O Cara do Apartamento ao Lado
16 Surpresa Inesperada
Notas iniciais
Anastásia Steele
Sorrio ao abrir a porta do quarto e vê-lo completamente decorado. Viro-me para Christian e sorrio com os olhos marejados. Ele segura minha mão com cuidado e me leva para dentro do quarto. Sobre a cama há vários balões, todos em formato de coração, e em cada balão há uma foto nossa pendura. Caminho até a cama e seguro uma foto, revelando atrás uma mensagem.
Cada uma das fotos tem uma mensagem. Enxugo algumas lágrimas que caíram e me viro para Christian.
—É tão lindo... —Sussurro caminhando em direção ao criado mudo.
Há uma pequena cesta com morangos, chocolate e uma garrafa de champanhe.
—Eu fui um idiota. —Christian sussurra e eu me viro encarando-o. —E isso aqui, é pouco perto de toda a imensidão que é o meu amor por você, mas Anastásia, você é a garota mais incrível que eu já conheci, e eu prometo provar tudo o que sinto, dia após dia, ano após ano.
—Christian, é lindo, eu adorei.
—Essa não é toda a surpresa. —Ele sussurra inseguro. —Eu... bem... você já tem 18, e, eu achei que esse seria o melhor momento.
—Do que você está falando?
—Anastásia, você é a melhor pessoa que já entrou na minha vida, a melhor coisa que aconteceu em 24 anos, e eu tenho certeza que jamais encontrarei alguém igual a você.
—Christian... eu não estou entendo.
—Anastásia Rose Steele, você quer se casar comigo? —Meu coração dispara com seu pedido e eu fico apenas encarando-o.
—Você não pode estar falando sério. —Murmuro com incredulidade.
—Eu nunca falei tão sério.
—Mas não faz nem um ano que estamos juntos.
—Eu não me importo, eu quero passar a vida ao seu lado.
—Certo... eu preciso pensar...
—Tudo bem, eu espero o seu tempo. —Christian se aproxima e acaricia meu rosto com cuidado. —Eu amo você, Ana Steele.
—Eu amo você, Christian Grey.
Aproximo-me mais um pouco e lhe abraço. Christian é uma das minhas únicas certezas na vida, e por mais que eu não me sinta tão segura para o tão famoso ‘sim’, eu sei que quero estar com ele a cada dia do resto da minha vida. Ele pode não saber, mas é, e sempre será, o melhor que eu já tive, e eu nunca vou abrir mão disso. Nunca.
➳➳➳➳
Ouço Christian ressonar baixinho e sorrio. Eu estou deitada sobre seu peito, estamos nus e cobertos apenas pelo lençol. Eu já não sinto mais raiva dele, na verdade, é meio impossível ficar tanto tempo com raiva de alguém que amamos, e eu o entendo, ele estava tentando nos proteger. O pensamento me preocupa um pouco.
Elena foi capaz de forjar a própria morte, mas por quê? Por que ela fugiria? Eu entendo que o casamento foi arranjado, mas fingir que está morta? Isso é loucura. Eu jamais vou entender.
Meus pensamentos se esvaem com o ecoo de um trovão. É melhor eu ir ver as crianças, eu quero ter certeza que Melissa está bem, é a primeira noite dela. Desenrolo-me de Christian com cuidado e me levanto, recolho minha roupa e me visto sem fazer barulho, então saio do quarto.
Subo as escadas e percebo como a chuva está fazendo barulho, e que Alice ainda não correu para o quarto. Isso é estranho. Entro primeiro no quarto de Arthur, ele está em pé segurando nas grades do berço e assim que me vê faz um bico enorme e começa a chorar.
—Oi meu homenzinho, eu estou aqui. —Pego no colo e o balanço um pouco, isso é o suficiente para ele parar de chorar.
Saio do quarto de Arthur e entro no quarto de Alice, mas ela não está aqui. Suspiro e vou para o quarto em que Melissa está. Bato na porta e entro, sorrio ao ver Alice dormindo ao seu lado, mas ela está acordada, sentada na cama usando sua camisola branca enquanto olha para a janela.
