Notas iniciais
E boa Leitura ♥

Anastásia Steele

A pequena menina encara Christian furiosa. Ela não tem mais do que sete anos, e está completamente limpa. Eu não entendo como ela pode estar sozinha em uma estrada deserta. Tudo que ela carrega é uma mochila rosa. Ela está vestindo um casaco grande e cinza, vestido com flores, meia calça e sapatilha.

—Você está bem? —Christian pergunta preocupado.

—Você quase me matou! —Ela acusa.

—Você entrou correndo na frente do carro, qual o seu problema? —Diz bravo e a menina se encolhe.

—Querido, calma. —Sussurro encarando o olhar assustado da menina. Ela tem lindos olhos cor de mel. —Qual o seu nome? Você está perdida?

A menina me encara por alguns segundos e depois encara Christian, então ela começa a olhar o espaço entre nós. Ah, ela vai correr.

—Não. Não. —Christian a agarra antes que ela consiga passar por ele.

—Me solta seu brutamontes! —Grita socando os braços de Christian e eu me viro para o lado para segurar o riso.

—Se você não me contar de onde veio, eu vou levar você para a delegacia. —Ela a coloca em cima do carro e a menina fuzila com raiva.

—Eu não vou dizer, intrometido!

—Ótimo, então nós vamos dar um passeio na delegacia!

—Vá em frente.

Christian fuzila a menina e eu percebo como ele está com raiva. Ele odeia ser contrariado, ou enfrentado. Isso fere seu ego. Não me intrometo, apenas observo ele colocar a menina dentro do carro e a prender com o cinto. Ela não vai conseguir sair com a trava de segurança na porta. Entro no carro com Christian e encaro a menina enquanto ele começa a dirigir.

—Você ao menos pode dizer seu nome? —Sussurro.

—Não. —Diz brava e vira o rosto para o lado.

—Você não precisar ter medo.

—Eu não estou com medo. Eu estou brava!

—Nós estamos tentando ajudar você.

—Vocês estão atrapalhando o meu caminho! —Ela grita.

Encaro Christian e ele me olho confuso. Como uma criança pode ser tão arisca assim? É confuso.

Suspiro quando estacionamos em frente à delegacia, desço do carro e encaro Christian descer e abrir a porta pegando a menina. Ele a segura apenas com um braço deixando-a do lado do seu corpo. Meu Deus. Existe alguém igual ao Christian? Como isso é possível? Ela realmente fica brava muito fácil, exatamente como ele.

Subimos as escadas da delegacia e tudo que a menina faz é suspirar, assim que entramos o Detetive Clarck nos olha.

—Melissa? —Ele diz encarando a menina.

—Olá, Detetive Clarck! —Diz quase num rosnado.

—Você a conhece? —Christian diz colocando a menina no chão.

—É...

—Ah, meu Deus! Minha filha.

Viramos e vemos uma mulher ruiva correr na direção de Melissa. A menina não demonstra emoção alguma quando a mulher a puxa para um abraço e começa a beijá-la, ela apenas fica ali sem se mover, e logo empurra a mulher limpando seu rosto com as mãos.

—Onde vocês a encontraram? —Um homem diz se juntando a mulher. —Nós passamos a manhã inteira a procurando.

—Ela estava perto do bosque. —Christian diz semicerrando os olhos.

—Mel... —O homem suspira e abaixa na frente da menina segurando suas mãos. —Nós já conversamos sobre isso. Você não precisa fugir.

—Ela sempre faz isso. Tudo porque não queremos lhe dar um cachorrinho. —A mulher diz me lançando um sorriso.

—Certo... eu acho que nós já podemos ir então... —Digo encarando Christian.

—Sr. Grey, você tem um minuto? —Clarck diz olhando para Christian que apenas balança a cabeça e se afasta com ele.

—Eu sou Dandara, e esse é meu marido, Roger. —Dandara diz me oferecendo sua mão e eu aperto. —Nós somos os Carter’s.

—Eu sou Anastásia Steele.

—Obrigada por trazê-la para nós. —Roger diz me lançando um olhar escuro e eu apenas engulo em seco antes de balançar a cabeça.

