O Caminho do Mago
4 Aquela que nunca morre
Notas iniciais
Merlin encontra uma velha mulher, temida por Gaius. Leia escutando "Fairytale" na primeira parte, e "Tempus Vernum" na seqüência do castelo. Músicas de Enya.
- Oi Merlin! Você demorou a vir buscar o seu prêmio. Aqui está! — Uma Ondina de longos cabelos azuis, e olhos cor de mar, apontou para uma radiosa espada metálica, que estava encravada no fundo do lago.Merlin nadou até lá. Ficou admirando a beleza da espada e tentou tirá-la de lá.- Não Merlin, você não pode tirá-la. Somente o herdeiro do dragão pode possuir tal espada. — A Ondina ralhou com ele.- Se a espada não é para mim, por que a mostrou?- Para que você saiba onde encontrá-la quando chegar a hora.- Quando chegar à hora de que?A Ondina não respondeu. Apenas aproximou-se dele fazendo muito movimento nas águas, com isso produzindo bolhas e marolas que tocaram seu corpo todo. O movimento das águas o empurrou para a superfície do lago, onde ele percebeu com ansiedade que estava precisando de ar. Não havia se dado conta de que estivera conversando e respirando sob as águas, e que isso era impossível para seres humanos.- Talvez eu seja um ser Elemental, e por isso estas coisas me acontecem. — Merlin exclamou sozinho.- Falando sozinho garoto?Merlin assustou-se ao ouvir a voz que vinha da margem do rio. Era uma velha mulher, que ria dele com um sorriso banguela. Merlin gostaria de mandá-la embora para que não o visse nu, mas as águas tornaram-se geladas, ou vai ver que elas sempre o foram, mas ele não havia percebido isso.- Senhora, a água está gelada. Eu vou sair e me vestir. Por favor, não fique me espiando. — Merlin pediu o mais humilde que conseguiu.A mulher não saiu do lugar em que estava. Merlin podia jurar que mais gengiva desdentada apareceu. Ele saiu do lago e procurou por suas roupas. Infelizmente seu corpo ainda apresentava aquela transformação ridícula que foi causada pelas ondinas, deixando Merlin vermelho de vergonha. Ele colocou a mão sobre suas partes genitais, enquanto procurava vestir-se o mais rápido que conseguia, de costas para a velha. Foi com desgosto que ele percebeu que ela se aproximava dele.- Então o menino que se torna homem é o grande Merlin. — A velha banguela fez mangoça.- Por que me chama de grande Merlin, de onde me conhece?- Digamos que as notícias voam em Albyon. — A velha voltou a exibir o sorriso desdentado, passando uma língua arrepiada e branca sobre os lábios ressecados.Ela estava tão perto que Merlin pôde ver as inúmeras rugas de seu rosto, e uma enorme verruga na ponta do nariz, além de outra no queixo, esta com pelos, como uma verruga cabeluda. Ela era tão feia que era ridícula.- Quem é a senhora? — Merlin perguntou já completamente vestido.- Ah, eu tenho muitos nomes, sou chamada de muitas coisas, mas a que eu mais gosto é \"aquela que nunca morre\". Pena que não seja \"aquela que nunca envelhece\". — Ambos riram com essa frase.- De verdade, como é o seu nome? — Merlin perguntou entre risos.- Isso não é importante rapaz. Chame-me do que quiser, ou de quem quiser.- Tá bem. Posso chamá-la de Deirdre? Eu gosto desse no... — Merlin assustou-se ao perceber que estava falando sozinho. Não havia ninguém ao seu lado. A velha banguela sumira.Ele se sentia estúpido como quando brincava com os elementais e sempre era enganado por estes. Talvez a velha fora um Elemental. Quem poderia saber? Gaius.Merlin voltou para casa e procurou falar com Gaius. Este não o deixou falar, enchendo-o de tarefas e serviços para fazer. Merlin esperou pacientemente até o dia seguinte para conversar durante a primeira refeição.- Mestre Gaius, ontem na floresta, eu conheci uma velha que sabia quem eu era.- Que? — O velho curandeiro real parou a colher no ar, enquanto erguia a sobrancelha para inquirir Merlin.- É, ela me chamou de grande Merlin, e que toda Albyon... não, que as notícias voavam em Albyon. É isso.- Quem era ela? — Gaius perguntou pousando a colher intocada no prato.- Ela não me disse seu nome, mas me disse que tinha muitos nomes e denominações. Eu quis chamá-la de Deirdre, mas ela sumiu antes disso...- Idiota, ela não lhe disse como se chamava? — Gaius perguntou-lhe segurando a mesa com as duas mãos.- Não... ela me disse que as pessoas a chamavam de \"aquela que nunca morre\".
