O Caminho das Chamas
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu vou tentar atualizar mais rápido, essa é a outra, eu prometo
Espero que gostem
A tempestade se fazia na floresta, o vento urrava de maneira irritada e assustadora. No meio da água da chuva, do frio e dos matos, um pequeno filhote andava, a gatinha cambaleava, tentando usar as pequenas garras para se prender ao chão, o vento a chicoteava com violência, ela miava desesperada, sua mãe havia a abandonado e ela não tinha ninguém, nem sequer um nome, sentia os sinais de cansasso corporal causados pela fome chegarem com rapidez, e então, suas garras falharam e ela tombou, cansada e com frio, miava agora como um choro fraco as estrelas, sentia dor em cada um de seus frágeis ossos. E tudo escureceu.
A patrulha estava complicada e os gatos andavam contra a chuva e a ventania, eram grandes e de pelos grossos e espessos, gloriosos aos olhos dos outros, os gatos do Clã da Nevasca moravam no topo de uma montanha, onde a neve era comum e a primavera durava pouco, por conta disso seus pelos se desenvolveram com o tempo, para aquece-los na fria temperatura. Estrela da Alvorada, na frente de todos os outros, guiava seus guerreiros sem se por para trás, ajudando cada um deles, a liderança se mostrando presente até o último fio de seus pelos brancos rajados.
A representante, Pelo da Aurora, parou de súbito, farejando o ar.
—Pelo da Aurora, temos que ir! -Estrela da Alvorada miou firme, porém a gata dourada apenas o olhou e apontou com o focinho para algo no meio da neve, encolhida como uma bola, o filhote cor de xaxim respirava fraco.
—Temos que ajudá-lo Estrela da Alvorada, o código manda e você sabe disso melhor que ninguém! -A gata miou em desespero, Pelo da Aurora havia, há luas atrás, sentido a dor de uma mãe que perde um filho quando um dos seus bebês foi morto por um texugo.
—Fique aqui. -O gato miou firme, acariciando com o nariz o ombro da representando, que suspirou aliviada pela piedade de seu líder.
Estrela da Alvorada pulou por entre as rochas e a neve, chagando até a pequena bola de pelos xaxim, que respirava fraco e tremia, a puxou pelo cangote e tratou de voltar para junto dos outros, agora com um filhote preso nos dentes, ele andava com cuidado, o filhote de encolhia mais, sentindo o calor do líder a envolver de leve. Após um longo caminho, chegaram ou território e Asa de Pardal, o curandeiro, correu até eles, puxando o filhote das presas do líder assim que o viu, os outros podiam esperar, ele tinha um bebê para salvar agora.
O curandeiro somente se acalmou quando o filhote começou a respirar normalmente, levou a bola de pelos até o berçário, onde Ventania, uma guerreira que perdeu seus filhotes para a tosse verde, aceitou de bom grado a chance de cuidar da pequena filhote, a qual nomeou de Filhote de Chamas, pela cor de seu pelo.
—Como o filhote está, Asa de Pardal? -A voz do líder acordou o curandeiro de sua concentração nas ervas de viagem, fazendo-o olhar o líder em desagrado.
—Ela está bem Estrela da Alvorada. Ventania cuidará dela. -Contou calmo, sem olhar o líder, voltando a organizar suas plantas.
—Ótimo! Que nome ela escolheu? -Estrela da Alvorada ronronou.
—Filhote de Chamas, isso será ótimo para o clã, a tosse verde matou vários de nós. -Miou o curandeiro, com uma feição ilegível. -Graças ao Clã das Estrelas a tosse verde acabou.
—Sim. -O líder miou, antes de se levantar e dar um aceno de despedida ao curandeiro.
Filhote de Chamas acordou e se assustou, onde ela estava? Como chegou ali? Tentou levantar, mas uma cauda peluda, macia e quentinha a enrolava, olhou o local, era aconchegante e tinha cheiro de leite, viu várias gatas deitadas, cuidando de seus bebês e isso a fez lembrar de sua mãe, que a rejeitou e a abandonou no meio da neve. Sentiu algo tocar-lhe a cabeça e, assustada, olhou para cima, vendo uma gata cinzenta, manchada em branco, como se tivesse rolado na neve e manchado seus pelos.
—Bom dia, pequena. -Ventania sorriu e a filhote a encarou assustada. -Esta com medo?
Assentiu e viu a gata sorrir carinhosa, a lambendo um pouco, nunca havia sido tão bem tratada quanto agora e aos poucos a gata a conquistou.
—Bem, Estrela da Alvorada, o líder do Clã da Nevasca te trouxe ontem a noite. Achamos você na floresta, sozinha e com frio e com fome. -Ventania contou, com um olhar de caridade e a filhote se encolheu. -O que aconteceu? Você já fala?
—M-minha mãe ela... Ela dizia que eu era fraca e por isso me... Deixou sozinha. -Miou a pequena, com receio da outra concordar com sua mãe e a rejeitar.
—Oh, mas você não é. Se quiser ficar aqui, pode treinar e ser uma guerreira tão boa quanto o próprio Estrela da Alvorada! -Ventania miou, puxando a filhote para mais perto. -Ainda está com fome?
—Sim! -A pequena miou.
—Eu sou Ventania, sua mãe a partir de hoje. Filhote de Chamas, minha filha. -A gata a permitiu mamar após essa fala, lambendo delicadamente a cabeça de seu novo bebê, e este, ela não perderia.
Seis luas depois e a pequena Filhote de Chamas já não era tão pequena assim é havia proclamado o Clã da Nevasca como seu clã original, e depositado sua lealdade nele e em seus gatos. Ela estava ansiosa aos pés da grande pedra, junto de outro filhote de sua idade, ambos sacudiam as caudas sem parar e respiravam agitados, há uma lua seus companheiros de toca mais velhos haviam sido nomeados aprendizes e agora era a vez deles. Estrela da Alvorada e Pelo da Aurora trocavam olhares, como se concordassem com os pensamentos um do outro.
—Filhote de Chamas e Filhote de Prata. Subam aqui. -As mães ao fundo, orgulhosas de seus bebês sorriam e todo o clã estava feliz em ter mais dois possíveis novos guerreiros. -vocês cresceram e chega a hora de saírem do berçário e das asas de suas mães e começarem seu treinamento de guerra, então, pelo poder do Clã das Estrelas, Filhote de Chamas, você agora é Pata de Chamas e como seu mentor terá Cristal Partido.
A gatinha observou o gato musculoso e enorme andar por entre os gatos e escalar a pedra com maestria, encarando a nova aprendiz com expectativa e gentileza.
—Cristal Partido, você é um sábio guerreiro e suas experiências mostram isso, tenho certeza que você será um ótimo mentor para Pata de Chamas. -O guerreiro tocou o nariz de sua aprendiz e sorriu.
—Filhote de Prata, você agora é Pata de Prata e como seu mentor, você terá Garra de Coelho.
O gato branco escalou a rocha e tocou o focinho em seus novo aprendiz, já sentindo o orgulho, apenas por ver o olhar de determinação do aprendiz.
—Garra de Coelho, você é um gato experiente e inteligente, espero que passe seu conhecimento para seu aprendiz, até que ele esteja tão bom quanto você.
O outro assentiu e os gatos comemoraram, gritando os nomes dos novos aprendizes, enquanto eles e seus mentores desciam da pedra do conselho em direção da floresta nevada e fria, para uma nova fase de suas vidas.
Notas finais
Até a próxima
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