O Caminho das Estações

6 ∾ Só me dê uma chance, eu terei partido em um ou dois dias.


Notas iniciais
Novamente, olá! Como vocês estão? Eu gostaria de adiantar que esse é meu capítulo favorito até aqui. Apesar desses impulsos e equívocos, há tantas revelações, tantas nuances, tanto sentimento... Bem, espero que gostem.

Durante a manhã do início de fim de semana havia uma brisa fresca, fazendo as copas das árvores balançarem. As folhas saltavam dos galhos, ondulando e rodopiando pelo ar, como se a estação estivesse adiantando seu fim para o início da próxima. Também havia algumas nuvens que circulavam o céu azul, roubando um pouco da cor para indicar uma possível chuva. Mesmo assim, o dia despertava-se diante dos olhos dos dois, que pedalavam lado a lado.

A cidade ainda parecia adormecida quando Juno e Nirav partiram para o interior, montados em bicicletas e equipados com mochilas que carregavam suprimentos para um longo dia. O silêncio matinal e as ruas vazias agregavam à situação uma impressão de segredo, como se estivessem cometendo um delito juntos.

Nirav estava acostumado com o caminho que traçavam, apesar de fazer bastante tempo da última vez que o fizera, ainda mais pedalando. Sentia como se visitasse um antigo amigo que há muito não via. E estar ao lado de Juno era o que tornava a experiência mais especial.

A ligação dela com Abigail parecia uma espécie de coincidência irônica do destino, pensava Nirav. E lembranças que já imaginava não existir mais, retornaram para o interior de sua cabeça, deixando o passeio um tanto quanto nostálgico. Com um suspiro pesaroso escapando de seus lábios, ele olhou para Juno, esquecendo de seus devaneios.

Juno estava bela como sempre, mas naquela manhã havia algo além, com os cabelos ondulados balançando ao redor de seu rosto de acordo com o vento. Usando um vestido escuro estampado de margaridas, amarrado pela cintura, as fendas esvoaçavam atrás dela como uma cauda ao pedalar. Por baixo daquela vestimenta, Nirav conseguia ver o maiô aderido ao corpo magro.

Enquanto ela era um deleite aos olhos, Nirav era apenas um rapaz magricela de cabelos cacheados e desgrenhados, com uma barba espessa, vestindo uma camiseta azul com um short preto, usando sandálias velhas. E, no entanto, toda vez que ela o olhava, o sorriso que mostrava fazia parecer que estava não só satisfeita, também o apreciava do jeito que era.

Ela se encontrava um pouco desajeitada na bicicleta, assim como sua própria falta de prática também era visível. Ainda assim, ela era um agrado aos olhos. Divertindo-se ao pedalar em direção ao fim do mundo, Juno se parecia com tudo o que ele mais gostava.

Mesmo sem conseguir enfrentar um sentimento tão equivocado, Nirav não conseguia repelir ou evitar. Juno havia subvertido a forma que entendia como afeto. Era sólido como um alicerce que sempre esteve ali, embora tão recente. E para alguém com uma vida contínua de oscilações, Nirav nunca havia sentido algo parecido.

Por isso, também, identificava-se quando Juno explicava sua relação com Florencia. Enquanto ela tentava escapar da vida que tinha, Nirav estava encontrando a sua própria. E talvez fosse essa a ponte que os levava até o outro.

Quando Juno fugia, Nirav a encontrava. E prestes a se chocarem em alta velocidade, eles não conseguiam desviar os trajetos. Embora, talvez, sequer quisessem desviar, ainda que restasse um obstáculo. Nicholas ainda era uma realidade que não podia ser descartada, mesmo tão distante e difuso.

Aos poucos, cenário da cidade ficou para trás, dando espaço a paisagem natural fora do perímetro urbano. Juno apontou o lugar onde tinha estado com as meninas. Algo naquela lembrança a deixou desconcertada e seu rosto tomou um tom corado.

A partir dali, já não estavam mais tão longe do objetivo. Sem parar, eles investiram na curva mais à frente, adentrando uma trilha mais estreita, tomada pela vegetação. Em questão de minutos, pareciam estar em outro mundo.

Como só conseguiriam alcançar a cachoeira andando, logo estacionaram as bicicletas a uma árvore retorcida. Assim, passaram a caminhar com as mochilas nas costas.

— Quero te mostrar uma coisa. — anunciou, repentino, para Juno.

Ela o fitou, atuando um semblante desconfiado, que o fez sorrir.

— Devo me preocupar? — provocou, segurando o braço dele como auxílio.

Com um aceno de cabeça, ele indicou um caminho encoberto por um mato mais rasteiro, desgastado por antigas pegadas.

— Está me deixando curiosa, não pode me falar o que é? Por favor?

Nirav a olhou, observando-a cortar caminho. O vestido era mais curto, na altura de suas coxas. Os galhos aproveitavam desse detalhe para roçar em sua pele, deixando pequenas marcas rosadas. Juno não parecia se importar.

