O Baralho do Mágico Demônio

18 O Mistério em Chicory


CIDADE DE CHICORY

SÁBADO


O jogo contra o time local havia sido relativamente fácil. A liderança de Monica e a sinergia do time crescia, e com o time inimigo felizmente não possuindo nenhuma carta, o jogo tinha sido simples o suficiente.


A situação atual era simples, outro dia livre, para explorar a cidade e a cultura local. Ou ao menos para a maioria do time era um dia completamente livre.


“Eu não preciso de babá!” Arya reclama, fazendo bico, enquanto o grupo caminhava pela cidade.


“Bom, após o que vocês fizeram em Blackthorn, vocês têm sorte de conseguirem sair do hotel.” Monica responde, a jovem liderando o grupo, tendo sido responsável por ser babá das garotas mais novas.


“Ei! A gente tava ajudando uma amiga, era importante.” Arya continua, cruzando os braços.


“Não adianta reclamar, Arya, podia ser bem pior.” Eli acalma a amiga, uma mão em seu ombro.


É bem bonito aqui.” Seira olha maravilhada ao redor.


A cidade de Chicory era costeira, na região norte de New Kingdom, na Província de Astera. Não era tão grande quanto outras das mais famosas, comumente sendo uma pequena pausa na viagem pela costa do país, estando no meio, com cidades maiores e mais famosas estando a oeste e leste dela.


Chicory é uma cidade que não possuía praias, sendo conectada diretamente ao mar. A arquitetura em si era simples, com prédios dificilmente tendo mais que dois andares, a maioria na cor branca e cores claras, especialmente azul. A cidade em si era quase que um labirinto, com ruas de tijolos claros, estreitas, com os principais meios de locomoção sendo ou a pé, bicicletas, ou pelo canal que cortava a cidade.


A cidade era conectada com três diferentes rios, dois deles cercavam Chicory, com um rio maior a cortando em um largo canal, onde alguns barcos de transporte levavam pessoas pela cidade, desde cidadãos locais até turistas, um dos principais meios de transporte dali.


As garotas caminhavam por uma das pontes que passava acima do canal, próximas da balaustrada. Arya se aproxima, olhando para o canal abaixo, a água cristalina brilhando com o sol, largos barcos navegando pela cidade, deixando pessoas nos pequenos portos ao longo do caminho.


“Esse lugar é tão bonito...” Arya murmura, olhando a cidade ao redor, um labirinto de ruas e casas. Era comum terem restaurantes, cafés e confeitarias próximos do canal, o que fazia sentido, um dos melhores locais para algo do tipo.


“Aparentemente teve bastante influência de algumas cidades gregas. É algo comum na verdade. New Kingdom sempre foi um país que aceitou pessoas de braços abertos, tem certas influências de várias culturas em algumas cidades.” Monica explica, se inclinando sobre a balaustrada.


“Igual Blackthorn. Os festivais e até mesmo aqueles trajes cerimoniais definitivamente têm influência japonesa.” Amanda relembra, pensativa. “Na verdade, a deusa Perséfone por si só era assim naquelas artes.”


“É comum alguns deuses se conectarem a certas culturas em específico. A Perséfone viveu no Japão por séculos antes de se afastar dos humanos.” Joker explica, o coelho nos braços de Seira, que o carregava gentilmente.


Se afastar dos humanos? Por quê?” Seira questiona, inclinando a cabeça.


“É, por quê?” Arya adivinha. Não conseguia entendê-los mais, infelizmente, mas tem se esforçado para compreendê-la de qualquer forma.


“Acontece. Ela viajou pelo mundo por bastante tempo depois disso, hoje em dia vive perto da Árvore Eva na Amazônia, protegendo ela. Tem preferido viver afastada, conectada completamente com a natureza.” Ele responde.


“Pra alguém que vive tanto, deve fazer sentido. Se eu perco a paciência com a Arya às vezes, imagina viver séculos com pessoas. Imagina séculos com a Arya, cruz credo.” Eli comenta.


“É... EI!” Arya reclama, indignada, mãos na cintura. “Imagina ter que lidar com sua chatisse por séculos! Provavelmente um bando de planta seria melhor também.” Ela rebate.


“Pelo menos eu não botaria fogo na floresta ao tentar esquentar água.” Eli sorri, ajustando seus óculos.


“Foi só uma vez!”


“Por dia.”


Amanda ri com a dupla. Monica não segura um sorriso. Seira inclina a cabeça para o lado, um pouco confusa, antes de rir também. Joker rola os olhos, já acostumado com essas duas.


Seira olha ao redor, admirando a cidade. Relaxar assim era bom, estar com suas amigas ainda melhor, a fazia se sentir mais viva do que nunca. A garota estava distraída, se afastando um pouco do grupo, até ouvir um grito.


“EI! VOCÊ TÁ NA FRENTE!” Uma voz grita, assustando Seira, que pula para o lado, acertando um tripé onde um celular estava, fazendo ambos cair. “VOCÊ É IDIOTA?” A pessoa corre até o celular caído, o pegando, verificando se estava quebrado ou não. “Juro que se tiver um arranhão sequer...”