Gaius levantou-se da mesa com estrépito, fazendo a cadeira virar. Ele apenas sussurrou \"Nimueh\".- O que disse Gaius? Quem é Nimueh?- Ninguém que valha a pena conhecer. Prometa-me uma coisa Merlin, nunca em hipótese nenhuma converse novamente com Nimueh, está entendendo?- Sim Gaius, tudo bem, eu entendi. Não precisa ficar nervoso.Os dias passaram e Merlin não viu a velha Nimueh novamente. Ele passava os dias pacificamente, entregando remédios, varrendo e lavando, fazendo compras, explorando a floresta dos elementais. Lembrava-se pouco da mãe, e Gaius agora ocupava um lugar no seu coração que ele nem sabia que havia, o lugar de pai. Todos em Camelot o conheciam. Eles o chamavam pelo nome, e algumas mocinhas faziam pilhérias com ele, atraindo-o para que corresse atrás delas e depois o chamando de bobão, porque ele se recusava a brincar. Os servos do castelo o conheciam como aprendiz de Gaius, e alguns chegavam a dizer que ele era seu sobrinho ou seu filho. E alguém chegou a comentar que ele ocuparia o lugar de Gaius, quando ele se fosse. \"Tolice\" pensava Merlin. \"Eu sou um mago, e não um curandeiro\". Algumas vezes Merlin temia devanear com tanta freqüência, pois ele tinha o hábito de pensar em voz alta.Um dia perambulando por Camelot, Merlin viu um velho conhecido, o servo do filho do rei de Camelot, Pat. Merlin correu para alcançá-lo.- Oi Pat, há quanto tempo não o vejo. — Merlin saudou-o alegremente.- O que quer Merlin de Gaius? — Pat falou ríspido.- Ei... eu fiquei feliz em vê-lo de novo. Pensei que fossemos amigos. — Merlin deu dois passos para trás, já ensaiando sua retirada.- Por sua causa fui castigado pelo príncipe, pois ele achou que você fosse meu amigo. Você é intocável, pois Gaius o protege, mas eu... ninguém falou por mim. — Pat baixou a cabeça e a virou para o outro lado.Merlin ficou furioso e não escutou mais nada e nem falou mais nada. Começou a correr e quando deu por si, estava de frente para a guarda do castelo de Camelot. Sua entrada foi permitida, pois as sentinelas achavam que ele viera trazer remédios.- Onde encontro Arthur Pendragon? — Ouviu sua voz perguntando a uma serva negra.- Siga por este longo corredor até o grande salão do rei. O príncipe está lá. — A serva o informou.- Obrigado. — Merlin caminhou o mais rápido que conseguiu, evitando flutuar e assim ir mais rápido.Logo ele chegou ao local indicado. Havia algumas mulheres lá, sendo que uma delas era belíssima, com longos e cacheados cabelos negros, enfeitado com pedras preciosas, e uma boca carmim de lábios cheios, que era realçada pela pele alva da jovem lady. Se Merlin não estivesse furioso, ele certamente teria parado para observar tamanha beleza, e sem dúvida teria se ajoelhado diante de tal deusa, implorando que ela lhe dignasse ouvir sua voz e apreciar seu sorriso, mas o que ele tinha para fazer era mais importante do que se enamorar...- Arthur Pendragon, eu preciso falar com você. — Merlin falou gravemente.- Sir Arthur Pendragon. E quem o deixou entrar? Não me digam que agora tenho que ouvir lamúrias de vassalos. Afinal não havia ninguém mais a quem se dirigir? O que me diz de Mestre Gaius? — O príncipe perguntou jocoso. As jovens presentes riram-se com as mãos cobrindo as bocas, porque não era educado rir abertamente.- Eu vim lhe falar sobre Pat, o seu servo. — Merlin falou entre dentes.- O que tem o meu servo? — Dessa vez Arthur ficou interessado no que ele tinha a dizer.- É uma grande covardia, pra não dizer grande injustiça, punir um servo, só porque não pode descontar em quem o enfureceu. — Merlin falou com raiva.Todos ficaram mudos e passaram a encarar Arthur a espera de sua reação.- Você é um grande atrevido seu moleque. O que eu faço ou deixo de fazer não é da sua conta. Você sabe com quem está falando?- Sei, com um sujeito arrogante que usa outras pessoas como alvo, como se as vidas deles nada significassem. Estou falando com um indivíduo injusto que maltrata quem não pode se defender ou reclamar nada. Estou falando com o filho do rei, que um dia vai governar todo essa terra, e eu temo por esse dia, pois se vê que será um péssimo rei que fará a vida de todos impossível e amarga. — Merlin terminou de falar com os olhos brilhantes e amarelados de raiva. Ele se esquecera que não podia se emocionar, pois alguma besteira poderia acontecer, mas sentiu um alívio enorme por poder falar tudo que lhe ia à alma.As damas do salão levantaram-se e trataram de afastar-se logo dali, pois pressentiam que isto não iria acabar bem. Todas menos uma. A belíssima jovem que tanto chamou a atenção de Merlin.- Você... acaba de assinar sua sentença de morte rapaz, e nem mesmo Mestre Gaius vai salvá-lo agora. — Arthur Pendragon sacou sua espada da bainha e encostou a ponta da lâmina no pescoço de Merlin.E agora? Como o jovem mago iria escapar dessa?
Notas finais
Eu pouco escrevo sobre a família real, porque prefiro escrever sobre a interação do mago com a natureza. Mesmo assim, a história tem que seguir seu curso.
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