Notas iniciais
Primeiro conto aqui :) Escrevi para um trabalho de faculdade e decidi postar (não acho que escrevo muito bem, mas quis postar pra ver os feedbacks :L ) No momento, sem intenção de continuar, mas dependendo dos reviews, quem sabe né ? ahahahah Espero que gostem n-n

Fazia tempo que o jovem não sentia uma enxaqueca logo cedo. Já era quase 7 da manhã quando a dor lhe atingiu em cheio, provavelmente depois da longa noite de bebedeira de sexta,como tinha costume de fazer com os amigos no fim do mês, com a desculpa de "aproveitar a juventude". Luca estava encostado na parede do salão de festas da casa de um de seus amigos quando despertou, já semicerrando os olhos para tentar aliviar a dor, que ficava pior com a claridade que vinha das janelas. Com cuidado, levantou-se e foi até a porta do cômodo, desviando de seus outros amigos que, como ele, estavam jogados, dormindo em qualquer canto. Luca deveria voltar pra casa logo, ou iria escutar sermão de seu tio, Lorenzo, que vivia insistindo para que o sobrinho tivesse um pouco mais de responsabilidade. O jovem atravessava os cômodos da grande casa, esperando não encontrar nenhum empregado que viesse perguntar se ele estava bem, forçando-o a perder mais tempo explicando que estava só um pouco zonzo. Alegrou-se ao ver a porta de entrada, atravessando-a e dando de cara com a rua, que começava a ficar movimentada. Começou a traçar o caminho de casa, que não ficava longe, mas também não ficava perto o suficiente para que pudesse ficar tranquilo com o horário e sentir-se livre do sermão. Com passos largos, passava pelas pessoas de cabeça baixa, tentando evitar a luz, e foi esse mesmo gesto que o salvou. Lá estava ele, do outro lado da rua, provavelmente fazendo uma de suas caminhadas matinais ou indo ao banco, como fazia de costume. O tio de Luca não o reconheceu de longe, mas se aproximava cada vez mais, deixando o jovem em pânico e forçando-o a entrar numa rua estreita para sair do campo de visão de Lorenzo. Esperou até que o tio se afastasse e respirou fundo. Quase.

Voltando a se acalmar, decidiu seguir pela rua estreita, que parecia servir de atalho para casa. Luca não parava de pensar se seu tio teria percebido que ele não tinha dormido em casa, se teria reconhecido o jovem na rua e no tamanho da encrenca que toda essa história resultaria se as respostas de ambas as perguntas fossem "sim". Estava atordoado, até que escutou alguém cantar baixinho mais a frente, era uma voz doce e suave, que rapidamente seduziu o jovem. Seguindo devagar e curioso, Luca avistava aos poucos uma praça que ficava logo após uma curva fechada da rua, e nela, uma jovem, que estava encostada em um pequeno muro que limitava um canteiro com flores e uma grande árvore. Há tempos o jovem não se interessava por alguma garota, dizia que não queria gastar seu tempo com romances meia boca e que todas as garotas eram superficiais e, atualmente, tinham uma "beleza óbvia", mas de alguma forma, essa tinha atraído-o de uma forma estranha. Fixou sua atenção no rosto tímido de pele clara na luz do sol, admirando-a por alguns segundos até que a garota o notasse ali, escondido atrás das paredes. Ela tinha olhos encantadores, que pareciam arder em curiosidade com a presença de Luca. Ele, quase que hipnotizado, deu um leve sorriso involuntário, que foi correspondido, deixando ambos acanhados, e logo em seguida, outra troca de olhares. Era como se estivessem tendo uma longa conversa, como se os dois se conhecessem, de alguma forma. Após alguns instantes, provavelmente cansada de ficar ali, observando um desconhecido que nem ao menos tinha saído de trás dos muros, ela se virou delicadamente e começou a caminhar e, quando estava quase desaparecendo do campo de visão de Luca, voltou a olhar pra ele, sorrindo abertamente, quase convidando-o para acompanhá-la em seu trajeto, e ele, ainda anestesiado com o que tinha acabado de ocorrer, o fez, seguindo-a alguns metros afastado sem que ela percebesse, notando o jeito gracioso da garota andar, tendo suavidade em cada passo que dava. Parou quando chegou ao final da rua e perdendo a garota de vista. Ficou parado, lembrando de seus traços e pensando se a veria de novo, até que voltou a si e começou a se desesperar com o horário novamente, deveria ter perdido muito tempo ali. Sem pensar duas vezes, correu pelas ruas, vendo que seu palpite estava certo, a pequena viela realmente era um atalho, uma informação muito útil. Avistou sua casa alguns minutos depois, torcendo para que o tio ainda não estivesse lá. Foi até a porta da frente e pegou as chaves no bolso, abrindo a casa com cuidado. Viu Elise, a empregada, limpando a grande cômoda na sala e respirou aliviado quando ela disse que seu tio ainda não tinha notado a ausência dele. Elise sempre ajudava Luca, ele era como um filho pra ela. Logo após os pais dele terem morrido quando ele ainda era menino, Luca mudou-se para a casa do tio, que tinha mais condições de criá-lo do que o resto da família, mas que nunca foi muito presente por estar sempre envolvido com os negócios, deixando Elise responsável pelo menino quando ele estivesse fora. Ela, assim como Lorenzo, também gostaria que o jovem fosse mais responsável, mas ela sempre o acobertava quando ele precisava, pois sabia que ele tinha um bom coração.

