O Bebê que não tinha nada

1 Capítulo 1 - Minha História até aqui


Como eu poderia dizer que eu tenho algo? Desde o momento que nasci percebi que esse seria meu destino, nasci sem ao menos ter o que vestir, não culpo meus pais, eles eram novos e meu pai tinha perdido o emprego antes de saber que minha mãe me esperava, eu tenho vinte anos, sim é claro que eu tenho roupas, um quarto, uma cama etc...

Mas o sentimento continua o mesmo, acho que é porque eu cresci tentando incomodar as pessoas o menos possível, nunca pedi dinheiro aos meus pais para lanchar na escola, nem mesmo me incomodei por usar roupas de segunda mão quando necessário, será que um dia simplesmente o sentimento e a persistência da existência imaginária daquele bebê em minha mente irão desaparecer?

Hoje tenho uma namorada, uma mãe e um pai carinhoso e uma irmã nem tanto, trabalhei para ajudar em casa, fui humilhado diversas vezes nesse mesmo trabalho por clientes, mas nunca liguei muito, sabe são só clientes eles buscam alguém para extravasar a raiva diária por qualquer motivo que seja, porque eu perderia meu tempo ficando bravo com essas pessoas? Porque guardaria magoa? Isso não me atinge de forma alguma, sempre tive uma rotina certa odeio ter que fazer algo não programado de ultima hora, principalmente quando esse “compromisso” e criado pela insistência da minha namorada por algo irrisório, mas fazer o que namoradas são assim não?

Sempre fui muito comprometido com minha família, acredito que todos nós temos um laço forte com algo e esse e o meu, tenho um irmão, não de sangue mas de consideração mesmo, ele me causou diversos problemas na minha infância era um dos caras que eu olhava e pensava desse dai só quero distancia, mas as coisas mudam ele não e o mesmo cara daquela época, ele é uma pessoa legal agora, tenho até um sobrinho por parte dele, incrível não? Sinto que aquela pequena criaturinha e algo bastante especial na minha vida, principalmente quando ele ri só por olhar pro meu rosto, já meus pais sempre foram algo mais difícil em minha vida, eles nunca deixaram de ser carinhosos, mas meu pai sempre foi um pouco afastado de mim, estava ali as vezes mas nem sempre quando eu precisava, digamos que eu não sou o filho preferido dele, eu estaria em decimo primeiro na lista atrás de minha irmã e primas, ele nunca quis um filho homem, quero dizer ele nunca quis que o filho homem fosse eu, um jovem que incrivelmente e hetero porém sempre teve tendências homossexuais, talvez esteja ai a chave do seu afastamento diante a mim como filho, ele nunca me tratou mal mas tampouco fez questão de me apoiar em algumas das piores situações de minha vida, esse não é o foco dessa história, já minha mãe ela sempre foi uma pessoa incrível, ela é a minha super-heroína, meu modelo, claro que ela possui defeitos mas não e essa a questão, ela sempre esteve lá, nos melhores e piores momentos, ela me apoiou, ela chorou comigo, ela me ensinou me fez imaginar que posso ser melhor, ela é uma pessoa incrível, já minha irmã eu prefiro não falar dela não é como se ela fosse algo bom em minha vida e por fim temos minha namorada cara ela e totalmente maluca o oposto de mim que sou uma pessoa super tímida, ela me mostra coisas e situações que nunca pensei que poderiam acontecer.

Eu já enrolei bastante certo? Eu quis mostrar a você que não se trata de não ter nada para chamar de meu, eu tenho bastante coisa, coisas que me fazem feliz, coisas que me deixam triste, porém o que eu quero te levar a pensar é por que no fundo do meu coração eu continuo sendo aquele bebê que nasceu sem uma única roupa para vestir? Porque em minha vida todas as situações me fazem crer que aquele bebê nasceu sem nada, um dia deve morrer sem nada porque eu devo perder tudo que conquistei até aqui?

Existe tanta coisa que não contei, coisas que talvez um dia eu te conte ou talvez você descubra sozinho, qualquer dia me procura quem sabe nós não conversamos mais.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!