Era uma jovem de pelo menos 19 anos. 1,66 de altura, pele com um bronzeado artificial, os cabelos presos em um rabo de cavalo, pintados de loiro com as raízes negras e duas mechas laterais pintadas de azul, os olhos azuis com lentes de contato, batom rosa nos lábios e unhas longas pintadas entre azul e rosa. Ela usava um top azul que deixava sua barriga amostra, com uma blusa fina rosa aberta por cima, minissaia de um laranja claro, uma única meia-calça listrada entre azul e rosa, e saltos laranjas claros, óculos escuros na cabeça, além de carregar uma bolsa laranja.


“Sinceramente, meu set tava perfeito até você interromper. Pessoas não tem respeito mais mesmo, ugh.” A jovem reclama, se levantando, dedo se movimentando rapidamente pela tela, vendo o vídeo que estava sendo gravado até ser interrompida. “Olha só isso! O ângulo do sol tava perfeito e tudo, sinceramente.”


Desculpa?” Seira estava um pouco confusa após o susto, mas especialmente com a garota a sua frente. "Colorido... Um pouco forte. Rosa, azul, laranja, me lembra... Aventuras de Mali! Meu desenho favorito, adorava ver com o papai. Tinha o tigre Laranjinha, o coelho Azul, e a ursinha rosa Mali! Era tão divertido, até cancelarem.” A mente da garota vagueia imediatamente, nostalgia lembrando os episódios do desenho e nem prestando atenção na jovem a sua frente.


“Sabe quantos takes eu tive que fazer dessa dança nova? Sinceramente, quando eu faço tudo certinho uma criança idiota aparece pra atrapalhar. Era pra postar ainda hoje, mas não, claro que agora vou ter que fazer mais uma vez, porque pessoas não tem respeito pelo espaço alheio mais, sinceramente!” Ela continuava a reclamar em voz alta, Seira até olhava para ela, porém sequer ouvia, mais entretida com seus pensamentos.


As pessoas olham para a jovem. Alguns rolam os olhos, outros suspiram de indignação, mas todos preferem se afastar da situação.


“Sinceramente, com essa cara de besta, podia pelo menos pedir desculpas por atrapalhar o meu trabalho, rosinha.” A jovem encara Seira por alguns segundos, levantando uma sobrancelha. “Oiiee? Vai ficar só olhando também? É burrinha também? Vai ficar calada igual uma idiota? Sinceramente, patética.” Ela cutuca a testa de Seira, irritada.


Foi naquele momento que Seira começou a lacrimejar, lágrimas caindo.


“Chorando? Sério? Bebezinha é? Sinceramente, pedir desculpas não é difícil, sabia? Só abre sua boquinha de tapada e vai logo.” A jovem rola os olhos.


Aquele episódio é tão triste.” Seira ainda estava pensando no desenho, literalmente não havia escutado nada que a outra havia dito. “O tigre Laranjinha se mudando da Vila Feliz, a Mali toda triste por perder o amigo. O abraço antes dele ir embora pra sempre. Tô com saudade do tigrinho. Injusto.” Enquanto isso ela estava apertando Joker mais que o necessário sem querer.


“De novo não...Socorro.” O coelho grunhe.


“Ugh, tanto faz, chorona.” A jovem cruza os braços, antes de olhar para Joker. “Hmm... Andando por aí com um bichinho de pelúcia? Talvez você seja uma criancinha mesmo.” Ela olha para suas unhas por um segundo, antes de novamente para Joker, antes de sorrir, uma ideia em sua mente. “Pensando bem. Ele parece bem melhor que pelúcias normais, talvez pudesse ser útil pra algo. Me dá ele. Não é como se você devesse ter uma pelúcia ainda de qualquer forma.”


Ela tenta pegar Joker de Seira, apenas para ser interrompida. O braço de Arya bloqueando o caminho, a garota encarando a jovem.


“Quem você acha que é pra fazer a Seira chorar, sua babaca?” Arya pergunta, ficando entre as duas, claramente irritada.


“E você é? Namoradinha da rosinha aí? Eu não ligo, ela ficou no caminho do meu vídeo e eu quero esse coelho de compensação.” A jovem diz, mais focada no próprio celular do que nas duas agora.


“Vai tomar é um murro de compen-”


“Foi apenas um acidente, não tem nenhuma razão para tanta comoção.” Monica corta, se aproximando com as outras. “Tenho certeza de que podemos resolver isso amigavelmente.”


“Amigavelmente? Ela fez a Seira chorar!” Arya reclama.


Monica olha para Seira por um instante, então para a jovem, então para Seira novamente, pensando por um momento.


“Sabe, eles estão fazendo um reboot das Aventuras de Mali. Com os três mascotes iniciais e tudo.” Monica diz para Seira, que olha para ela, olhos arregalados.


Sério? Eu quero ver!” Ela pensa, sorrindo, parando de apertar Joker, para o alívio do coelho.


Arya olha Seira, então para Monica, confusa.


“A roupa dessa garota, tem a mesma paleta de cores do desenho.” Monica dá de ombros.


“O QUE ISSO TEM A VER?” Arya pergunta, indignada.


“Meu irmãozinho fazia o mesmo quando via qualquer coisa com cores similares depois que o desenho foi cancelado.”


“Isso não faz nenhum sentido...”


“Isso não é nada comparado com as conexões malucas que ele cria algumas vezes.” Monica dá de ombros.