—Certo. Tudo bem, eu realmente preciso ir. —Sussurro olhando para Christian.

Ele está um pouco afastado, com o Detetive Clarck, mas mesmo assim me olha. Balanço a cabeça e me viro para ir embora, mas paro quando sinto alguém segurar meu braço de forma firme e até mesmo desesperada. É Mel. Ela está segurando firmemente meu pulso e me olha de uma forma assustadora.

—Mel, deixe a moça ir... —O pai da menina sussurra e ela olha com ódio para ele.

Eu nunca... nunca vi uma criança olhar assim para ninguém. É assustador. Meu coração está disparado, e tudo que eu consigo entender é seu olhar. Ela está me pedindo ajuda? Eu... eu não sei o que fazer.

—Já chega, Mel. —Dandara diz puxando a mão da menina a força. —Vamos, está na hora de ir para casa.

Roger se levanta e pega a menina no colo saindo com ela e a mulher da delegacia, volto a encarar Christian sem saber o que fazer. Ah, meu Deus! Eu... eu... eu sei que tem algo errado, mas eles também parecem ser ótimos pais. Eu não entendo o que pode estar acontecendo.

—Vamos? —Christian diz se pondo ao meu lado. Ele me encara curioso. —O que houve?

—Quem são eles? —Pergunto olhando a porta por onde eles saíram.

—Bem, são os pais da garotinha. Ela está bem agora.

—O que o Clarck disse?

—Ele disse que a menina sempre foge, e que ela acusa os pais de a agredirem, mas ela não tem um arranhão sequer.

—Eles fizeram exames? —Pergunto realmente preocupada.

—Fizeram. Várias possíveis, não há nada. Ela não tem uma manchinha sequer, e, não está doente nem nada. Um assistente social ficou mais de um ano fazendo visitas na casa deles, ela não encontrou nada. Tudo o que ela viu são pais amorosos que dão tudo para a menina.

—Certo... então vamos embora.

Eu sinto que tem algo errado. Eu conheço crianças, convivo com uma que vira a cara muito fácil quando se chateia. Uma criança não pode simplesmente fugir de um lar amoroso. Eu sei o que é ser rejeitada, o que é ser desprezada pelos próprios pais. Dandara e Roger são... muito estranhos. Eles parecem querer passar uma imagem perfeita. Se minha filha fugisse eu ia colocar ela de ponta cabeça para nunca mais fazer isso. Eles simplesmente abraçaram a menina e agiram como se nada tivesse acontecido. Como isso é possível? Tem algo estranho. Eu sei disso.

Encaro o carro quando Christian abre a porta e apenas entro, enquanto coloco meu cinto posso ver o carro dos Carter’s do outro lado da rua. Dandara está no carro com Melissa, e a menina está me olhando. Eu me sinto culpada. Eu não consigo enxergar o que há de errado, mas eu sei que tem alguma coisa.

Suspiro quando Christian começa a dirigir, e logo estamos em frente à escola, aproximo-me dele e lhe dou um beijo.

—O que você tem, meu bem? —Pergunta acariciando meu rosto.

—Eu sinto que há algo errado com aquela menina. —Sussurro encarando seus olhos. —Eles são...

—Perfeitos demais. —Christian completa e eu balanço a cabeça. —Eu mandei o Clarck ficar de olho, eu também não confio neles.

—Será que Taylor ou Walch pode fazer algo sobre isso?

—Eu vou falar com eles, mas você, se concentre na aula. Eu não quero que suas notas caiam de novo.

—Tudo bem. Eu vou me esforçar. Eu amo você.

—Eu amo você, meu bem.

Sorrio e acaricio seu rosto antes de descer do carro. Mia vem correndo ao me avistar e me puxa para mais um dia empolgante.

As quatro primeiras aulas parecem se arrastar de uma forma absurdamente lenta, e por mais que eu me concentre e consiga fazer todas as lições, minha mente sempre está em Melissa. Seu olhar... a forma como ela segurou minha mão e depois a raiva que passou em seus olhos olhando para o seu pai. É estranho. Eu sei que é. Mas eu não sei o que fazer.

