uns caras atrás de mim, se eles verem você, não vai ser legal. Então você vai ter que confiar em mim. Você confia em mim, Anastásia?
—Eu... —Encaro seu olhar e tudo o que vejo é um pouco de medo, mas sinceridade. —Confio.
—Eu quero que você vá para trás do último carro e entre nele. É um dos meus carros e é blindado.
—Christian...
—Apenas faça isso. Eu vou pegar a Alice. Não se preocupe. Taylor e meus seguranças estão aqui. Eles estão tentando pegar os homens sem chamar atenção. Entendeu?
—Entendi. —Murmuro prendendo a vontade de chorar.
Christian balança a cabeça antes de soltar a minha mão. Encaro o carro algumas vezes antes de ir para a parte da frente e passar abaixa entre os carros e as paredes. Eu não acredito que isso está acontecendo. Se Alice se machucar... eu... eu nunca vou me perdoar.
Chego ao último carro e puxo a porta vendo que está aberto, entro e me encolho no banco ouvindo os tiros aumentarem. Droga! Como eu pude deixá-la? Eu não consigo ouvi-la. Não consigo. Eu preciso fazer algo. Espero alguns segundos até os tiros cessarem, nesse momento posso ouvir o choro de Alice, o que faz meu coração se quebrar. Ela está me chamando.
Desço do carro de Christian e vou para a parte de trás abaixada, apavoro-me quando vejo um homem se aproximando do meu carro. Merda! Christian ainda está lá com Alice, eu posso vê-los. Ele está tirando minha irmã do carro, mas que droga!
Levanto-me e puxo a arma de papai do bolso do casaco e respiro fundo deixando todos os meus sentimentos de lado. Engatilho e miro no homem que já tem sua arma levantada, então atiro na sua cintura, depois na sua perna. Ele grita e cai no chão uivando de dor.
Taylor aparece correndo e me encara incrédulo. Outros homens aparecem e vão até o homem em quem atirei arrancando sua máscara e puxando-o para longe.
—Mas que merda! Eu mandei você ficar no carro! —Christian grita, mas não se aproxima, e então percebo que ainda estou com a arma levantada. —De onde diabos você tirou essa arma?
—Ele ia atirar em vocês! —Grito chacoalhando a arma.
—Abaixa a merda dessa arma! —Grita começando a se aproximar.
—Por quê? Porque você mandou? —Pergunto rindo e ele me olha com ódio. —Esse babaca não vai morrer. Eu nem atirei em partes importantes!
—Eu mandei você abaixar!
—Você não manda em mim! —Grito sentindo as lágrimas virem e percebo que estou apontando a arma para ele.
—Srta. Steele... —Taylor sussurra se aproximando com cautela. —Está tudo bem...
—Não. Não está. Eu preciso ver minha irmã. —Murmuro encarando Taylor enquanto as lágrimas escorrem.
—Sr. Grey... pegue a menina... —Taylor pede e Christian suspira com raiva.
Ele caminha até meu carro e segundos depois aparece com Alice em seus braços. Ela está em choque, está com os olhos arregalados e não olha fixamente para lugar algum. Eu já a vi assim. Uma vez quando nossa antiga casa foi invadida e papai atirou em um homem em sua frente.
Desengatilho a arma e guardo no bolso do casaco correndo até minha irmã. Puxo-a dos braços de Christian e começo a olhá-la para ter certeza que ela está bem.
—Oi, amor. —Sussurro e com cuidado ela me olha. Seus olhos enchem de lágrimas e ela me abraça desesperada. —Está tudo bem, neném. Eu estou aqui com você.
—Mamãe... —Ela diz chorando enquanto me aperta.
—Anastásia me dá a arma. —Christian pede impaciente.
—Vá se ferrar!
Empurro-o e caminho até meu carro, pego a bolsa de Alice e tranco a porta antes de sair andando para o elevador. Sinto alguém segurar meu braço e sei que é Christian, mas não me viro, apenas fico parada tentando controlar a minha raiva.
—Qual o seu problema?
—Eu não vou discutir com você na frente dela. —Sussurro abraçando Alice.
Ele apenas suspira alto e segura meu braço em puxando para o elevador. Não trocamos nenhuma palavra. E eu não acho necessário que isso aconteceu. Mas que merda! Eu salvei a porcaria da vida dele. Ele poderia dizer obrigado. Mas não, ele prefere agir como se mandasse em mim.
