O Beijo do Amor Verdadeiro
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Após despedir-se de Hook, Emma e Henry ficaram parados na porta do prédio procurando as chaves de casa.
- Tem certeza que não está com você, garoto? — A loira perguntou revirando os bolsos da jaqueta e da calça.
- Tenho. – Henry batia as mãos nos bolsos, olhando Emma com um sorriso, sussurrou. – Bem, eu tinha. – Puxou as chaves do bolso da frente da calça. – Esqueci que você deixou comigo. – Aquele sorriso que ele deu, para Emma, seria impossível ficar brava.
- Ah garoto. – Em seu tom mais brincalhão possível, esfregando a mão em seu cabelo. – A sorte seria que Mary parece estar em casa. – Notou a luz acesa da janela que era da sala.
No momento que colocou a chave no local indicado da fechadura, a porta foi aberta e um vulto acelerado arremessou Henry e Emma pro chão.
- Ei! – Exclamou a loira. Observando que o vulto não parava. – Regina! – Exclamou, esperando agora uma resposta e nada. Levantou-se às pressas com Henry e subiu as pressas pra ver se estava tudo bem lá em cima.
- O que aconteceu com Regina? — Emma questionou ao ver Mary Margareth olhando pela janela do apartamento.
A morena abriu um imenso sorriso, ela ria da cena que acontecera no apartamento. – Diga-se que Regina veio desabafar e ficou nervosa com a minha reação. – Ela segurava para não gargalhar.
Henry seguiu andando até a cama, pegando seu vídeo game, já não prestava a atenção na conversa. Emma notou e então se aproximou de Mary. – O que realmente houve com Regina?
- Hahaha – Mary soltou uma risada. – É sério Emma, ela veio me contar que beijou Robin. – A morena não pode notar a reação e tão pouco a expressão da loira que de um sorriso doce foi tomado pelos lábios fechados e olhos quase semicerrados.
- O arqueiro? — Questionou, dando as costas mais não se afastando.
- Isso. – A mulher ainda ria alto. – Ela veio desabafar por ter beijado um homem, Emma. Ela explicou uma história de que na floresta encantada, Tinker foi lhe apresentar o seu amor verdadeiro e era um homem com tatuagem de leão, a mesmo que Robin tem.
Antes se quer que a mulher pudesse terminar a história, Emma já havia saído as pressas do apartamento numa única direção, a qual Mary nem se quisesse poderia imaginar, quem sabe aceitar.
Emma acelerou dentro do fusca em direção à casa branca no fim da rua. Não sabia ao certo o que estava indo procurar por lá e nem tão pouco o que ela ia dizer ao chegar, mas a sua única certeza era ir e fazer o que há tempos guardava dentro de si, não sabia as palavras, não sabia as atitudes.
Desceu do fusca, esticou o corpo em forma de se espreguiçar na porta do carro, por mais que fosse uma forma de enrolar. Segurou o nó na garganta e a vontade de ir embora, endireitou-se e caminhou até na porta. Os dedos magros e finos tocaram a campainha, causando um barulho estridente na casa.
--- ---- ----- ----- ----- -----
Regina saiu às pressas da casa de Mary Margareth, se arrependia no fundo da alma de ter ido até ela contar seu desabafo. Sua vida andava mais confuso nos últimos dias do que em todo o resto.
Lembrava-se de sentir a dor mais profundo que sentiu em toda sua vida. Nem mesmo ver Daniel morrer na sua frente doeu tanto quanto deixar Henry e Emma partirem. Mesmo que não admitisse, eles eram sua família e a forma mais pura de amor que seu coração já sentiu. Do nada, perdeu um ano de memória e eles estavam ali, na sua frente. Sentir o coração bater novamente era algo que não conseguia explicar, ainda mais numa guerra com Zelena. E no mesmo tempo, encontrou ou talvez, reencontrou o seu verdadeiro amor, o homem com a tatuagem de leão.
Era confusão demais pra uma Regina só. Ela sentia os olhares de Emma e a troca de energia entre elas que nem se quer precisava de um contato direto. Mas sentia o calor que vinha de Robin, era como se os destinos deles realmente estivessem cruzados.
Ao conseguir falar para a sua antiga arque inimiga e ver a mulher cair na risada pelo seu drama feito até então, não teve uma reação direta, Regina correu, como sempre, fugia ao sentir pânico.
Andava por todos os cantos da casa, revirando as coisas, arrumando algo pra fazer e distrair a cabeça. Tudo era em vão, sua mente estava de fato longe dali. Talvez perdido sobre o beijo que nunca deu na loira, ou no beijo que a pouco dera no seu provável amor verdadeiro e vagava também por Henry e seus momentos felizes.