—Você está bem?
—Está chovendo forte. —Melissa sussurra encolhendo os ombros. —Eu ouvi ela chorar... e a trouxe para cá.
—Tudo bem. Hã... você acha que consegue dormir sozinha?
—Os Carter’s me deixam sozinha. —Diz com amargura e meu coração se aperta. —Eles falam que não se pode temer a chuva.
—Ei, Mel... é normal ter medo.
—Tudo bem ter medo da chuva então? —Melissa pergunta e eu posso ver algumas lágrimas brilhando no escuro.
—Claro que sim, Mel. Você só tem sete anos, não precisa ser tão corajosa o tempo todo. Eu também tenho medo. —Aproximo-me e sento ao seu lado, e Arthur praticamente se joga nos braços dela.
—Ele é tão fofinho. —Mel diz sorrindo e Arthur começa a beijá-la.
Ouço a porta ser empurrada e me viro assustada, mas é apenas Docinho invadindo o quarto.
—Você se assustou? —Mel pergunta rindo.
—Um pouco. —Confesso.
Docinho sobe na cama e se aconchega ao lado de Alice. Ela normalmente não larga Alice, e acho que estava procurando-a pela casa.
—Você vai ficar aqui? —Melissa sussurra me encarando.
—Você quer que eu fique? Isso vai te deixar confortável?
Ela apenas balança a cabeça e eu sorrio. Puxo a coberta e me aconchego ao seu lado. Arthur fica rindo por alguns minutos enquanto mexe com Melissa, mas logo ele dorme, ela não. Ela fica acordada, eu posso ouvir sua respiração alta, e isso não me deixa dormir.
—Sabe... você pode dormir se quiser.
—Quando eu durmo, os monstros vêm, Ana. —Melissa diz bem baixinho. —Eles não me deixam dormir. Eu tenho tanto medo.
—Mel... você pode dormir se quiser. —Repito. —Os monstros não vão te alcançar aqui.
—Você promete?
—Prometo, eu prometo. Não há monstros aqui em casa.
Melissa suspira, mas como o esperado, ela não dorme. As horas começam a passar e ela nem sequer pisca, se mantem com os olhos abertos olhando para o teto e respirando alto, e isso faz com que eu não durma. É impossível dormir tranquila sabendo que ela não está bem. Eu não consigo.
O dia começa a invadir o quarto pela janela, e a chuva já não está tão forte. Alice e Arthur ainda estão dormindo de forma pesada, e Melissa está começando a cair no sono. Ela engraçado, mas ela parece estar lutando contra o sono, toda vez que ela acaba cochilando, ela acorda assustada, como se dormir fosse a pior coisa do mundo. Isso me deixa mal, muito mal. Nenhuma criança deveria estar tão ferida a ponto de perder o sono, mas... foi assim com Christian. Talvez ele consiga ajudar Melissa. Quando ela finalmente dorme, eu me levanto e ajeito suas cobertas. Pego Arthur e o levo para o seu quarto. Ainda são seis horas, mas logo ele vai acordar, e eu não quero que caia da cama.
Pego Alice também a ponho em seu quarto, deixo apenas Docinho ao lado de Melissa, eu quero que de alguma forma ela se sinta segura, talvez nós possamos ver algo depois, que a deixe mais tranquila, já que nenhum dos ursos que compramos adiantou.
Desço as escadas e sorrio encolhendo os ombros ao ver Christian sentado no sofá tomando um copo de suco.
—Você me deixou. —Ele diz brincalhão.
—Se isso serve de consolo, eu não dormi nada. —Sento ao seu lado e pego seu copo. —Foi estranho, mas a Melissa passou a noite em claro.
—Sério?
—Sim, eu fiquei ao lado dela, mas ela só dormiu agora. Ela é parecida com você.
—Comigo? —Christian me encara confuso e eu sorrio.
—Os pesadelos...
—Ah. —É a única coisa que diz.
