O Beijo do Vampiro

10 Dormir é para os fracos


P.O.V. Alec.

Ela tem algo de especial. Eu nunca fui muito fã de híbridos, sempre os achei esquisitos, abominações.

Mas, agora estou aqui. Olhando ela dormir, ela parece estar em paz, mas a paz não dura muito.

Ela acorda assustada e armada com uma faca. Uma faca diferente de tudo o que eu já vi.

—Porque todo esse pavor?

—O que você tá fazendo no meu quarto?!

—Não pude resistir. E de onde saiu essa faca?

—Isso? Nada de aço comum, wolfsbane, verbena e acônito, misturado com o meu sangue e feito com aço de outro planeta forjada sob a luz da lua cheia.

—E quem fez essa arma?

—Um amigo.

—Eu posso?

—Se é louco?! Acha que eu sou idiota? Que vou dar uma arma dessa na sua mão? Pra você ir correndo levar ela pro seu mestre, seu vampiro um sete um?

—Eu posso ver os símbolos na lâmina, mas não é nenhuma língua que eu conheça.

—É obvio. Infelizmente a língua kriptoniana morreu junto com o planeta.

—Isso é kriptoniano? O planeta do Superman e da Supergirl?

—Sim. Alguns kriptonianos estabeleceram morada na Terra, não só o Superman e a Supergirl, embora a maioria deles considere a raça humana uma raça inferior e queira exterminá-los, outros os que se lembram de como seu planeta era antes de explodir sabem sobre a importância de se respeitar os ecossistemas.

—Falando em ecossistemas, as árvores ao redor da sua casa não são como as outras.

—Carvalho branco, árvore de sabugueiro, álamo e acônito.

—O acônito funciona?

—A natureza é toda equilibrada meu filho, para cada força há uma fraqueza. Então sim, o acônito funciona.

—Sabe que eu tenho quinhentos anos não é?

—E sabe que eu sei mais sobre o que tem aqui fora do que você, não é?

—Eu pensei que o acônito só funcionava em lobisomens, mas parece que estava errado.

—Não. Acônito não fere os vampiros.

—Mas, feriu. As suas plantas me queimaram.

—Aquilo não era acônito.

—E o que era?

—E as flores que cresciam na base do carvalho branco nos queimavam e protegiam os humanos do controle mental. O feitiço decretou que apenas a árvore que nos concedeu a vida poderia tirá-la. Então incendiamos ela.

—O que isso significa?

—As flores referidas na história são as mesmas flores que você tocou. Verbena. O feitiço decretou que para cada força haveria uma fraqueza. O sol se tornou seu inimigo, a madeira da árvore que lhes concedeu a vida poderia tirá-la e as flores que cresciam na base desta mesma árvore os queimava e protegia os humanos do controle mental. Apesar da evolução, as duas raças ainda compartilham algumas fraquezas.

—A planta você quer dizer.

—Isso. Imagino que o organismo de um de vocês deva reagir diferente a uma injeção de verbena. Talvez seja letal.

—Injeção de verbena?

—Se os da raça do meu pai ingerirem verbena eles ficam desacordados. Dependendo da dosagem, eles ficam inconscientes por horas. Alguns médicos usam isso para coletar o seu sangue.

—Porque um médico iria querer sangue de vampiro?

—Pelo simples fato de que o sangue dos vampiros tem poderes de regeneração. Cura qualquer coisa. Entretanto, sai do organismo em vinte e quatro horas e se o indivíduo vier a falecer com o sangue do vampiro dentro do corpo, ele volta em transição e pode escolher entre se alimentar de sangue humano e completar a transição ou morrer de vez. A raça do meu pai não tem essa opção de se alimentar apenas de sangue animal, isso não sustenta eles.

—É um belo colar.

Eu tentei tocar no colar, mas ele me queimou.

—Ai!

—Seus pais não te ensinaram a não mexer no não é seu garoto? E a não invadir propriedade privada?

—Eu não me lembro dos meus pais.

—Lamento. Agora saia. Vai poder vê-la pela manhã.

—Eu só...

—Só entrou pela janela do quarto da minha filha, sem ser convidado. Qual é cara, isso não é jeito de se tratar uma dama. Cai fora antes que o meu marido acorde. Ele é bem mais conservador que eu. Ele te enfia essa faca rapidinho. E o aço kriptoniano corta de um jeito que dizem que a dor que ele causa, se aproxima do prazer.

Eu que não sou idiota, sai pela janela. Vendo ela ser trancada.

Mas, no dia seguinte eu tinha mais perguntas.

—Porque Álamo?

—Você não sabe mesmo?

—Não.

—Diz a lenda que Judas Iscariotes se enforcou num Álamo. Populus Nigra. E quando ele se suicidou condenou-se á vagar pela terra sem descanso por toda a eternidade. Ele se tornou o primeiro vampiro natural. Tecnicamente, ele é seu ancestral. Uma estaca feita com madeira de álamo e recoberta de prata e qualquer um de vocês é um vampiro morto.

—E o sabugueiro?

—Isso é coisa de bruxa. O sabugueiro é conhecido como a árvore da morte, a gente usa quando precisamos fazer magia negra. Serve de catalizador.

—Você faz magia negra?

—Ninguém é de todo bom e ninguém é de todo mal.

—Porque recoberta de prata?

—Quando Judas traiu Jesus ele recebeu trinta moedas... de prata. Se você encostar em prata, pode crer vai queimar.

—Como a verbena?

—Pior. Queima até o osso.

—E como sabe de tudo isso?

—Desde de antes de eu nascer tem gente tentando me matar. Eu aprendi algumas coisas na prática e fazendo pesquisa. Tenho contatos poderosos que me ajudam sempre que eu preciso e eu os ajudo sempre que eles precisam.

—Contatos poderosos?

—Foi mal, isso é informação sigilosa.