Sentada em seu sofá com um álbum da infância do garoto, Regina sorri ao pensar que a loira fora a responsável por toda a desgraça de sua vida. Em contra a todo ódio que deveria sentir, a loira lhe deu a coisa mais importante, o filho, além de lhe ‘re-ensinar’ o bem. E Robin, era tudo novo. Ele, seu filho, sem esposa. Ele é homem, as coisas seriam mil vezes mais fáceis.
Em meio a transe de pensamentos, Regina escutou a estridente campainha ecoar pela casa. Por longos segundos, refletiu sobre ir atender e quem poderia ser. Antes de perceber já estava com a porta aberta, prensada na parede sobre as mãos duras e frias da xerife. Sentiu sua respiração ofegante e notou sua raiva.
- Que porra você fez Regina? — Emma gritou, subindo a mão no pescoço da rainha.
- Eu não estou te entendendo. – De fato a rainha não entendia mesmo. Sentiu um breve pânico em ver o ódio exalando da loira. O que de tão errado poderia ter feito? Num golpe rápido, afastou-se de Emma. – Explique-se Swan, que atitude barbara é essa?
Barbara? Emma respirou fundo, sentia toda raiva do mundo tomar seu corpo. – Não é uma atitude barbara comparada a sua atitude nojenta de beijar aquele homem. – Exclamou. Certo que Emma nunca confessou seus sentimentos para ninguém, muito menos para a própria Regina e que estava errada em chegar pedindo explicações, mais a fúria era maior que seu raciocínio. O nojo de pensar na Rainha nas mãos de um homem daquele, como aquele, ainda mais com o histórico que ele poderia carregar na vida dela, com tudo isso, não tinha como pensar antes de agir.
- Como que a senhorita está sabendo? — Regina sentiu-se ainda mais confusa. Emma não tinha como saber disso, só ela e Mary Margareth sabiam, e claro, o próprio homem. Mas não teve duvidas. Ela não falou, Robin não falaria, só poderia ser Snow White, como sempre, revelando seus segredos. – Meu Deus, é claro. – Sua voz era incrédula. – Como eu pude pensar que sua adorável mãe saberia ficar quieta? Maldita fofoqueira, deveria ter acabado com ela enquanto eu pude. – Resmungou.
- E eu não estaria aqui. – A voz baixa de Emma se aproximou. Uma mão da loira lhe tomou a cintura, encaminhando-se contra a parede, enquanto a outra tomava conta de seu rosto, de forma pouco possessiva. – Eu nunca poderia cogitar a possibilidade de te ver feliz com outra pessoa, se quer imaginar que existe alguém ai fora que é o seu amor verdadeiro. Sei que tudo isso poderá parecer loucura, mas eu preciso de você Regina, preciso de você comigo, lutando do meu lado. – As palavras faziam nascer um sorriso bobo no rosto da morena. – Peço desculpas por demorar, mas não acredito que seja tarde. Eu não poderia aceitar tudo isso sem saber que tentei. – Os lábios da loira já quase tomavam posse da rainha. – Você sentiu que ele realmente é o seu amor verdadeiro? — Sussurrava contra a morena.
Regina por sua vez, já sentia as pernas bambas e total falta de controle. Sua mão já segurava a nuca da xerife e a outra ainda pendia no ar. Os lábios da loira deslizaram lentamente por seu pescoço, causando um arrepio pela coluna inteira, não sendo capaz de segurar um suspiro alto. Sentiu a mão da loira invadir sua coxa, levantando-a a perna sobre ela. – Emma... – Um misto de gemido. O arrepio não desaparecia mais, tomava-lhe o corpo. Sentir os lábios da mulher sussurrar em seu ouvido ‘Diz Regina, ele é o seu amor verdadeiro?’ fez ser impossível o gemido baixo. – Não Swan. – Um verdadeiro desabafo, onde até as lágrimas seriam capazes de tomar seu rosto se não estivesse tão excitada.
Não houve mais tempo para qualquer palavra, Emma puxou o rosto da rainha para perto do dela. Tomou-lhe os lábios de forma urgente, trancando a mão em sua cintura puxando-a para mais parto. A rainha sentia-se no verdadeiro paraíso, grudou a nuca da loira sem medir força, impedindo-a de se afastar. E num passe de mágico, aquele beijo puro e tão esperado era capaz de liberar uma energia que saia das duas, espalhando pela rua, pelos locais conhecidos, tomando toda Storybrooke e assim a maldição era desfeita.
- Nenhuma maldição aguenta um beijo de amor verdadeiro. – Henry estava com o maior dos sorrisos na porta da mansão. – Mães.
As duas se abaixaram, ficando na altura do garoto, enquanto se abraçaram. Tendo então, a verdadeira certeza que eles eram uma família.
Fale com o autor