Aconchego-me em seus braços e posso ver seu peito enrijecer. Ele tem melhorado a cada dia, mas as vezes, quando tocamos no assunto, tudo parece voltar. Christian anda tão cheio, e isso me assusta, eu quero ver ele bem. Quero que ele relaxe, aproveite as coisas, mas ele sempre está muito preocupado, com tudo e todos. Eu sinto que ele está sobrecarregado. Muito. Às vezes eu me sinto culpada por tudo isso. Eu tenho medo que Christian se esgote por minha causa.
—O que você tanto pensa? —Christian sussurra e eu sorrio.
—Nada, só... em como você está cansado.
—Ana, eu estou bem.
—Às vezes não parece.
—Ei, olhe para mim. —Ordena e eu o faço. —Eu estou bem, nós temos problemas como qualquer outra família, mas isso vai passar, ok?
—Ok. —Suspiro e me recosto sobre ele novamente.
—Eu tenho que ir para Nova Iorque hoje... pela empresa.
—É mesmo?
—Sim, vão ser questão de um ou dois dias, eu volto o mais rápido que puder.
—Tudo bem, pode resolver suas coisas, nós iremos ficar bem.
—Certo, eu tenho que ir me arrumar então, você pode deixar as crianças acordadas para eu dizer tchau?
—Claro, eu vou lá fazer isso. —Digo me levantando.
—Eu vou me arrumar.
Sorrio e saio da sala indo em direção as escadas, enquanto subo, posso ouvir a voz de Arthur. Aproximo-me do seu quarto e o ouço gargalhar enquanto fala algumas das suas palavras de bebê, mas... com quem ele está falando? Empurro a porta do quarto e sorrio amplamente ao ver Melissa na frente do berço, usando um ursinho para brincar com meu bebê.
—Ei, você acordou... —Murmuro e ela se vira encolhendo os ombros.
—Eu acordei quando você foi embora, sinto muito.
—O que você faz aqui?
—Eu queria brincar um pouco... ele estava chorando quando cheguei.
—Certo, eu vou acordar a Alice, pode brincar mais um pouco. —Digo sorrindo e me viro para sair.
—Anastásia... você vai me deixar sozinha com seu bebê?
Viro-me novamente e encaro Melissa sem entender. O que ela quis dizer?
—Hã... você já estava sozinha com ele quando cheguei, e bem, você mora aqui.
—Minha mãe não me deixava sozinha com meus irmãos, ela achava que eu iria sequestrar eles. —Melissa murmura acariciando o rosto de Arthur. —Você acha que eu posso fazer isso com Arthur?
—Mas é claro que não. —Aproximo-me de Melissa e seguro sua mão. —Mel, eu confio plenamente em você, e nessa casa, você pode sempre ficar com as crianças, a hora que você quiser.
—Você confia mesmo em mim?
—Mas é claro que sim. —Dou um beijo em sua testa e sorrio antes de sair do quarto.
Entro no quarto de Alice e levo mais de meia hora para convencê-la a se aprontar. Mas eu até entendo. Alice não gosta nenhum pouco quando Christian viaja, ela se isola de tudo, e só fica feliz quando ele volta. Acho que eu também não gosto muito quando Christian não está por perto, é tão estranho ficar em casa sem ele.
Pego Alice no colo e saio do quarto com ela, seguindo para ver Arthur, surpreendo-me ao chegar em seu quarto e vê-lo com outra roupa, e brincando no chão com Melissa.
—Você o trocou? —Pergunto confusa.
—Você não gostou, Ana? —Melissa pergunta assustada.
—Não, sem problemas é só que... não, quer saber? Eu adorei, que tal você ir trocar de roupa para o café.
—Tudo bem, Ana.
Melissa saio do quarto e eu encaro Alice que ainda pede para ir ao chão e corre para brincar com Arthur e seus brinquedos barulhentos. Deixo os dois brincando e vou atrás de Melissa, surpreendo-me ao entrar no quarto e vê-la se trocando, ela me olha mortalmente envergonhada e se encolhe. Ela está... cheia de marcas, por todo o corpo.