— Você vai descobrir. — respondeu, acentuando a curiosidade dela.

Andando um pouco mais, alcançaram um cenário já conhecido. Apesar do mato cobrir quase todo a região, ainda era possível distinguir os cascalhos de pedras e o metal dos trilhos de trem.

— Nós podemos voltar para a cidade por aqui quando formos embora, se você quiser. — Nirav propôs, adiantando-se até os trilhos.

— Eu adoraria.

— Mas ainda não é isso…

Com a mesma curiosidade de antes, Juno o seguiu, equilibrando-se sobre a linha de metal. Sua feição passou de curiosa para concentrada. Ela mordeu os lábios, olhando para o movimento dos próprios pés.

Adiantando-se até a próxima curva, encontraram o que deixou Juno boquiaberta e com os olhos cintilando de empolgação.

— Está brincando comigo?! — exclamou, passando a atenção para ele.

— Sabia que ia gostar.

Diante deles, um antigo vagão de trem abandonado na encosta da vegetação. Velho, em péssimo estado e enferrujado, ainda proporcionava uma visão incrível de ser admirada. A tinta vermelha da lataria estava ressecada, desbotada e descascando em vários lugares. Não havia uma janela inteira. E, apesar de o corpo estar tombado para o lado, ainda era possível tentar uma entrada.

Parecia ainda mais abandonado do que Nirav se lembrava, com a vegetação invadindo o espaço. Era comum ter algumas festas ali, justamente por ser mais afastado da cidade e proporcionar um cenário mais diferente. No entanto, o tempo estava o consumindo aos poucos, tornando o lugar desconfortável.

Ele não sabia há quanto tempo aquele vagão permanecia abandonado, já estava lá quando se mudou para a cidade. Agora, sentia como se houvesse séculos desde a última vez que o viu. Sentia ter sido em outra época, com outras pessoas que já quase não se recordava mais…

— Como sabe disso aqui? — Juno perguntou, tirando-o de suas lembranças.

— Todo mundo sabe. — respondeu, aproximando-se da porta enferrujada e entreaberta. — Muita gente vem aqui, quer dizer… vinha. Agora está bem acabado.

— Eu imagino o motivo... — um grunhido malicioso escapou de seus lábios. Seus olhares se encontraram. Novamente, Nirav notou o brilho que seus olhos reproduziam ao lhe focar.

— Quer entrar? — ele arqueou as sobrancelhas, entrando na brincadeira dela.

— Depende. Quantas você já trouxe aqui?

Nirav fingiu ponderar a questão por tempo demais.

— Algumas. — mentiu, rindo. — Não muitas.

Juno revirou os olhos, dando um riso debochado. Ela ficou na ponta dos pés para espiar o basculante quebrado da porta. Seu corpo encostou em Nirav brevemente.

Juntos, eles fizeram força contra a porta emperrada. O metal rangeu estridente, cedendo lentamente à força. Um estrondo soou quando conseguiram abrir a porta de vez e o vagão inteiro pareceu tremer. Juno suspirou de alívio.

Era um local apertado e um tanto quanto desconfortável. Além de abafado, o cheiro de mofo era incomodativo. Havia bagunça por todo o lugar. Garrafas, copos, até pares de sapatos perdidos. Apesar de não parecer o lugar ideal, Juno não pareceu se incomodar com o caos ali dentro. Com um sorriso juvenil, ela admirava, tirando foto de tudo o que podia. Nirav já não conseguia prestar atenção em nada além de Juno.

— Imagina quantas pessoas esse vagão transportou… — ela ponderou, contemplando o lugar. — Para onde iam, quando voltavam…

Ele apreciou seus devaneios. Adorava quando ela se transportava para as histórias de outras pessoas.

— Para onde você iria? — ele perguntou, puxando a atenção dela.

— Eu iria até o fim da linha, até não haver mais para onde ir, então voltaria. — respondeu, olhando-o. — Eu sempre voltaria.

Aprofundaram-se para dentro, mesmo não sendo tão grande. A cada passo que davam, a estrutura parecia ranger e Nirav teve medo de que todo o lugar fosse ceder em suas cabeças a qualquer minuto. Além de tudo, a inclinação do vagão o obrigava a ficar curvado para não bater a cabeça no alto. Juno achou graça, pois sendo uns treze centímetros mais baixa que Nirav, seu tamanho encaixava confortavelmente no espaço.

Ela seguiu registrando cada detalhe em fotos, sem querer correr o risco de perder a memória daquela situação. Entre esses registros, Nirav também era fotografado. Demorou alguns instantes para perceber o que ela estava fazendo, então decidiu que estragaria cada clique com uma careta qualquer. Juno não reclamou, só deu risada.

