O Caduceu de Kanus
2 Capítulo 2 - O ritual de passagem dói
Não vou mentir. Já tive minha cota de coisas estranhas e sem explicação em minha vida. Uma vez, no jardim de infância, um valentão ameaçou me bater no intervalo para o lanche. Quando ele encostou sua mão em meu pescoço, um forte barulho — parecido com quando você joga batatas no óleo — preencheu o ar, e sua mão assumiu um tom vermelho e cheio de bolhas. É claro que eu tentei dizer que não tinha feito nada. E é claro que fui expulso de qualquer jeito.
Mas isso.. isso já era demais. Ainda não tinha total certeza que isso de fato aconteceu, mas era lívido e detalhado demais para ser um pesadelo. A Anna com braços de cobra e pernas de peixe não era algo que meu cérebro conseguiria inventar, isso eu tenho certeza.
Quando acordei, minha cabeça estava ainda pior do que antes. Senti meu corpo sendo arrastado, como se alguém estivesse me levando por cima do ombro, e minha testa estava molhada com algo úmido, pegajoso, e com um cheiro horrível de folhas queimadas.
— Como diabos ele ainda está vivo? — uma voz feminina perguntou. Me esforcei para tentar adivinhar quem era, mas não fazia a menor ideia.
Tentei abrir os olhos, mas o esforço se provou inútil. Tampouco conseguia me mexer, como se cordas invisíveis estivessem prendendo meu corpo. O balanço que fazia ao se mover estava me deixando enjoado, e foi preciso uma grande força de vontade para eu não vomitar.
— Eu não faço ideia. — o cara que estava me carregando admitiu. — Nunca vi ninguém chegar tão longe assim. Eles quase se beijaram.
— Só sei de uma história de um herói que conseguiu beijar uma Varkin. — a menina comentou, sua voz se aproximando de mim, como se estivesse me analisando. — E não terminou nada bem.
O que diabos é uma Varkin?
Consegui produzir um barulho fraco e rouco do fundo de minha garganta. Não foi muita coisa, mas o suficiente para que eles percebessem que estou acordado.
— Gary! — a menina gritou. — Ele está acordado!
O suposto Gary me sacudiu violentamente, talvez intencionalmente, e me colocou no chão. Bati minhas costas em um terreno duro e pedregoso, com um grunhido ainda mais alto de protesto.
Ouvi alguém estalar os dedos — talvez a própria menina — e de repente meu corpo se soltou, e eu conseguia mexê-lo novamente. Não que isso fizesse qualquer diferença, pois eu mal conseguia mexer os dedos da mão de tanta dor, mas ao menos consegui abrir minhas pálpebras.
Os dois jovens de armadura estavam lá, com as espadas de prata ainda empunhadas em mão, me olhando com uma expressão de dúvida e cautela.
— Você causou um monte de problemas, garoto. — Gary me repreendeu, fincando sua espada no chão e se apoiando no cabo dela.
— Desculpe.. — disse, com a voz baixa e fina. — Mas não estava nos meus planos Anna ter dois braços de cobra e uma perna de peixe.
— Anna? — a menina perguntou, se aproximando. — Que nome engraçado para um Varkin se auto entitular.
A menina tinha longos cabelos dourados e lisos. Se tivesse mais alguns metros, seria exatamente como a princesa Rapunzel. Seus olhos eram de um azul penetrante, como se o próprio céu refletisse neles, e sua armadura de bronze com o brilho do sol a deixava com uma aparência quase celestial.
Gary parecia uma versão gêmea e quase idêntica dela. Seus cabelos também eram de um dourado e liso, com mechas caindo em seus olhos e atrapalhando parcialmente sua visão; uma espécie de emo do século quinze, com sua armadura e seus olhos negros e vazios.
— O que é um Var.. — comecei, mas logo uma crise de tosse me impediu que eu terminasse minha frase.
— Terá tempo para fazer perguntas depois. Nesse momento, preciso te levar para Férion. — ele explicou, como se isso fosse saciar todas as dúvidas em minha mente. Notando o meu olhar perdido e vago, ele continuou. — Ele é o nosso diretor. A base fica em um vale logo abaixo de nós, só nos resta passar por essa colina.