“Desculpa, mas quão longe essas conexões vão pra você conseguir adivinhar o que a Seira tá pensando?” Eli pergunta, tão confusa quanto Arya.


“Bom... Uma vez nós estávamos viajando de carro para visitar nosso avô, quando meu irmão viu um Outdoor de um filme, com o cartaz tendo a mistura de cor azul e laranja. Ele olhou aquele cartaz e lembrou de outro filme que também tinha esse esquema de cores, mesmo filme que nós tínhamos visto recentemente. Aquele filme tinha um personagem com um tigre de estimação, o que fez ele pensar em tigres, que é o animal favorito dele. Isso o fez se lembrar da sua coleção de tigres de pelúcia, incluindo seu favorito que é o das Aventures de Mali. E isso o fez se lembrar do episódio que o tigre vai embora da Vila Feliz, o que o fez chorar novamente.” Monica explica, calma. As outras a encarando, confusas. “É bem simples.”


“ISSO É O OPOSTO DE SIMPLES! Isso faz literalmente zero sentido.” Arya grita, indignada.


“Claro que faz, eu expliquei detalhadamente o porquê.” Monica responde.


“A esse ponto você devia escrever um livro com todas as vezes que seu irmão fez alguma conexão sem sentido, aí a gente pode tentar conectar com o que a Seira possivelmente está pensando.” Elloise suspira, ajustando seus óculos.


Enquanto isso a jovem de antes apenas encarava o grupo, uma cara de desgosto no rosto. Ela rola os olhos, ajustando seu celular novamente no tripé.


“Esquece, eu tenho trabalho a fazer. Só me deixa em paz, não quero pegar o que for que...” Ela gesticula para o grupo. “O que for que vocês têm.”


“Que trabalho? Você só tá dançando no meio da ponte.” Arya pergunta, a encarando.


A jovem para, rolando os olhos.


“Pra sua informação, eu sou uma Influencer. Pessoas adoram me ver. Por motivos óbvios.” Ela explica, gesticulando para si mesma como se estivesse na cara.


“Pra rir da sua cara?” Arya pergunta.


A jovem a encara, claramente perdendo a paciência.


“Pra sua informação, eu tenho milhares de seguidores e views, e é só o começo! Vamos ver quem vai rir quando eu for famosa, enquanto você continua sendo uma pirralha irritante.”


“Eu não vou ser uma ‘pirralha’ pra sempre, mas tudo bem. Não sei e nem quero saber quem você é.” Arya retruca, se virando pra ir embora.


“Pra sua informação, meu nome é Maylahreigh, e você vai lembrar do meu nome, você vai ver.”


Arya imediatamente cai na risada.


“Os pais dela deram o nome de uma doença pra ela?” Ela pergunta, se dobrando de tanto rir.


“Acho que você está se confundindo com Malária.” Monica corrige.


“Dá no mesmo, é igualzinho. Não é possível. Combina.” Arya continua rindo, se apoiando em Seira, que só olhava entre elas confusa.


Ela tá doente? Que triste.” A garota faz carinho na cabeça de Maylahreigh gentilmente. “Vai ficar tudo bem.


A jovem olha para elas, indignada e furiosa.


“Meu nome é Maylahreigh! May-Lah-Reigh! Não malária!” As bochechas dela coradas de vergonha, afastando a mão de Seira com força. “Vocês só estão com inveja! Pelo menos eu tenho um nome único e diferente, ao invés de ser uma qualquer com nome genérico igual vocês.” Ela tenta se defender.


“Prefiro genérico do que ter um nome ridículo desses. Deve ser de família. Tem irmã? Qual o nome dela? Ebola? Se escreve Y-Bowl-Leigh?” Arya ainda rindo, se segurando em Seira para não cair.


Elloise não consegue mais se segurar, começando a rir levemente.


“A mãe chamada Audacity. Escrito All-Dah-Sea-Ti.” Eli adiciona, tirando os óculos para limpar as lágrimas de risada.


“A tia Daypreshoon.” Amanda continua, se segurando na balaustrada enquanto ria.


A única que ainda mantinha alguma seriedade era Monica, mesmo que um sorriso leve ameaçasse aparecer no canto de seus lábios.


“Por favor, não é...” Uma risada leve escapa, antes dela se segurar. “Não é educado rir dos... Rir dos nomes dos outros.” Ela esconde o rosto nas mãos, se acalmando um pouco.


“Vocês... VOCÊS PIRRALHAS SÃO TÃO IRRITANTES! Ugh...” Maylahreigh pega suas coisas, as guardando em sua bolsa, furiosa. “Esquece. Vocês nunca entenderiam. Não vou perder meu tempo com vocês mais.” Ela adiciona, indo embora apressadamente.


“Talvez a gente tenha exagerado.” Amanda diz, um pouco arrependida.


“Tô nem aí, ela tava sendo uma escrota com a Seira. Mereceu.” Arya dá de ombros, se virando para a Seira e Joker. “Cês tão bem?”


Seira concorda com a cabeça.


“Sim, mas não gostei dela.” Joker adiciona, cruzando os braços. Ainda sendo segurado por Seira.


“Não tem porquê se importar com ela de qualquer forma.” Elloise adiciona.