Ainda era possível encontrar alguns bancos resistindo à negligência do tempo. Apesar da sujeira, Juno não se importou em se enfiar em uma das cabines ainda existentes. Ajeitando o vestido, ela sentou-se como uma dama, fingindo tomar uma xícara de chá. Nirav a observou da entrada, até que ela o chamou para se aproximar.

O espaço que restava do banco era pequeno e apertado, obrigando-os a ficar bem próximos. Nirav conseguia sentir a coxa dela roçando na sua.

— Boa tarde, senhor! Qual o seu destino? — ela perguntou para ele, forçando uma voz afetada de mulher mais velha.

— Vou para onde quer que a senhora esteja indo.

— Então o senhor está perdido!

Ela riu da própria piada, levando a mão ao rosto. Nirav não conseguiu resistir e compartilhou do humor.

— Falando sério agora... — ela retomou, analisando-o. — Quem você já trouxe aqui?

— Ninguém, nunca trouxe ninguém. — deu de ombros, repousando as mãos sobre o próprio colo. — Já estive aqui com alguns amigos, em algumas festas, mas nunca trouxe alguém aqui para fazer nada. Nunca tive a quem trazer.

Juno mordeu os lábios, ajeitando o corpo de frente para o dele.

— Que honra, eu sou a primeira? — seu tom de voz fez o corpo de Nirav arrepiar.

Um riso desconcertado saiu de seus lábios. Nirav passou a mão dos cabelos até a barba.

— Sim, você é.

Novamente, encontravam-se a uma distância desconcertante um do outro. Como um imã, eles continuavam a se atrair quando o certo a fazer era repelir. Mesmo assim, Juno ainda estava à pequenos centímetros. Ele conseguia ver como ela admirava seu rosto, desde seus olhos até sua boca.

— Nossa... Nunca senti meu coração bater tão rápido. — ela murmurou.

Sem dar tempo para resposta, ela apenas tomou sua mão, a levando até o peitoral. O coração dela estava realmente acelerado. E agora, o seu também estava.

Ela manteve a mão contra o corpo enquanto se fitavam. O brilho no olhar dela aumentou. Parecia quase sobrenatural e manifestava uma força que não conseguia lutar contra. Era irresistível. E ele só precisava de uma desculpa para se permitir errar.

No entanto, nesse momento, tendo–a tão tentadora diante de si, um questionamento embaçou todos os anseios em sua mente. Alguém realmente sabia que Juno estava em sua companhia em um passeio assim? Ela contou para alguém o que estavam fazendo, saindo sozinhos para um lugar totalmente remoto? Era difícil imaginar que sim, afinal se parasse para pensar naquele passeio...

— Deveríamos continuar. — sugeriu, já soltando a mão do corpo dela e se levantando.

Juno não pareceu se afetar com seu súbito afastamento, apenas acenou com a cabeça, mantendo o sorriso nos lábios.

O sol estava encoberto de nuvens, em um céu apagado, quando retomaram a trilha. Apesar de abafado, o tempo nublado não empolgava muito. Ainda assim, não desistiram e, enfim, depois de subirem um pequeno morro, eles alcançaram o objetivo.

Escondida entre árvores, bambus, pedras e terra batida, uma pequena queda d’água e um riacho desabrochou diante da visão de Nirav e Juno. Não era um lugar magnífico, porém belo em sua simplicidade. A água translúcida e o som que emanava soavam convidativos. Também era possível escutar barulhos de animais ao longe.

Com uma exclamação, Juno adiantou-se até o alto de uma das pedras na margem. Deixou a mochila e as sandálias espalhadas pelo chão, ansiosa para buscar o contato com o ambiente. Nirav suspirou, contemplando ao redor. Tinha esquecido do quão bonito era aquele lugar.

— Uau! Olha como esse lugar é lindo! — ela admirou-se, girando em torno de si mesma para mirar todos os cantos que sua vista alcançava. Por fim, virou-se para Nirav. — Venha, vamos entrar!

Nirav ponderou o convite para nadar, sentindo-se hesitante. Os questionamentos continuavam a assombrar sua mente. Era óbvia a tentação em nadar junto com ela. E o que estava pensando, quando decidiu que seria uma boa ideia sair sozinho para o fim do mundo com uma garota comprometida?

A sensação de arrependimento amargava sua boca, entretanto, quando via a alegria de Juno, não conseguia entender como algo tão bom pudesse parecer tão errado.

— Não sei se vou entrar na água. O tempo não está muito bom. — inventou a primeira desculpa que conseguiu tempo para criar. Apesar de seu súbito desânimo, não queria estragar o passeio dela.

— Como é? — ela franziu o cenho. — Você não veio até aqui pra desistir por causa de algumas nuvens, né?

Ele deu de ombros, já estacionando sua mochila próximo a dela.

— A água deve estar congelando.

— Eu não acredito nisso! — bufou, agitando as mãos, irritada. — Está com medo de água fria?

— Olha quem fala, até parece que você vai entrar.