Luca subiu as escadas depressa, entrando no banheiro e trancando a porta, despindo-se para um banho rápido antes que o tio voltasse. Quando acabou, desceu até a cozinha e sentou-se para tomar um café. Logo em seguida, Lorenzo chega em casa e vai de encontro com o sobrinho e a empregada.

—Acordou cedo hoje, Luca — ele disse, um pouco surpreso

—Só tentando mudar alguns hábitos, Tio — ele disse, tentando ao máximo parecer convincente

—Isso é bom... — ele ficou em silencio alguns instantes — Err.. Elise, preciso que você que cancele os compromissos de sábado, ok ?

—Tudo bem, senhor — Elise respondeu calmamente

—Obrigado.. Bem, terei que sair de novo para resolver alguns problemas. Luca, espero que mantenha esses hábitos que começou hoje

—Vou tentar, tio — ele respondeu, desanimado

—Tentar não é o bastante — ele respondeu, seco, fazendo Luca respirar fundo. — Espero não ter mais que lidar com suas aventuras infantis. Um dia você irá me agradecer.- Lorenzo disse enquanto saía da casa novamente, deixando a cozinha em silêncio por alguns instantes.

—Passou a noite na casa dos seus amigos de novo, não é ? — Elise perguntou enquanto servia o café ao jovem e o olhava com reprovação

—Ah, só mais uma noite de divertimento, não me olhe como se eu tivesse matado alguém — ele disse, abaixando a cabeça

—Ouça, Luca, sei que você não é um mau garoto, mas tente dedicar seu tempo em algo que não sejam essas noitadas que deixam seu tio tão zangado.

—Já falamos sobre isso, Lise.. — Ele a olhou, um pouco irritado, sabia que ela queria o melhor pra ele, mas não gostava de escutar esse tipo de comentário.

—Pois é, mas você nunca escuta.

Ele abaixou a cabeça de novo, sentindo a dor voltar. O evento da manhã tinha feito ele se esquecer do incômodo. Lembrou-se da garota e ficou perdido em seus pensamentos por um longo tempo, até que notou Elise o encarando fixamente.

—O que foi, Lise ?

—Eu que te pergunto,você está aí parado, sorrindo...

—Sorrindo ?

—Sim.. — ela deu uma pausa e riu suavemente — No que está pensando ?

—Eu não sei ao certo, Lise.. Eu.. conheci uma garota hoje..

—Uma garota ? — ela pareceu se animar, sentando ao lado de Luca — Onde você a conheceu ? Qual era o nome dela ?

—Bem.. eu não cheguei a conversar com ela, então não sei o nome dela, mas eu a vi numa praça quando eu estava tentando me esconder do tio Lorenzo

—Você quase se encontrou com seu tio na rua ?

—Isso não vem ao caso agora, Lise, só sei que a garota.. bem, eu não sei, algo nela me chamou a atenção e quase me fez perder a hora. — O jovem voltou a se calar. Elise sorriu

—Talvez alguém tenha finalmente te deixado interessado?

—Não diga besteiras, Lise

—Não são besteiras! Na minha opinião, te faria bem conhecer pessoas fora do seu círculo de amigos. — Elise se levantou, indo em direção à sala, para voltar a limpar os móveis, mas pense nisso !

Luca se inclinou na cadeira, olhando pro teto. Ele não tinha a menor vontade de conhecer outras pessoas, mas admitiu pra si mesmo que adoraria encontrar a garota misteriosa de novo. Seja lá quem ela fosse, tinha mexido intensamente com os pensamentos do rapaz, que agora se perguntava se a tinha deixado da mesma forma.

Notas finais
Aceitando críticas, construtivas de preferência :L
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.