Só então que parei para prestar atenção em minha volta. Estávamos em uma espécie de cânion congelado, com uma rede de montanhas interligadas, com picos congelados, dando para um único ponto em comum; um vale, bem no meio, com um grande castelo no centro e várias construções de madeira em volta.
Quando me esforcei para levantar, se apoiando em um grande pinheiro ao meu lado, percebi que eles eram no mínimo dez centímetros mais altos que eu. Gary se avançou, passando minha mão por cima de seu ombro e me ajudando a caminhar.
— A propósito, me chamo Gary. — ele se apresentou, casualmente. — E esta é minha irmã, Izabel.
Ela acenou para mim, distraída.
— Jack. — disse.
— Você tem uma aura forte, Jack. — Izabel disse. — Quando você se juntou com aquele Varkin, dava para senti-los a quilômetros de distância.
— Foi assim que me acharam? — perguntei.
Gary assumiu uma expressão séria.
— Não exatamente. — respondeu, ríspido. — O importante é que lhe achamos. — seu tom de voz indicou que não queria falar mais sobre esse assunto.
Quando chegamos no topo e começamos a descer, senti minhas panturrilhas pegando fogo, como se alguém estivesse acendendo e desligando um isqueiro perto dela. Contraí um gemido de dor, sem sucesso, que escapou pelos meus lábios.
Izabel virou-se para mim.
— Está tudo bem?
— Sim, não se preocupe. É só minha panturrilha.
Mas, na verdade, estava bem longe de estar tudo bem. Não tinha a menor ideia em que parte do mundo estava, que horas eram, ou sequer se minha mãe estava segura ou não. Nada garantia que algum... Varnem — ou seja lá como se pronuncie isso — não iria invadir sua casa e seduzi-la para... bem... para a morte. Mesmo estando hipnotizado, lembrava-me muito bem que ela também estava sofrendo os efeitos de Anna, e isso só serviu para me deixar ainda mais preocupado.
Na medida em que me aproximava da base, um cheiro acolhedor e delicioso de pão recém-assado invadia minhas narinas. Só então notei com quanta fome eu estava, meu estômago se revirando em protesto.
Na metade da descida, uma placa rústica esculpida a madeira dizia: "BASE DOS ESCOLHIDOS — INSTALAÇÃO NORTE", pendurada entre dois pinheiros com mais de trinta metros de altura. Um pequeno senhor gorducho e barbudo tirava um cochilo na base de um dos pinheiros, com uma fogueira ao seu lado que havia sido apagada recentemente, a julgar pelas brasas na madeira.
— Jeodio! — Gary gritou, sua voz ecoando pelo vale.
Jeodio acordou de sua soneca com um pulo, tirando de suas costas um machado duplo de bronze, com uma aparência assustadora. Apesar de seu corpo avantajado e sua aparência velha, não sentia que ele era um inimigo a se menosprezar.
— Quem são vocês? — ele perguntou, desconfiado, e quando olhou com mais atenção para o rosto de Gary, seus olhos se iluminaram e um sorriso alargou-se em sua boca, revelando dentes amarelados. — Gary, meu rapaz! Por onde esteve? Está fora faz quase dezessete luas!
— Problemas com a instalação sul, senhor. — ele respondeu, com um tom respeituoso. — Você sabe como são os sulistas.
Jeodio fungou, em concordância.
— Esses sulistas... — brandiu seu machado para o que, imagino eu, seja a direção sul. — Sempre causando problemas. Basta um simples mal desentendimento entre a Corte e já ficam agitados.
— Quem é você? — perguntei, e ele me olhou como se me notasse pela primeira vez.
— Ah! Sangue novo! — guardou seu machado de volta nas costas, o que realmente aliviou minha tensão, e me deu um caloroso aperto de mãos. — E então, quem é o seu pai?
— Como assim quem é meu pai? — perguntei.
Izabel interviu.
— Ainda não, Jeodio. — repreendeu-o. — Não assuste o novato. Fério irá contar tudo o que ele precisa saber.
— Hah! — ele limpou seu nariz com as costas da mão. — Tomara que não aconteça como da última vez.