— E quem disse que não? Ao contrário de certas pessoas, eu não sou frouxa!

Ele suspirou, aceitando o afronte.

— Eu duvido! — desafiou-a.

Sem rodeios, ela desamarrou o laço do vestido, deixando-o escorrer por seu corpo e arremessando-o em direção de Nirav.

E do que adiantou todo o súbito remorso de segundos atrás? Só de vê-la naquele maiô preto e branco, teve de encarar sentimentos que não adiantava ignorar. Por mais que quisesse desviar o olhar, estava perdido por aquela mulher, sem saber como reagir.

— Hm, Nirav? — ela o chamou, afastando-se um pouco da borda. — Acho que tem alguma coisa na água...

— Está arregando, é?

— É sério! Venha ver. — balançando as mãos, ela o chamou. — Não sei bem o que é…

Curioso, acelerou os passos até lá. Juno estava realmente curvada em direção a água, franzindo o cenho em direção a alguma coisa. Nirav a imitou, sem encontrar nada além de água e algumas folhas seguindo a correnteza.

— Não estou vendo nada.

— Por que não olha mais de perto? — então, ela o empurrou.

Era óbvio. Tão óbvio que, talvez, ele tenha se deixado levar de propósito, só para ter uma desculpa.

O choque da água gelada em seu corpo o fez esquecer de qualquer preocupação. Ele emergiu de volta, em busca de ar. Seus cabelos molhados caiam sobre seus olhos, dobrando de tamanho, teve de sacudir a cabeça para tirá-los de sua visão. A água estava mesmo fria e fazia seu corpo todo estremecer.

Juno não estava em lugar nenhum e ele não lembrava de vê-la caindo na água. Olhando de um lado para o outro, ele a procurou sem sucesso. Não estava sobre a pedra, nem próxima às mochilas. Não estava em lugar nenhum.

— Juno?! — chamou, um pouco preocupado.

De repente, sentiu algo agarrando suas pernas e o puxando para baixo. Seu corpo reagiu ao susto, agitando-se na água, tentando se afastar o mais rápido possível do que quer que fosse aquilo. E era Juno, que acabava de retornar a superfície, dando gargalhadas ao mesmo tempo que tentava recuperar o fôlego.

— Como você é previsível...

— Você tinha que ver o quão desesperado estava! — zombou, levando as mãos ao rosto.

— Eu nem me assustei direito. — mentiu, jogando água em direção a ela.

— Ah, não? Tem certeza? — provocou, jogando água de volta. — Pois me pareceu bem assustado!

Sem deixar barato, Nirav nadou até Juno, que até tentou fugir, porém pega pela perna e puxada de volta, gritando e gargalhando ao mesmo tempo. Procurando se soltar, empurrou-o para dentro da água, tentando afundá-lo. Ele resistiu a sua força e, segurando seu corpo com facilidade, a atirou na água.

Ela o perseguiu, agarrando suas costas, tornando a empurrá-lo para baixo. Ele lutou contra, novamente pegando-a nos braços e jogando-a no rio, com cuidado. Não era uma luta justa, mas a graça estava justamente em falhar ao derrubá-lo e ser arremessada de volta.

Pareciam duas crianças brincando. O som das risadas enchia o espaço de alegria, trazendo vida e calor ao lugar. O sol até parecia brilhar mais forte, abrindo espaços entre as nuvens, enquanto ela subia sobre as costas dele e ambos mergulharem juntos.

Como uma sereia, Juno reluzia aos feixes de luz do sol que invadiam a água, acendendo toda a sua beleza. Os cabelos dançavam em volta de seu rosto, trazendo um tom mágico para o fulgor em seu olhar e o sorriso expressivo. Quis beijá-la como nunca quis beijar alguém antes. E teria o feito, se o ar não fugisse aos seus pulmões, sendo obrigado a voltar a superfície.

Depois de um tempo, eles retornaram para a margem, sentindo os corpos tremerem de frio. Nirav retirou a camisa molhada, estendendo-a sobre uma pedra para secar. Logo juntou-se a Juno, sentada no sol para se aquecer. Ela havia estendido a toalha sobre a grama para que pudessem se esticar.

— O que foi isso? — Juno perguntou, apontando para a pequena cicatriz em sua costela esquerda, que havia reparado quando ele retirou a camisa. — O que aconteceu?

— Quando eu era mais novo, costumava subir em árvores. Um dia, pisei em falso e acabei caindo, mas não fui direto para o chão, bati no galho mais baixo e acabei me cortando.

Juno fez uma careta, aproximando a mão do queloide. Desenhou o risco com a ponta dos dedos, correndo-os pela pele de Nirav. Ele apreciou o toque.

— Uh, deve ter sido dolorido.

— Não mais que os tapas da minha mãe. — brincou, vendo-a achar graça.