Suspiro e abaixo minha cabeça sobre a mesa. Eu estou sozinha na sala de aula. Na verdade, eu deveria ir para o intervalo, só que eu não consigo simplesmente. Mia normalmente me alegra, mas tudo o que eu quero é ficar sozinha e tentar entender o que está acontecendo.

—Precisando de companhia?

Levanto a cabeça frustrada e encaro Bradley entrando na sala.

Ah, eu mereço.

—Na verdade, eu queria ficar sozinha. —Sussurro e suspiro ao vê-lo sentar na cadeira da frente, virado para mim.

—Ah, vamos lá. Eu não sou tão chato assim.

Eu queria poder discordar, mas prefiro evitar brigas. Por isso, eu prefiro deixar Bradley e todo seu ego masculino aqui sozinho. Eu odeio ter que aturar suas cantadas baratas e investidas sobre mim, mesmo sabendo que eu estou com Christian.

Levanto-me e sinto a raiva surgir quando ele segura minha mão.

—Está me dispensando, Aninha?

—Aninha uma merda! Pode devolver essa intimidade que você acha que eu te dei. —Rosno. —E não, eu não estou te dispensando, porque eu simplesmente nunca tive nada com você. Agora solta o meu braço, antes que eu dê na sua cara.

—Eu adoro uma garota feroz. —Bradley diz com um maldito sorrisinho, enquanto mantém sua mão segurando meu braço.

Ele não sabe o que está fazendo.

—Você é assim na cama também?

Encaro-o boquiaberta e tudo que faço em seguida é movido contra o ódio que sinto desse garoto. Fecho minha mão em punho e soco seu nariz, resultando em um escorrimento de sangue em segundos.

—Ficou maluca? —Ele grita se levantando enquanto tenta estancar o sangue.

—Ué, você não curte uma garota feroz? Isso não é nem o começo, baby! Encosta em mim de novo, que eu te faço perder esse seu brinquedinho de criança. —Digo fuzilando Bradley e logo ouço uma gargalhada.

Viro-me para a porta e vejo Mia, Ethan e mais alguns alunos que estão com celulares gravando tudo e vaiando Bradley. Ele me fuzila mais uma vez e praticamente corre para fora da sala. Mia se aproxima ainda rindo e levanta a mão para eu bater. Reviro os olhos e bato em sua mão.

—Que cunhadinha mais feroz. —Provoca rindo e eu apenas gargalho.

—Eu vou espalhar isso agora mesmo pela internet. —Mical, uma das amigas diz rindo enquanto gargalha. —Finalmente alguém colocou Bradley no lugar dele.

Reviro os olhos e volto a me sentar, mas agora não fico em paz. Mia, Ethan e seus amigos ficam aqui, me enchendo, mas de certa forma eu gosto. Eu não penso tanto em Melissa. Eu realmente estou preocupada com ela. Porque eu tenho uma filha, e se algo estivesse errado com ela, eu iria me preocupar da mesma forma.

➳➳➳➳

Alguns Dias Depois...

—Certo, eu vou ficar bem. —Digo ao celular e posso ouvir Christian suspirar. —Meu bem, eu vou apenas levar Alice para pegar umas roupas. Sawyer está indo conosco e, Arthur está dormindo.

—Mas eu me preocupo.

—Christian, você vai nos encontrar lá no parque depois. Por Deus, eu posso sair sozinha! —Estou começando a ficar brava.

—Certo. Eu te vejo em uma hora então. —Diz derrotado.

—Certo.

Desligo o celular e guardo na bolsa antes de encarar Alice. Ela está segurando seu ursinho que ganhou de Christian, e está linda em um vestido floral e uma tiara.

—Vamos? —Pergunto e ela sorri.

—Sim.

Saio do quarto com Alice e encontramos Sawyer já nos esperando na sala. Quando chegamos a garagem eu peço que ele passe no meu apartamento, eu preciso pegar algumas coisas para Alice... por mais que quase todas as nossas coisas já estejam na casa do Christian... ele até mesmo montou um quarto para a Alice... e ela é louca pelo seu quarto de princesa. Christian sabe como fazê-la feliz, e eu só tenho a agradecer.