Gary lançou-lhe um olhar ameaçador.
— Jeodio, não assuste o garoto ainda mais. Apenas deixe-nos passar.
Como se tivesse jeito de me assustar ainda mais, pensei, mas não disse nada.
— É claro, é claro.. — podia jurar que o velho gorducho tinha um tom travesso. — Vocês contaram para ele sobre o ritual de passagem?
— Que ritual de passagem? — a pergunta saiu de mim antes mesmo que eu pudesse evitá-la.
Seus olhos brilharam de excitação.
— Ótimo! Assim é ainda mais emocionante!
Antes que eu tivesse a chance de perguntar o que diabos o ritual de passagem era, ele pegou um pouco de neve acumulada no chão e ergueu aos céus.
— Eu, Jeodio de Valhena, guardião dos portões de Réuli, aprovo a entrada deste Munikin ao domínio dos Magos Vermelhos, abençoando-lhe em nome dos Sete Grandes! — sua voz era alta e grossa, me causando arrepios.
Após alguns segundos de silêncio, estava prestes a perguntar se ele tinha enlouquecido, quando sinto um formigamento vindo de dentro da minha barriga. No começo, era quase difícil de saber que estava lá, mas em pouco tempo espalhou-se por todo o meu corpo, e em alguns segundos sentia que várias formigas andavam em cima de mim.
Como se isso já não fosse desconfortável o bastante, minha panturrilha — que antes parecia estar sendo queimada — decidiu expandir ainda mais sua dor, percorrendo por todos os meus membros. Urrei de dor, com a visão embaçada por conta das lágrimas, e caí na fina camada de neve aos meus pés, desesperado por um pouco de frio.
Segundos — que pareceram horas — se passaram até tudo finalmente acabar. Quando voltei a me erguer, com uma expressão assustada e zangada, um Jeodio muito contente me encarava.
— Maravilha! Você não morreu! — ele deu várias palmadas em meu ombro. — Isso significa que você realmente é um de nós!
— E se eu não fosse? — perguntei, soando mais nervoso do que pretendia.
Ele riu.
— Bem, é aí que entra a história sobre o caso anterior ao seu.
Izabel interviu.
— Isso é o bastante, Jeodio, obrigada.
Voltamos a andar, e meu corpo magicamente tinha parado de doer; já não estava mancando, e não sentia nenhum membro pegando fogo. Quando Gary ofereceu-se para me ajudar a andar, recusei e continuei indo na direção da base.
— Então.. — comecei, distraído em pensamentos. — Pelo menos alguns dos nomes que Jeodio proferiu vocês poderiam me explicar?
— Munikin significa novato, na língua ãncia. — Izabel explicou, sorrindo nervosamente. — E isso é tudo o que podemos lhe dizer.
Queria dizer que isso levantou mais perguntas do que de fato respostas, mas decidi continuar o resto do caminho calado. Tinha uma questão ainda mais importante que tudo isso a se preocupar; minha mãe. E esperava que Férion saberia aonde ela estava.
A primeira construção que passamos fora uma botique; uma pequena casa de madeira, com algumas estantes empilhadas do lado de fora contendo os mais variados tipos de especiarias e ervas. Uma moça — ou, ao menos eu acho que seja — nos encarou, seus olhos cor púrpura brilhando por trás de lentes meia-lua. Podia jurar que vi seus cabelos ruivos mexendo como se fossem um organismo vivo, mas balancei a cabeça para deixar essa ideia de lado.
À medida em que se aproximávamos do castelo principal, um novo mundo abria-se diante de mim. As construções ficavam cada vez mais frequentes e amontoadas, com várias pessoas — que se assemelhavam a camponeses do Feudalismo — andavam de um lado para o outro, ocupados em suas próprias tarefas para prestar atenção em mim.
Vez ou outra conseguia identificar alguns guerreiros usando o mesmo tipo de armadura que Gary e Izabel, mas eram poucos em comparação com o resto. Passamos pelo o que eu imaginava ser o ferreiro, um homem alto e musculoso, em uma construção de pedra, batendo em uma lâmina que ardia em fogo vivo.