Juno pegou sua mão, levando-a até o alto de sua coxa, mostrando uma marca em alto relevo, embora quase imperceptível. Nirav percebeu que ela estava arrepiada, sem saber dizer se era pelo seu toque ou pelo frio.

— Eu tinha dez anos e estava tentando aprender a andar de skate, sozinha, dentro de casa. Na hora pareceu uma boa ideia.

— E você aprendeu, pelo menos?

— Não, só ganhei um trauma. — balançou os ombros, dando risada.

Nirav indicou a marca em seu joelho esquerdo. Era apenas um sinal pouco notável.

— Essa foi andando de bicicleta, atropelei um carro parado. — disse, sentindo-a passar o dedo sobre a cicatriz.

— Como você conseguiu essa proeza?

— Em minha defesa, eu ainda estava aprendendo a pedalar. Depois de uma curva, eu vi um carro e acabei me apavorando. Só descobri que estava parado quando já era tarde demais.

Juno gargalhou exagerada, batendo na própria coxa.

— Deve ter sido uma cena fantástica!

— Foi tão boa que o dono do carro decidiu não cobrar o estrago que eu tinha causado.

— Eu tenho uma no joelho também, não tão emblemática quanto a sua. — sorrindo, ela mostrou um sinal grosso e esbranquiçado no joelho direito. — Eu tinha esse namoradinho na escola quando era criança. Uma vez fiquei doente e nós não nos vimos por uma semana. Quando ele me reencontrou, ficou tão empolgado que quis me rodar nos braços. Claro que não aguentou e me derrubou!

Nirav imaginou a cena ao tocar o joelho dela.

— Foi um ferimento causado por amor. — debochou.

— Não teve nada de amoroso quando minha mãe descobriu!

— Às vezes, quando me machucava, chorava mais por medo da minha mãe do que pela dor em si. — revelou, ajeitando os cabelos que caíam sobre seu rosto.

— Sim, eu também! — ela gargalhou, agitando as mãos. — Eu chegava a esconder alguns machucados por medo dela brigar comigo, mas ela sempre descobria e sempre era pior.

— A minha sempre falava algo tipo… — Nirav forçou sua melhor imitação de voz materna. — “Eu te coloquei no mundo, e eu também posso tirar!”

Juno concordou, dando gargalhadas da imitação de Nirav a ponto de se curvar sobre a toalha. Ele a cutucou de implicância, fazendo-a rir mais ainda.

Não demorou muito, e o estômago reclamou de fome e sede, obrigando-os a recorrerem pelas mochilas perdidas pelo mato. Não traziam muita coisa, apenas alguns biscoitos, frutas e refrescos.

— Então, o que achou? — Nirav perguntou ao sacar uma maçã de sua bolsa, ela comia biscoitos salgados e tomava água, dividindo a garrafa com ele.

— Eu poderia ficar aqui para sempre. — ela disse, colocando o dorso da mão para esconder a boca cheia.

— Talvez devêssemos ficar…

Juno tombou o corpo para o seu, sem responder. Depois, adentrou o meio do mato ainda comendo. Nirav a seguiu.

Havia todo tipo de planta, árvore e flores. Parecia não ter fim quando se estendia a vista ao horizonte. O silêncio parecia absoluto, exceto pelo farfalhar de bichos nas folhas ou o ruído da correnteza do rio. Era um lugar calmo, tranquilo, um mundo à parte. Talvez realmente quisesse ficar ali para sempre e nunca voltar a realidade.

Indicou a Juno um pé de limão que crescia próximo deles, já carregado de frutos que perfumavam todo a região. Ela parou para apreciar o cheiro, fechando os olhos por um instante.

— Quando eu era criança, às vezes, não tínhamos como comprar refrigerante. — contou, vendo o rosto dela concentrar–se em sua história, sedenta para descobrir o que tinha para dizer. — Então, minha mãe arrumava alguns limões e fazia uma limonada, depois misturava com bicarbonato, fazendo parecer como um refrigerante.

Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa.

— Com bicarbonato? Como era o sabor?

— No início era um pouco esquisito, mas depois até que era bem saboroso. — ele ainda conseguia sentir a sensação em sua boca, apesar de tantos anos sem saborear aquele truque.

— Nossa, eu gostaria de provar, me deixou curiosa.

— Depois de mais velho, fui tentar reproduzir para matar a saudade. Ficou horrível! — fez uma careta para ela, que riu. — Algumas coisas só funcionam quando somos crianças.

Depois do breve passeio pelo lugar, Juno devolveu o restante de biscoito para a mochila e correu para o rio novamente, como uma criança que não quer desperdiçar um minuto do passeio.

— Você vem? — chamou-o com empolgação.

Dessa vez, ele recusou, recebendo a desaprovação dela. Contentou-se em esticar o corpo sobre a toalha disposta no chão, admirando Juno afundar na queda d’água.