“Isso aí! Eu tô com fome. Dá pra ir comer alguma coisa agora?” Arya questiona, apontando para a área perto do canal onde alguns restaurantes estavam.


“É uma boa ideia. Já passou da hora do almoço, então provavelmente vai ser mais fácil de encontrar um local calmo para comer.” Monica concorda, pensativa. “Tem um café em uma rua próxima que visitei algumas vezes, é bem agradável.”


Doce?” Os olhos de Seira se arregalam, a ideia chamando sua atenção instantaneamente.


“Até eu consigo adivinhar isso. Não resiste açúcar.” Elloise ri, cruzando os braços.


“Como ela aguenta?” Amanda sussurra para Eli, que só dá de ombros.


“Certo! Bora logo que tô morrendo de fome.” Arya concorda.


Mônica as guia, saindo da rua principal, se movendo agilmente por algumas esquinas e entrando em uma rua menor. Ela parou por alguns segundos, surpresa.


“Que houve?” Arya pergunta, confusa.


“O café...” Monica se move até estar em frente a uma área interditada. Onde o café um dia esteve, agora havia apenas escombros, faixas cercando a área. “O que aconteceu?”


“Esse era o lugar? O que aconteceu aqui? Não parece só uma demolição.” Elloise diz, dando alguns passos para frente, observando os restos do local.


“O lugar inteiro caiu do nada uns dias atrás.” Alguém explica. Um homem de meia idade, no segundo andar de sua casa do lado oposto da rua, regando suas flores. “Foi do nada! Disseram que o prédio inteiro estava frágil, tijolos fracos e tudo. Besteira! Eu vivo aqui minha vida toda, garanto que nada nessa cidade ia quebrar tão fácil assim.” Ele adiciona, dando um tapa leve na parede. “Sorte que quase todo mundo conseguiu fugir do lugar, mas um garçom ficou preso. O coitado tá no hospital agora, um monte de osso quebrado. Coitado é trabalhador, não merecia uma coisa dessas.”


Monica franze o cenho.


“A dona do café sempre pareceu tão cuidadosa e dedicada. Não consigo acreditar que alguém que parecia ter tanto orgulho de seu trabalho iria negligenciar uma parte tão importante ao ponto do prédio entrar em colapso dessa forma.” Ela comenta, clara suspeita em seus olhos.


“A coitada tá tão mal! O sonho dela, e agora ela perdeu o café e o amigo tá no hospital.” O homem continua. “Tem algo errado nisso tudo, isso sim. Olho gordo, gente invejosa, sabe? Tem que tomar muito coitado com certas pessoas que não podem ver seu sucesso que já querem seu mal, é por isso que fico na minha. Ficar me intrometendo demais só atrai atenção...”


Ele continua falando. Amanda só concordando educadamente com a cabeça. Seira confusa, cabeça inclinada, tentando entender do que ele estava falando. Monica distraída, ainda pensativa. Elloise olha ao redor, antes de ultrapassar as faixas, se agachando perto dos escombros. Arya percebeu o que a amiga estava fazendo, a seguindo, se ajoelhando ao seu lado.


“Isso é estranho... Olha isso.” Eli aponta para alguns tijolos, quebrados perfeitamente ao meio. A maioria claramente em ótimo estado. “Nem ferrando que eles todos só quebraram assim. Não faz sentido.”


Arya se foca, olhos semicerrados, percorrendo os escombros.


“Energia. É bem fraca, mas tá por todo lugar. Acho que... Copas.” Ela murmura, segurando um tijolo, um pouco de aura ainda presente.


“Copas... Uma carta que deixa você destruir um prédio inteiro?” Eli pega o celular, pesquisando rapidamente em suas anotações sobre as cartas.


“Oito de Copas. Captura de Imagem.” Monica diz, se aproximando.


As duas garotas a olham, Eli rapidamente indo até as informações da carta. Oito de Copas, Captura de Imagem.


“Capacidade de capturar momentos em imagens. Manipular a imagem afeta seu equivalente na realidade.” Eli lê, antes de olhar para Mônica. “Como...?”


“Ela me fez explicar todas as cartas enquanto vocês tavam tomando bronca da treinadora.” Joker explica, tendo escapado de Seira, que ainda estava sofrendo com histórias do homem junto de Amanda.


“E você memorizou tudo?” Arya questiona, surpresa.


“Sim.” Monica afirma.


“Nerd.” Arya rola seus olhos, Monica apenas levanta uma sobrancelha.


“Se teremos que lidar com possíveis portadores futuros, é o mínimo que devo fazer” Ela dá de ombros. “Então existe um aqui. Capaz de causar esse tipo de dano ainda por cima. É algo perigoso.”


“A gente tem que achar quem for. Rápido. Carta de número alto ainda.” Arya diz, se levantando.


“Sim, só que vai ser perigoso, e difícil. Não só pode pegar a gente desprevenido, mas também tem um monte de turista por aí.” Eli concorda, olhando ao redor.


“Se é necessário a manipulação da imagem, isso poderia diminuir os suspeitos amplamente.” Monica sugere. “Algo como pinturas? Porém seria muito complexo. Fotos instantâneas é uma possibilidade, mas duvido que muitas pessoas andem com algo do tipo hoje em dia.”