Entro no elevador com Alice e logo estamos no último andar, abro a porta e ela dá alguns gritinhos antes de entrar em casa. Por mais que ela ame a nova casa, toda vez que estamos aqui, ela fica muito feliz. Suspiro ao avistar alguns copos de bebida em cima da mesinha de centro e um cinzeiro todo sujo. É, acho que Ray esteve aqui.

—Mamãe?

Meu coração dispara quando ouço a voz de Alice... ela está assustada. Corro atrás dela pela casa e quando a encontro ela está na porta do quarto de Ray. Droga! Ele ainda está aqui. Ray está abaixando tentando falar com Alice.

—Não se aproxime dela. —Pego Alice e ela me agarra escondendo o rosto contra meu pescoço.

—Olha só quem resolveu aparecer. —Ray murmura se levantando. —Eu estou aqui há mais de uma semana, onde você esteve?

—Longe de você. —Murmuro com raiva.

—Por que ela te chama de mãe?

—Porque eu sou a mãe dela! —Exclamo me virando e vou ao quarto de Alice. Coloco-a na cama e pego uma mala para por algumas roupas.

—Aonde você pensa que vai? Faz uma semana que eu estou aqui, e você só chegou agora. —Ray diz me seguindo.

—Olha só, Ray. Minha vida não é da sua conta, ok? Fica longe de mim. —Digo apenas lhe lançando um olhar.

—Ótimo, eu fico, mas se eu for, a Alice também vai. —Ele diz e eu sinto o ódio me tomar.

—Tenta. Pode tentar, eu quero ver você fazer isso. —Fuzilo-o e ele me olha surpreso. —Não mexa com a minha filha, e não fique no meu caminho.

—Sua filha? —Ray apenas gargalha. —Ela nunca vai...

—Nunca o que? —Grito me aproximando dele e paro na sua frente. —Nunca vai ser minha filha? Você acha?

—Mamãe... eu quéia o papai. —Alice murmura chorosa.

—Quem? —Ray diz me encarando. —Quem é ele?

—Não é da sua conta. —Sussurro semicerrando os olhos.

—Eu vou descobrir.

—Vá em frente, eu não me importo.

—E se eu disser que proíbo você?

—Você não tem esse direito. Eu não dependo de você há muito tempo.

—Mas depende dele.

—Eu prefiro isso, a viver na sua asa. Você me dá nojo, Ray.

—Eu não apoio seu relacionamento.

—E eu não me importo. Nenhum pouco.

—Eu vou descobrir, Anastásia... e depois eu vou pegar a Alice de você. —Ray ameaça e tudo que eu faço é gargalhar.

—Tenta a sorte. —Caminho até a cama e pego Alice e sua mala, então me viro para Raymond. —Eu não sou mais aquela garotinha que você deixou há quase quatro anos, agora, eu sou a mãe da Alice, e ninguém mexe com a minha filha.

Passo por Ray empurrando-o e vou embora com Alice. Sawyer me olha preocupado assim que me vê. Até mesmo ele sabe quando estou brava, isso é inevitável.

—Srta. Steele, o que houve? —Sawyer pergunta enquanto coloca a mala de Alice no porta-malas.

—Meu pai... ele estava aí. —Sussurro suspirando. —Mas está tudo bem. Será que nós podemos ir logo?

—Claro.

—Obrigada.

Sawyer abre a porta de Alice e eu a coloco presa na cadeirinha. Ela ainda está assustada. Seguro suas mãozinhas e a ela me olha.

—Ei... está tudo bem, ok? Nós vamos ver o papai agora. —Sussurro e ela balança a cabeça.

—Eu tiquei só com um pouquinho de medo.

—Eu sei, mas não precisa. —Sorrio e acaricio seu rosto. Afasto-me e Sawyer fecha a porta, então ele dá a volta no carro, abrindo a minha porta, mas vejo algo que me faz parar.

Sinto meu coração acelerar ao ver os cabelos ruivos de uma pequena menina andando sozinha entre as pessoas.

—Droga! —Exclamo. —Sawyer, um minuto.

—Srta. Steele, espere. —Ele grita quando saio correndo.

Alcanço a pequena menina e seguro seus ombros a virando.