Como um sol, Juno estava esplêndida, toda graciosa. Seu corpo trazia um formato mais quadrado, sendo magro e pequeno, ainda que esguio. Não possuía tantas curvas e seus seios eram pequenos, apenas seu quadril e traseiro eram avantajados. Seu rosto era a parte mais bela, com seus olhos grandes, sorriso caloroso e o detalhe de suas sardas quase imperceptíveis.

E não era apenas a beleza física, na verdade, essa tornava-se mero detalhe diante de tudo o que Juno era. Seu jeito curioso, a energia extrovertida, a naturalidade de sua personalidade. Cada detalhe de Juno era tão marcante que Nirav não tinha certeza se, caso a perdesse, conseguiria apagar as marcas que havia deixado em si.

Agora que a conhecia, parecia estranho pensar em sua vida sem a presença dela. Juno havia roubado toda a sua atenção e seu interesse. Ocupava todos os seus pensamentos. Quando não estava com ela, pensava em quando estaria com ela. E quando estava com ela, não havia mais nada que quisesse fazer, além de estar perto dela. Apenas escutá-la falar, vê-la sorrir, só de estar próximo a ela, era o suficiente para fazer florescer ainda mais o sentimento irredutível que, no fundo, ele sabia que jamais seria capaz de superar.

E cada vez mais, a presença desse sentimento era inegável, como algo em constante expansão, até não caber mais no cômodo em que se encontrava. Conseguia sentir a luz que Juno irradiava penetrando em seu âmago, acendendo um calor no que esteve sempre frio. Entretanto, às vezes, ainda sentia a sensação de segurar uma tempestade que crescia no horizonte, iminente.

Ele estava deitado, mexendo no celular resgatado de dentro da mochila, quando ela retornou do banho, pingando caminho afora. Conforme ela se aproximava, ele registrou uma foto. Quando percebeu que estava sendo fotografada, ela encenou uma pose engraçada. O pé esquerdo levantado, as mãos em torno do rosto e a língua para fora. Nirav sorriu, registrando com a câmera.

— Quero ver como ficou. — ela sentou-se ao seu lado, encostando o corpo molhado no seu.

— Você está gelada!

Ela implicou, envolvendo todo seu corpo no dele, apenas para escutá-lo reclamar. Ele mostrou a foto, admirando o semblante divertido que fazia.

Eles se entreolharam e, por um tempo, nada disseram. Juno deitou a cabeça em seu ombro, contornando seu braço até darem as mãos. A sensação fez seu coração acelerar. Apertou a mão dela contra a sua, sem intenção de soltá-la.

— Nirav, onde você estaria agora, se não estivesse comigo? — ela perguntou com a voz baixa.

— Em lugar nenhum. — respondeu, ainda reparando nas mãos entrelaçadas. — E você?

Ela suspirou, demorando para responder.

— Não há nenhum outro lugar em que eu queria estar, mas me sinto culpada por estar aqui.

Nirav manteve a visão baixa enquanto ela soltava sua mão e se afastava. Uma sensação de vazio tomou seu interior. Era medo de perdê-la, mesmo sem nunca a tendo de verdade?

— Por quê? — obrigou-se a perguntar, ainda olhando para baixo.

— Provavelmente, eu estaria cuidado de minha mãe, presa na vida e nos problemas dela. Eu sinto que eu não tenho direito de me divertir enquanto ela está lá, sozinha e desamparada.

A resposta foi uma surpresa para Nirav, que esperava algo relacionado à Nicholas. De repente, lembrou-se da ligação que ela havia recebido da mãe durante a reunião na casa de Theo. Havia um tom severo de cobrança e pressão.

— O que houve com ela? — perguntou, erguendo a visão até ela.

— Não sei quando ou o que aconteceu, talvez o sequestro da minha tia, a morte da mãe, o abandono do meu pai durante a gravidez… De alguma forma, tudo isso tirou a essência da vida dela. E, não importa o que eu faça, nada faz diferença, ela continua distante, sumindo dentro de si mesma.

Depois de um momento de silêncio entre eles, ela concluiu:

— Eu sinto que minha mãe é um fantasma no fundo da minha cabeça. Eu não a conheço, não sei quem ela é, só o que vejo dela é a pessoa que precisa dos meus cuidados. E ela só vê em mim alguém para cuidar dela.

— É muita coisa para aguentar sem quebrar, é difícil de entender, mesmo assim… Ela tem sorte de ter você. — disse, recebendo o olhar dela. — Tenho certeza de que ela sabe quão sortuda é por ter você, só não consegue expressar.

Juno abriu um sorriso triste, desviando o rosto, evitando o assunto. Nirav a fitou durante um minuto, queria entender o que ela estava sentindo para tentar ajudar, porém a tensão da complexidade do assunto só a afastou. Por isso, decidiu puxar outro assunto:

— Quer saber como eu conheço Abigail? — sua pergunta puxou a atenção dela.

— Ah, ela fofocou de você para mim! — um sorriso iluminou seu rosto. — Esqueci de te contar.