— Este é Tornien, o nosso ferreiro. — Gary apontou para ele, como se adivinhasse no que eu estava pensando. — As melhores espadas do domínio Vermelho são as dele.
— O que exatamente é o Domínio Vermelho? — perguntei, já sabendo qual seria a resposta.
— Isso é algo que Férion irá lhe explicar. — Izabel interviu. — Acredite, ele será a melhor pessoa para lhe dizer isso.
Após uma caminhada extensa e cansativa, passamos por todos os tipos de casas e pessoas — comerciantes vendendo produtos que eu nunca vira na vida, mulheres com capuzes e vestidos com estampas escrito "ESCOLA DE NECROMÂNCIA", guerreiros com um estandarte de um dragão andando em fileiras, com os rostos sérios e focados.
Sentia-me tonto com a quantidade de perguntas que fluíam em minha cabeça. Se eu visse mais alguma coisa fora do normal, seria capaz de desmaiar e cair ali mesmo, no meio de todos. Definitivamente não era um sonho, eu concluí, pois precisaria de muita imaginação para inventar tudo isso.
— Chegamos. — Izabel anunciou, e me senti mais perdido ainda.
Estávamos em frente a casa mais simples e desarrumada que eu vira até agora. Era feita de argila endurecida, com o teto de palha caindo aos pedaços e um pequeno jardim na frente completamente descuidado. Exalava um cheiro forte e concentrado de chá, como uma espécie de perfume muito forte.
— Achei que o Férion morava no castelo. — disse.
— Ah, se você tiver sorte nunca irá entrar naquele castelo, garoto.
Olhei para o lado, mas não era Gary que tinha falado isso, e muito menos Izabel. Estreitei os olhos, e vi que a voz viera lá de dentro, passando através de uma porta de madeira com vários furos no meio.
— Entre, garoto. — a voz era grossa e, de algum modo, aguda ao mesmo tempo.
A última coisa que eu queria fazer era entrar naquele lugar, mas me forcei a engolir o medo e seguir em frente. Notei que Gary e Izabel permaneceram do lado de fora, parados como uma estátua, mas meu orgulho não me deixou chamá-los para se juntarem a mim.
Se existisse alguma maneira de explicar como Férion parecia, diria que era uma junção de alguém velho — muito velho, tipo uns noventa anos — com um pombo. Seu rosto era cheio de protuberâncias, seus olhos fundos e amarelados, exatamente como os de Anna, o que me causou arrepios e péssimas lembranças. Usava um gibão de cor branca — mas estava todo esfarrapado e manchado de alguma coisa esverdeada. Imaginei que tinha algo a ver com o cheiro forte de chá.
Estava sentado em uma pequena cadeira de bambu, que eu não conseguiria explicar como o cabia. Uma pequena mesa de centro estendia-se a sua frente, com um bule de chá e duas xíracas cheias de um líquido marrom e expesso.
— Ahn... aonde devo me sentar? — perguntei, não notando nenhuma outra cadeira no interior além daquela.
— Oh, que petulância a minha. — ele fez um movimento rápido com as mãos, e várias minhocas surgiram do chão, cavando um buraco fundo e largo. Em questão de segundos, as minhocas magicamente desapareceram e uma cadeira de bambu surgiu no lugar. — Aí está.
Estava muito confuso e surpreso para conseguir me mexer. Minha cabeça estava latejando, as perguntas acumulando em meu cérebro e me deixando quase maluco, e para melhorar as coisas acabo de ver o nascimento de uma cadeira de bambu, direto dos confins do inferno.
— Vamos, garoto. — ele incitou, impaciente. — Tenho um jogo de Xalamez para comparecer daqui vinte minutos.
Ele quis dizer xadrez, certo? Relutantemente me sentei, quase caindo da pequena cadeira.
— Tome um pouco de chá. — ele disse, apontando para a xícara em minha frente. — Não se preocupe, é chá que vocês Munikins conseguem beber. Até os mortais bebem.
Envolvi a xícara em minhas mãos, dando uma generosa golada. No mesmo instante, uma sensação quente e aconchegante percorreu o meu corpo, o gosto familiar me trazendo memóridas da infância.