“Literalmente um celular.” Arya adiciona. “É só tirar uma foto e editar na mesma hora, menos de um minuto.”


Os olhos de Monica se arregalam por um segundo.


“Tem razão. Pensei em algo mais direto e físico, porém sendo algo mágico, a possibilidade de até mesmo um celular poder funcionar é grande.” Ela suspira.


“Então a nossa lista foi de alguns turistas pra literalmente qualquer um! Ótimo.” Elloise bufa frustrada. “É como achar um neurônio na cabeça da Arya, vai ser impossível.”


“Ei! Vai se ferrar, vai. Só sobra pra mim.” Arya cruza os braços, fazendo bico.


“Isso se ainda estiver na cidade. A possibilidade de ainda estar aqui é baixa.” Monica adiciona.


A barriga de Arya ronca alto, ela corando envergonhada.


“Dá pra gente comer alguma coisa pelo menos? A gente não comeu nada desde manhã.” Ela pede.


Eli ri, balançando a cabeça.


“Tem razão. A gente não vai achar ninguém morrendo de fome. A gente pode pensar em um plano enquanto come.”


“Suponho que seja melhor. Teremos que comer em um dos restaurantes próximos.” Monica concorda.


As garotas se moveram novamente em direção ao canal, para o alívio de Amanda, que rapidamente as segue, puxando Seira consigo, deixando o homem para trás – falando sozinho sobre pescaria por algum motivo.


O grupo decide ir em um restaurante perto da ponte anterior. Felizmente o local estava menos movimentado. Como Monica havia dito, tudo estava mais calmo após o almoço ter passado. Elas rapidamente foram levadas para uma mesa ao lado da janela.


“Beleza, achar o portador... Como a gente faz isso?” Arya se pergunta, lendo o menu.


“Você é quem consegue ver a aura deles, você que devia saber.” Eli responde, mexendo no celular. “Provavelmente andar por aí até você ver algo.”


“Mas a gente não tem o dia todo. No máximo algumas horas, se a gente não voltar na hora a treinadora vai matar vocês.” Amanda adiciona, pensativa. “Por que a pessoa destruiu o café?”


“Por quê...? Isso é verdade. Não faz sentido nenhum. Era só um café.” Eli concorda, franzindo o cenho. Ela procura algo em seu celular.


“Será que tem algo pessoal nisso? Se for, então diminui as possibilidades.” Arya sugere, colocando o menu de lado. “A gente podia voltar e perguntar pro senhorzinho lá-“


“Nem ferrando.” Amanda interrompe. “Ele contou tanta história de pescador que eu provavelmente vou sonhar com peixes pelo próximo mês.”


“Qualé, a gente mal ficou lá por tanto tempo assim.” Arya diz, rolando os olhos. “Não exagera.”


“Ele literalmente contou umas vinte histórias diferentes. Nem sei como ele tinha tanto fôlego! Ah, pera, eu sei sim, porquê ele também contou de quando era mergulhador na marinha. Ah é, e que ele aparentemente viu uma sereia uma vez? E um peixe gigante quase engoliu ele? E também que viu uma baleia fantasma gigante nadando na costa sul uma vez? Ou-“


“Okay, okay! Tendi já, velho tagarela.” Arya corta, massageando a têmpora. “Beleza, talvez outra coisa.”


Já ouvi falar de avistamentos de Bake-Kujira. Elas são tão bonitas. Queria ver uma de perto.” Seira pensa, fazendo carinho em Joker. “Será elas existem...?


“Provavelmente foi só o Oceano... Ou o velho é doido.” Joker cruza os braços, entediado. O coelho no colo de Seira. Ele olha ao redor, antes de parar em Arya, que obviamente estava sentada ao lado de Seira. “Você tá usando essa luva todo dia, onde você conseguiu ela?”


Arya olha para ele, então para a luva.


“Ah, é do meu pai. Minha mãe disse que ele deixou pra mim. É confortável, eu gosto. E da uma sensação diferente também, como se ele tivesse comigo...” Ela explica, virando a mão para a mostrar melhor.


Joker encara a luva, cenho franzido, antes de seus olhos se arregalarem.


“Isso facilita descobrir quem seu pai é. Hades Angels.” Ele acena com a cabeça, orelhas balançando. “É o grupo de demônios que toma conta da entrada de New Kingdom pro Submundo.”


“Hades Angels? É o nome deles? Pera, você conhece eles? Será que conhece meu pai então?” Arya pergunta, curiosa, se inclinando para mais perto.


“Bom, é meio difícil... Eles se expandiram bastante desde que Styx tomou a liderança anos atrás. Deve ter uns vinte membros diferentes agora, talvez mais. Não é como se eu conhecesse todo mundo! Tem milhões de demônios no Submundo.” Joker dá de ombros.


“Coelho tapado, não me dá esperança assim se não vai dar a resposta!” Arya reclama, cutucando Joker, brava.


Pelo menos o número de possibilidades diminuiu.” Seira pensa, sorrindo e fazendo carinho na cabeça de Arya. “A gente vai achar ele um dia.


Arya cora, mas sorri.


“É, eu devia relaxar mesmo. Se meu pai é desse grupo, então é só procurar neles.” Arya concorda. “Se meu pai é um súcubo, então diminui ainda mais.”


