O Beijo das Estrelas
1 Ele
Notas iniciais
Finalmente havia chegado o dia de ir embora daquela Cidade. Três meses em uma viagem de negócios para terminar projetos, assinar contratos e inaugurar mais uma das minhas incontáveis franquias de supermercados espalhados por todo país.
Estava ansioso para me livrar de todo aquele stress, voltar pra casa e tirar uns dois meses de férias. Nessas horas eu pensava no meu pai, agora tinha entendido o porquê que ele estava louco para que eu me formasse logo e assumisse os negócios. E em quanto ele se divertia com a sua aposentadoria eu ficava aqui, trabalhando feito um condenado.
Viagens como essas eram muito cansativas. Precisavam de mim para tudo. ''Seu Marcus o fornecedor quer falar com você. '' '' Seu Marcus, terá mais três reuniões'' '' Seu Marcus o seu sócio Henrique ligou'' '' Seu Marcus, Marcus, Marcus...!'‘. Já estava cheio de tudo aquilo e se eu ouvisse mais alguém me chamando de novo, jurei que daria um soco.
– Seu Marcus!- Virei para olhar no rosto da pessoa que estava mais uma vez me incomodando — Estar na hora de corta à faixa de inauguração. — Era Marta a minha secretaria. Uma mulher baixinha, ruiva, com os cabelos em coque e vestida naqueles terninhos. Nunca perguntei sua idade, mas com certeza passava dos quarenta. Teve sorte, pois eu não socaria uma mulher.
E lá ia eu mais uma vez dá inicio a mais um de meus empreendimentos junto com o meu sócio Henrique, que também era o meu melhor amigo.
Henrique Becker era filho do Sr. Willian Becker, um grande amigo do meu pai dos tempos de adolescência e também eram os antigos sócios das empresas antes de eu e o Rique administrarmos como herdeiros. Crescemos como irmãos, pois logo que a sua mãe morreu em um acidente de carro quando tínhamos sete anos de idade, a minha mãe praticamente o criou, já que por ser filho único, o Sr. Becker nunca teve tempo para ele, simplesmente não sabia cria-lo sozinho. Então, desde pequenos nós nos tornamos melhores amigos, nos formamos juntos em administração na mesma universidade e assumimos os negócios de nossos pais. Rique já era casado com a bela loira Hellen e tinha um filho, o pequeno Chris, um garotinho de cinco anos muito inteligente para sua idade. Eu o adorava, dava tudo oque ele me pedia, a Hellen sempre reclamava porque dizia que eu ia mima-lo demais, mas não me importava, eu não tinha filhos mesmo.
E esse era o assunto em que os meus pais faziam questão de tocar quando estávamos reunidos em família, normalmente em jantares.
– Você precisa de herdeiros Marcus, se não quem dará continuidade ao nosso trabalho? Que como você sabe eu trabalhei muito para chegar aonde cheguei. — dizia o meu pai. O Sr. Alexander Manzzochi sabia mesmo como me tirar o apetite.
– Não precisa se preocupar meu pai, se eu não tiver herdeiros, os filhos da Alice poderão dar continuidade ao seu trabalho. – disse.
Alice era a minha irmã mais nova que tinha apenas vinte anos. Mal tinha entrado na faculdade, e eu mesmo já estava fazendo planos para os seus futuros filhos.
– Como você é engraçadinho, mas não mude de assunto, não é só para isso que você terá filhos, afinal de contas eu quero ter netos e já estou ficando velho e você também, esta com trinta e dois anos e o tempo passa rápido meu filho, só quero poder estar aqui para ver os meus netos crescerem.
– E daqui que eu tenha filhos, vai demorar muito ainda. Se eu tiver. — Disse a Ali.
Quando ela começava com os comentários de mulher moderna a mamãe sempre se incomodava. A Sra. Ana Manzzochi era muito conservadora, e como ela mesma dizia, queria deixar os seus filhos bem casados e com suas famílias perfeitas daquelas que você só ver em comerciais de televisão.
– Alice, não diga uma coisa dessas, com certeza você terá filhos, essa cobrança servirá pra você também logo que se casar. – a mamãe falou com uma aparência quase calma. A Ali realmente sabia como deixa-la irritada.
– Eu não irei casar mamãe, não quero viver presa dentro de uma casa vendo crianças correndo pela sala e bagunçando tudo.
– Mas você precisa saber que...
– Chega! Vocês não vão começar discutir sobre isso de novo vão? – meu pai disse interrompendo o que seria um pequeno debate entre mãe e filha pelo mesmo assunto pela milésima vez. E era por isso que eu evitava ir nesses jantares.
Quando cheguei perto do Rique, ele já estava com a tesoura na mão para cortar a faixa vermelha que ficava em frente da entrada principal. Pronto, estava inaugurado mais um supermercado.
– Parabéns pra nós dois mais uma vez! – Rique falou estendo a sua mão com um grande entusiasmo. Ele toda vida foi muito emotivo e essa era a nossa diferença. Para mim era só mais uma empresa, para ele era mais uma felicidade.
Sempre fui um homem movido mais pela razão do que pela emoção. Costumava pensar que pessoas sonhadoras demais perdiam tempo criando expectativas. Quando tais expectativas eram frustradas existiam as decepções como consequências. Já havia passado por uma experiência a qual me fez desacreditar em fazer planos para futuro só para evitar sofrimentos como depositar todas as esperanças em coisas que talvez não dê certo.
– Parabéns! – respondi dando um sorriso quase falso, devolvendo-lhe o aperto de mão.
– Eu te conheço Marquinhos, está louco pra ir embora daqui e tirar... Deixa-me ver, uns dois meses de ferias? – perguntou, e como já não era mais surpresa ele havia acertado.
– É Rique, você me conhece. Eu acho que você vai fazer o mesmo, acertei?
– Claro, vou viajar com a minha família, combinamos que essa viagem seria para a Disney.
– Como se fosse alguma novidade, vocês sempre vão pra lá por causa do Chris, depois reclamam que eu faço tudo o que ele quer. — ele sorriu.
– É meu amigo, você entenderá quando tiver os seus.
– Não basta os meus pais, até você esta falando disso também? É oque? Uma conspiração? – ele sorriu novamente e deu duas tapinhas de leve em meu ombro.
Uma hora depois as malas já estavam no jatinho, tudo pronto para ir embora de uma vez daquele lugar e finalmente descansar. Quando acabei de pisar no primeiro degrau da escada que lavava ate a porta da aero nave, escutei alguém me chamando de novo.
–Seu Marcus! – quase tive um ataque dos nervos.
–O que foi dessa vez? — respondi impaciente.
– Dona Cristina ligou- respondeu Marta- quer saber quando ela voltará para o Brasil pra resolver aquele assunto?
A minha vontade foi de responder nunca.
– Diga para ela que curta mais um pouco Londres em quanto pensa naquela proposta, quando tiver a resposta, me ligue. Mas só se tiver a resposta.
– Tudo bem! Faça uma boa viagem Senhor Manzzochi.
– Obrigado! Agora vá, você tem um mês de férias.
– Muito Obrigada! – acenou quase saltitante.
Entrei no jatinho, sentei na poltrona e coloquei a cabeça pra trás respirei fundo e relaxei. Como não havia dormido direito nos últimos dias, em poucos minutos a escuridão tomou conta da minha visão e eu adormeci.
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