— Como está minha mãe? — perguntei, sem conseguir me conter.
Ele suspirou, tomando um gole de chá.
— Dois milênios de serviço... — ele começou, se ajeitando na cadeira. — E nunca um Munikin começou com uma pergunta diferente dessa. Os montros não estão interessados em sua mãe. Ela é uma mortal, uma Hérezi na lingua ãncia, e os seguidores do Mago Noturno não tem interesse em fazer algum mal a ela.
— Ah. Obrigado, sinto-me muito melhor agora. — disse, um pouco irônico, mas estava de fato um pouco melhor. Minha principal preocupação se fora, dando espaço a curiosidade sobre esse mundo novo.
Ele decidiu ignorar meu tom irônico.
— Quem exatamente são esses magos? — perguntei, entre goles de chá. — Até agora ouvi algo sobre mago vermelho e noturno.
— Agora você começou a fazer perguntas importantes, garoto. — ele sorriu, revelando dentes amarelados e tortos. — Mas sinto que essa sua dúvida não pode ser sanada agora. Munikins não podem saber sobre eles. Aina não estão prontos.
— O que exatamente acontece com um.. — dei uma pausa, para conseguir pronunciar o nome corretamente. — Munikin, caso ele fique sabendo sobre os magos antes da hora?
— Conhecimento é a arma mais perigosa. — ele parecia meu professor de história da quinta série falando. — Vocês, heróis, acham que uma espada de bronze e um escudo é tudo o que precisam para derrotar os inimigos. Mas se esquecem da arma mais perigosa de todas; o saber.
— Ahn... — não estava esperando receber uma lição de moral agora. — Entendi.
Ele suspirou pela segunda vez naquele dia.
— Você está atualmete em Réuli. Em uma parte dela, ao menos, pois é divida em quatro locais. — ele apontou para a pequena mesa, e um mapa surgiu em cima dela. — Estamos exatamente aqui. — seu dedo pousou em uma pequena ilha, próximo ao polo Norte, algumas milhas de Groelândia.
Uma cruz vermelha passava por todo o mapa, revelando quatro pontos nos quatro extremos do planeta.
— A rosa dos ventos, como você estudou na escola dos Hérezi, fora criada a partir de Réuli. — ele passou o dedo pelos outros três pontos, seguindo a linha. — A bússula existe graça a esta cidade que você atualmente se encontra. Ela sempre aponta para o castelo que você viu no centro.
— Então você está me dizendo que qualquer... Hérezi pode vir para cá? — perguntei, a curiosidade lentamente dando espaço a ansiedade e tensão.
— É aí que entra o papel de Jeodio, o guardião que você viu na ponte. Ele é responsável por controlar as barreiras mágicas que envolvem nossa cidade, deixando-a invisível para os olhos de mortais comuns. — deu uma pausa, tomando um gole de chá e limpando a garganta. — Jeodio é de Valhena, como você deve ter ouvido no ritual de passagem, a escola de feitiçaria mais poderosa que existe. Ele conseguiu dividir-se em quatro, e agora guarda todas as quatro entradas de Réuli, utilizando de uma técnica muito avançada de magia.
— Ele mencionou algo sobre os Sete Grandes, também. — disse.
Pela primeira vez, Férion me encarou nos olhos.
— Ele está falando dos deuses, claro! — parecia ofendido pela minha pergunta. — Você não sabia nem disso?
— Ahn... os Sete Grandes não é exatamente uma matéria que se aprende na escola.
Ele olhou em um pequeno relógio de pulso, e levantou-se com um pulo.
— Estou atrasado! — ele estralou os dedos e um casaco de couro surgiu pendurado em sua cadeira. — Converse com Gary para ele lhe mostrar aonde você irá ficar por agora. — vestiu seu casaco, saindo para fora e deixando uma brisa fria entrar. — Continuaremos nossa reunião depois.
Quando saí para fora, ainda tonto pelas recentes revelações, uma Izabel com um sorriso largo no rosto veio falar comigo.
— E então? Como foi? — ela perguntou. — Lembro até hoje de quando entrei aí e tive essa mesma conversa. Assustador, não?
— Sim. — concordei. — Realmente assustador.
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