O Beijo do Vampiro
6 Escola-Alec P.O.V.
P.O.V. Alec.
A todo momento ela nos olhava de esgueira, como se esperasse um ataque repentino.
A aula de história foi hilária. Talvez, fosse porque eu estava lá quando os fatos aconteceram.
O professor começou a contar a história de um massacre que aconteceu em mil oitocentos e sessenta e quatro durante a guerra civil.
Marie Jeanne respirou fundo como se aquela história a incomodasse.
—É porque incomoda.
Ela falou num tom inaudível para qualquer ser humano.
—Algo que queira compartilhar com a classe, senhorita Mikaelson?
—Você não sabe nada.
—Como é?
—Não haviam inimigos na igreja naquele dia. Ela provocou o incêndio, precisava fazer o tio Klaus acreditar que ela tava morta. Ela fez um acordo com o ancestral do Tyler, ele a ajudaria a forjar a própria morte e em troca ela lhe daria a pedra da lua.
—Pedra da lua?
Ela remexeu na bolsa e tirou de lá uma caixa de madeira pequena. Abriu a caixa e tirou de lá uma pedra branca que mais parecia um sabonete.
—Pedra da lua. Você nem faz ideia da confusão que essa coisinha causou.
—Posso?
—Claro.
—Eu nunca vi uma pedra igual a essa. De onde veio?
—Da lua. Ela canaliza a energia.
—Eu posso...
—Não. Ela é minha.
—Posso ao menos passá-la entre os alunos para que possam ver?
—Claro, porque não. Ela não pode ser destruída mesmo.
No fim do período ela foi até um antigo poço.
—Ninguém nunca mais vai colocar as mãos nessa coisa.
Ela atirou a pedra dentro do poço.
—Qual foi o pedido?
—Não tem pedido. Eu envenenei a água do poço, tá cheio de verbena e acônito lá dentro. Todos os tipos de acônito que eu conheço. Os Argent me ajudaram.
—E o que essa pedra que mais parece um sabonete tem de tão especial?
—Minha avó Ester usou a pedra para canalizar o poder da lua cheia e atou a maldição que suprimia o lado lobisomem do meu tio a ela, usando o sangue de uma das minhas ancestrais, o sangue de uma duplicata Petrova. E na busca pela pedra, meu tio inventou a maldição do sol e da lua para colocar as duas espécies rivais atrás dela. Vocês nem fazem ideia de quanta gente morreu por causa dessa pedra que parece um sabonete.
—Atou?
—Feitiços antigos e muito poderosos são atados á algo ainda mais poderoso. A lua, um cometa, uma duplicata, um híbrido Original imortal. Alguns são atados outros são ancorados.
—E qual é a diferença?
—Quando um feitiço é atado ele está simplesmente amarrado á aquela coisa. Mas, quando está ancorado significa que se a âncora for destruída você destrói o feitiço.
Ela fechou a tampa do poço e a soldou com um maçarico.
—O que vocês estão fazendo aqui?
—Eu vim pra cá pra me livrar de uma coisa.
—Eu sinto cheiro de acônito misturado com outra coisa. Porque tanto acônito?
—Pra impedir tanto vampiros quanto lobisomens e híbridos de pegarem o que eu joguei no poço.
—E o que você jogou no poço?
—Uma pedra.
—Uma pedra? Todo esse trabalho pra esconder uma pedra?
—É.
O lobisomem tentou abrir a tampa do poço.
—Eu soldei a tampa Derek.
—Então, o que essa tal pedra tem de tão especial?
—Ela causou muitas mortes. Não ela especificamente, mas por causa dela muita gente morreu. E ninguém mais vai morrer, não se eu puder evitar.
—Então, você a jogou ai dentro pra ninguém pegar?
—Exato. Ah e antes que eu me esqueça, tem alguma coisa ruim vindo.
—Sempre tem.
—Não igual a isso. Isso é diferente, dá pra tocar a fúria.
—E o quão ruim é?
—É muito ruim. Não igual nada que eu já tenha sentido antes.
Então nossos ouvidos doem por causa de um grito.
—Lydia.
—Ela tá sentindo também.
Eles foram convocados á delegacia.
—E então, xerife porque estamos aqui?
—Eu estava esperando uma explicação.
—Pra que?
—Pra isso.
Ele mostrou um radar e o radar detectou um nevoeiro.
—É um nevoeiro.
—É. Mas, esse é o único nevoeiro que viaja contra o vento.
—Vocês tão ouvindo isso?
—Ouvindo o que Lydia? O que você tá ouvindo?
—Um sino.
—E de onde vem o sino Lydia?
P.O.V.Jane
Nós fomos parar no ancoradouro e lá estava um enorme veleiro.
—Vocês tão vendo isso ou eu sou a única?
—Ah, eu to vendo.
—Porque ele está aqui?
—Assuntos inacabados.
Dava pra ouvir uma voz masculina sussurrando:
—Elizabeth. Elizabeth.
No dia seguinte dois corpos foram encontrados.
—Vai começar tudo outra vez.
—Um navio fantasma? Eu não consigo acreditar.
—Você viu, não viu Dimitre?
—É. Eu vi.
—Talvez eu possa tentar falar com eles. Descobrir o que aconteceu e o porque de ainda estarem aqui.
—Falar com eles? Você é doida?!
—Alguém tem que resolver. Alguém tem que interceder. Eu vou procurar por histórias de veleiros que afundaram perto de Beacon Hills. Talvez eles nem saibam que estão mortos.
P.O.V. Marie Jeanne.
Chegando em casa eu peguei meu computador e digitei:
Naufrágios em Beacon Hills.
Não obtive nenhum resultado satisfatório. Nenhum vestígio de navios naufragados, mas dai eu me lembrei do sino que tinha no museu municipal. Num dos passeios da escola o professor falou que era de um navio que afundou.
No dia seguinte eu fui até o museu e analisei o sino. Estava escrito Elizabeth Dane.
—Elizabeth.
Falei com o gerente do museu e ele me disse que o lugar onde a cidade foi construída era um importante entreposto comercial no século dezenove, mas que devido á um surto de lepra tudo foi esquecido.
—Por isso Elizabeth. Era o nome do navio.
Comecei a ficar obcecada com aquela história. Tinham coisas que não batiam.
—Essa história tá muito mal contada. Tem caroço nesse angu.

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