“Por que não pergunta para a sua mãe?” Monica sugere, cabeça inclinada. “Ela obviamente deve saber.”


“E revelar que eu sei que sou meio demônio? Ou o fato que tô lutando contra gente louca num vestido? Ou que quase morri semana passada? Nem ferrando.” Arya nega.


“Isso se a mãe dela souber também. Imagina perguntar e a mãe dela descobre que o pai da Arya é um demônio assim?” Amanda adiciona.


“Justo.” Monica concorda. “Seja o que for, ir para o Submundo não é algo que ninguém aqui quer tão cedo, eu espero.”


Ela acena para uma garçonete, que rapidamente se aproxima e anota os pedidos de todas, antes de se afastar novamente.


“Eu só queria saber porque ele foi embora...” Arya murmura, pensativa, seus dedos brincando com a corrente da luva.


“Ei, provavelmente não foi culpa dele!” Joker responde, preocupado. “Muita coisa aconteceu nos últimos anos no Submundo. Isso inclui a ordem do Deus da Morte de todos os demônios voltarem pro Submundo até aviso prévio.” Ele explica. “Demônios não podem vir pra cá sem permissão. Se for do Hades Angels então? Seria um problema enorme.”


Arya sorri fracamente.


“Obrigada, Joker. Eu espero que sim. Minha mãe disse que ele não queria ir, mas né. É difícil não ficar com dúvida...” Ela suspira, antes de se focar novamente. “Certo, o que importa é achar o babaca que tá com a carta, o resto vem depois.”


“Nem ferrando...” A voz de Eli corta a conversa, olhar focado em seu celular. “Tudo bem, talvez isso ajude. Eu dei uma olhada em reviews recentes daquele café, e olha só isso.” Ela mostra a tela.


Arya se inclina para frente, lendo. Uma review de uma estrela, feita poucos dias atrás.


“Totalmente não profissional. Comida medíocre. Não sabem fazer negócios. Ofereci...” Arya lê, antes de parar, respirando profundamente para se manter calma. “Ofereci uma parceria e fazer posts para meus seguidores, e a dona sequer ofereceu um desconto. Não vale a pena, deveriam aprender a fazer negócios ou fechar as portas.”


“Que tipo de pessoa intitulada reclamaria por não receber descontos por fazer um post?” Monica questiona, arqueando a sobrancelha.


Eli suspira.


“Lê o nome.”


“Maylahreigh.” Arya suspira profundamente. “Sabia que eu devia ter metido um murro na cara daquela filha da-“


“Nós não sabemos se ela está por trás disso. Apesar de ser uma possibilidade.” Monica corta.


“Não tava falando da carta, mas é, tem isso também.” Arya resmunga, emburrada. “Minha mãe é artista. As vezes a gente para pra ler as DMs idiotas que ela recebe. A maioria das vezes é engraçado, mas tem cada atrocidade que as vezes só me deixa puta mesmo. Escrota mal amada essa aí. Aposto que tem nada de seguidor também.”


Eli ri, balançando a cabeça.


“Faz sentido. Se a gente achar ela, é uma boa ficar de olho.”


“Pra falar a verdade, eu não vi nada de estranho ao redor dela. Normalmente um portador de carta tem uma aura ao redor. Mais forte de acordo com a carta.” Arya explica, traçando a aura de luz ao redor de Elloise com o dedo. “Aquela piranha não tinha isso. No máximo a aura de puta e o cheiro de vaca.”


O resto da mesa caiu na risada.


“Certo, isso...” Um sorriso leve no rosto de Monica. “Isso é um problema. Nenhuma outra review que chame a atenção?” Ela pergunta para Eli.


“Não. A maioria é nota alta. No máximo três estrelas, mas reclamando de coisa básica. Nada tão estranho ou suspeito.” Elloise nega, analisando a página do Café. “Parece ser adorado pela maioria.”


“Estaca zero... Só quero minha comida agora.” Arya murmura, colocando a cabeça no ombro de Seira. “Tô fraca. Consigo fazer mais nada.”


Tá tudo bem. Comida já já chega. Posso fazer um lanche mais tarde.” Seira acaricia Arya, um sorriso no rosto.


“Tá ficando sem vergonha, né não?” Eli sussurra para Amanda, que concorda com a cabeça.


“A gente devia fazer alguma coisa logo, essas duas tão grudadas toda hora.” Amanda sussurra de volta.


“E se a gente já planejar o casamento? Mais fácil do que esperar elas fazerem algo.” Elloise sugere.


“Oh! A gente podia convidar a escola inteira. Usar o auditório pra cerimônia.” Amanda concorda, rindo baixinho.


“Joker de padre.” Eli adiciona.


Monica olha o grupo, uma risada leve escapando, antes de recuperar a compostura.


Talvez ajudá-las a lidar com algo tão perigoso fosse perigoso, mas ao mesmo tempo, ela sabia que não poderia impedi-las. Estar ali a fazia entender isso um pouco melhor. Se elas teriam que lidar com isso, ao menos Monica poderia tornar tudo um pouco menos arriscado estando ali por elas.


“Olha aqui, não sei se você entende muito de negócios...” Uma voz extremamente irritante chama atenção, quebrando a calma do restaurante. “Eu literalmente falei do meu perfil com milhares de seguidores!”