—Ah, não. Você de novo? —Mel diz semicerrando os olhos.

—Mel. O que você faz aqui?

—Droga! Isso é perseguição.

—Olha a boca. E me diz o que você faz aqui. Você fugiu de novo. —Acuso e ela me olha brava.

—Me solta. Só me solta e finge que não me viu.

—Eu não vou te soltar enquanto você não conversar comigo.

—Eu não fugi. Eu juro que não. —Melissa murmura puxando seus braços. —Se você me soltar... eu conto para você.

—Eu não vou cair nessa. Você vem comigo. —Murmuro e ela suspira.

Seguro a mão de Melissa e ela suspira, mas não reclama ou tenta correr, ela vem comigo até o carro. Sawyer não pergunta nada, apenas abre a porta e eu entro com ela. Alice olha de forma ciumenta para Mel.

—Quem é ela, mamãe? —Alice murmura semicerrando os olhos e Melissa apenas encolhe os ombros.

—Querida, essa é a Melissa. —Sussurro.

—Ela é minha nova imãzinha?

—Não. —Murmuro surpresa. —Ela é apenas uma amiguinha da mamãe e do papai.

—Eu gosto da Mel. —Alice diz arrancando um sorriso a contragosto da menina.

No caminho até o parque, Alice vai enchendo Melissa de perguntas, e ela quase não responde. É engraçado. Eu nunca vi minha filha tão empolgada com uma amiguinha, mas eu ainda estou preocupada. Eu quero entender o porquê de Melissa ter fugido outra vez. Eu sinto que tem algo errado, e eu vou descobrir.

Quando chegamos ao parque eu já posso avistar Christian sentando em um dos bancos. Alice grita animada por ele e Sawyer vem ajudá-la a descer, então ela nem pensa duas vezes, sai correndo com os braços abertos chamando pelo pai que a recebe em seus braços. Meu coração explode de amor. Christian é um ótimo pai.

Suspiro e encaro Melissa que ainda me olha brava, desço do carro com ela em meus braços e Christian olha preocupado.

—De novo? —Ele murmura encarando a menina. —Você fugiu.

—Não. —Diz brava cruzando os braços quando a ponho no chão. —Mas vá em frente, me leve para o Detetive.

—Não, eu vou ligar para os seus pais. Eles devem estar preocupados. —Christian sussurra pondo Alice no chão.

Walch e Taylor investigaram os pais de Melissa, e não encontraram absolutamente nada. Mas isso ainda é estranho. Ninguém é tão perfeito.

—Tanto faz. —Melissa diz se afastando um pouco e senta em um dos balanços.

—Alice... por que você não vai brincar um pouquinho com a Mel? —Sugiro e Alice me olha sorrindo antes de correr para o lado de Melissa.

Encaro Christian enquanto ele tenta ligar para os pais de Melissa.

—Eles não estão atendendo. —Murmura franzindo a testa.

—Nós podemos leva-la a delegacia. —Sussurro encolhendo os ombros.

—Certo... você quer me contar algo antes? Você está... com o cenho franzido. —Christian diz tocando meu cenho e eu sorrio. —O que houve? Você está brava?

—Eu encontrei meu pai em casa. —Sussurro encolhendo os ombros.

—O que aquele babaca fez para você?

—Nada. Ele só falou um monte de coisas, e ameaçou tirar Alice de mim.

—O que? Eu não posso acreditar. —Christian diz e sei que está com raiva. —Por que você não me ligou? Eu poderia ter ido lá.

—Não, eu estava bem... e só que... você acha que ele conseguiria tomar Alice de mim? Querendo ou não... ele é nosso pai.

—Mas é claro que não, Anastásia. Ele te deixou sozinha quando você tinha só quinze anos, cuidando de uma criança. Nenhum juiz dará a guarda a ele. E você, você é a melhor mãe do mundo para Alice.

—Certo... —Sussurro sorrindo. Fico na ponta dos pés e dou um beijo em Christian, então me viro para ver Alice.

Meu coração dispara quando tudo o que vejo são os balanços vazios. Então percorro meus olhos pelo parque e não encontro Alice nem Melissa.

—Alice... —Sussurro sentindo meus olhos se encherem.