— Ah, é? O que ela falou? — ele arqueou uma sobrancelha, tentando imaginar o que Abigail teria dito.

— Você é má companhia e eu não devia te dar confiança. — ela encenou um semblante desdenhoso, que entregou com uma risada. — Ela só me contou que você era amigo do Leo e achava que era má influência para ele.

Nirav suspirou, deixando a memória inundar-se de lembranças. Leo era cheio de vida, tal como Juno, porém sem nenhum tipo de limite. Todas as brigas, as festas, as insanidades. Nada nunca parecia suficiente para Leo, que teria arrastado Nirav por aquele mesmo caminho até ser tarde demais.

— Abigail nunca gostou de mim, é verdade. Achava que eu não era boa companhia para Leo por morar sozinho desde tão novo, sem a família por perto… todas essas questões de pessoas tradicionais do interior. — lembrava-se de sequer ir visitar a casa de Leo, só para evitar as inquisições de Abigail.

— Ela disse que só depois descobriu como Leo era o problema.

Ele deu de ombros, meneando.

— Eu não penso assim. Leo era só… — seu semblante pareceu se perder, depois encarou o horizonte. O rosto quadrado de Leo flutuava em sua memória, embora não conseguisse lembrar da face dele. — Leo tinha tanto medo de morrer que queria aproveitar o máximo da vida, por mais contraditório que pareça. Só que a linha entre aproveitar e desperdiçar a vida é muito tênue. Ele sempre dizia precisar aproveitar o dia como se fosse o último, até que um dia realmente foi o último, mesmo que cedo demais.

— Como aconteceu? — ela perguntou, hesitante. — Nunca tive coragem de perguntar para Abigail.

Ele precisou de um tempo para remontar toda a memória fragmentada que julgou ter perdido há tempos.

— Leo fugiu de casa para ir em uma festa fora da cidade, com um carro emprestado de algum amigo. Estava voltando de madrugada, bêbado e chapado, quando atingiu uma árvore. — explicou brevemente, revivendo aquela madrugada em sua mente. — Eu não estava com ele, tínhamos brigado uns dias antes. Naquela noite, Abigail me ligou perguntando onde ele estava. Eu não sabia dizer onde, mas já sabia o que tinha acontecido, de alguma forma.

Era estranho reviver tais lembranças, que nunca havia revelado para ninguém. De qualquer forma, estava aliviado por contar a Juno. Conseguia sentir o conforto dela só de estar ao seu lado.

— Vocês eram muito próximos?

— Ele foi o único amigo que tive, assim que cheguei na cidade. — já completavam quase cinco anos, o tempo pareceu voar desde então. — Quando ele morreu, senti que uma parte minha tinha morrido junto. No entanto, a parte que ficou…

— Estava aliviada? — Juno sugeriu, completando. Ele concordou com a cabeça.

— Aliviado por saber que ele não se meteria mais em confusão, mas principalmente por mim mesmo. Meu medo de não me encaixar e ficar deslocado, me fez participar dessas insanidades e eu estava perdendo a minha vida por causa dele. Isso faz de mim uma pessoa ruim?

Juno se aproximou, mais uma vez. As mãos voltaram a se encontrar para o seu alívio.

— Não, de jeito nenhum. Acho que me sentiria da mesma forma. Eu sei que a influência dele não te isenta da responsabilidade dos seus atos, ainda assim… Talvez, Leo estivesse perdido em um beco sem saída. E não é por ter sido amigo dele que você também tinha de se perder.

Nirav a olhou, contemplando todo aquele rosto. Então, sorriu.

— Nunca comentei isso com ninguém. Com você é tão espontâneo.

— Na verdade, eu estou só te manipulando para contar todos os seus segredos. — brincou, arrancando–lhe um riso. Ela pareceu aliviada ao ver seu sorriso. — Posso te perguntar mais uma coisa?

— Claro.

— Você também tem medo da morte?

— Como não temer a morte? Sempre tão perto e tão distante ao mesmo tempo. — ele ponderou, um tanto dramático. — Depende. Eu temo pela morte das pessoas que eu amo. E sim, eu também tenho medo de morrer jovem, como Leo, e nunca fazer o que eu tenho vontade.

— E o que você tem vontade de fazer? — ela perguntou já sabendo a resposta.

Nirav não resistiu. O impulso foi inevitável. Ele a beijou.

Os lábios dela receberam os seus sem receio algum de corresponder. Um pequeno suspiro escapou entre o beijo, arrepiando todo seu corpo. E, no entanto, obrigou-se a interromper, afastando-se dela subitamente.

— Desculpe, eu não deveria… — sussurrou, sentindo o remorso corroer em seu âmago.

Juno segurou seu rosto entre as mãos, passando os dedos em sua barba, mantendo-lhe perto.