“Nem fudendo...” Arya murmura, respirando profundamente.


“Não é possível.” Eli adiciona.


“Azar é pouco.” Amanda continua.


Quero sorvete...” Seira pensa, inclinando a cabeça, antes notar a comoção. “Voz engraçada, parece uma bruxa.


Obviamente era Maylahreigh, sentada em uma mesa um pouco afastada, reclamando com um garçom. Ele estava claramente de saco cheio, desconfortável, definitivamente querendo estar em qualquer outro lugar no momento.


“Óbvio, Malária de novo. Em make, color blocking e piranhagem.” Arya rola os olhos, cruzando os braços, irritada.


“Só a ignore.” Monica sugere.


“Aproveita e dá outra olhada nela, vai que né.” Eli sugere.


Arya bufa, antes de espiar, encarando Maylahreigh.


“Nada... Como eu disse, só aura de puta mesmo.” Ela dá de ombros.


“Literalmente fui extremamente generosa em oferecer um post sobre seu restaurante no meu perfil! E sequer um desconto? No mínimo a sobremesa deveria ser de graça!” A pir- jovem reclama.


“Como eu falei antes, nosso restaurante já tem uma boa fama, e não oferecemos descontos por posts em qualquer rede social.” O garçom repete, obviamente uma fala que parecia ser mais comum do que gostaria.


“Sinceramente, que tipo de lugar patético desperdiça uma chance tão boa assim? Eu tenho milhares de seguidores! Milhares!” Maylahreigh argumenta, praticamente esfregando seu celular no rosto do garçom.


O garçom suspira, rolando os olhos, antes de olhar para a tela. Ele imediatamente solta ar pelo nariz, antes de se segurar para não rir.


“Certo, claro. Como eu disse, nós não precisamos de nenhuma ‘parceria’.” O garçom reforça, mantendo a compostura. “Nossos perfis tem muito mais seguidores de qualquer forma. Sua ajuda não é necessária.” Ele adiciona, sorrindo inocentemente.


Arya cobre a própria boca, segurando a risada.


“Gostei dele. Humilha mesmo.” Ela murmura.


Maylahreigh estava claramente furiosa, bochechas vermelhas, punhos cerrados. Uma mulher mais velha, na casa dos trinta, se aproxima. Provavelmente a gerente.


“Algum problema?” Ela questiona.


“Bom, ela está insatisfeita com a forma que fazemos nossos negócios.” O garçom explica. “E falando sobre como ela é uma ‘celebridade’” Ele adiciona, com um leve sarcasmo em sua voz.


“Ah, entendo...” A gerente concorda com a cabeça. “Infelizmente, nós não oferecemos nenhuma forma de parceria no momento. Normalmente isso é algo comunicado e planejado. Contratos, negociações. Formalidades, é claro, mas necessárias nesse tipo de situação. Tenho certeza que você entende, como é, certo?” Ela adiciona, em um tom doce, mesmo que o veneno por trás de suas palavras fosse forte. Claramente acostumada em lidar com pessoas assim.


Maylahreigh estava ainda mais furiosa, vermelha não só de raiva, mas de vergonha, com pessoas ao redor encarando a situação com curiosidade.


“Considerando o quão comum pessoas tentam usar seguidores como pagamento hoje em dia. Ela realmente sabe como desarmar pessoas como... Aquela garota.” Monica comenta, então uma pausa, até ela havia esquecido o nome. Obviamente, que tipo de pessoa colocaria um nome assim em uma criança, afinal?


“Oh, entendi...” Eli sussurra para si mesma, pensativa. “Ao invés de argumentar contra ou só negar, ela tá indo em favor, mas adicionando a parte técnica desse tipo de negociação.”


“Quê?” Arya pergunta, confusa.


“Esse tipo de coisa, publis e tal. Normalmente tem todo um contrato envolvido .” Eli explica. “Basicamente, sair pedindo desconto por publi deixa uma imagem ruim pra ela, especialmente se ela escalonar a situação. Estraga a imagem dela de influencer.”


“Como se ela tivesse alguma imagem decente pra começar.” Arya diz, indiferente.


“É escalonar e sujar a própria imagem, o que é uma das coisas mais importantes pra um influencer. Ou ficar calada e aceitar a situação, mantendo o profissionalismo.” Amanda concorda.


“Ficar na coleira ou meter o barraco, entendi. Difícil escolher. Os dois seria engraçado.” Arya dá ombros.


Maylahreigh parecia pronta para reclamar, porém, para a surpresa de todos – e desapontamento de Arya – ela respirou profundamente, antes de sorrir calmamente.


“É, tem razão. Eu fui um pouco rude, sinto muito. Dia longo, sabe como é.” Ela diz, rindo levemente. Suas mãos ainda tremiam de fúria, mas ela notou sua situação o suficiente para se acalmar. “Claro, talvez um outro dia. Independente, eu adoraria fazer um post, só como agradecimento pela comida, e desculpas pela minha atitude. Foi uma refeição maravilhosa!”


Para a surpresa tanto do garçom, quanto da gerente, Maylahreigh se levantou, os puxando em um abraço de grupo e tirando uma selfie.


Arya sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Perigo. Porém, olhando ao redor, nada.