Qual o problema dele?
As portas do elevador se abrem e eu caminho até a minha casa, abro a porta e entro com Alice sem fechar. Sento-me no sofá e vejo Christian entrando e fechando a porta. Ele fica parado enquanto eu tento acalmar minha irmã. Ela ainda está chorando e não quer me soltar.
—Ei... —Sussurro em seu ouvido, mas ela balança a cabeça. —Está tudo bem, neném. Olha para mim.
Alice se afasta com cuidado, mas matem as mãos agarradas ao meu casaco. Ela me encara e eu vejo o medo estampado em seu rosto.
—Está vendo? Você está bem. Não aconteceu nada.
—Mas eu tiquei tom medo. —Alice sussurra começando a chorar.
—Mas não precisa mais ter medo. Olha só. Nós estamos em casa. Você pode comer bolo e assistir seu Jack Frost.
—Eu podo?
—Claro. Vai lá no seu quarto, põe seu pijama quentinho e as pantufas, que eu já levo seu bolo.
Ela balança a cabeça e desce do meu colo, então Alice encara Christian e corre abraçando suas pernas.
—Não vai, não. —Ela pede e vejo sua expressão se suavizar um pouco.
—Tudo bem, neném. Pode ir lá. Depois eu vou assistir com você. —Christian diz afagando os cabelos dela, e então ela se vai.
—O que você está fazendo aqui? —Pergunto e ele volta a ficar com raiva.
—Mas que merda foi aquela? De onde você tirou uma arma?
—Meu pai tem mais umas cinco armas escondida só aqui nessa casa. Ele sempre deixa uma arma no carro.
—Qual o seu problema, Anastásia? Se aquele homem...
—Aquele homem não fez nada, porque eu atirei nele. Ele ia matar você! Você não pode dizer obrigado? —Levanto-me e começo a andar de um lado para o outro. —Era a minha irmã que estava em perigo.
—Mas que merda! Eu não quero você com a porra de uma arma de novo! Você entendeu?
—Quem você pensa que é para falar assim comigo? Christian, pelo amor de Deus! Eu nem conheço você. —Grito sentindo a raiva me invadir.
Ele me olha furioso e tudo acontece muito rápido. Ele caminha em minha direção, como uma fera caminha na direção de sua presa, e quando percebo estou presa em seus braços e seus lábios estão atacando os meus. Meu coração dispara e eu sinto meu sangue esquentar enquanto sua língua toca a minha de forma necessitada e até desesperada.
Uma de suas mãos está prendendo as minhas atrás das minhas costas enquanto ele usa a outra para me segurar firmemente perto do seu corpo.
Eu nunca... nunca fui beijada antes, e eu nunca senti esse misto de sensações. Mas ele faz com que eu me sinta assim. Isso não deveria ser certo. Ele me deixa com raiva, e agora está me beijando.
Christian se afasta, mas matem seu rosto próximo, ele toca meu rosto com as pontas dos dedos enquanto encara meus lábios e eu me sinto tão desconsertada. O que ele está fazendo comigo? Eu não posso entender.
—Eu não quero que você se machuque. Você pode entender isso?
—Eu estou tentando entender você. —Sussurro me afastando e ele suspira.
—Eu só quero cuidar de você.
—Você me conheceu só há três dias.
—Eu não me importo. Me deixar cuidar de você. Eu não paro de pensar em você.
—Olha, só vamos com calma. Eu preciso ir ver a Alice.
—Eu vou ficar com ela.
—E o Arthur?
—Ele está na casa da minha mãe.
—Christian, ele é só um bebê. Você não pode deixá-lo tanto tempo longe de você.
—Eu não sou um bom pai... eu não sei como lidar com alguém tão dependente de mim.
—Eu também não sabia..., mas nem isso me fez deixar Alice de lado. Se você quer ser um bom pai, comece ficando com o seu filho. Vá buscar ele, depois você volta e fica com Alice. Se filho vem em primeiro lugar.
Christian suspira balança a cabeça e me encara por alguns segundos. Ele sai sem dizer nada e eu fico aqui, completamente confusa. O que ele quer de mim?
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