—Por favor, não me olhe. —Melissa pede e eu me viro ficando de costas.
—Ela fez isso? —Pergunto sentindo meus olhos marejarem.
—Ela me batia todas as vezes que eu chegava perto das crianças... sabe, Ana, se eu soubesse que ela era tão ruim, eu teria deixado os Carter’s matar ela.
—Mel. —Digo horrorizada e me viro ignorando seu olhar de vergonha. —Nunca mais repita isso, entendeu?
—Desculpe Ana...
—Diga se entendeu.
—Entendi, eu não vou repetir.
—Ótimo, termine de se vestir, e se precisar de algo me chame, eu estou lá embaixo.
—Sim, Ana.
Encaro-a por alguns segundos e saio do quarto. Isso é loucura. Ela só tem sete anos, não deveria dizer algo assim. Afasto o pensamento e pego Alice e Arthur indo para a sala, eles correm assim que veem Docinho brincando no sofá, e eu decido ir preparar o café.
Cerca de dez minutos depois, Melissa entra na sala com Christian, bem, eles chegam juntos. Eu acho que eles ainda não se acostumaram com a ideia de terem um ao outro. Na verdade, desde que Melissa chegou, ela está ignorando Christian, e eu realmente não entendo o porquê.
Christian se aproxima e começa a me ajudar a colocar as coisas do café no balcão, depois ajuda Alice e Arthur a se sentarem, e quando tenta ajudar Melissa, ela simplesmente ignora e vai se sentar sozinha. Troco um olhar com Christian e ele apenas suspira sentando-se ao meu lado.
—Como foi a primeira noite, Melissa? —Christian pergunta e ela apenas dá de ombros. —Certo... é melhor eu ir.
—Não vai tomar café? —Pergunto encarando-o.
—Eu com quando chegar.
Christian se levanta e me dá um beijo, depois beija Alice, Arthur e mesmo ganhando um tapa no braço, dá um beijo na testa de Melissa. Isso me faz sorrir. Ele está se esforçando. Às vezes eu acho que Christian quer se manter longe... por Melissa ter um passado ruim, e ser tão parecida com ele.
—Amo vocês. —Christian diz caminhando até a porta, e no meio do caminho para fazendo carinho em Docinho. —Vejo vocês logo.
—Tchau, meu bem. —Sussurro assoprando um beijo e ele sorri antes de sair pelas portas duplas.
Termino o café em total silêncio. Até Arthur está calado hoje, e isso é muito estranho. Depois do café, eu deixo as crianças na sala de brinquedo e vou tomar um banho. Peço a Gail que cuide deles um pouco e aproveito para resolver alguns assuntos do trabalho, então, finalmente, na hora do almoço estou livre para ficar com eles.
Entro na sala de jantar e vejo Gail servindo as crianças com macarronada, bem, Arthur está mais se sujando do que comendo. Sento-me ao lado de Alice e acaricio seu rosto.
—Como foi o dia? —Pergunto encarando os três.
—Nós apenas brincamos. —Melissa diz com desinteresse.
—Ah, tudo bem. —Murmuro rindo. Suspiro ao ouvir o interfone tocar. —Eu volto logo.
Saio da sala de jantar e vou até a sala.
—Ana Steele. —Digo ao atender.
—Srta. Steele, é da portaria, há uns senhores querendo vê-la.
—Que senhores? —Pergunto confusa.
—Assistência social.
—Certo, pode manda-los subir.
Desligo o interfone e caminho em direção as portas duplas. Acho que eles vieram mais cedo ver Melissa, e isso é surpreendente. Eu os esperava dentro de uma semana apenas, e Christian não está aqui, mas acho que posso me virar. Alguns minutos se passam e eu vejo Taylor atravessar as portas duplas, então meu coração dispara com quem vem em seguida. Seguido por três policias, e um homem, que julgo ser o tal assistente, Raymond Steele atravessa as portas.
—Srta. Steele. —Um dos policias diz. —Nós viemos buscar Alice Steele.
—O que?
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