— Sabe de uma coisa? — ela murmurou, ofegante, olhando no fundo de seus olhos. — Eu morro de medo de morrer.

Rindo da contradição da frase, Nirav permitiu-se ao beijo de Juno em seus lábios.

Apesar de haver desejo ardente e desesperado, o beijo não estava afobado. Era calmo, vagaroso. Não tinha motivo para pressa quando tudo o que queriam era aproveitar cada instante daquele momento.

Deitando-se sobre a toalha, Nirav manteve-se por cima de Juno. A pele dela, molhada e fria, causava um contraste com a sua, quente. Ela parecia tão pequena em relação a ele, e ainda assim, encaixava-se tão perfeitamente. Nirav percorreu a mão por todo o seu corpo, descobrindo cada curva, tocando toda sua extensão, acariciando toda parte, até encontrar o espaço entre suas pernas.

O beijo foi interrompido por poucos segundos. Juno piscava lentamente enquanto Nirav admirava seus olhos. Não havia resquício de culpa. Em seu olhar, havia apenas o mesmo brilho, que agora parecia cintilar ainda mais. Não teve de perguntar se ela tinha certeza, não precisava. Quando menos esperava, sentiu a mão dela atravessar o tecido de seu short.

Em pouco tempo, todo o silêncio deu lugar a respiração oscilante de Juno. Ela suspirava alto, tentando manter o fôlego ao se derreter nos dedos de Nirav. Os olhares fixados tentavam memorizar cada expressão de prazer. Juno parecia reluzir, radiante como um dia de verão. Seus olhos expressivos, abrindo e fechando de acordo com a sensação. Assim como a boca, às vezes entreaberta vocalizando pequenos gemidos, às vezes presa com uma mordida contida nos lábios.

Juno o envolveu com os braços, prendendo seu corpo também com as pernas, mesmo sabendo que Nirav não iria a lugar nenhum. Ainda contemplando seu rosto, ela beijou seus lábios e mordeu-os de leve. Depois, seu pescoço. Por fim, mordeu com mais força seu ombro direito.

Por um momento, o sol pareceu brilhar mais forte e arder quente em suas peles, fazendo seus corpos suarem em adrenalina. Então, os movimentos cessaram.

Ainda por cima do corpo de Juno, Nirav a admirava. As bochechas estavam vermelhas, o olhar caído entregava preguiça e em seus lábios estava iluminado o belo sorriso grandioso. Ela tocou seu rosto, passando a ponta dos dedos por sua barba, depois seus cabelos, enroscando–os em seus cachos.

— Você é lindo… — ela sussurrou embriagada, aos poucos se levantando.

Já de pé, ela espreguiçou-se como uma gata manhosa diante de seus olhos. Então, começou a descer as alças do maiô, deslizando o tecido por sua pele, revelando toda sua nudez para ele.

Nirav sentia seu corpo tremer suavemente, contemplando a cena. Devia estar parecendo um bobo, com os cabelos bagunçados, a boca entreaberta e olhos perdidos naquele corpo. E assim, contemplando–a nua contra o sol, a pele úmida e cintilando, teve coragem de encarar o que estava sentindo. Nirav estava perdidamente apaixonado por Juno.

— Você vem ou ainda está com medo da água fria? — ela chamou com uma risada maliciosa.

Em segundos, ele já estava de pé, indo até ela, que o parou na metade do caminho, apontando para seu short. Com um sorriso desconcertado, o retirou, deixando-o pelo chão. Então, nu, sem nenhuma vergonha, correu em direção a Juno, tomando-a em seus braços para um mergulho enquanto escutava-a rir.

Por baixo da água, ela tornou a beijar seus lábios, retirando o pouco fôlego que tinha. Quando retornaram à superfície, ela enroscou as pernas em sua cintura.

Nirav a teve em seus braços por um longo período. E mesmo que durasse toda a eternidade, ainda seria pouco tempo. Não queria sair do seu abraço, retirar o rosto do seu pescoço, soltar seu corpo, despedir-se do seu cheiro. Não queria ir embora e não queria deixá-la ir.

No entanto, a chuva de verão veio com seus pingos grossos, como um aviso amigável, mas ainda um aviso. E eles tiveram de encarar que o dia havia chegado ao fim, mesmo relutantes.

Uma última vez, Nirav a envolveu em seus braços, recebendo os beijos e os carinhos de Juno. E era tão bom, tinha o sabor que deveria ter. Apenas naquele momento, eles deixaram de se preocupar com tudo o que estava por vir. Ou melhor, quem.

Notas finais
Se os limites não foram quebrados antes, agora eles foram destroçados. E bem, era iminente como uma bomba relógio. Então, sentimentos e lembranças retornam como uma chave de ignição para essa relação. Entre essas, a relação de Juno com sua mãe. E a revelação da relação de Nirav com Leo. Tudo parece levar Juno até Nirav, mas até quando isso vai durar? Nada é tão bom que não possa piorar...