“Mas o quê?” Ela murmura, confusa, cenho franzido.


“Eu só gostaria de uma garrafa de água antes de ir, por favor.” Maylahreigh pede, se sentando novamente, mexendo em seu celular.


“Certo...” A gerente acena com a cabeça, um pouco suspeita, antes de se virar para o garçom. “Pode voltar pro trabalho.” Ela ordena, antes de se afastar.


“Sim, senhora...” O garçom se moveu, ainda confuso, mas mantendo o foco. Ele entregou a garrafa de água para Maylahreigh, antes de ir atender outra mesa.


Felizmente um pouco depois, a garçonete responsável pela mesa do grupo finalmente chega com um carrinho de serviço, servindo todas.


“Finalmente! Tô morrendo de fome.” Arya fala, porém antes que começasse a comer, outro arrepio percorreu seu corpo. Então logo após, um som de pratos se quebrando, seguido de um grito de susto.


O grupo imediatamente se virou para a origem do barulho. No chão, o mesmo garçom de antes. Ele estava agonizando, uma mão segurando o próprio pescoço como se algo estivesse preso, seu rosto ficando vermelho conforme ele sufocava, seus lábios arroxeados.


Monica foi a primeira a reagir, correndo e se ajoelhando ao lado dele, porém ela rapidamente percebe que algo estava errado.


“Não é engasgo, tem algo impedindo as vias respiratórias por fora.” Ela diz, puxando as mãos do garçom para longe. Era como se seu pescoço estivesse sendo pressionado por algo invisível. “Arya!”


Arya entende imediatamente, olhando ao redor. Tinha que ser mágica, uma carta, provavelmente a que elas buscavam. Alguém... Seus olhos imediatamente caíram sobre Maylahreigh, que estava ainda sentada em sua mesa. Sorriso nos lábios, vendo o garçom sufocar, celular na mão.


Ela voltou a mexer no celular, mas dessa vez Arya viu. A aura rosa, não ao redor de Maylahreigh, mas em seu celular e dedos, completamente focado apenas neles. Arya vinha buscando por uma aura forte ao redor de alguém, porém nesse caso, a aura estava em algo específico.


“EU SABIA QUE ERA VOCÊ, SUA PIRANHA DO CARALHO!” Arya grita, correndo até a jovem e pegando o celular de sua mão.


Na tela estava a selfie anterior, aberta no editor de fotos. O garçom com seu pescoço editado, mais fino. Arya imediatamente cancela a edição, não salvando as alterações e imediatamente o garçom começa a respirar novamente, puxando ar em seus pulmões desesperadamente.


“DEVOLVE MEU CELULAR, PIRRALHA!” Maylahreigh grita, se levantando e tentando pegar seu celular de volta.


“NEM FERRANDO! ME DÁ A CARTA, SUA VACA. CÊ NÃO VAI MACHUCAR MAIS NINGUÉM!” Arya nega, brigando pelo celular, empurrando Maylahreigh para longe, imediatamente movendo seus dedos na tela, passando pela galeria de fotos.


Todas as provas estavam lá. Dezenas de fotos. Incluindo do café. O café na foto havia sido editado, rachaduras desenhadas sobre toda a imagem. E havia mais. Um carro obviamente caro, editado de forma que parecesse estar totalmente amassado. Uma casa com uma linha a cortando no meio. Provavelmente a coisa mais assustadora entretanto, era que uma das fotos mais recentes era do grupo. Era de longe, baixa qualidade, mas obviamente editada.


Ela havia tentando com elas também.


“VOCÊ-“ Arya começa a gritar, antes de perceber que Maylahreigh havia sumido, correndo para fora do restaurante. “Desgraçada... Ei, vocês tão bem? Cê tá bem, tio?” Ela pergunta pro garçom.


“Eu...” O garçom respira profundamente, a cor em seu rosto voltando ao normal. “Comassim, tio? Eu tenho 20 anos, cara!”


“Cuida dele, eu vou atrás da piranha!” Arya exclama, antes de correr para fora do restaurante.


“Arya, espera!” Elloise grita, a seguindo.


Eu também!” Seira dá Joker para Amanda, antes de sair correndo atrás das amigas.


Amanda dá um passo a frente, pensando se devia segui-las, antes de mudar de ideia.


“Eu só ia atrapalhar...” Ela murmura.


“Ei! Não precisa ser tão dura consigo mesma.” Joker diz, preocupado.


“Tá tudo bem. Não tenho como ajudar, eu entendo.” Amanda limpa lágrimas que ameaçavam cair.


Joker franze o cenho, pensativo.


“A gente pode ter certeza de que o garçom tá bem. E guardar a comida pra elas.”


“É, pode ser.” Amanda concorda.


Monica toma conta do garçom, tendo certeza que ele está bem. Emergência já tendo sido chamada e a caminho.


“Eu não pareço tão velho assim, né?” O garçom murmura.


“Não acha que devia estar mais preocupado com sua saúde no momento?” Monica pergunta.


“Ela me chamou de tio! Como se eu fosse um velho!” Ele reclama.


Monica suspira, olhando para a porta, preocupada.


“Tomem cuidado...” Ela sussurra.


O trio agora em perseguição, em busca de Maylahreigh por Chicory.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.